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Lei do Karma confirma o sedevacantismo

Todo adepto da Religião Sedevacantista vacante sofre angústias espirituais, físicas, pecuniárias, sociais, estudantis tanto pela crença que pratica quanto por problemas internos que a própria religião não consegue resolver. E o mais interessante é mesmo sofrendo com o mal que essa crença produz eles tanto se mantém firmes nela como também querem que outros passem pelo mesmo sofrimento na tentativa de tragar outras vidas na justificativa de que no ativismo "o clima é mais agradável, o ar é bem mais fresco e a visão é panorâmica, nos permitindo observar e enxergar tudo a uma distância segura" (sic) .

Agora, tirando a pulga atrás da orelha que o leitor ficou com o título do artigo: o que tem a ver a Lei do Karma com a Religião Sedevacantista?

Primeiramente é de praxe que vale de tudo para o sedevacantista ter base para a crença da sé vacante. Desde profecias apócrifas, bulas revogadas, revelações privadas não reconhecidas pela Igreja, tudo mesmo. Qualquer desses mixs batido no liquidificador com frases de Santos, teologias de gurus, história de anti-Papas, é uma receita perfeita para dar credibilidade à eles mesmo que a posição que ostentam é legítima, real e de direito divino.

Recentemente, o mister progressista Hans Küng declarou que Bento XVI é cismático por não entrelar o Concílio Vaticano II ao modernismo e ameaçou se posicionar sedevacantista. É claro ainda que por motivos errados, Küng foi aplaudido pelos próprios.

Nesse caso, se tudo é válido para confirmar o sedevacantismo, por quê não conceitos filosóficos orientais?

Mas afinal de contas o que é esse tal de Karma?

Karma é um termo de uso religioso encontrado dentro de algumas crenças originárias da Índia. Mais tarde, esse termo foi absorvido por algumas doutrinas ocidentais e por um subgrupo significativo de movimentos New Age. Dependendo da doutrina e dos dogmas da religião discutida, este termo pode parecer diferente, porém sua essência sempre focará nas ações e suas conseqüências.

O termo Karma diz respeito ao Hinduísmo, Budismo e sistemas de pensamentos originários na Índia e qualquer outra reconceituação feita por outros sistemas de pensamento (espiritismo, por exemplo) pode estar conduzindo a um entendimento equivocado do termo original.

Numa maneira bem simples de se compreender; a “Lei do Karma” se resume ao ensinamento de que, certos tipos de ação; nos levam inevitavelmente a resultados exatamente iguais.

Exemplificando: Se fazemos algo bom, cedo ou tarde obteremos um resultado igualmente bom, agora, se fizermos algo ruim, nós inevitavelmente obteremos um resultado ruim. É necessário entender que é exatamente isso que a Sagrada Escritura e Santo Tomás de Aquino ensinam:

“Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará.”
Gálatas 6,7

“A culpa é o ato humano de escolha deliberada do mal; a culpa não é inconsciente: o ser humano com culpa sabe que a tem, pois é o retorno para si do mal que fez”
A ética em São Tomás de Aquino

Trazendo para o mundo real

Todos os nossos queridos leitores sabem que gostamos muito de usar exemplos do cotidiano para ilustrar os temas abordados. Vamos fazer exatamente isso agora; descrevendo em detalhes o que aconteceu com um rapaz que conhecemos:

Anderson (nome fictício) se tornou sedevacantista quando leu a bula Cum ex Apostolatus Officio e mais uns textos sobre a perda do pontificado papal atribuindo as *sentenças* dos mesmos conteúdos aos Papas pós-conciliares.

Agora, para Anderson, todos os que não aderem sua crença são hereges apóstatas inimigos da Fé. Ninguém é poupado! Nem sua família, nem conhecidos, nem mesmo os *conservadores*; é preciso combatê-los a cada momento, falar sempre da vacância da Sé, denunciar os atos de apostasias públicas que os Anti-Papas e da New Church, a
Igreja Conciliar.

Na verdade, Anderson em seu subconsciente sabe que sua crença é irreal, ilógica, fantasiosa e já foi refutado em vários debates e sites católicos. Mas o orgulho e a vergonha de reconhecer o erro o faz permanecer, ainda que muitas vezes pensa em se render na justificativa do
cansaço.

Anderson é casado, tem dois filhos adolescentes e se esforça para dar o bom e do melhor para sua família, mas ele comete o maior crime espiritual que uma pessoa possa fazer:
ele veta sua familia da Santa Missa e dos sacramentos. Além do mito da invalidade nos ritos paulinos ele alega que a recepção dos tais é nociva para alma.

Abre aspas - Tem sedevacantista que se confessa com padre ordenado no rito novo (eu já tive um amigo assim que se confessou com um frade franciscano indicado por mim) e assiste a Missa Nova, ou ainda tem a cara de pau de assitir a Missa do Summorum Pontificum, ambas da "Prostituta do Apocalipse" - Fecha aspas.

Seus filhos começam então a rejeitar a concepção de religião, afinal para quê seguir uma religiosidade que é dividida, meio inválida e válida, esperar uma vez por ano ou sabe-se lá quando para importar padres el magníficos para prestar culto a Deus e receber os sacramentos. Sem contar que é inconcebível a idéia de permanecer em pecado mortal 364 dias do ano.

Sem a fé renovada todos os domingos na Missa, sem direção espiritual, sem nada, eles optam ao
ateísmo. Afinal as argumentações concretas de ateus fazem mais sentido do que viver uma religião de fantasia.

Todo o conceito religioso cai por terra: castidade, obediência, moral... pra quê isso? Agora eles são *livres* donos de si mesmo. E o quadro só tende a piorar com o tempo, se já é difícil manter uma vida reta com Deus, levando em consideração nossa natureza pecadora, imagine sem! Fica a critério do leitor o fim que esses adolescentes podem levar mediante *liberdade* consquistada.

Estimados e queridos amigos leitores, toda essa tragédia começou por causa de uma crença infundada, que resultou na descrença do cristianismo. O princípio deste “circulo vicioso maldito” poderia ter sido evitado; porém, sem o conhecimento da “Lei de causa e efeito”, o que se viu foi resultado do
supra sumo da maldade humana: egoísmo, dor, lágrimas e dúvidas.

Embora a relato acima seja ficção, já testemunhamos casos de
ex-sedevacantistas migrados ao ateísmo, pelos mesmos motivos citados acima.

Aprofundando o tema

O “karma” na física é equivalente à lei que reza: "Para toda ação existe uma reação de força equivalente em sentido contrário".



Terceira Lei de Newton: "Para toda ação existe uma reação de força equivalente em sentido contrário".

Neste caso o contexto é muito claro e específico: Para toda ação tomada pelo Homem, ele pode esperar uma reação. Aplicando isso a vida diária teremos: Se praticarmos o mal então receberemos de volta um mal em intensidade equivalente ao mal causado. Se praticarmos o bem então receberemos de volta um bem em intensidade equivalente ao bem causado. Este termo sempre focará nas ações e suas conseqüências.

No Budismo, o ensinamento central, ou seja, o âmago de sua filosofia diz que, certas causas nos trazem efeitos particulares que são similares à natureza daquelas que a provocaram. No ensinamento budista a lei do karma se resume a isto:

“Para todo evento que ocorre, seguirá um outro evento cuja existência foi causada pelo primeiro. Este segundo evento poderá ser agradável ou desagradável se a sua causa foi benfazeja (boa) ou não.”

Um “evento benfazejo”, ou seja, uma “boa ação” é aquele que não é acompanhado pela cobiça, resistência, má vontade ou ganância; uma “ação incorreta” é aquela que é acompanhada por qualquer coisa que desfigure uma ação natural, amorosa, espontânea e desinteressada. Vale ressaltar, prezados e digníssimos leitores, que as “boas ações” não são corretas por si somente, mas elas são chamadas assim somente em virtude dos eventos mentais que ocorrem juntamente com elas. Trocando em miúdos: Uma “boa ação” depende diretamente dos verdadeiros pensamentos que a motivaram. Não entenderam ainda? Vamos exemplificar...

Jesus nos dá um dos mais belos exemplos de como funciona exatamente o princípio acima descrito, vejam, Lucas cap. 18, versos 10 a 14:

“Dois homens subiram ao templo, para orar; um, fariseu, e o outro, publicano.


O fariseu, estando em pé, orava consigo desta maneira: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano. Jejuo duas vezes na semana, e dou os dízimos de tudo quanto possuo.

O publicano, porém, estando em pé, de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus tem misericórdia de mim, pecador!

Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado.”

Entenderam agora? Ações genuinamente “boas”, não são movidas por pensamentos de soberba, muito menos arrogância. Todos os gestos do personagem usado por Jesus – o Fariseu - foram a grosso modo; “aparentemente” bons: Ele não agia como os “demais homens,” de fato ele disse que não roubava, não era injusto, muito menos adúltero. Ele declarou ainda que jejuava duas vezes por semana e dava muito dinheiro para sua sinagoga. Tudo “aparentemente” certo... Tudo muito “aparentemente” correto... Mas...

Todas as ações foram sumariamente reprovadas pelo Filho de Deus:
Digo-vos que este (publicano) desceu justificado para sua casa, e não aquele (fariseu)

O Fariseu não foi aceito por Deus, porque todas as suas ações - independente de serem “boas ações” - não foram acompanhadas pelos devidos pensamentos bons; porém de pensamentos totalmente contrários às atitudes que eram tomadas. Logo, as complexas atitudes/ações daquele personagem, demonstraram que tudo era apenas o reflexo daquilo que ele na verdade era por dentro:

Legalista; arrogante, mentiroso, soberbo, ganancioso, sectarista, preconceituoso e sem o mínimo de amor ao próximo.

Quem já teve contato direto e indireto com sedevacantistas, verá que é assim mesmo o perfil religioso de cada um.

A verdade é a correspondência do intelecto ao objeto conhecido. É a imagem correspondente que seu intelecto gera daquilo que está sendo conhecido. Assim, se alguém te pede um copo, você trará um copo porque conhece verdadeiramente um copo. Quando se cria a imagem correspondente ao objeto, se tem a verdade.

Em se tratando de Deus, a fórmula é contrária. A coisa é verdadeira quando corresponde ao Seu intelecto (e não quando Seu intelecto corresponde à coisa --> isso acontece por consequência). Assim, Deus pensa haja a luz, e há a luz. Haja o leão, e há o leão. Então a verdade sobre algo é aquilo que Deus pensa sobre este algo (ou seja, a verdade corresponde ao intelecto Divino) e é o que percebemos do objeto, quando a imagem que dele fazemos corresponde a ele e, por consequência, ao que Deus pensa (ou seja, nosso intelecto se adequa à verdade --> quando pensamos que é aquilo que é ou que não é aquilo que não é).

Ora, existindo a verdade em Deus, ela é eterna (pois Deus a conhece infinitamente desde sempre e para sempre).

Já a mentira é aquilo que erroneamente percebemos de algo. A mentira não corresponde àquilo que Deus pensa sobre algo, mas à distorção do que Ele pensa, distorção essa causada pela nossa percepção ou malícia. Assim, se alguém clama Bento XVI e você diz "vacante", seu intelecto não tem a imagem correta (a verdade) do Papa, ou você agiu por malícia (distorcendo a verdade). A mentira julga ser aquilo que não é ou não ser aquilo que é. Ora, sendo assim, ela não é eterna, pois não corresponde àquilo que Deus pensa (Deus não a ordena).

O Karma, quando compreendido em sua profundidade, revela que existe um constante e delicado equilíbrio de forças entre nós mesmos e o mundo em que vivemos... É um sistema dinâmico, “auto-ajustável” no qual sempre existirá um “feedback” ou “looping” de acordo com a maneira com a qual nós aceitamos ou recusamos nossas experiências a cada momento. Nossas reações e atitudes diante das experiências são na verdade mais importantes que as próprias experiências em si.

Tudo foi meticulosamente concebido para que os seres vivos tomem consciência de seus atos e consequentemente aprendam com eles: A “queda de bicicleta” gera um retorno mental que te faz gravar o ponto exato de equilíbrio sobre ela... De igual modo, uma queimadura te dá um feedback com o aprendizado de como lidar com altas temperaturas. Exatamente; nosso planeta foi concebido para reagir especificamente diante de cada ação humana. Tudo, repetindo; tudo ao seu redor está programado para reagir de diferentes maneiras dependendo de suas atitudes.

E quando se toma uma descarga elétrica pela concepção falsa de Tradição?

O Radical-tradicionalismo, o pseudo-tradicionalismo dos que confundem mudança na aplicação com mudança da Tradição. Os que confundem mudança no diálogo da Igreja com o mundo com mudança de suas Verdades Imutáveis.

Houveram Concílios pastorais cujos períodos pós causaram vendaval até a sua aplicação correta: Concílio de Lyon I, Latrão V, o I de Latrão também foi disciplinar, pois tratou das investiduras e outras questões disciplinares e de costumes; o II de Latrão também tratou de disciplina, assim como III de Latrão.

Já o V de Latrão parece que entrou também em questões doutrinárias, pois condenou os neoaristotélicos.

E sobre a famosa resistência em não ser submisso em matéria disciplinar.

Depende se essa desobediência é causada por uma vontade de não se submeter ao Papa ou se é causada por uma objeção de consciência de não poder se submeter a esta ou àquela ordem do Papa.

É certo que Suárez ensina que há vários modos de se tornar cismático, inclusive não negando que o Papa seja o chefe da Igreja, mas apenas agindo como se ele não fosse. Mas há também uma distância entre agir, de causa pensada, como se o Papa não fosse o chefe da Igreja, e desejar ardentemente obedecê-lo, mas, em consciência, não poder fazê-lo.

Isso não é contrário à perspectiva dos teólogos sobre a disciplina da Igreja ser infalível, nem ao que possa ser depreendido das censuras de Pio VI ao Sínodo de Pistoia, pelo seguinte: as ordens têm caráter particular e transitório; as leis (bem como o conjunto delas) têm caráter geral e estável. Portanto, se o Papa é capaz de dar uma ordem má, não significa que possa errar na determinação de uma lei, a toda a Igreja.

Não se pode negar a autoridade que fundamentou o Vaticano II e os demais concílios, isto é, a autoridade suprema da Igreja, o Papa e o episcopado pleno a ele unido, como, por exemplo, fazem aqueles que desejam uma Igreja democrática, ou tencionam instituir um "magistério paralelo" para interpretar os dogmas.

Onde ele reafirma a doutrina da Igreja, dizendo ser de fé, ele é infalível e magistério extraordinário, com base nas palavras da Comissão Doutrinal em 1964:

«Tendo em conta a praxe conciliar e o fim pastoral do presente Concilio, este sagrado Concilio só define aquelas coisas relativas à fé e aos costumes que abertamente declarar como de fé.

Tudo o mais que o sagrado Concílio propõe, como doutrina do supremo Magistério da Igreja, devem-no os fiéis receber e abraçar segundo a mente do mesmo sagrado Concílio, a qual se deduz quer do assunto em questão, quer do modo de dizer, segundo as normas da interpretação teológica».

Pela resposta da Comissão Doutrinal, a autoridade se pauta naquilo que o Concílio declara abertamente ser de fé. A a suprema autoridade do concílio está implícita, mesmo quando ele não manifesta explicitamente esse grau de autoridade, ao propor uma questão como de fé.

Não se pode é confundir magistério conciliar com magistério ordinário universal, pois um concílio é sempre expressão do magistério extraordinário, quando obriga os cristãos a um assentimento irrevogável, com o supremo grau de autoridade. E o magistério ordinário universal é quando os bispos, estando dispersos pelo orbe da terra, em suas dioceses, ensinam à Igreja inteira, as verdades que deve assentir absolutamente (para isso, ensinando também com grau máximo de autoridade), como se estivessem em concílio.

O texto do Concílio de Florença é entendido pelo magistério eclesiástico como falando da Igreja em sentido amplo: ou seja os que pertencem tanto corporalmente, quanto espiritualmente à Igreja. Santo Tomás de Aquino já fazia essa distinção, entre Igreja em sentido amplo, e em sentido restrito, de forma que ela não é estranha à mente dos Padres de Florença.

Sobre cismas e heresias, pode haver quem seja cismático ou herege só materialmente, e não formalmente. Como tal, seria membro da Igreja. E entendido no mesmo sentido: Fora da Igreja (em sentido lato) não há salvação. Essa é a interpretação correta, que é antiga (vem de Sto. Tomás na Suma Teológica) e advogada pelo Magistério da Igreja, que reprovou a interpretação particular de Pe. Leonard Feeney e seus seguidores que entendiam aí Igreja em sentido estrito.

E a comunhão imperfeita refere-se não às notas que caracterizam a Igreja, mas a todas as verdades que subsistem nessas seitas, como vestígios de catolicismo, e que podem servir como instrumentos à Providência e à graça de Deus.

Em outras palavras, uma comunhão não precisa nem ser uma comunhão de fé (embora isso exista com alguns membros de seitas). Pode haver uma comunhão nas verdades naturais, nas verdades sobrenaturais recebidas da Igreja, etc. Os católicos com fé meramente informe não têm uma comunhão na graça com os que têm uma fé formada pela caridade. Portanto, a palavra "comunhão" pode prestar-se a esses múltiplos sentidos. Querem entender de uma forma heterodoxa as palavras do Vaticano II é má vontade, teimosia e soberba.

O católico não deve adesão apenas ao que é dogmático.

Um concílio, que é a reunião do Colégio episcopal, mesmo quando não se pronuncia infalivelmente (no caso, pastoral nada tem a ver com isso, pois um documento pastoral pode ser infalível, dependendo do grau de autoridade com que se exprime) exige assentimento dos fiéis, embora não seja um assentimento de fé, mas um religioso obséquio de vontade e inteligência. Isso sempre foi ensinado pela Igreja, que nunca disse que é lícito discordar do magistério, quando esse não se pronuncia infalivelmente. S. Pio X lançou a pena de excomunhão para quem discordasse de decisões não infalíveis da Comissão Bíblica.

Pio XII defendeu o assentimento ao magistério papal mesmo quando não propõe doutrina infalível.

Para os que gostam de muita documentação para cada argumento, eu recomendo fortemente o livro "What Went Wrong with Vatican II: The Catholic Crisis Explained", do professor de filosofia da Universidade de Notre Dame, e apologista católico, Dr. Ralph McInerny. No livro, McInerny coloca muito bem que o Concílio não teve erros, e nem seus textos promovem a confusão tão discutida. O que existe é uma deliberada campanha de desinformação e má interpretação proposital dos textos do Concílio. Tudo para servir a causa ultraliberal.

Não é nenhum liberal que escreve a defesa do livro. É um tomista respeitado, defensor do uso do latim, de Pio XII, e de muitos outros pontos que costumam fazer os liberais torcerem o nariz.

Sedevacantismo e a Liturgia Nova


O idioma da missa não faz parte da substância do sacramento, pois, sendo essa imutável, não haveria outras línguas litúrgicas, como o dálmata, o eslavônico, o grego, o árabe, etc. Além disso, tudo o que diz respeito à substância dos sacramentos é de instituição divina, seja por meio de Cristo mesmo ou por revelação divina aos Apóstolos. Não consta que o rito latino tenha origem apostólica.

Por outro lado, se eles pensam que o Papa pode obrigar seus sucessores em matéria disciplinar (nunca foi essa a intenção de S. Pio V), devem ler a Sacramentum ordinis, de Pio XII:

"a Igreja não tem poder sobre "a substância dos Sacramentos", isto é, sobre aquelas coisas que, como é provado a partir de as fontes da revelação divina, Cristo, o Senhor mesmo estabeleceu para ser mantido como sinais sacramentais"

"Se fosse ao mesmo tempo necessário, mesmo para a validade, pela vontade e pelo comando da Igreja, cada um sabe que a Igreja tem o poder de mudar e revogar o que ela própria estabeleceu."

O Concílio de Trento definiu apenas que deveria haver um único Missal para o rito, ao contrário do que estava acontecendo na época, onde cada paróquia ou comunidade local criava o seu próprio missal, ao bel prazer. Esta prática foi permamentemente abolida, sendo o único missal válido o Missal promulgado pela Santa Sé. Agora, é evidente que a Mesma Santa Sé tem todo o poder e autoridade de mudar o missal "oficial", se assim o desejar.

Por que? Porque o conteúdo do Missal não é algo que, em si, traz a Revelação. O Missal é um livro que dita as normas disciplinares (e não dogmáticas) que devem ser cumpridas para a Celebração do Santo Sacrifício. É claro que isso não significa que qualquer missal pode ser aprovado. Um missal que explicitamente negar, via alguma oração, que a Missa é um Sacrifício, por exemplo, é herético e inválido. Porém um missal que não nega nenhuma realidade dogmática (como o atual Missal de Paulo VI) é perfeitamente aceitável.

A Igreja não pode determinar que algo que não contenha verdades de fé seja imutável, pois as únicas coisas que são imutáveis são a doutrina e a moral. Todo o resto está a serviço destas outras duas vertentes. Não se pode comparar o Missal com a Sagrada Escritura, e tem gente que considera o Missal de São Pio V mais "intocável" do que a própria Escritura!

Esses são argumentos tendenciosos de quem insistem em atribuir ao Novo Missal os abusos litúrgicos que são cometidos. Eles podem até acreditar que a promulgação do Novo Missal acarretou tais abusos (ainda que este seja um pensamento simplório), mas mesmo assim isso não significaria que o Missal, em si, é inválido. Repito: A Igreja não tem autoridade para imutabilizar algo que não traz em si o depósito da fé e da moral.

Os Cânones de Trento não foram modificados, o que Trento enunciou foi uma proibição da se modificar a Missa, não seu rito. Com isso, pode-se livremente e sem peso de qualquer falta caridade, dizer que o modernismo, o laicismo, a fé adocicada de "católicos", um falso sentimento pastoral que degola o Magistério, a Doutrina, a Liturgia, a Teologia e a Moral, acaba se transformando em exigência de "católicos" que abriram mão de seguir a Santa Igreja para enxergar somente a sua forma de catolicismo. É o que podemos chamar de "católicos ao seu próprio modo" e não de católicos ao modo da Igreja. Desejam que a Missa seja feita de forma que agrade somente aos olhos e a superfície carnal, mas não vêm que o Sacrifício de Cristo vale por sí só e é um fim em si mesmo, logo, não depende de pulos, danças, cânticos com solos de guitarra, gritaria, esteria orações indevidas que afrontam o Missal Romano.

"Não podemos, caríssimos, de modo algum duvidar de que toda a observancia cristã procede de instruções divinas e de que tudo o que a Igreja recebeu como costume de devoção provém da tradição apostólica e do ensinamento do Espírito Santo". São Leão Magno

Concluíndo
“Ações insalubres” sempre produzirão resultados insalubres, seja na forma de sofrimento, seja na forma de dor. Em contrapartida, “ações saudáveis” resultarão em efeitos saudáveis, ou seja, felicidade.

Os efeitos das ações sempre serão semelhantes às suas causas.

Se um sedevacantista for um infiel negativo que cumpriu toda a lei natural, não pode ir para o céu. Seu destino será o mesmo lugar conhecido como limbo das crianças, já que não tem pecados contra a lei natural (que levam ao inferno).

Contudo, a teologia ensina que é moralmente impossível ao homem, em estado de natureza decaída, observar durante largo tempo a lei natural e evitar todas as tentações graves, sem o auxílio de uma graça atual sanante.

Veja-se bem: Com somente as forças naturais, o homem pode fazer o bem e evitar o pecado, mas não pode fazer isso durante largo tempo.

O sedevacantista positivo é réu do pecado de infidelidade positiva, portanto, morre ao menos com esse pecado mortal, que merece as penas do inferno.

Ainda que seja possível a alguém observar toda lei natural com o auxílio da graça atual sanante, sabemos que a graça atual não é a mesma graça da justificação (habitual), especialmente tratando-se da graça sanante, que se distingue da graça elevante, que eleva as potências humanas a realizar o compete à ordem sobrenatural.

A graça sanante apenas sana uma deficiência da natureza.

Assim, pode-se perguntar se, extraordinariamente, um sedevacantista negativo poderia, com o auxílio da graça sanante, morrer sem pecados mortais, e ir para o limbo. Bem, considerando que a Providência divina cuida para que todos os homens tenham acesso aos meios de salvação, Sto. Tomás e outros teólogos julgam que, se existir algum homem nessa situação, Deus lhe revelará o que deve crer para merecer o Paraíso por meio de inspirações interiores ou lhe enviará um pregador da fé.

É meio óbvio dizer isso, mas a infidelidade negativa não é pecado. A infidelidade positiva, por sua vez, é pecado.

O sedevacantista negativo é aquele que está nesse estado por pura ignorância. Sedevacantista positivo é aquele que se distingue do negativo por não estar em ignorância, pelo menos, não invencível.

Deus sabe os casos particulares. Mas temos certeza que um indivíduo que seja sedevacantista por má fé, orgulho e soberba até o fim não pode se salvar. Pelo mal que faz a si próprio e por querer também fazer aos outros, ao "sedevacantinizá-los".

Oremos, jejuemos, e oferecemos sacrifícios pela conversão à Cristo dos indianos orientais, budistas e daqueles que por um contínuo mecanismo da cadeia da militância vacante se recusa a plenitude eclesiástica por tão simples orgulho.

 

©2009 Tradição em foco com Roma | "A verdade é definida como a conformidade da coisa com a inteligência" Doctor Angelicus Tomás de Aquino