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Papa Paulo VI homenageado com medalha adventista

O pastor adventista Bert Beach, movido pela apologética católica do ecumenismo, doou ao Papa Paulo VI em 1977 uma placa e uma medalha (embora a foto ao lado não seja colorida e dê a impressão de tratar-se de um objeto de prata, a medalha doada era de ouro.) A inscrição na medalha diz apenas: "Eis que vem e todo olho o verá". Na placa, uma frase que dividiu e chocou os adeptos da seita de Ellen White : "Reconhecemos a Igreja [Católica] como Mãe e Rainha de todas as igrejas do mundo"


O outro lado da medalha, há o foco do ponto mais alto da doutrina adventista que é a observância do sábado. Beach desde a década de 50 sempre fez de tudo para incorporar a igreja adventista à Igreja Católica. Participou do encontro de Assis, e como representante da Associação Geral da igreja adventista costumava introduzir em seus trabalhos a compreensão da doutrina católica e a submissão ao Romano Pontifice pelo legado confiado ao próprio Cristo. Extraído da extinta Revista Manchete ano 1987, pág 48


A questão do sábado no Decálogo

A Igreja não "mudou", e sim criou o decálogo, tal como é formulado, por razões pedagógicas.

A Bíblia não fala em "10 mandamentos", não os enumera. Faz, isso sim, diversas listagens de mandamentos de Deus, em vários pontos diferentes [e não apenas neste trecho do Êxodo citado], incluído o Novo Testamento, onde Cristo modifica alguns deles.

Então não faz sentido ficarmos com uma lista de um livro do Antigo Testamento, desconsiderando inclusive as colocações de Cristo.

Não há propriamente um decálogo no texto do Êxodo, mas uma enumeração de mandamentos. Nem mesmo podemos associar cada versículo a um mandamento, dado que a divisão em versículos é muito posterior à redação da Sagrada Escritura, e também porque há mandamentos que continuam por vários versículos.

A formulação em número de dez é da época apostólica. Alguns dos Padres da Igreja formularam conforme vemos entre os protestantes, com o primeiro dividido em dois e o nono e o décimo unidos, mas a formulação mais tradicional é a de Santo Agostinho, usada até hoje pela Igreja Católica. A Igreja conserva o "não construirás ídolos", mas ele faz parte do primeiro mandamento.

Os protestantes numeram os artigos do decálogo como se cada versículo da perícope bíblica em que aparecem os mandamentos fosse um. Nós, católicos, vemos a explanação dos mandamentos e extraímos os dez, sem necessariamente identificar cada versículo com um mandamento.

Assim, os dois primeiros versículos ("amarás o Senhor, teu Deus..." e "não terás outros deuses diante de mim, nem farás imagem de escultura...") são reunidos por nós como um só mandamento.

Santo Agostinho foi um dos primeiros a numerar os mandamentos dessa forma.


Os protestantes só usam a Bíblia e, por isso, eles acham que cada versículo é um mandamento. Assim, os dois primeiros versículos são mandamentos distintos. E, para fechar os dez, eles juntam outros, lá no fim, como se fossem um.

Isso gera uma lista distinta na posição dos mandamentos. O que para nós é o quinto, para eles é o sexto.

Os protestantes não entendem que Jesus é nosso Sábado - Ele é Senhor do sábado - ou seja, Ele é o nosso descanso.

Outra coisa que eles não entendem é que é preciso aprender as semelhanças e as diferenças em relação aos outros Mandamentos, para reconhecerem também a razão por que guardamos e santificamos já não o sábado, mas o domingo

Nos diz o Catecismo Romano:

"Como certa, deve considerar-se que os demais Preceitos do Decálogo são naturais e perpétuos, e não podem de maneira alguma sofrer alteração. Por isso, não obstante a ab-rogação da Lei Mosaica, o povo cristão continua a observar todos os Preceitos que se contêm nas duas Tábuas. Tal acontece, não porque Moisés assim o mandasse, mas porque eles correspondem à própria natureza das coisas, cuja força intrínsica impele os homens a observá-los.

O Preceito, porém, de observar o sábado, no que refere à determinação do tempo, não é fixo nem perpétuo, mas é passível de mudança. Não pertence aos Preceitos morais, mas antes às prescrições cerimoniais.
Não faz parte tampouco da lei natural, porque não é a natureza que nos ensina e move a render culto externo a Deus nesse dia, de preferência a outro qualquer. O próprio povo de Israel só começou a celebrar o dia de sábado a partir do tempo em que foi libertado da escravidão de Faraó.

O tempo em que se devia ab-rogar a observância do sábado como tal, coincide com a época em que deviam também caducar os demais ritos e cerimônias hebraicas, quer dizer, por ocasião da Morte de Cristo. Essas cerimônias eram como que pálidas imagens da luz e da verdade. Força era, portanto, que desvanecessem ao raiar a própria luz e verdade que é Jesus Cristo.

Nesse sentido é que São Paulo escreveu aos Gálatas, repreendendo os que observavam o rito mosaico: "Observais os dias e os meses, os tempos e os anos. Receio, pois, ter trabalhado entre vós inutilmente". A mesma declaração fez ele na epístola aos Colossenses.

Há, neste Preceito, pontos comuns com os restantes, não pelos seus ritos e cerimônias, mas pelo que também se liga à moral e à lei natural. Pois, pelo teor deste Preceito, o culto a Deus e a observância da Religião tiram sua origem do direito natural, porque a própria natureza nos induz a empregar algumas horas ao culto externo de Deus.

Em prova desta asserção, verificamos que todos os povos estabelecem determinadas festas, de caráter público, destinadas a piedosas práticas de Religião. Para o homem, é natural consagrar algum tempo às funções da vida orgânica, como seja repouso corporal, sono, e outras coisas semelhantes. Assim também corresponde à natureza, que o homem conceda à sua alma algum tempo, como faz para o corpo, a fim de que ela possa restaurar suas forças no trato íntimo com Deus. Desde que deve reservar-se um tempo à ocupação com as coisas divinas e ao culto devido a Deus, é indubitável que o presente Preceito faz parte da Lei Moral.

Por esse motivo, resolveram os Apóstolos consagrar ao culto divino o primeiro dos sete dias da semana o qual chamaram "Dia do Senhor".

No Apocalipse, São João já menciona o "Dia do Senhor"(Ap 1,10), e o Apóstolo determina se façam as coletas no primeiro dia depois do sábado" (I Cor. 16,2), que é o dia de domingo, conforme a interpretação de São João Crisóstomo. Isso nos dá a entender que já então se santificava o dia de Domingo .

Os judeus, ortodoxos e católicos dividem diferentemente os mandamentos. Para os judeus, o primeiro mandamento resume-se na frase "Eu sou o Senhor teu Deus que te tirou da terra do Egito, da casa de servidão" e o segundo "Não terás outros deuses diante de mim". Para os ortodoxos e protestantes, o primeiro compõe-se dessas duas frases, mas não inclui a proibição de imagens esculpidas, que se constituiria no segundo mandamento. Consequentemente, o último mandamento é, para esses grupos, só "Não cobiçarás", aliás, como também propõe a divisão judaica. Já os católicos, que se aproximam mais, em sua divisão, do texto de Deuteronômio do que o de Êxodo (Compare Ex 20 com Dt 5), seguem Santo Agostinho.

Na Suma Teológica, Santo Tomás expõe os motivos lógicos de se aceitar a divisão católica ou latina.

Quanto ao domingo, um dos versículos bíblicos mais importantes a respeito desse tema é Ap 1,10, onde São João diz "num Domingo, fui arrebatado...". Esse versículo transmite o fato de, ainda nos tempos apostólicos (quando São João ainda era vivo), o primeiro dia da semana passou a ter nome. É interessante como no nosso idioma só o sábado e o domingo têm nomes próprios. Em inglês todos os dias os têm (sunday, monday, friday...), em italiano também (Domenica, lunedì, martedì, mercoledì...), mas em português só sábado e domingo, similar ao aramaico, que tinha nome próprio só para o Sábado.

A própria Bíblia o atesta: se compararmos Jo 20,1 com Ap 1,10, vemos que o nome próprio dado ao "Dies Domini" foi obra dos Apóstolos. O discernimento de que o fato de que Jesus ressuscitou num domingo significa que a partir de então é o domingo que deve ser guardado, pois enquanto o sábado representava a conclusão da primeira criação, o domingo representa a aurora da nova, deve-se à Igreja Católica sim, ao sagrado Magistério, mas foram, entre os membros da Igreja, os primeiros Apóstolos que, sob a chefia do primeiro Papa (o autor de 2 livros da Bíblia, como o adventista afirmou com 2,7% de exatidão), que discerniram isso.

Se assim não fosse, o que explicaria a palavra "domingo" atribuída ao primeiro dia da semana por São João? Se os Apóstolos não tivessem tido esse discernimento dado pelo Espírito Santo, o sétimo dia é que deveria ser chamado de "Dies Domini".

Referências:

Catena Áurea - comentários dos Santos Padres e escritores eclesiásticos antigos a cada versículo do Evangelho, organizado por Santo Tomás de Aquino

James Akin - apologista católico americano.

Rafael Vitola Brodbeck - apologista católico brasileiro.

 

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