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Musica sacra e Magistério


Precisamos aprender mais sobre o que ensina o magistério a respeito do canto sacro.

Podemos começar com este documento: Quirógrafo do Beato João Paulo II:

"1. Impelido por um profundo desejo "de manter e de promover o decoro da Casa de Deus", o meu Predecessor São Pio X emanava, há 100 anos, o Motu proprio Tra le sollecitudini, que tinha como objeto a renovação da música sacra nas funções do culto. Com isso, ele pretendia oferecer à Igreja indicações concretas naquele setor vital da Liturgia, apresentando-a "quase como um código jurídico da música sacra". Tal intervenção, igualmente, fazia parte do programa do seu pontificado, que ele tinha resumido no dístico: "Instaurare omnia in Christo". "

O decoro ajuda na elevação para DEUS?


Mais um trecho do documento:

A música como meio de elevação do espírito a Deus, seja como ajuda para os fiéis na "participação activa nos sacrossantos mistérios e na oração pública e solene da Igreja"


Grandiosidade do órgão



"É desejo ardente da Mãe Igreja que todos os fiéis cheguem àquela plena, consciente e ativa participação na celebração litúrgica que a própria natureza da liturgia exige e à qual o povo cristão, "raça escolhida, sacerdócio real, nação santa, povo adquirido" (1Pd 2,9; cf. 2,4s), tem direito e obrigação, por força do batismo." (SC 14)

A música expressa estados de alma ; o rock assim como outros ritmos apelam mais para os sentidos que para o intelecto.

A música, portanto, é criadora de estados de alma, os quais fazem nascer idéias correlatas em nossas mentes. Quem permite que uma música crie em sua alma um estado de melancolia e tristeza naturalmente terá tendências à tristeza e à melancolia, por isso mesmo, idéias melancólicas, tristes e pessimistas.

Fica então patente que uma canção, por si só, sem levar em conta a sua letra, cria estados de ânimo e suscita idéias.

Platão insiste no poder insinuante da música de agir sem ser percebida, a ponto de conseguir destruir ou revolucionar uma sociedade, "pois é aí que a ilegalidade se insinua mais facilmente, sem ser percebida... sob forma de recreação, à primeira vista inofensiva".

"Nem, a princípio, causa dano algum, mas esse espírito de licença depois de encontrar um abrigo, vai-se introduzindo imperceptivelmente nos usos e costumes; e daí passa, já fortalecido, para os contratos entre os cidadãos, e após os contratos, invade as leis e constituições, com maior impudência, até que, ó Sócrates,transforma toda, a vida privada e pública". (Platão, República, Livro III)

Ora é evidente os estados de animo que o Rock eoutros ritmos favorece : exaltação emotiva, decontrole dos impulsos , liberação catártica.

E é evidente os estados de ânimo que o canto gregoriano favorece : tranquilidade da alma, sentido do mistério , atitude pennitencial , transcendência.

Qual dos dois estados de ânimo são mais adequados a participação na missa ?

Tinham pois muita razão os filósofos gregos ao darem à música um importante papel na educação e formação dos jovens. Aristóteles prevenia que "pelo ritmo e pela melodia nasce uma grande variedade de sentimentos" e que "a música pode ajudar na formação do caráter" e que "se pode distinguir os gêneros musicais por sua repercussão sobre o caráter. Tal gênero, por exemplo,leva à melancolia, tais outros sugerem o desânimo ou domínio de si mesmo, o entusiasmo ou alguma outra disposição já mencionada.

(Citação de Aristóteles - apud W. Matt -Le Rock'n Roll, instrument de Revolution et de subversion culturelle - EdSt. Raphael Sherbrooke, Quebec, 1981 pág. 6)

Platão é ainda mais claro. No diálogo República, ele adverte que a música forma ou deforma os, caracteres de modo tanto mais profundo e perigoso quanto mais inadvertido. A maior parte das pessoas não percebe que a música tem o poder de mudar o coração dos homens, e que assim, pouco a pouco, molda a sua mentalidade. Mudando as mentalidades, a música termina por transformar os costumes, o que determina a mudança das leis e das próprias instituições. Por isto dizia Platão que é possível conquistar ou revolucionar uma cidade pela mudança de sua música.

"Toda inovação musical é prenhe de perigos para a cidade inteira"... "não se pode alterar os modos musicais sem alterar, ao mesmo tempo, as leis fundamentais do Estado". (Platão, República, Livro III)

Essa triste realidade contribui muito para o afastamento da beleza nas celebrações. Passou a existir uma grande familiaridade com a celebração litúrgica (Cf. o comentário de J. Aldazábal na Instrução Geral Sobre o Missal Romano – Terceira Edição. São Paulo, Paulinas, 2007, pág 26). Tratando-se o mistério como se fosse ‘de casa’, muitos passaram a fazer concessões por conta própria. Assim, pouco a pouco, liturgistas fizeram uma liturgia acessível demais. Além de retirar todo – ou quase – valor artístico das celebrações, isso contribuiu para uma perda do caráter sagrado da Liturgia. “Certa Liturgia pós-conciliar, tornada opaca ou enfadonha por causa do seu gosto pelo banal e pelo medíocre, capaz de provocar calafrios” (RATZINGUER, J/ MESSORI, V. – A Fé... Pág. 91 [Citação do livro Das Fest des Glaubens, de Ratzinguer]).

Outro ponto que contribuiu, sem dúvida, ao empobrecimento da Liturgia, e até mesmo o seu ‘rebaixamento’ ao nível humano – deixando de se referir às realidades celestes para refletir ‘a vida do povo’ – é a instrumentalização a que se referia o papa João Paulo II. Em alguns lugares, grupos políticos passaram a se valer das celebrações para seus próprios propósitos, que quase sempre vão contra aos ensinamentos eclesiásticos. Com isso, a Liturgia passa a ser não mais um prenúncio do céu, mas um veículo de ideais políticos heterodoxos.

O instrumento que agrada a Deus é aquele único que ELE criou: a VOZ HUMANA.

Logo, há de se entender que qualquer instrumento que não seja unicamente para sustentar as vozes na acão litúrgica, seja desprezível. Um acompanhamento que resalte a beleza da melodia como flauta, violino, harpa e mesmo o violão (tocado com decoro, não como show!) são bem vindos.

Acontece que as vozes, o instrumento mais agradável a DEUS, é sufocado por palmas, solos de guitarra, baterias e instrumentos de percussão desnecessários, inúteis e irreverentes.

Em conformidade com os ensinamentos de São Pio X e do Concílio Vaticano II, é preciso sublinhar acima de tudo que a música destinada aos sagrados ritos deve ter como ponto de referência a santidade: ela, de fato, "será tanto mais santa quanto mais estreitamente for unida à ação litúrgica"(11). Por este exato motivo, "não é indistintamente tudo aquilo que está fora do templo (profanum) que é apto a ultrapassar-lhe os umbrais", afirmava sabiamente o meu venerável Predecessor Paulo VI, comentando um decreto do Concílio de Trento(12) e destacava que "se não se possui ao mesmo tempo o sentido da oração, da dignidade e da beleza, a música instrumental e vocal impede por si o ingresso na esfera do sagrado e do religioso"(13). Por outro lado, a mesma categoria de "música sacra" recebeu hoje um alargamento de significado, a ponto de incluir repertórios que não podem entrar na celebração sem violar o espírito e as normas da mesma Liturgia.
14. Ainda no plano prático, o Motu proprio do qual se celebra o centenário, aborda também a questão dos instrumentos musicais a serem utilizados na Liturgia latina. Dentre eles, reconhece sem hesitação a prevalência do órgão de tubos, sobre cujo uso estabelece normas oportunas(42). O Concílio Vaticano II acolheu plenamente a orientação do meu Predecessor, estabelecendo: "Tenha-se grande apreço, na Igreja latina, pelo órgão de tubos, instrumento musical tradicional e cujo som é capaz de trazer às cerimónias do culto um esplendor extraordinário e elevar poderosamente o espírito a Deus e às coisas celestes"(43).

Deve-se, porém, reconhecer que as composições atuais utilizam frequentemente modos musicais diversificados não desprovidos da sua dignidade. Na medida em que servem de ajuda para a oração da Igreja, podem revelar-se como um enriquecimento precioso. É preciso, porém, vigiar a fim de que os instrumentos sejam aptos para o uso sacro, correspondam à dignidade do templo, possam sustentar o canto dos fiéis e favoreçam a sua edificação.
Também nos nossos tempos é preciso considerar atentamente, como evidenciei na Encíclica Ecclesia de Eucharistia, que nem todas as expressões de artes figurativas e de música são capazes de "expressar adequadamente o Mistério acolhido na plenitude da fé da Igrejas"(14). Consequentemente, nem todas as formas musicais podem ser consideradas aptas para as celebrações litúrgicas.
Palavras do então Cardeal Ratzinger extraídas do livro "A Fé em crise? O Cardeal Ratzinger se interroga", no qual este foi entrevistado pelo jornalista italiano Vittorio Messori. São palavras do capítulo IX ("Liturgia, entre o antigo e o novo"), pp. 95-97:

Sons e arte para o Eterno

"Encontra aqui seu ponto de referência uma conversa sobre a música sacra, aquela música tradicional do Ocidente católico, para a qual o Vaticano II não mediu palavras de louvor, exortando não somente a salvar, mas a incrementar "com a máxima diligência" o que ele chama "o tesouro da Igreja" e, portanto, da humanidade inteira. E, apesar disso?

"E, apesar disso, muitos liturgistas puseram de lado esse tesouro, declarando-o 'esotérico', 'acessível a poucos', abandonaram-no em nome da 'compreensão por todos e em todos os momentos' da liturgia pós-conciliar. Portanto, não mais 'música sacra', relegada quando muito a ocasiões especiais, às catedrais, mas somente 'música utilitária', canções, melodias fáceis, coisas corriqueiras".

Também aqui o Cardeal consegue mostrar com facilidade o afastamento teórico e prático do Concílio, "segundo o qual, além do mais, a música sacra é, ela mesma, liturgia, e não um simples embelezamento acessório".

E, segundo ele, seria fácil também demonstrar, na prova dos fatos, como "o abandono da beleza mostrou-se uma causa de "derrota pastoral".

Diz: "Torna-se cada vez mais perceptível o pavoroso empobrecimento que se manifesta onde se expulsou a beleza, sujeitando-se apenas ao útil. A experiência tem demonstrado que a limitação apenas à categoria do "compreensível para todos' não tornou as liturgias realmente mais compreensíveis, mais abertas, somente as fez mais pobres.

Liturgia 'simples' não significa mísera ou reles: existe a simplicidade que provém do banal e uma outra que deriva da riqueza espiritual, cultural e histórica".

"Também nisso", continua ele, "deixou-se de lado a grande música da Igreja em nome da 'participação ativa', mas essa 'participação' não pode, talvez, significar também o perceber com o espírito, com os sentidos?

Não existe nada de 'ativo' no intuir, no perceber, no comover-se? Não há, aqui, um diminuir o homem, reduzindo-o apenas à expressão oral, exatamente quando sabemos que aquilo que existe em nós de racionalmente consciente e que emerge à superfície é apenas a ponta de um iceberg, com relação ao que é a nossa totalidade?

Questionar tudo isso não significa, evidentemente, opor-se ao esforço para fazer cantar todo o povo, opor-se à 'música utilitária'.

Significa opor-se a um exclusivismo (somente tal música), não justificado nem pelo Concílio nem pelas necessidades pastorais".

Este assunto da música sacra, percebida também como símbolo da presença da beleza "gratuita" na Igreja, é particularmente importante para Joseph Ratzinger, que lhe dedicou páginas vibrantes:

"Uma Igreja que se limite apenas a fazer música 'corrente' cai na incapacidade e torna-se, ela mesma, incapaz. A Igreja tem o dever de ser também 'cidade da glória', lugar em que se reúnem e se elevam aos ouvidos de Deus as vozes mais profundas da humanidade. A Igreja não pode se satisfazer apenas com o ordinário, com o usual, deve reavivar a voz do cosmos, glorificando o Criador e revelando ao próprio cosmos a sua magnificência, tornando-o belo, habitável e humano".

Também aqui, porém, como para o latim, fala-me de uma "mutação cultural", ou, mais ainda, de uma como que "mutação antropológica", sobretudo entre os jovens, "cujo sentido acústico foi corrompido e degenerado, a partir dos anos 60, pela música rock e por outros produtos semelhantes"

Tanto que, e alude aqui também a suas experiências pastorais na Alemanha, hoje seria "difícil fazer ouvir ou, pior ainda, fazer cantar a muitos jovens até mesmo os antigos corais da tradição alemã".

O reconhecimento das dificuldades objetivas não lhe impede defender apaixonadamente não apenas a música, mas a arte cristã em geral e sua função de reveladora da verdade: "A única, a verdadeira apologia do cristianismo pode se reduzir a dois argumentos: os santos que a Igreja produziu e a arte que germinou em seu seio.

O Senhor torna-se crível pela magnificência da santidade e da arte, que explodem dentro da comunidade crente, mais do que pelas astutas escapatórias que a apologética elaborou para justificar os lados obscuros de que abundam, infelizmente, os acontecimentos humanos da Igreja.

A mesma disciplina eclesial que permite o uso de qualquer instrumento também exorta incessantemente à importância dos músicos serem guiados por um senso estético distinto do merto gosto pessoal ou de legitimidade.

Isso significa que, se o órgão e o canto gregoriano são os cantos por excelência para o culto divino, então são estes o que devem abundar nas nossas celebrações. Primeiramente em um nível microscópico, paroquial, ou seja: se há 3 missas dominicais na paróquia, o ideal é que ao menos duas contem com cantos gregorianos, deixando-se uma terceira para as pessoas que por um motivo ou outro não se sentirem à vontade com eles. Se este nível for problemático em si mesmo, ou seja, a realidade local ainda não estiver preparada para isso, passa-se para o nível diocesano, e assim por diante. Claro que nunca teremos a proporção correta, como num passe de mágica. É preciso ir aos poucos, mas ter a meta em vista claramente.

É exatamente assim que o curso de música litúrgica das diocese devem trabalhar a formação mental dos alunos: primeiro, uma maior formação individual do senso do sagrado unido à música; depois, tentar aplicá-lo às suas paróquias territoriais, e, por fim, trabalhar em toda a diocese, nas missas estacionais do arcebispo. Nada imposto, mas dito às claras, sem espaço para gostinhos pessoais que possam surgir, do tipo "não é proibido, então não tem problema".

Não é necessário imaginar forró ou rock para que o senso sagrado seja distorcido. A escolha dos instrumentos já pode ser estranha por si mesma -- ainda que lícita, como sei que quererá insistir -- devido ao espaço que aquele instrumento ocupa na mentalidade popular. Ninguém pode levar muito a sério um canto que se valha de sanfonas, accordeons ou triângulos, quando há outras opções tidas como mais eruditas.

Para exemplificar, imagine um filme religioso, que conta a vida de um santo, ou mesmo a paixão de Cristo. Você acha que qualquer música, com qualquer instrumento, causaria o mesmo sentimento na alma de quem está assistindo? Imagine você assistindo a Paixão de Cristo, uma música piedosa tocando, mas ao som de uma sanfona. Seria cômico no mínimo.

E sempre foi assim. Nos primórdios do Cristianismo, só era aceita a voz humana como instrumento agradável a Deus porque a harpa, a cítara e a flauta eram os intrumentos usados para os prostíbulos. Isso quando não estavam associados às fantasias mitológicas extravagantes. É claro que não poderiam ser usados. Hoje, podem, porque essa associação de desfez completamente. O mesmo vale para os instrumentos hoje tidos como profanos ou banais. É simples.

Nas orações privadas, sem que seja litúrgica, vale sim as composições populares católicas, e como; o que depende de cada movimento. Tenho reservas e muitas, com algumas composições de católicos que acabam ensinando doutrinas heréticas e preocupantes, mas não é o objetivo deste tópico.

A música é um meio muito salutar para a evangelização. Contudo, quando se trata de Liturgia, devemos obedecer o Sagrado Magistério que tanto s preocupa com esta questão.

Não pensem que este problema é novo! Desde os primórdios iss preocupa os Sagrados Pastores do rebanho de JESUS CRISTO Nosso Senhor.

São Pio X é quem se preocupou de forma venerável com esta questão da Música como meio de elevação da alma na Liturgia. Somos mais que obrigados conhecer estes documentos.


Quando se compreende que a Missa não é 'reunião', mas o Único e Eterno Sacrificio do Calvário, entende-se quaisquer norma do Corpo Docente. Caso contrário, nenhum argumeno é o suficiente.



PARA CITAR ESTE ARTIGO:

Musica sacra e Magistério David A. Conceição 03/2012 Tradição em Foco com Roma.

Grupo Tradição - Vaticano II acesse:
http://migre.me/f52mT


CRÍTICAS E CORREÇÕES SÃO BEM-VINDAS: 

tradicaoemfococomroma@hotmail.com

 

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