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Em defesa de Gillian McKeith

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Roma Antiga. Os costumes eram degradantes como também estranhos a dignidade humana. Um deles era o desequilíbrio para comer, em que mesas fartas de variados tipos de carnes e cozimentos típicos grotescos eram brutalmente comidos e vomitados para que pudessem repetir a ação.

Mesmo com a cristianização de Roma a prática permaneceu meio que como tradição passada de geração em geração, não de forma vulgar mas sim *civilizada*. O prazer ao comer. A hora da alimentação é vista como um momento de satisfação versus luxúria. É nesse sentido que se deve entender a gula, não somente pela quantidade de comidade ingerida.

Recentemente fizeram um foto comparando a estética da nutricionista vegetariana Gillian Mckeith com a cozinheira Nigella Lawson dando a entender que como a aparência de Nigella é mais jovial então a porta do consumo desenfreado de qualquer tipo de porcaria está liberada.

Sempre detestei como algumas pessoas, quando falam sobre vegetarianismo, insistem em ressaltar o fato de que é comum ridicularizarem vegetarianos, como se isso fosse algo que confere alguma legitimidade. Tem gente que repete esse papo de que no estágio atual o vegetarianismo é tido como ridículo, mas que numa próxima etapa invariavelmente haverá aceitação, como foi no passado com outras causas.

É uma noção absurda, porque ela abre uma brecha para que tudo aquilo de que hoje se tira sarro na verdade tenha, láaa no fundo, alguma coerência, e nós simplesmente não conseguimos percebê-la porque ainda não somos evoluídos o suficiente.

Cada pessoa tem uma cota de danos que pode causar ao seu corpo (a genética). 

Essa cota é única, e foi transferida dos pais para os filhos (por isso a genética da família é importante), sofre influência externa e de outros fatores.

Tem pessoas que passam a vida inteira bebendo, se alimentando de forma inadequada, e morrem dormindo aos 100 anos. Estes indivíduos tem uma 
cota grande e eles podem judiar bastante do seu corpo, sem ter grandes consequências (doenças) até o fim da sua vida. (Isso é uma exceção)

O problema é saber qual é a nossa cota. Os médicos não sabem, eu não sei e vocês não sabem. Por isso, o ideal é a pessoa ter uma vida razoavelmente tranquila, se alimentar de forma adequada, viver da forma mais feliz possível e sempre exercitar o corpo e a mente.

Como ter uma vida razoavelmente tranquila, se alimentar de forma adequada, viver da forma mais feliz possível sendo saudável e sempre exercitar o corpo e a mente?

Essa resposta cada um deve buscar (se tiver interesse).



A culinária de Nigella é grotesca e desproporcional. Ela mistura doce com salgado, abusa da fritura, seus ingredientes são ultra calóricos e tudo o que se tem na frente é válido para receita. Até carne de javali.

Volto a premissa inicial do artigo, para o consumidor onívoro, o que conta apenas é o sabor e o prazer ao mastigar o alimento. Supondo que os estudos que demonstram a possibilidade de dietas onívoras serem saudáveis sejam reais, teríamos muitos estudos contradizendo uns aos outros, o que nos faria afirmar que a ciência anda meio confusa.

Qualquer um pode comprovar estas contradições analisando estudos sobre alguma substância, onde um estudo diz algo de ruim, e logo surge outro pra contradizer, em seguida surge novamente um que diga algo ruim sobre a substância. Este é um exemplo mais claro do jogo de interesses existente em muitos estudos. Por isso costumo dar crédito aos que são pouco divulgados.

Mas, vejo que tão ou mais importante do que entender o motivo de certa substância causar doenças, é analisar os hábitos das pessoas e as doenças que mais estão em alta. Fica clara a relação da dieta onívora com muitas doenças.

É possível ser saudável APESAR da dieta onívora, e não que é possível ser saudável com a dieta onívora. E pra ser saudável APESAR da dieta onívora, deve-se manter bem balanceados os fatores promoção e anti-promoção.

Além disso, sabemos que as pessoas onívoras buscam nos exercícios uma forma de balancear isso, já que acabam normalmente perdendo a luta para o vício da comida de origem animal.



Espero que o conceito de dieta onívora balanceada que alguns defendam inclua a recomendação da OMS de comer no máximo 300g de carne vermelha por semana.

A chamada ciência da nutrição é baseada em onívoros. Precisa-se urgentemente de novos parâmetros nutricionais para as chamadas 
necessidades diárias e para níveis de substâncias em exames de sangue de vegetarianos estritos.
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Para que a dieta onívora seja balanceada, é necessário reduzir o consumo de produtos de origem animal de tal forma que a pessoa acabará tendo uma dieta bem restrita. Ou então terá que compensar com muitos exercícios, se é que isso resolve algo mais do que queimar gordura. Comida de origem animal é um grande vício, por isso onívoros controlados são raridade pra mim.

Em tempo: proteína animal torna o corpo ácido, e isso é o princípio básico para um corpo doente. O sangue ácido causaria a morte em poucas horas, de forma que nutrientes importantes são desperdiçados para neutralizar a acidez. A dieta vegetariana pode ser desregrada sim, claro, mas a pessoa desleixada terá que se esforçar mais para agredir o corpo da mesma forma que um onívoro pode fazer com muito menos esforço, já que ele tem à disposição a proteína animal (ácida) e gordura saturada muito mais facilmente.


Quem defende dieta onívora balanceada e saudável cai numa contradição lógica. Ora, se eu preciso reduzir grande parte daquilo que faz parte dessa dieta (alimentos de origem animal), ela não pode ser considerada balanceada e saudável por si mesma, já que são os vegetais que a salvam.

E se, por algum motivo, alguém disser que ela é saudável, bastando reduzir os alimentos de origem animal, esse alguém acaba de concordar que proteína animal é necessária, e aí chegamos na típica dieta saudável propagada pela mídia.

Os alimentos que mais possuem agrotóxicos são carne, leite e ovos. Porém, eles não oferecem nenhum benefício à saúde, ao contrário dos vegetais. Portanto, vegetais tem menos agrotóxicos, e ainda possuem qualidades benéficas para nosso organismo, ou seja, de certa forma isso funciona como uma proteção contra os venenos. Mas, obviamente, vegetais orgânicos são os alimentos ideais.

Aumentar o consumo de vegetais faz bem, aumentar o consumo de animais não! É o que quero dizer quando falo que a dieta vegetariana é saudável por si mesma. Dieta onívora 
saudável exige restrição e/ou compensação com exercícios físicos.

A diferença básica é que alimentos animais não promovem a saúde, enquanto vegetais promovem. Alimentos animais são desnecessários, então é justamente podemos ser saudáveis comendo animais ou não. A questão é que a presença dos alimentos animais é muito mais controlada para que a dieta permita ser saudável.



Lembrem-se do famoso PH, fator importante na velocidade das reações químicas, e quanto mais ácido, mais lenta são as reações. A proteína animal, sendo mais ácida, torna o corpo mais ácido, e mais propenso à doenças. Entendendo este princípio, é fácil aceitar que uma dieta vegetariana estrita é mais saudável do que a onívora. Não há, portanto, que se ficar buscando estudos e suas respectivas críticas para aceitar algo óbvio. Corpo ácido = corpo doente, pesquisem!

Novamente: se alimentos animais precisam ser reduzidos, é porque não fazem bem, quem faz bem são os vegetais. E se alimentos animais não fazem bem, obviamente eu vou preferir falar para as pessoas que é muito melhor eliminarem do que manter um consumo pequeno. Eu não vou dizer que as controladas tem grandes chances de terem as principais doenças relacionadas à dieta rica em animais, pois elas tem uma chance pequena, se ingerem vegetais suficientes. Mas, se eu me baseio em estudos que mostram que a proteína e gordura animal tem potencial pra promover doenças, eu vou dizer às pessoas que é melhor prevenir totalmente do que consumir um veneno em pequenas quantidades.

Outro motivo pra *demonizar* a dieta onívora, é que o vício toma conta da maioria dos onívoros. Alimentos animais são tentadores demais, pois foi o que crescemos comendo. Eu ainda não conheci uma pessoa que consuma alimentos animais em pequenas quantidades para tornar a dieta 
 saudável. Ao invés disso, eu conheço muitas pessoas que correm pra queimar a gordura proveniente do abuso. O problema é que a gordura pode ir embora, mas a acidez continua lá, causada pela proteína animal.
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Ovo-lacto e cia não existiriam pra mim, pois os considero apenas onívoros. Então, em termos dietéticos, utilizaríamos a classificação da biologia: herbívoros, frugívoros, onívoros, e acrescentaríamos vegetarianos. Só que em biologia, até onde sei, o termo vegetariano não é formal, mas o criamos pelo fato de não se tratar nem de herbívoro e nem de frugívoro, já que inclui comida cozida, industrializados e etc.

Ter origem genética para a predisposição ao câncer é apenas um fator genético. Uma pessoa pode não ter predisposição genética para o câncer, mas ter uma genética que a impossibilita de cometer excessos em relação a média populacional. E se cometer excessos, provavelmente, ela desenvolverá algumas doenças crônicas.

É aí, que entra o trabalho fabuloso de Gillian. Quem pode acompanhar seu programa Você é o que você come pode constatar como ela ajuda quem sofre de obesidade e de diversas doenças crônicas oriundas da alimentação onívora. Tirando açúcares, gorduras e carnes por substituições.

Quanto ao adoçante, uma dose baixa de estévia ao longo do tempo não faz mal. O problema é que as pessoas estão acostumadas ao sabor doce do açúcar. Depois de um tempo você sente até uma sensação ruim por comer açúcar e passa a sentir sabores de forma mais intensa, pois ele atrapalha a degustação. A acidez do açúcar prejudica as papilas gustativas. Isso é comprovado.



Nem toda gordura, por ser saturada, é ruim. Isso quer dizer apenas que ela é oxidada. Os componentes da gordura do coco são os ÚNICOS naturais que fazem você queimar gordura do corpo. Por isso o óleo de coco extravirgem custa uma fortuna, mesmo não sendo difícil de se fabricar (trabalhoso, porém não difícil).

A gordura do coco, embora saturada, é extremamente saudável, da mesma forma que a larva do coco, que contém substancias absurdamente nutritivas ao corpo. É a mesma coisa que dizer que abacate faz mal porque tem muita gordura saturada. Ora, é uma das melhores gorduras do mundo (mas essa engorda ).

A carne de soja é mais uma 
 muleta do que realmente uma substituta da carne. Existem outras fontes de proteína, e proteína de origem animal não é necessária para que nós tenhamos proteína em nosso organismo - tanto é que os animais de abate (que supostamente são nossa fonte de proteínas) não comem carne... e aí, então como ELES (os animais de abate) têm proteína na carne comendo apenas vegetais? 
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O problema é que é a cultura da carne é comercialmente interessante - da mesma maneira que médicos ganham seus brindezinhos dos laboratórios para receitar remédios específicos (o que seria lobbying, não é mesmo?), os nutricionistas muito provavelmente devem de alguma maneira serem levados a recomendar a proteína animal, não é mesmo?

Inclusive, uma evidência disso é o fato de por décadas a fio o leite de vaca ser recomendado por nutricionistas como fonte de cálcio 
indispensável, mas curiosamente grande parte dos idosos (que tiveram uma vida inteira de consumo de leite bovino, visto que até pouco tempo atrás sequer se falava de leite de soja) sofrem de problemas ósseos. Basta ver a quantidade de propagandas de suplementos de cálcio na TV para se ter uma ideia.

E outra coisa, deficiência de B12 não se adquire por um dia, uma semana ou um mês sem carne. Nosso fígado armazena B12 para meses a fio, a B12 não se esgota de uma hora para outra. E de igual, existem suplementos sintéticos - seja na forma de comprimidos ou injetáveis (os injetáveis são anuais ou semestrais).

O pior de tudo é que esse tipo de apelo ao natural sai da mesma forma da boca de alfacistas e de onívoros. Se vamos nos espelhar nos grandes primatas, por que não copiar o canibalismo dos Chimpanzés, então?


O programa da Gillian pode ser visto no canal GNT ou episódios separados no Youtube.
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PARA CITAR ESTE ARTIGO:

Em defesa de Gillian McKeith

David A. Conceição, 05/2012 Tradição em Foco com Roma.

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