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A ressureição dos mortos. Como será?


A Igreja ensina que as almas, das pessoas que vieram antes de Cristo e que não se salvariam pelos seus proprios méritos, estavam no limbo patriarcal (a mansão dos mortos). Lá essas almas não desfrutavam da visão de Deus, mas viviam em um estado de felicidade natural.

Como Jesus ainda não havia morrido, eles se fossem almas justas, não poderiam estar com Deus, mas também não era justo ir ao inferno.

Depois que Cristo morreu , pode fazer essas almas justas, ir ao céu.

A ressurreição se dará para todos, bons e maus, sem distinção e o corpo ressurrecto será imortal. Todos os corpos gloriosos são ressuscitados, mas nem todo corpo ressuscitado será glorioso. Glorioso só o dos santos.

Entre os dons dos corpos ressuscitados dos santos estão:

1) Impassibilidade.

2) Claridade (em vários graus).

3) Agilidade.

4) Sutileza.

Impassibilidade: Dom especial cuja virtude é impedir que os corpos sintam qualquer dor, sofrimento ou incômodo. “Semeia-se o corpo na corrupção, diz o Apóstolo, e ressurgirá na incorruptibilidade” (I Cor. XV, 42).

Os teólogos escolásticos preferiam o termo “impassibilidade” ao de “incorruptibilidade”, para assim exprimir que é um caráter próprio dos corpos gloriosos. A impassibilidade não é comum aos condenados, cujos corpos podem, apesar de imperecíveis, podem padecer de todas as formas de sofrimento.

Compreende-se bem essa impassibilidade. O espírito do homem, no Paraíso, se rebelou contra Deus; em conseqüência, o corpo passou a se insubordinar à alma, e as criaturas inferiores, por sua vez, deixaram de servir devidamente ao homem, ocasionando as desordens e a aflição que caracterizam o atual estado das coisas. Ora, na restauração final, as almas se acharão confirmadas na total adesão a Deus: unidas ao Senhor, possuirão o pleno domínio sobre seu corpo; haverá ordem perfeita entre carne e espírito; a seu turno, as demais criaturas materiais reconhecerão o lugar eminente do homem no plano de Deus e com ele se harmonizarão num único concerto de louvor à Bondade Divina.

Claridade: Dom especial pelo qual os corpos dos Santos refulgirão como o sol. Esta claridade é um certo resplendor comunicado ao corpo pela suma bem-aventurança. Diz Nosso Senhor: “Os justos resplandecerão como o sol, no Reino de seu Pai” (Mat. XIII, 43). Esse é o dom que às vezes o Apóstolo chama de “glória”.

Mas não devemos crer que todos sejam dotados da mesma claridade, como o serão da mesma incorruptibilidade. O fulgor do corpo ressuscitado será proporcional à santidade da alma. Diz São Paulo: “Uma é a claridade do sol, outra a das estrelas. Com efeito, uma estrela difere da outra em claridade. Assim acontecerá na ressurreição dos mortos” (I Cor XV, 41-42).

Sutileza: O corpo ficará inteiramente sujeito ao império da alma, prestando-lhe serviço, e executando suas ordens com prontidão. “Semeia-se um corpo animal, ressuscitará um corpo espiritual” (I Cor. XV, 44).

É bem notar que a sutilidade, de modo nenhum, implica que o corpo ressuscitado deixe de ser matéria para se converter em espírito; é matéria autêntica, contudo matéria mais intensamente penetrada pelo espírito; o que quer dizer: enriquecida de qualidades mais nobres dos que as que possui atualmente.

A expressão paulina “corpo espiritual” não significa senão corpo de matéria em que o Espírito Santo expande plenamente a vida e glória de Deus. Explica Santo Agostinho:

“Assim como o espírito, servindo à carne, é, com razão, dito carnal, assim a carne, servindo ao espírito, é adequadamente chamada espiritual, não porque se torne espírito, como julgam a alguns baseados em I Cor. XV...; mas porque se sujeitará ao espírito numa suma e admirável prontidão para obedecer... removido todo sentimento de dor, toda corruptibilidade e lentidão. Não somente o corpo não será tal como é agora no melhor estado de saúde, mas nem mesmo tal como foi nos primeiros homens antes do pecado.” (De civ. Dei 13, 20).

Agilidade: Devido ao dom da sutileza, poderão se mover para onde a alma queira. No Cristo ressuscitado tem-se claro exemplar de tal prerrogativa: com admirável facilidade o Senhor se transpunha de uma região a outra da Palestina.

Em conclusão, verifica-se que os quatro dotes distintivos dos corpos gloriosos derivam da perfeita harmonia que reinará entre carne e espírito no estado de consumação. A alma do justo, tendo entrado definitivamente no seu lugar de criatura sujeita ao Criador, aderindo a Deus com toda inteligência e afeto, será grandemente dignificada: adquirirá sobre os seres inferiores, a começar pelo próprio corpo, o domínio que em vão ela procuraria obter rompendo os seus vínculos de sujeição ao Senhor; doutra parte, por esse domínio que sobre o corpo exercerá a alma, o próprio corpo está nobilitado.

O primeiro homem, cobiçando dignidade e poder independentimente de Deus, perdeu todos os dotes, preternaturais e sobrenaturais, de que gozava no Paraíso; ora, eis que na restauração de todas as coisas Deus Se dignará não propriamente restituir os dons perdidos, mas ultrapassá-los, concedendo à criatura humana prerrogativas muito superiores às do primeiro Paraíso.



Ao contrário, os corpos daqueles que tiverem recusado a restauração trazida por Cristo, isto é, os corpos dos réprobos, serão:

1) Passíveis à dor.

2) Obscuros, como imagens hediondas do mais deplorável estado de alma.

3) Crassos, resistentes aos impulsos da alma.

4) Pesados, dificilmente sujeitos à locomoção.

Em uma palavra, serão expressão fiel da horrenda situação produzida na alma pelo ódio a Deus.

Virá o dia da retribuição, quando os corpos ressurgirão e o homem inteiro receberá o que merecer... Assim como muito difere a alegria dos que sonham da alegria dos que estão acordados, assim grande diferença haverá entre a felicidade dos mortos e a dos ressuscitados; não porque as almas dos defuntos sejam induzidas em ilusões como as que dormem, mas porque uma coisa é o repouso das almas separadas dos corpos, outra coisa é a glória e a felicidade das almas unidas aos corpos celestes" (Santo Agostinho, Serm. 280, 5).

Segundo Santo Agostinho, na Cidade de Deus (livro que recomendo a todos), todos ressuscitaremos. Uns para a Vida Eterna, outros para a "Morte eterna" (dita 2ª morte). No primeiro caso, para aqueles que gozarão da Glória da Divina Presença. No segundo caso, para os que amargarão eternamente os sofrimentos do Inferno.

Interessante notar que Sto. Agostinho diz que poderemos, por exemplo, comer por possibilidade e não por necessidade. Como vários casos narrados na Bíblia de anjos que se alimentaram aqui, na presença de homens. Nossa carne será transformada, mas não "espiritualizada".

Continuaremos a ser como somos, a não ser que queiramos ser diferentes, conforme uma explicação de meu amigo D. Aloisio, arcebispo de Uberaba: se somos felizes com este corpo, assim o seremos. Se quisermos ser mais lourinhos ou moreninhos, alto ou baixo, a opção será nossa. Ou seja, nesta explicação singela, ele quis dizer que não haverá descontentamento, haverá felicidade absoluta, plena, perfeita.

Já no caso do inferno, o Bispo de Hipona, no livro citado, diz que haverá fogo eterno, que queima, mas não consome a carne. Pois todos ressuscitarão, no Juízo Final, para a eternidade. Seja para a Vida, seja para a Morte.

Vimos que a era o nome do lugar onde ficavam os justos antes da Ascensão do Senhor. Não era o Purgatório, nem o Inferno, nem o Céu. Todos os que morreram na graça de Deus, antes de o Céu ser reaberto, ficavam numa situação de felicidade natural, aguardando o Messias vir libertar-lhes; de forma que essa não existe mais depois de Cristo.

Também é chamada de , na parábola de Lázaro e do rico, e, pela tradição da Igreja, de . S. Pedro em sua carta, fala da descida de Jesus à , usando para ela o termo (cf. IPd 3,19).

Interessante que Elias e Enoque, foram arrebatados em vida, mas como o Céu estava fechado desde a Queda, não podiam gozar da visão beatífica, e como não morreram, tampouco podiam habitar a. Estariam então em algum lugar a espera da ressurreição final.

Na transfiguração, Moisés representaria a lei e Elias os profetas.

E ai entra esta parte:

Todos os que morreram na graça de Deus, antes de o Céu ser reaberto, ficavam numa situação de felicidade natural, aguardando o Messias vir libertar-lhes

Não estaria Moisés também ai, já que o céu ainda não havia sido aberto e Elias em outro lugar já que não havia morrido?

Cristo ainda não havia morrido e por isso o céu estava fechado ainda..creio eu que aqui Cristo fez uma "concessão " a Moisés e Elias. Não sabemos se um milagre de repor seus corpos ou estariam ali só a alma... Dificil saber.

E Moíses estar "envoltos em Glória" nao quer dizer que tinham ressuscitado, mas que eram envoltos pelo esplendor da luz divina, que irradiava de Cristo, sobre eles.

Ali Jesus aparece momentaneamente em toda a glória de sua vinda futura.

Fonte: Bíblia da Ave Maria.


Que Elias não morreu e foi arrebatado para algum lugar, é crença firmemente estabelecida na Igreja. As opiniões se dividem quanto ao lugar para onde foi arrebatado. A Escritura diz simplesmente: “E enquanto (Elias e Eliseu) andavam, e caminhando conversavam, eis que um carro de fogo, com cavalos de fogo, separou um do outro; e Elias subiu ao céu num torvelinho” (II Reis II, 11).

Cornélio A Lápide, maior exegeta católico de todos os tempos, assim resume as quatro posições adotadas pelos autores:

1) Alguns pensam que ele foi realmente arrebatado ao céu, não o Céu dos bem-aventurados, mas o firmamento, onde leva uma vida quase celeste (Doroteu, São Jerônimo, Santo Ambrósio, Alcimo e Senário);

2) Outros pensam que ele foi levado para o paraíso terrestre, onde se encontra também Enoch (Santo Irineu, São Justino, Santo Isidoro, Santo Tomás);

3) Outros pensam que ele foi levado para alguma região da terra, desconhecida (São Gregório, Magno, Ruperto);

4) Mais verossimilmente, outros dizem que é incerto o lugar onde estão Enoch e Elias (São João Crisóstomo, Teofilacto e Ecumênio, Santo Agostinho, São Cipriano, Teodoreto).

Onde quer que esteja, Elias leva uma vida tranqüila e santa, na contínua contemplação de Deus, como diz Santo Agostinho e voltará no fim do mundo para pugnar com o Anticristo e “pagar o tributo da morte”, como diz São Gregório Magno.

Como candidatos à vida eterna e cidadãos do Paraíso, Enoch e Elias estão confirmados em graça. E se bem que não vejam a Deus, recebem de Deus muitas luzes e consolações. Vivem como que “no átrio da Casa do Senhor”, onde são freqüentemente visitados pelos Anjos, e com eles estão em constante colóquio. Deus os conserva incorruptos (bem como as suas vestes dos hebreus, durante 40 anos no deserto), sadios, vigorosos, animados, contentes e exultantes com sua situação, estado e ofício, rendendo a Deus contínuas ações de graças.

Discute-se se estão em condições de merecer ou não. Os que o afirmam, alegam a sua condição de viajadores. Os que negam, consideram que o terem sido arrebatados desta vida equivale à morte."

(Commentaria in Scripturam Sacram, Cornélio A Lápide)

Fica, pois, caracterizada uma questão aberta dentro da Igreja. E a opinião mais corrente é a que diz ser incerto o lugar onde estão.

 

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