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A questão da defesa da honra


Conversando com um amigo no msn, sobre fidelidade e adultério, o mesmo para defender o Islã sobre a prática da defesa da honra, me mandou ver o Jornal Nacional mostrando o homem que matou a sangue frio a ex-namorada em Curitiba alegando que o adultério também é pago com a vida em nossa sociedade.

A diferença é que aqui no Ocidente quando um homem mata uma mulher por ciúmes ou por causa de adultério, ele é repudiado pela sociedade e julgado pelas leis. Na maioria dos países muçulmanos a lei ampara o marido que mata a esposa ou a filha para proteger a própria honra. Não só nada acontece com ele como o bruto ainda é visto como um cidadão honrado e respeitável. Na Jordânia existem centenas de moças presas por terem cometido o crime de ter mantido relacionamentos não-autorizados pela família. O Estado não as condena, mas as mantém presas para que não sejam mortas pela própria família.

Eu me surpreendi com essas comparações cretinas, tentando equiparar o Ocidente da igualdade de direitos entre homem e mulher a uma cultura que trata a mulher como propriedade do pai e posteriormente do marido.

E na guerra da Iugoslávia mulheres croatas católicas também foram vítimas de estupros, bem como as sérvias que caíam nas mãos de croatas ou muçulmanos, como medida de retaliação.

O problema é que o politicamente correto considera inaceitável que se mostre machos muçulmanos brutalizando suas mulheres. Se eles estão contra os EUA, eles são mocinhos e pronto!

Daqui a pouco alguém vai defender a extirpação de clitóris, outra prática linda que o tolerante e fofinho Islã impõe às mulheres em algumas regiões.

Então mutilar uma mulher e impedi-la de ter prazer sexual é apenas um costume, como bater aquela feijoada no domingão? Equiparar um hábito alimentar a uma agressão física é hediondo!

A repressão à mulher é exclusiva da cultura islâmica. Claro que sei que ela também existe na Índia e na China (no Japão e na Coréia do Sul é apenas resquício, como no Ocidente).

O que eu mencionei é uma verdade facílima de se constatar empiricamente: aqui as leis prevêem punição ao animal que mata a esposa adúltera, e a sociedade como um todo reprova esse hábito, até os nossos presidiários costumam punir severamente assassinos de mulher. Basta ver que até os bandidos ocidentais consideram isso inaceitável. Na maioria do mundo muçulmano as leis matam as adúlteras e não punem o homem que o faz com as próprias mãos. Quando não são as próprias mães, irmãs e tias que matam a infeliz. E suas sociedades não apenas isentam de culpa tal atitude como ainda a impõe como obrigação moral, para que a família não fique "mal falada"

Quanto a adolescentes sendo mortas por manterem relacionamentos não autorizados pela família, é prática raríssima no Ocidente, reprovada por todos e punida pela lei. E não comparem a esses machistas ordinários dizendo que eu vou me sentir dono de minha filha. Não fui criado nessa cultura doentia que impõe a um pai o dever de assassinar a própria filha em nome da "honra", nem acho isso apenas uma linda manifestação multicultural. Jamais mataria uma filha minha por ela se relacionar com quem quer que seja.

A cultura deles é machista e trata a mulher como uma propriedade masculina. Essa é a verdade e ela tem que ser dita. Se não agrada, paciência.

Matar pela honra é pecado. Em séculos passados, em que o duelo era uma prática socialmente aceita e praticada, os papas sempre escreviam encíclicas condenando-os. É um erro dar um valor tão alto à honra, colocando-a acima da caridade que é o que deve vir em primeiro lugar.

Um casal que teme a Deus e que O segue e busca a santidade na graça, colabora um com o outro para caminharem e cumprirem seu fim que é em ultima instancia ver a Deus.

A base de todo casamento é o amor entre os cônjuges e ajuda mútua por amor a Deus, vivendo assim, ele se mantém mesmo e sobretudo nas dificuldades que se apresentarão ao longo do caminho.

Logicamente existe casais que vivem bem mesmo que seu foco não seja o dito acima. Agora, sobrenaturalmente falando, um casal na graça de Deus, está anos luz na frente dos outros.

É perda de tempo discutir o conceito de casamento de celebridades adúlteras. Esse povo não entende nada de casamento... Só acasalamento.


Querem viver uma eterna utopia ou conto de fadas. Quando a paixão esfria e surgem os primeiros obstáculos o fim inevitável é o divórcio ou o adultério.

Eu diria que não dá pra iniciar um casamento sem fidelidade. Alguma coisa os dois viram um no outro pra se sentirem atraídos, fiéis e leais uns com os outros.

Daí pra frente, se for um casal que assumiu um compromisso sacramental consciente com Deus, irão trabalhar e rezar pra preservar tudo o que os levou a se unir e pra isso podem contar sempre com a graça de Deus.

Quando fazemos distinção entre o casamento verdadeiro e o contrato civil que rege algumas uniões ( seja de ateus, gays ou outras religiões) é porque no plano de Deus a instituição do casamento é sagrada e indissolúvel. Daí a necessidade da graça para se "suportarem mutuamente até o fim"

Já no "casamento" ou união de quem não tem Deus, acabou o doce joga o chiclete fora, parte pra outra, a fila andou... e outros jargões em moda hoje em dia, que infelizmente vem sendo adotados por católicos também.

Podem durar? Claro que sim, mas o fato é que as estatísticas mostram claramente que nesses modelos de casamento vigora a máxima de Vinicius: "que seja eterno enquanto dure".

O conceito até que a morte os separe ou princípio da indissolubilidade é um conceito cristão. No princípio era assim

sereis uma só carne. Esse é o princípio natural. Pode funcionar pra adeptos de religiões tradicionais não-cristãs? Sim por uma série de fatores, mas não é por mero acaso que todas elas permitem o divórcio. É muito dificil que tais uniões perdurem pela vida toda baseadas apenas num compromisso humano. Excessões não fazem a regra.

Não digo que tudo que o homem faz sem a graça seja pecado. Apenas que duvido que sem a graça é possivel ao homem cumprir as exigências que Deus deixou para cada um segundo o seu estado de vida.

A observância da lei moral e natural que Deus mais tarde catalogou nos Mandamentos, segundo o que prega a Igreja, em determinadas situações, pode ser difícil, até dificílima: nunca, porém, impossível para o homem.

E de que homem se fala?
Veritatis Splendor Do homem dominado pela concupiscência ou do homem redimido por Cristo?

Os mandamentos de Deus (fidelidade, castidade, respeito, perdão etc) são certamente proporcionados às capacidades do homem: mas às capacidades do homem a quem foi dado o Espírito Santo. É isso que prega a Igreja.

Portanto, é inacreditável que mesmo que sem o auxílio da graça duas pessoas consigam observar todas as exigências do compromisso matrimônial e sejam felizes para sempre.

Talvez porque o conceito católico de felicidade seja muito diferente do conceito mundano e hedonista que se usa atualmente.

Há muita diferença entre um casal que vive na graça e o que não vive, por isso, por mais que um casal viva bem aos seus olhos e aos olhos do mundo -, é na graça que tudo se efetua e tem como recompensa o céu, que é - ou pelo menos deveria ser – a razão de toda nossa existência.

O Concílio de Trento ensina que as obras do homem justificado merecem verdadeiramente um aumento de graça, a vida eterna, e, se morrer nesse estado, a glória.

Uma casal que se ama, ama a Deus e quer de fato em união fazer a santa vontade do Pai e está em graça, se livremente busca agir corretamente no bem, Deus coroa seus méritos e coroa também os seus dons. É preciso entender que este deve, - com sua vontade decidida cooperar com Deus, que é causa primaria de nossos méritos: Não sou eu quem opera, diz Sao Paulo , é a graça de Deus comigo. Foi Ele, efetivamente, quem criou as nossas faculdades, foi Ele quem as elevou ao estado sobrenatural, aperfeiçoando-as pelas virtudes e dons do Espírito Santo. É Ele que, pela sua graça atual, nos solicita a fazer o bem e nos ajuda a fazê-lo. É Ele, pois, a causa primária que põe em movimento a nossa vontade e lhe dá forças novas que lhe permitem operar sobrenaturalmente.

A nossa vontade livre, - e aqui ela é preponderante, muito mais que sentimentos -, correspondendo as solicitações de Deus, opera sob o influxo da graça e das virtudes, e assim se torna causa secundaria, mas real e eficiente, de nossos atos meritórios, porque somos colaboradores de Deus. Sem este livre consentimento, não há mérito: no céu ja não há merecimento, porque não podemos deixar de amar esse Deus que vemos claramente ser a bondade infinita e a fonte da nossa bem-aventurança.

Por outro lado, a nossa mesma cooperação é sobrenatural: pela graça habitual somos divinizados em nossa substância, pelas virtudes infusas e pelos dons somo-lo em nossas faculdades, pela graça atual ate em nossos atos o somos.

O amor meramente humano não possui essa força de permanecer inabalável diante das tempestades, porque como diz São Luiz de Montfort:

Somos, naturalmente, mais orgulhosos que os pavões, mais apegados a terra que os sapos, mais feios que os bodes, mais invejosos que as serpentes, mais glutões que os porcos, mais coléricos que os tigres, mais preguiçosos que as tartarugas, mais fracos que os caniços e mais inconstantes de que um cata-vento.

O matrimonio não consiste só em relações sexuais, ele se faz por um conjunto de fatores. Primeiro deve ser realizado por amor e segundo deve ser mantido por amor a Deus, com nossa vontade fortalecida para fazer o outro crescer para Deus. Neste caminhar vamos amadurecendo e amando também as dificuldades que aparecem. Devemos olha-las e nos valer delas para crescermos aqui também em santidade.

Tanto homem como mulher passam pelo declínio fisico e chamo a isto - além de ser um fim natural, já que todos vamos morrer -, de um tempo de aprendizado para compreendermos que devemos buscar o que de fato edifica e podemos fazer deste tempo um tempo de alegria quando podemos rir de nossas fraquezas tão explícitas agora.

Em Deus, tudo se torna um meio para nos levarmos a Ele, seja na juventude ou na velhice. Pela experiência de nossos pais, é bom envelhecer com um cônjuge bom ao nosso lado, que nos ama independente do que estamos nos tornando. Seja ele homem ou mulher.

 

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