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As comunidades amigas da FSSPX



Ontem foi o dia que muitos corações se alegraram. Após orações e sacrifícios nosso clamor subiu ao Trono e Cristo atendeu nosso pedido: sua Excelência Dom Fellay assina o Preâmbulo e agora a FSSPX caminha rumo à regularização canônica. Agora, mais do que nunca, o Exército de Bento XVI contra o modernismo ganha reforço e da mais alta qualidade.

Entretanto, há comunidades que se intitulavam "amigas" que adoravam posar de porta-voz da Fraternidade e hasteavam sua bandeira
Não ao acordo prático à Roma "modernista". Prova disso foi um artigo do prior do Mosteiro de Santa Cruz manifestando não em nome do próprio Mosteiro, mas de toda a FSSPX, que não deveria acontecer nenhum acordo e que a situação deveria permanecer como estava.

Com a graça do Pai, não era essa a intenção de Sua Excelência Dom Fellay e a prova concreta se deu ontem com a notícia que correu ao mundo inteiro. O silêncio impera entre as comunidades e seus leigos adeptos militantes, e a pergunta que não quer calar: o que acontecerá com elas?

O rad-tradismo agressivo que externamente as comunidades e os leigos que militavam por elas apresentavam não é o "cerne" da questão, mas o "fundo do abismo", simplesmente. Caminhar entre as bordas do abismo já é um pecado gravíssimo e é exatamente o que faz todo aquele que olha para Roma de cima para baixo. Cair na loucura do ativismo da vacância prático por vezes é inevitável. Aqui vemos que houve uma desobediência à FSSPX que nunca compartilhou dessa postura como menciona o falecido padre Didier Bonneterre:

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"Me posiciono contra uma certa moda intelectual que se propaga como uma peste em nossos meios tidos como 'tradicionalistas': o espírito de disputa para ver quem assume a opinião mais extrema, que faz buscar a qualquer preço, a posição mais dura, como se a verdade de uma proposição pudesse ser influenciada por um preconceito voluntarista de ser anti-qualquer coisa."

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Criou-se uma faca de dois gumes que aponta direto para o coração dessas comunidades, de um lado, caminhar junto com a Fraternidade em direção à Roma e deixar de lado todo "espírito combatente" que se resumia na desobediência ao Romano Pontífice na justificativa tosca de "fidelidade a doutrina de sempre". Isso significa jogar no lixo anos da dita resistência, seus escritos, suas hipóteses de solução do fim da crise da Igreja, toda a raíz do radical tradicionalismo dará lugar ao novo homem, que renasce com Cristo para uma vida nova, como aconteceu com a União Sacerdotal hoje Administração Apostólica que só tem dado frutos para a Igreja com o alcance que ela tem proporcionado ao Brasil com seus padres atendendo as dioceses proporcionando o perfume da vivência do catolicismo tradicional, gerando vocações e conversões. Quanto de nós antes de conhecer a Tradição pela ADM direta e indiretamente não tínhamos uma fé sólida e ortodoxa estando em risco no meio progressista? O "sim" de D Licínio só proporciou graças à Igreja do Brasil e somos gratos por esse passo, pois foi uma decisão que influênciou positivamente diversas comunidades tradicionais do mundo para o retorno da Barca de Pedro.

Por outro lado, se permanecer essa resistência mesquinha que não tem respaldo nenhum no Pontificado de Bento XVI, a tendência é caminhar para a extinção. Elas podem até continuar sobrevivendo financeiramente com o apoio dos malucos que batiam palmas para o
Não ao acordo prático e querem continuar acreditando piamente que a solução da crise não se encontra em Roma. Mas o cerne da questão é: sem bispos, como é que elas ordenarão seus novos padres e como crismarão seus adeptos? E a falta do outdoor "somos ligados à FSSPX" vai gerar o esvaziamento e a não-procura em suas capelas. Pois o atrativo para conseguir membros era justamente esse, oferecer a realização do sonho que milhares de jovens tradicionalistas nutrem pela internet: a materialização da presença de Dom Lefebvre através das missas e dos sermões. Como não há priorados nesses cantos, as comunidades se encarregam de serem a Fraternidade Sacerdotal São Pio X para eles.

Imagino o transtorno psicológico que irá causar nos adeptos quando o
outdoor não estiver mais estampado na entrada de suas capelas. Quem será agora nosso modelo de Ortodoxia e Tradição? Será que o argumento de que somos agora os únicos que se mantém fiel à Lefebvre vai ser usado? Será que a FSSPX, outrora Rainha e Mãe da fé católica tradicional passará ser modernista e falsa tradicional unicamente porque agora estará ao lado de Bento XVI? Quem está adorando tudo isso são os sedevacantista que muito animados hostentarão suas placas dizendo: "Vem! Aqui tem muitas vagas!"

Sábias palavras do Profº Carlos Ramalhete:

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" Quando o pessoal de Le Barroux acabou com as tergiversações em que estava e declarou sua plena comunhão com a Igreja, os lefebristas se negaram a aceitá-la. Já havia o plano de fundação deste mosteiro, que foi então fundado ilicitamente por um grupo de lefebristas, dentre eles o sacerdote em questão. O mosteiro, assim, nunca teve ereção canônica nem pode ser considerado ramo de Le Barroux ou pertencente à OSB. Cabe lembrar que entre os beneditinos a questão da hierarquia é um tanto diferente da das outras congregações, já que o monge é incardinado em um mosteiro, não na congregação.

Alguns grupos que fundaram congregações religiosas tradicionalistas e depois voltaram em grupo à Igreja tiveram problemas com este tipo de atitude, aliás, como os dantes chamados Redentoristas Transalpinos, que tiveram de deixar de se chamar "redentoristas" por não terem ligação real com esta congregação. Se o pessoal de Friburgo voltar à Igreja, provavelmente vão ter que trocar o "OSB" que usam ilicitamente por outra denominação, ou arranjar um acordo com os beneditinos de verdade.

Espero que voltem logo; Nova Friburgo tem crescido muito, tornando-se uma cidade universitária, e se eles parassem de brigar com a Igreja e se dedicassem ao carisma tão beneditino da educação, poderiam fazer coisas muito boas por lá. Mais uma vez, é rezar, e rezar. O que não podemos é fingir que está tudo bem; nem com eles, nem com os anglicanos, nem com os ortodoxos. "Muito bem" se está quando se está firmemente plantado, com os dois pés, na Barca de Pedro. Querer menos do que isso é desrespeito a quem nela não está, é tratá-los como se não fossem capazes de nela estar. "

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Cabe também mencionar também que a Tradição é tão Palavra de Deus quanto as Sagradas Escrituras, e seu livre-exame é tão protestante quanto o da Sola Scriptura. A Bíblia não é para interpretação particular. Ora, nem a Tradição e o conjunto do ensinamento Magisterial.

Sigamos o Papa Bento XVI.

O problema é que quem critica muitas vezes não tem competência nem capacidade para isso.

Isso ocorre porque atualmente uma pessoa concordar com uma autoridade é considerado praticamente vergonhoso. Essa mentalidade contaminou também os católicos. Isso se multiplica por cem quando o contato que os católicos tem com o que é dito pelas autoridades eclesiásticas passa pelo filtro (melhor dizendo, pelo "contaminador") que é a mídia secular. Veja por exemplo a polêmica criada pelos tradicionalistas por causa da entrevista do Papa sobre a camisinha. O que não deixa de ser uma aberração, já que é parte da Igreja (fiéis), recebendo o que é dito por outra parte da Igreja (clero) a partir de canais que estão fora da Igreja (e são anticatólicos em grande parte).

Não acho que dê pra mudar muito isso (no máximo amenizar, se os instrumentos de comunicação católica tivessem maior e melhor alcance). No entanto, uma mudança por parte dos católicos em sempre buscarem a notícia na fonte (tipo, viu o Jornal Nacional falar que o Papa disse isso e aquilo, procurar uma fonte católica sobre quais as reais palavras do Papa) evitaria muitas difamações e forçaria a mídia a ser menos leviana.

Obediência filial ao Romano Pontífice não é fé cega. Fé cega é aquela que contraria a razão. A fé cristã é suprarracional, mas não irracional, o que significa que ela chega aonde a razão não pode alcançar, mas sem nunca contrariar o que a razão entende como verdadeiro.

Finalizo com as palavras do próprio D Lefebvre:

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"A questão da visibilidade da Igreja é em demasia necessária para sua existência, como para que Deus possa omiti-la durante décadas.

O argumento dos que afirmam a inexistência do Papa põe a Igreja numa situação confusa. Quem nos dirá onde está o futuro Papa? Como poderia ser designado Papa onde não há cardeais? Este espírito é um espírito cismático, ao menos para a maioria dos fiéis que se afiliaram a seitas verdadeiramente cismáticas como a do Palmar de Tróia, a da Igreja Latina de Toulouse, etc.

Nossa Fraternidade rejeita absolutamente compartilhar esses raciocínios. Queremos permanecer aderidos a Roma, ao sucessor de Pedro.

Por isso, longe de rejeitar as orações pelo Papa, aumentamos nossas rezas e suplicamos para que o Espírito Santo o ilumine e o fortaleça na manutenção e defesa da fé.

Por isso jamais rejeitei ir a Roma a seu chamado ou ao chamado de seus representantes. A Verdade deve afirmar-se em Roma mais que em qualquer outro lugar. Pertence a Deus quem a fará triunfar.

Como consequência,
não se pode tolerar nos membros, sacerdotes, irmãos, irmãs, oblatos da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, que recusem rezar pelo Papa e que afirmem que todas as Missas do Novus Ordo Missae são inválidas.

Isto nos deve incitar a rogar e a manter firmemente a Tradição,
mas nem por isso afirmar que o Papa não é Papa.

Para terminar devemos ter o espírito missionário que é o verdadeiro espírito da Igreja, fazer tudo pelo Reino de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo a divisa de nosso Santo Patrono São Pio X: "Instaurare omnia in Christo", restaurar tudo em Cristo, e sofrer como Nosso Senhor em sua Paixão para a salvação das almas, para o triunfo da Verdade.

"In hoc natus sum, disse Nosso Senhor a Pilatos, ut testimonium perhibeam veritati". "Eu nasci para dar testemunho da Verdade".

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8 de novembro de 1979

Retirado do Livro "La Misa Nueva - Mons. Marcel Lefebvre" Editora ICTION, Buenos Aires 1983.

 

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