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Novela “Que Rei Sou Eu?” e a Monarquia restaurada


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Nessa semana Pichot, cobaia dos planos maquiavélicos de Ravengar se transforma no herdeiro do trono do reino de Avilan, ocupando o lugar que seria de Jean Pierre. Mas para desespero de Ravengar e de seu fantoche, existe uma conspiração entre a classe pobre de Avilan, que busca derrubar o governo para instituir uma sociedade menos opressiva, já que o reino é corroído pela corrupção de seus governantes e injustiças sociais.

Dentre eles está Loulou Lion, a dona de uma taberna que sabe a verdade sobre o filho do rei; e Corcoran, o bobo da corte, que é um rebelde infiltrado no palácio.

Que Rei Sou Eu? era uma paródia do Brasil - com direito a corrupção, instabilidade financeira, sucessivos planos econômicos e uma moeda desvalorizada, que só mudava de nome. O autor se aproveitou da abertura política para ironizar até as manchetes de jornal.

A morte do rei Petrus II representou a morte de Tancredo Neves, primeiro presidente civil brasileiro após o fim da ditadura militar. A rainha Valentine representou o governo José Sarney, que implementou entre outras medidas, o plano Cruzado, um pacote econômico que incluía um congelamento de preços e uma mudança na moeda no país. Em Avilan, a nova moeda se chamou "Duca", que seria o equivalente ao cruzado. E implicitamente, o personagem Ravengar seria uma paródia de Rasputin (The Mad Monk) ou "o monge do mal", personagem da Rússia pré-comunista.

Monarquia Católica já! E viva os Soberanos Católicos que já pisaram nesta terra!

Alguns acham que a monarquia, nos moldes atuais, tem como exemplo máximo Luis XIV.

Monarquia, desde D. Pedro II já era daquele jeito. Fosse assim Rui Barbosa nunca teria sido monarquista e depois de se tornar republicano não teria declarado várias vezes sua decepção com a república das bananas brasileiras.

As eleições na Inglaterra, por exemplo, são democráticas, limpas e livres. Sua Majestade não dá um pio em política.


A utilidade da Rainha é justamente isso, trazer estabilidade que um presidente eleito não traria, ela como é imparcial, e não precisou de manobra política para estar na chefia de estado, ela pode solucionar os problemas numa crise, e ela faz tudo que um Chefe de Estado faz. Se ela tá la ainda, algum sentido faz para o País, do mesmo jeito que o povo aqui continua a sustentar a "Corja de Políticos" que corroem o país mais ainda.

A coroa traz unidade à comunidade britânica. A Inglaterra nunca estará sozinha enquanto existir monarquia com legitimidade popular. O seu Império permanece, mesmo que com autonomia administrativa, política, etc, entre as nações que antes o compunha, mas, mantém-se a união em torno de uma identidade britânica, por meio da coroa.

Os republicanos não conseguem entender isso porque eles acham que a única forma de união não alienada é entre a classe trabalhadora contra os burgueses. Eles desconsidera todo o resto.

O Brasil era anos-luz melhor na época da monarquia do que hoje, foi a atuação de D. Pedro I e II que diminuiu um pouco o poder das elites locais para realizar projetos em nome de uma nação, porém quando eles se tornaram progressistas “demais” pra realidade da época ao abolir a escravidão veio logo em seguida um golpe de Estado que instaurou uma ditadura e depois uma república, o que se segiu foram republiquetas e ditaduras se alternando.

E é por isso que o Brasil é uma nação incompleta, desmamada antes da hora.

Pedro II foi um tanto culpado. Deveria ter imposto a sua vontade e sacralizado o seu neto, que ele carinhosamente preparou para a coroa. Pedro Augusto de Bragança e Sachsen-Coburg - o príncipe maldito - foi atropelado primeiro pela tia Isabel e depois pela República, e logo depois enlouqueceu.

Ao contrário do que quase todo mundo acha, os pioneiros na luta contra a escravidão foram os
papas. Uma religião nascida em meio aos escravos de Roma, não podia ser diferente.

"... prosseguindo na senda dos Padres da Igreja e de seus antecessores, combateram a iniquidade da escravidão e a subjugação dos povos não europeus. Em 13 de Janeiro de 1435, através da bula Sicut Dudum, o papa Eugénio IV mandou restituir à liberdade os captivos das ilhas Canárias. Em 1462, o Papa Pio II (1458-1464) deu instruções aos bispos contra “La tratta dei Negri” proveniente da Etiópia; o Papa Leão X (1513-1521) despachou no mesmo sentido para os reinos de Portugal e Espanha. Em 1537, o papa Paulo III (1534-1549), através da bula Sublimus Dei (23 de Maio) e da encíclica Veritas Ipsa (9 de Junho), lembrava aos cristãos que os índios “das partes ocidentais, e os do meio-dia, e demais gentes”, eram seres livres por natureza.

O Papa Gregório XIV (1590-1591) publicou a Cum Sicuti (1591) e, nos séculos seguintes, contra a escravidão e o tráfico se pronunciam também os Papas Urbano VIII (1623-1644), na Commissum Nobis (1639) e Bento XIV (1740-1758) na Immensa Pastorum (1741). No século XIX, no mesmo sentido se pronunciou o papa Gregório XVI (1831-1846) ao publicar a bula In Supremo (1839).

Em 1888, o Papa Leão XIII, na encíclica In Plurimis, dirigida aos bispos do Brasil, pediu-lhes apoio ao Imperador (Dom Pedro II) e a sua filha (Princesa Isabel), na luta que estavam a travar pela abolição definitiva da escravidão. O Brasil é tido como último país a abolir os escravos, mas a verdade é que fizemos isso apenas 23 anos depois dos americanos. Não foram séculos.


Vale lembrar ainda, que 88 significou no Brasil a igualdade total dos cidadãos, a constituição de 1891 já previa direitos iguais entre negros e brancos.

Embora a abolição tenha ocorrido 23 anos antes nos Estados Unidos, a igualdade de direitos só viria a acontecer mais de 100 anos depois nos EUA, que viveram até meados da década de 70 do século 20, sob um forte esquema de segregação racial.

Como já é de costume entre os críticos da monarquia, citam o baile da ilha fiscal, majestoso sem dúvida alguma; o fato é que nos mais de 40 anos de reinado de Pedro II, só tivemos três grandes comemorações, sua coroação, seu casamento e este baile já citado.

É bastante conhecida a análise de Baleeiro que liga a não cultura mónarquica em nosso país às condutas espartanas do imperador, por aqui faltava exatamente o que mais é admirado nas monarquias, a mistificação e idealização das pompas e do simbolismo. Tão simples era o velho imperador que sequer usava sua coroa, esta inclusive ficou esquecida quando partiu para o exílio; era visto como um homem comum de negócios, usava o terno e a gravata bem comum aos homens da época.

Tamanho era o respeito às coisas públicas, que o palácio no centro do Rio de Janeiro era um casebre mal pintado e cuidado, algo bem longe dos palácios reais daquele tempo.

Por todos esses anos os republicanos usam do baile da ilha fiscal como forma de ligar à monarquia ao luxo, mentindo muitas vezes sobre os fatos, talvez como forma de justificar seus próprios excessos. Às vésperas do plebiscito de 93 sobre a forma de governo, o palácio de Buckinghan custava aos cofres públicos, 1/3 do que custava o palácio de Planalto.

Um dos motivos do grande baile foi a comemoração da vitória Chilena na guerra do pacífico, que vencera a Bolívia e o Peru e anexara o deserto do Atacama; tanto que o baile contou com a presença do encouraçado chileno "Almirante Cochrane".

O fato é que o Chile sempre teve atrito com a Argentina, que por sua vez reivindicava a região brasileira de Palmas, no oeste do Paraná e de Santa Catarina. A aproximação entre Chile e Brasil demonstrava uma composição de forças na América do Sul contra os pleitos Argentinos.

O respeito ao erário e a modéstia espartana de Pedro II são tão conhecidos que não é preciso argumentar em defesa de um baile quando sabemos que a nossa república multiplicou com requintes imensuráveis e sofisticações inéditas os rega-bofes oficiais.

O velho Imperador inclusive se recusou a receber pensão paga pelo governo republicano, alegando não ser justo receber dinheiro sem trabalhar pelo país.

Horas após o golpe republicano, o imperador recebeu o almirante Tamandaré que logo colocou a disposição a poderosa marinha imperial para abafar a revolta, havendo o Imperador negado veementemente tal possibilidade por temer uma guerra civil, cedendo então ao "império das circunstancias".

Todos os símbolos monárquicos foram utilizados para criar a identidade nacional brasileira, a origem do nosso povo está como em outros países na origem de sua casa real, o que foi a Alemanha se não a expansão dos Hohenzollern? se assim não fosse hoje seríamos umas cinco ou seis repúblicas.

No Brasil a monarquia estava no meio do processo de trocar definitivamente sua base de apoio, estava dando uma rasteira nas oligarquias para poder finalmente começar a desenvolver a nação e foi no meio desse processo que as elites brasileiras colocaram um fim à monarquia com ajuda de seus serventes do exército.

Faz mais sentido se submeter a um monarca que é uma entidade real do que se submeter ao partido que é um ente abstrato e não possui justificativa histórica, por isso foi mais fácil se libertar da monarquia que da ideologia.

A Monarquia não se trata de simples adorno, pelo contrário, acho que seria um grande passo separar o Estado do Governo no Brasil; isso porque nos permitiria criar políticas de Estado, necessárias ao progresso real.

Passados mais de 120 anos de república, não temos uma política sólida de educação, ao contrário vemos a total degradação do ensino público; quem comprarar o ensino público de 40 anos atrás ao de hoje verá que na verdade estamos andando pra trás.

Não importa quem governe, certas coisas precisam ser prioridade de Estado; mas hoje cada partido que assume o governo leva a educação conforme suas próprias diretrizes, que logo são mudadas quando outro partido assume posteriormente.



Separando as atribuições do executivo, poderiamos então ter políticas de longo prazo, políticas do Estado Brasileiro, e não políticas partidárias. Sabe-se claramente que não se faz projetos de longo prazo no Brasil, porque mais importante que isso são os de resultados imediatos, que servem de propaganda para as próximas eleições.

Um poder neutro, a atuar como mediador entre as mais diversas correntes ideológicas, e ai sim poderiamos então ter? Uma politica nacional de educação, de defesa. Ou mesmo uma política externa nacional que não dependesse das paixões e ideologias partidárias.

Fora que acompanhando a monarquia, teriamos o parlamentarismo.

Esse muito superior ao presidencialismo fruto de um mimetismo bobo; que traria a responsabilidade ministerial à política nacional, uma ferramenta importante de combate à corrupção.

Mas de fato não é a monarquia destinada a povos sem civismo, mais que isso, não pode ela sobreviver em meio a um povo inculto, não é mesmo para uma nação sem civismo.

E a nós monarquistas brasileiros, o futuro reserva apenas a tristeza comum aqueles que acreditam em algo que jamais se concretizará.

Mas muitas vezes esse é o preço do conhecimento.

A resistência popular da aceitação da Monarquia tem sua pauta na relação à questão da direita e das desigualdades sociais. O senso de justiça, de desejar que haja dignidade para todos, não pode se transformar numa LEI que tolhe um direito natural do ser humano, que é a propriadade privada. A Igreja, infalível em moral, sempre defendeu que o direito à propriedade privada é um direito natural, e bani-lo é também atentar contra a dignidade do ser humano ("o trabalhador tem direito ao seu salário").

Se é verdade que existem desigualdades, é devido à ambição do homem, não ao sistema político. O capitalismo, no sentido em que dá a liberdade para o homem administrar os seus bens, contém um princípio bom e justo em si mesmo (não que o capitalismo seja inteiramente justo ou bom em si mesmo, mas ESTE princípio o é: o da liberdade à adminstração dos bens adquiridos legitimamente). Só se pode exercer a caridade dessa forma.

Um direito não pode passar por cima de outro, muito menos suplantar outro. Dito de outro modo, os fins não justificam os meios, no sentido de que o fim de se combater a desigualdade social usando como meio a abolição do direito de propriedade, é evidentemente um fim bom almejado por um meio mau. Salvar a vida de uma gestante abortando-se o filho é outro exemplo de idêntico raciocínio.

Sou monarquista, graças a Deus, acreditando numa restauração, guardando comigo a mais pura admiração à antiga coroa auri-verde, não verde de matas de amarelo de ouro, mas verde de bragança e amarelo de Habsburgo, que ao longo de sua dinastia conseguiu dar ao brasileiro o que hoje tanto nos falta ...

Uma identidade única e um país unido.

Referências:

BALMES JAIME - "A Igreja Católica em face da Escravidão", editado pelo Centro Brasileiro de fomento Cultural (1988)

DOM LUIZ DE ORLEANS E BRAGANÇA - Sob o Cruzeiro do Sul - Lith. Montreux, Montreux, 1913, p. 460.

SCHWARCZ, Lilia Moritz, As Barbas do Imperador, Companhia das Letras, 2002

PARA CITAR ESTE ARTIGO:

David A. Conceição,
Novela Que rei sou eu e a Monarquia restaurada – Rio de Janeiro, junho de 2012, blogue Apostolado Tradição em Foco com Roma.

 

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