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Judeus messiânicos



Depois que soube da existência do sedevacantismo, pensei que nunca mais no planeta viria outra bizarrice. Mas não. A cada dia me surpreendo com novidades que parece até que só existem em sites jornalísticos de humor como O Sensacionalista. O fato é que, existe um *ramo* do judaísmo que crê que Jesus é o Messias escolhido, o Yeshua. São classificados como Judeus Messiânicos, que são repudiados pelos judeus tradicionais. Acreditar que Jesus é o messias não é aplicável no judaísmo.

Há judeus de tudo quanto é tipo. Judeus que não creem no Talmud, como é o caso dos caraítas, e judeus que creem no Talmud, como é o caso da maioria. Desta forma, não acho que os judeus tenham autoridade para definir o que é um judeu.

No entanto, a dependência dos messiânicos em relação à teologia protestante me parece ser bem grande (salvo em algum casos em que os messiânicos não creem na Trindade). Nesse caso, os messiânicos são classificados, pelo menos, na aparência, como mais uma seita protestante.

Não considero a opinião dos rabinos judeus decisiva para considerar quem pertence ou não ao seu grupo. No passado, existiam os essênios, que era uma forma de judaísmo diferente daquela que era praticada pelo mainstream judaico. E, naturalmente, existiram seitas judaicas na Antiguidade que se aproximaram do cristianismo. Existe a teoria de que, inclusive, a concepção de dois Messias, um Ben Yossef e outro Ben David, surgiu como tentativa de integrar alguns judeus que criam em Jesus ao corpo do judaísmo.

A maioria do judeus encontra-se realmente dentro do judaísmo rabínico. Os caraítas formam um pequeno grupo, mas ainda assim são reconhecidos como judeus, assim como os essênios na Antiguidade.

Antes de Cristo, havia o sacerdócio levítico, bem como os profetas e outras autoridades que Deus constituiu sobre o seu povo. O judaísmo é uma seita que se separou da verdadeira religião, por não aceitar o messias esperado e profetizado por Moisés e pelos profetas.

O sacerdócio levítico não era o próprio povo. Existia uma classe de sacerdotes de uma tribo especialmente separada para o sacerdócio.

E a respeito da apostasia dos judeus, da mesma forma como consideramos que os protestantes saíram da verdadeira religião que continuou na Igreja Católica, os judeus apóstatas saíram da religião verdadeira, mas a religião verdadeira não se corrompeu, pois ela continuou naqueles que aceitaram o messias e vieram a fazer parte da Igreja Católica. Veja o que diz S. Paulo:

"Não quer dizer, porém, que a palavra de Deus tenha falhado. Porque nem todos os que descendem de Israel são verdadeiros israelitas, como nem todos os descendentes de Abraão são filhos de Abraão; mas: É em Isaac que terás uma descendência que trará o teu nome (Gn 21,12). Isto é, não são os filhos da carne que são filhos de Deus, mas os filhos da promessa é que serão considerados como descendentes." (Rom 11, 6-8)

As instituições criadas por Deus no Antigo Testamento gozavam da autoridade divina tanto quanto a Igreja de Cristo, pois Deus é um só, e a sua palavra é uma só. Claro, não existiam muitas graças e auxílios que passaram a existir com a Igreja, mas Deus não deixava abandonado o seu povo. Antes, o guiava diretamente através de seus vasos e profetas.

A Igreja surgiu com Cristo, mas a religião verdadeira que hoje compõe a Igreja existe desde o tempo em que os anjos foram criados, já em graça, para, no primeiro instante, merecerem para sempre a bem-aventurança eterna, junto com os muitos santos homens do Antigo e do Novo Testamento.

O fato dos judeus amaldiçoarem a si próprios e à sua descendência não implica necessariamente numa sanção divina de tal maldição. Não existe maldição hereditária, que passa de pai para filho. Os judeus tinham uma ideia errônea sobre isso que precisou ser corrigida pelo profeta Ezequiel (cap. 18) e pelo próprio Cristo (Jo 9,1-3).

Santo Tomás diz que um católico só pode cumprir os preceitos morais da Torah, os quais são obrigatórios para todas as épocas, e os preceitos judiciais, que embora estejam mortos, não implicam em pecado mortal para quem os observa. Assim, um príncipe pode aplicá-los dentro de seu território sem cometer pecado.

Os preceitos cerimoniais, ou prefigurativos, da Torah não podem ser observados, sem cair em pecado mortal, pois isso significaria uma negação daquilo que eles simbolizam.

Uma excessão pareceria existir para aquele que celebrasse tais preceitos apenas com o intuito de os lembrar, mas é temerário ir contra a doutrina do Angélico, muitas vezes assumida integralmente pela Igreja. Eu penso que, nesse caso, iria contra a própria essência desses preceitos, uma vez que esses preceitos são expressões de um tempo futuro e não de um tempo passado.

Santo Tomás trata do assunto da duração dos preceitos cerimoniais nesse artigo

Os judeus negam que haja distinção entre preceitos morais, judiciais e cerimoniais na Torah, todavia tais distinções fundamentam-se racionalmente na própria diferença que existe entre a ordem natural e a ordem revelada. Os preceitos morais são de lei natural, não variam, pois são conforme a natureza das coisas, ao passo que os preceitos cerimoniais são revelados, portanto, segundo uma ordenação positiva de Deus, para cumprir determinado propósito. Os preceitos judiciais decorrem, por sua vez, da necessidade de organização do Estado, segundo os princípios naturais e revelados.

Com relação aos preceitos cerimoniais, a razão para que tenham cessado, é que foi cumprida a sua finalidade. Os preceitos morais também têm uma finalidade, assim como os judiciais. O que torna tal preceito válido é a relação com sua finalidade. Por isso, Santo Tomas, diz, por exemplo, que os preceitos cerimoniais da lei antiga cessaram, mas os preceitos judiciais, embora tenham cessado quanto à obrigatoriedade, ainda podem ser aplicados.

A respeito do
Talmud, notemos que o Padre I.B Pranaitis foi um decodificador dessa obra, pois ele traz diversas menções e xingamentos de judeus contra Cristo, Maria e os católicos.

Em se falando em judeus, notemos que a Igreja sempre condenou a religião dos judeus, não o povo em si. Algumas correntes conservadoras da Igreja, aqueles que querem a Igreja apenas como unificadora dos brancos, ficam a maximizar a questão dos judeus, tentanto mostrar os Papas como antijudeus em si mesmo. Esse pessoal nem mesmo sabe que assim só traz mais e mais lama para a vida dos pontífices.

O Talmud é uma perversão judaica. Sabemos que ele não tem inspiração alguma de Deus, mas serve como farol de luz para ideais sionistas racistas e totalitários.

Da destruição do Segundo Templo e o fim dos sacrifícios podemos tirar uma prova a favor do cristianismo. Os judeus já estão sem o Templo e os sacrifícios há dois mil anos, desde praticamente o início do cristianismo. Não pode ser coincidência que tal evento, de consequências tão drásticas para o judaísmo, tivesse início justamente no surgimento do cristianismo. E o pior: não tivesse sequer sido profetizado nas Escrituras hebraicas (pois a única profecia clara relativa ao assunto está no Novo Testamento).

Também a profecia de Daniel faz referência à destruição do Templo no tempo em que fosse cortado o ungido, mas os judeus acreditam ser este o sumo-sacerdote Onias III, fazendo com que a destruição da cidade e do templo estejam totalmente fora do contexto desta profecia.

O rabino Gamaliel, que era o principal membro do Sinédrio depois da crucificação de Jesus, e respeitado como uma das maiores autoridades judaicas, foi considerado santo pela Igreja Católica. Ele é mencionado no Novo Testamento (Atos dos Apóstolos) por sua atitude tolerante com os cristãos e por ter sido preceptor de Paulo, na época em que o mesmo era fariseu.

O nome de Gamaliel aparece junto com o de Nicodemos no Martirológio Romano, ao dia 3 de agosto, por causa de uma revelação feita ao presbítero Luciano no tempo do imperador Honório. Acredito que a Igreja tenha julgado que essa revelação tenha sido suficiente para concluir que Gamaliel se tornou um cristão. Estranho, mas...

"Hierosólymis Invéntio beatíssimi Stéphani Protomártyris, et sanctórum Gamaliélis, Nicodémi et Abibónis, sicut Luciáno Presbytero divínitus revelátum est, Honórii Príncipis témpore."

Lendo na Enciclopédia Católica, me parece que a revelação feita a Luciano foi sobre o corpo de Gamaliel, bem como dos outros santos, entre eles Santo Estevão. Nesse caso, a crença na conversão de Gamaliel independe dessa revelação.

Por esses dias, entrei num site judeu "Novo Testamento desmascarado". Em um dos artigos, se diz que Rabi Nachmânides teria dado um xeque-mate no cristianismo, ao dizer que "Yeshu" não poderia ser o Messias, pois Messias quer dizer "ungido" (em grego, Cristo) e Jesus não foi ungido, como foi o rei Saul. Só que se esquece que o rei Ciro, da Pérsia, também foi chamado "ungido do Senhor" e não consta que tivesse sido ungido.

No judaísmo há erros sobre a filosofia e a teologia cristã, pois Deus não assume forma humana, mas assume (eleva) uma natureza humana a uma união pessoal consigo. As pessoas em Deus são relações subsistentes, e a elas compete subsistir, na absoluta unidade e simplicidade da essência divina.

As passagens da Sagrada Escritura só tem valor quando interpretadas por judeus, mesmo que, para isso, eles tenham que aplicar um sentido muito diferente do literal, e sem nenhuma autoridade (posto que os judeus atuais não são sucessores naturais do antigo povo de Israel, que sequer conheciam as tradições e interpretações dos rabinos).

Além disso, algumas opiniões de rabinos são postas como se fossem as únicas dentro da tradição judaica, e, como se nunca houvesse, mesmo entre os rabinos, opiniões diferentes acerca de um mesmo texto, como este de Isaías. E eles fazem isso quando convém. Só quando convém.

Cristo não aboliu a Torá, mas falta aos judeus percepção para discernir, na Torá, o que tinha aplicação absoluta, em vista da verdade e do bem, bem como da própria Revelação, e o que estava sujeito, por sua própria natureza, a alterações, como as formas de culto, as datas sagradas e os preceitos judiciais.

Mais ainda: os judeus dizem que a profecia só pode existir quando há uma maioridade de judeus na terra judaica. E hoje? Por que não há profetas lá? Tais interpretações subjetivas e arbitrárias são realmente um problema dentro do judaísmo. Se a maioria dos judeus preferiu ficar na Babilônia, não teve contato com os fariseus, nem com a comunidade judaica que se desenvolveu após o exílio, nem com a dinastia dos Hasmoneus. Então, tudo o que foi estabelecido após Ezra carece dessa legitimidade, até a festa do Chanuká.

A teologia judaica é fideísta, irracional, pois nega qualquer semelhança entre o Criador e suas criaturas. Com isso, nega a própria Torá que diz que Deus criou o homem à sua imagem e semelhança. Reconhecendo eles a semelhança de Deus na criação, reconheceriam também as relações em Deus, e entenderiam que essas relações tem que ser subsistentes. Embora isso não seja uma prova racional da Trindade, mostra que a Trindade não afronta a razão, nem a absoluta unicidade de Deus.

Um bom argumento contra os judeus, é dizer que não foi Deus quem mudou. A aliança com eles continua; foram eles que mudaram.

Rezemos pela conversão dos judeus. Na Missa Tridentina, a consumação da conversão deles é simbolizada quando o Missal é levado de volta pro lado direito. Como Cristo glorioso subiu aos céus e está sentado a direita de Deus Pai.

 

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