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Solenidade de Corpus Christi


Hoje, comemoramos não uma simples solenidade, mas, uma grande, magna, suntuosa e majestosa solenidade. Hoje com Cristo festejamos seu Corpo, corpo que é repleto do Sangue; Sangue este que jorrastes da Cruz, infundindo no mundo toda a sua misericórdia.

Caminhamos, rumo a um horizonte humanamente, antropologicamente ainda desconhecido, mas onde a alma já anseia estar, caminhamos erguendo nossos olhos na procissão que eleva o mais perfeito corpo, caminhamos na procissão que está escondida em nós, a procissão rumo a Pátria, a Pátria que não está aqui, mas, que há de vir, a pátria que tanto desejamos.

Como Cristo que, percorreu tantos caminhos, tantas estradas, tantas moradas, hoje o homem, injusto e pecador, o homem fadado à sua origem, o homem ignorante ainda em seu coração, que até pode exclamar como Tomé, que só acredita naquilo que vê, mas, ele não vê, está como Saulo, está como eu como você, com os olhos repletos de escamas.


Mas, hoje este mesmo Senhor, que atravessou desertos, passa, caminha em nosso deserto infecundo, desonesto muitas vezes, mas Ele passa hoje, retirando as escamas dos olhos, libertando oprimidos, levantado paralíticos, reerguendo corações.

Quantas as paralisias de nossa alma, assim como também nossa cegueira, quantas vezes gritamos, filho de Davi, olhas para mim, veja-me, escuta-me, cura-me. Quantas noites, sozinhos em nosso deserto, em nossa solidão, em nós mesmos, suplicamos, vinde Senhor em meu auxilio, pois já não vejo mais horizontes, pois já não encontro mais a minha habitação.


E o Senhor continua a passar, a revelar-se vagarosamente em procissão, então corremos ao seu encontro, sangrando em nossas almas, e basta que toquemos suas vestes e este sangue estanca, este sangue se dissolve dos corações que agora encontram um repouso, que encontram sua morada.


Já não é uma procissão mais de aparências, de costumeiro, de beleza externa, de tapetes coloridos que encantam os olhos humanos, não, agora é uma manifestação do Sagrado no humano, do puro no impuro, do Sublime no que é declive, é a procissão do tapete que a alma estende para que o Rei da Glória, a Hóstia Santa, o Cristo Ressuscitado que, está no meio de nós, e que, agora posso ver, ouvir e tocar.


E assim se faz cumprir sua santa e perpetua Palavra: Eu, quando for exaltado sobre a terra, tudo atrairei a mim. (loh 12, 32).


Dom Luís Maria Puglia Barbosa OSB. Oliv

Foto: Gercione Lima FSSPX - Toronto, Canadá

 

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