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A Suma Teológica de Santo Tomás de Aquino em forma de Catecismo (2ª Parte, Seção 1, Tópico 19)


“A Suma Teológica de Santo Tomás de Aquino em forma de Catecismo” do Pe. Tomas Pégues, O. P., é uma excelente obra para aqueles que desejam iniciar o estudo da Obra Magna de Santo Tomás. Um tanto raro aqui no Brasil, haja vista que sua última edição em português data do início da década de 40, este livro é formulado como todos os catecismos tradicionais em perguntas e respostas e é de agradável leitura.

SEGUNDA PARTE: O HOMEM PROCEDE DE DEUS E PARA DEUS DEVEVOLTAR

PRIMEIRA SEÇÃO: NOÇÕES GERAIS ACERCA DO MODO COMO O HOMEM TEM DE VOLTAR A DEUS

XIX. DA LEI DIVINA: O DECÁLOGO

O que entendeis por lei divina?

A lei que Deus impôs aos homens quando se lhes deu a conhecer na ordem sobrenatural(XCI, 4, 5).

Quando foi promulgada?

Primeiramente no Paraíso, antes da queda de nossos primeiros pais; mais tarde, e também mais particularizada, por meio de Moisés e dos Profetas; ultimamente, e em toda a sua plenitude, por meio de Jesus Cristo e de seus Apóstolos (XCI, 5).

Como se chama a lei divina, dada por Moisés?

Chama-se a Antiga Lei (XCVIII, 6).

E a lei dada por meio de Jesus Cristo e dos Apóstolos?

Lei Nova (XCVI, 3, 4).

A Antiga Lei foi dada a todos os homens?

Não, apenas ao povo judeu (XCVIII, 4, 5).

Por que Deus o distinguiu assim?

Porque estava destinado para que dele saísse o Salvador do mundo (ibid.).

Que preceitos obrigavam só ao povo judeu e caducaram com a Lei Antiga?

Os judiciais e os cerimoniais (XCIX, 3, 4).

Havia preceitos na da Lei Antiga que mantêm sua força obrigatória na Nova Lei?

Sim.

Quais são eles?

Os preceitos morais (XCIX, 1, 2).

Por que os preceitos morais da Antiga Lei passaram para a Nova?

Porque constituem a essência e o fundamento imutável das regras da moralidade queobrigam a todo homem pelo mero fato de ser homem (C, 1).

Logo, os preceitos morais foram e serão sempre os mesmos para todos os homens?

Sim(C, 8).

Identificam-se, portanto, com a lei natural?

Sim(C, 1).

Por que, pois, dizeis que fazem parte da lei divina?

Primeiramente, porque Deus houve por bem promulga-los, por si mesmo, de maneira solene, para evitar que a inteligência, em seus desvarios, os esquecesse ou torcesse, e além disso, porque guiam os homens para o fim sobrenatural a que estão destinados (C, 3).

Que nome tem a coleção dos ditos preceitos?

Conhece-se com o nome Decálogo (C, 3, 4).

O que significa “Decálogo”?

É um termo grego que significa dez palavras ou enunciados, porque dez é o número dos mandamentos divinos.

Quais são eles?

Os seguintes:

1ºNão terás outros deuses distintos de mim;

2°Não tomarás em vão o nome do Senhor teu Deus;

3ºSantificarás o dia do Senhor;

4ºHonrarás a teu pai e a tua mãe;

5°Não matar;

6°Não cometerás adultério;

7°Não furtarás;

8°Não dirás falso testemunho contra o teu próximo;

9°Não desejarás a mulher de teu próximo;

10°Não cobiçarás as coisas alheias (C, 4, 5, 6).

É suficiente aobservância destes dez mandamentos para que o homem alcance a perfeição de todas as virtudes?

É suficiente para o exercício de virtudes referentes aos deveres essenciais para com Deus e para com o próximo; mas para adquirir a perfeição de todas as virtudes, foi necessário que os explicassem e completassem, na antiga Lei, os ensinos dos Profetas e os mais amplos e acabados de Jesus Cristo e dos Apóstolos na Nova Lei(C, 3, 11).

Qual é o meio mais apropriado para bem entender os preceitos e as explicações, assim como a suaaplicação à vida moral?

O de estuda-los em suas conexões com cada virtude em particular.

Teremos ocasião de fazer este estudo?

Sim, porque o modo de ser de cada virtude manifesta a extensão e o alcance do respectivo preceito.

Compreenderemos então a nobreza e a perfeição da Nova Lei?

Sim, porque a perfeição desta lei consiste na sua aptidão para levar-nos até ao heroísmo na prática das virtudes (C, 2; CVIII).

O que há de especial para conseguir tais resultados?

O de ajuntar conselhos aos preceitos (CVIII, 4).

O que entendeis por conselhos?

Entendo certos convites que Jesus dirige aos homens de boa vontade, para que, por seuamor e com esperança de alcançar maior recompensa nos céu, desprendam-se de certos bens que, apesar de serem lícitos e compatíveis com a salvação eterna, podem, todavia, que, ser obstáculos para adquirir a perfeição da virtude (CVIII, 4).

Quantos conselhos evangélicos?

Podem reduzir-se a três: pobreza, castidade e obediência (ibid.).

Há algum estado em que se pratiquem com perfeição?

Sim; o estado religioso (ibid.).

 

©2009 Tradição em foco com Roma | "A verdade é definida como a conformidade da coisa com a inteligência" Doctor Angelicus Tomás de Aquino