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Novela Avenida Brasil e a questão da vingança


O capítulo de número 102 da novela "Avenida Brasil" ficou entre os assuntos mais tratados nas redes sociais. Os papéis das personagens rivais prenderam a atenção e esquentaram a trama depois que Carminha (Adriana Esteves) dá sonífero para Nina (Débora Falabella) e, com a ajuda de Lúcio (Emiliano D'Avila) enterra a empregada num buraco, deixando-a somente com o rosto para fora. Nina conseguiu sair da cova em que estava e foi buscar as fotos comprometedoras e contou à irmã que pretende ameaçar Carminha com as fotos que tirou dela e do amante.

A snopse da novela trata sobre vingança, e nesse artigo iremos iremos trabalhar esse sentimento sob a ótica católica. Desde a origem do mal e suas consequências na natureza humana.

Origem do Mal: Lúcifer ou o Pecado Original?

Humberto Padovani, que parece ser um grande teólogo católico, afirmou, em uma obra de sua autoria conjunta com Luís Castagnola, "História da Filosofia", que o pecado original foi a origem de todo o mal. Isso significa que mesmo a queda de Lúcifer foi acarretada por aquilo que se seguiu ao pecado original (apesar disso ser aparentemente absurdo, por ter sido ele o grande instigador para a prática desse pecado) .

Nesse caso, a causa da queda do anjo citado e de seus "partidários" poderia ser a da sua recalcitrância em relação à obrigação de adorar Deus na pessoa de Jesus Cristo, pela natureza simultaneamente humana deste. Essa seria uma das hipóteses teológicas a respeito da causa da decadência da terça parte dos anjos.

De fato, a encarnação do Verbo foi logicamente subsequente ao pecado original, uma vez que se consagrou à redenção dos homens pelos seus frutos.

Hipótese na qual não é creditável por dois motivos:

- Segundo Santo Tomás, não houve transcorrência de tempo entre a criação de Lúcifer e sua queda. Ele caiu no primeiro instante de sua criação (S. Th, I, q.63, a.6);

- O primeiro dos anjos apeteceu ser como Deus. De acordo com Santo Tomás, isso significa que Lúcifer foi culpado em recusar a graça na qual foi criado ou de desejá-la enquanto um merecimento de sua própria natureza. (S. Th., I, q.63, a.3).

A natureza dos demônios permaneceu boa. Os anjos só podem pecar por soberba ou inveja, e é necessário que esses pecados tenham se dado simultaneamente no mesmo instante de sua criação, pois, após isso, sua vontade foi obstinada e cessou para eles o estado de merecer e desmerecer.

Santo Anselmo diz que, se o diabo tivesse perseverado, teria alcançado aquilo que desejou. Isso concorda com a hipótese de Santo Tomás de que ele desejou a bem-aventurança que provém da graça de Deus, a visão de Deus que foi dada como prêmio aos anjos bons, entretanto, ele a quis alcançar, não pela graça, mas como se fosse um merecimento de sua própria natureza.

Quem deseja a semelhança com Deus não peca, contanto que a deseje segundo a ordem devida, isto é, não exigindo-a em nome da justiça, como se fosse resultado de seu esforço e não da ação de Deus.

A outra hipótese de Santo Tomás é que Satanás não tenha desejado a visão de Deus, mas desejado tão-somente a sua natureza como fim último de sua bem-aventurança. Desprezou, portanto, a graça no qual fora criado. E, assim, desejou ser semelhante a Deus naquilo que não estava apto para ser.

O pecado de Satanás foi irreversível, pois os anjos não progridem em conhecimento. Os homens mudam de opinião acerca de seu pecado, pois seu conhecimento é progressivo. Já os anjos conhecem tudo num ato simples, daí sua decisão ser irrevogável. Só após a queda do homem que foi necessária a encaranação do Verbo.

Santo Anselmo diz que, se o diabo tivesse perseverado, teria alcançado aquilo que desejou. Isso concorda com a hipótese de S. Tomás de que ele desejou a bem-aventurança que provém da graça de Deus, a visão de Deus que foi dada como prêmio aos anjos bons, todavia, ele a quis alcançar, não pela graça, mas como se fosse um merecimento de sua própria natureza.

Quem deseja a semelhança com Deus não peca, contanto que a deseje segundo a ordem devida, isto é, não exigindo-a em nome da justiça, como se fosse resultado de seu esforço e não da ação de Deus.

A outra hipótese de Sto. Tomás é que Satanás não tenha desejado a visão de Deus, mas desejado tão-somente a sua natureza como fim último de sua bem-aventurança. Desprezou, portanto, a graça no qual fora criado. E, assim, desejou ser semelhante a Deus naquilo que não estava apto para ser.

O pecado de Satanás foi irreversível, pois os anjos não progridem em conhecimento. Os homens mudam de opinião acerca de seu pecado, pois seu conhecimento é progressivo. Já os anjos conhecem tudo num ato simples, daí sua decisão ser irrevogável.

Deus não pode ser a causa do mal, pois o mal é o não-ser. A energia de um homem coxo é causa de sua caminhada, não de que manqueje. A causa de que manqueje é o defeito que possui. Assim, Deus é a causa de todas as coisas, mas não aquilo que resulta de suas imperfeições ou defeitos.

O Padre Letieri da Toca tem um livro sobre São Miguel que diz que ele ao proclamar "Quem é como Deus?" convenceu vários anjos a permanecerem fieis a Deus no momento em que deveriam decidir.

Ou seja, dá a entender que Lucifer pecou primeiro e depois teve um segundo momento que ele tentou convencer os outros anjos a segui-lo, tendo conseguido com relação a uma parte dos anjos.

Existem relatos que Deus submeteu os anjos a uma prova.

A prova foi esta: Deus criou-os em graça e estipulou que alcançassem a bem-aventurança por um único ato meritório. Os que caíram, perderam-se também por um único ato de demérito, que foi o seu primeiro.

Quanto ao relato de São Miguel, é uma forma metafórica de exprimir uma verdade catequética, uma vez que este ocupou o lugar que antes era o de Lúcifer, o primeiro dos anjos.

A Escola Franciscana susteve na Idade Média que os anjos não foram criados em graça, mas tiveram que merecer a graça santificante com graças atuais, da mesma forma que os homens. Por isso, a tese de que Satanás não quis adorar a humanidade de Cristo é tão dependente dessa interpretação. No entanto, seguindo o conselho dos Papas, aderimos à tese tomista, de que os anjos foram criados em graça e mereceram desde o primeiro instante de sua criação.




Lúcifer é "autor e princípio do pecado", no sentido de ser o primeiro pecador, mas não princípio no sentido de causa, pois se houvesse uma causa única do pecado, isto eliminaria a liberdade dos demais que pecaram.

O pecado de Lúcifer foi exemplo para os outros anjos, serviu-lhes de sugestão, mas cada um pecou por si mesmo, sem dependência alguma do pecado de Lúcifer.

Também pode-se entender Lúcifer como causa dos outros pecados, no sentido em que causou-os com seu exemplo ou sugestão. Nesse sentido, Santo Tomás mesmo admite (cf. S. Th, I, q.63, a.8 e q.104, a.3). Mas não é causa no sentido de haver um princípio do mal, como há um Princípio do Bem (I, q.49, a.3).

Santo Tomás também explica que o intento do diabo não foi o de igualar-se a Deus, e sim de se tornar semelhante a Deus. E aí há duas possibilidades: ele pode ter querido ser semelhante a Deus em algo que não estava apto para ser (caso de desejar a sua própria natureza como fim último de sua bem-aventurança, desprezando assim o fato de ter sido criado em graça e para a bem-aventurança sobrenatural), ou pode ter desejado a semelhança com Deus em algo perfeitamente lícito, mas querendo alcançá-lo por meios impróprios (caso de desejar a semelhança com Deus que provém da graça de Deus, mas querendo-a alcançar como prêmio de sua própria natureza, e não segundo a disposição de Deus).

Em absoluto, Satanás não quis o lugar de Deus. Santo Tomás argumenta isso não seria possível, posto que, por conhecimento natural, sabia ser impossível, e porque, a seu ato pecaminoso não precedeu nenhum hábito ou paixão que entorpecesse a sua capacidade cognitiva, de forma que errasse naquele caso concreto elegendo o impossível, como, às vezes, ocorre a nós. E ainda que isso fosse possível, haveria de ser contrário ao desejo natural de conservar seu ser, pois desapareceria se se convertesse em outra natureza. Nenhum ser pertencente a um grau inferior da natureza pode desejar o grau da natureza superior, como o asno não pode desejar ser cavalo, pois, tornando-se cavalo, deixa de ser asno. Mas aqui nos engana a imaginação, pois devido ao homem desejar elevar-se a um grau superior, em que pode conservar suas características essenciais, mudando só acidentalmente, pensamos ser possível que um ser pode desejar um grau superior de natureza ao que não pode chegar, senão deixando de ser o que é. É evidente que Deus supera o anjo não em condições acidentais, mas em grau de natureza, como também é esse o modo como um anjo supera o outro.

Assim, um anjo não pode querer ser igual a Deus, nem mesmo ser igual a outro anjo, pelo que desejaria a sua própria aniquilação.

A Vingança



Quando sofremos algum ataque, nosso sistema se prepara para reagir. O que fazer com toda essa carga energética que foi gerada dentro de nós?

O problema é que as pessoas confundem causa com responsabilidade.
A causa trata da relação do que antecede (causa) sempre uma determinada mudança (efeito), enquanto responsabilidade trata de pensar se alguém deveria ser punido, recompensado ou nenhum dos dois.

Causa e responsabilidade não são a mesma coisa. Se na história do indivíduo existe a causa do seu comportamento, disso não se segue que o próprio indivíduo não seja reponsável pelo mesmo, pois você pode achar que ele deveria ser punido ou recompensado ou nenhum dos dois, independente do que quer que tenha causado o seu comportamento.Veja bem , não é o ambiente que é recompensado ou punido, é o indivíduo. Claro que deveria se recompensar ou punir alguém, também com base nos efeitos que essa recompensa ou punição teria sobre essa pessoa, e não de forma cega como muitas vezes é feito.

A psicopatia da vingança surge aos poucos e é preciso que alguém o interprete no início, isso será necessário sempre, a detecção sistêmica por assim dizer, sem rodeios. A isto chamamos de medida da duração e da intensidade de processos mentais por meios de métodos padronizados.

Os maníacos vingativos sustentam uma leveza e ao mesmo tempo imenso abismo entre a realidade e o surto onde estão e permanecem como se fossem intocáveis, criando situações que variam do amabilismo ao extremo da maldade e da violência. E tudo o quanto diferencia o cérebro doentio daquele saudável, pode e deve causar as mais diferentes impressões, permitam-se observar os deprês. Insitigados a se vingar por conta da ira diante de um mal acontecido.

A ira é uma aberração daquele sentimento instintivo que nos leva a defender-nos, quando somos atacados, repelindo com força. Diremos: a sua natureza; a sua malícia; os seus remédios.

I. Natureza da Ira


ira paixão e ira sentimento.

A ira, considerada como paixão, é uma necessidade violenta de reação, determinada por um sofrimento ou contrariedade física ou moral. Esta contrariedade desencadeia uma emoção violenta que distende os forças no intuito de vencer a dificuldade: sentem-se então impulsos de descarregar a cólera sobre pessoas, animais ou coisas.

Distinguem-se duas formas principais: a cólera rubra ou expansiva nos fortes, e a cólera branca ou pálida, ou espasmódica nos fracos. Na primeira, bate o coração com violência e impele o sangue para a periferia: acelera-se a respiração, purpureia-se o rosto, incha o pescoço, desenham-se as veias sob a pele; eriçam-se os cabelos, faísca o olhar, saltam das órbitas as pupilas, dilatam-se as narinas, enrouquece a voz, entrecortada, exuberante. Aumenta a força muscular, todo o corpo se distende para a luta, e o gesto irresistível fere, quebranta ou afasta violentamente o obstáculo. – Na cólera branca, contrai-se o coração, torna-se a respiração difícil, cobre-se a face de palidez extrema, goteja a fronte suor frio, cerram-se as maxilas, guarda-se um silêncio impressionante; mas a agitação, contida no interior, acaba por estalar brutalmente, descarregando-se por meio de golpes violentos.

A ira, considerada como sentimento, é um desejo ardente de repelir e castigar um agressor.

A) Há uma cólera legítima, uma santa indignação, que não é senão o desejo ardente, mas radical, de infligir aos criminosos o justo castigo. Foi assim que Cristo Senhor Nosso entrou em justa cólera contra os vendilhões que com o seu tráfico contaminavam a casa de seu Pai[2]; o sumo sacerdote Heli, pelo contrário, foi severamente censurado por não ter reprimido o mau procedimento de seus filhos.

Para ser legítima, a cólera tem que ser:

a) justa no seu objeto, não tendo em vista senão castigar a quem o merece e na medida em que o merece;

b) moderada no seu exercício, não indo mais longe do que reclama a ofensa cometida e seguindo a ordem que demanda a justiça;

c) caritativa na sua intenção, não se deixando arrastar a sentimentos de ódio, não procurando senão a restauração da ordem e a emenda do culpado. Qualquer destas condições que falte, haverá excesso repreensível. – É sobretudo nos superiores e pais que a cólera é legítima; mas os simples cidadãos têm por vezes direito e dever de se deixarem inflamar de cólera santa, para defenderem os interesses da cidade e impedirem o triunfo dos maus; é que, efetivamente, há homens que a doçura deixa insensíveis, e nada temem senão o castigo.

B) Mas a cólera, que é vício capital, é um desejo violento e imoderado de castigar o próximo, sem atender às três condições indicadas. Muitas vezes é a cólera acompanhada de ódio, que procura não somente repelir a agressão, mas ainda tirar dela vingança; é um sentimento mais refletido, mais duradouro, e que por isso mesmo tem mais graves conseqüências.

A cólera tem graus:

a) ao princípio, é apenas um movimento de impaciência: mostra-se mau humor à primeira contrariedade, ao primeiro revés;

b) depois, é arrebatamento, que faz que um se irrite desmedidamente e manifeste o descontentamento com gestos desordenados;

c) às vezes, vai até à violência e traduz-se somente por palavras, mas até por golpes;

d) pode chegar ao furor, que é uma loucura passageira; o colérico nesse caso já não é senhor de si mesmo, mas deixa-se arrebatar a palavras incoerentes, a gestos tão desordenados que antes se diriam um verdadeiro acesso de loucura;

e) enfim, degenera por vezes em ódio implacável que não respira mais que vingança e vai até desejar a morte do adversário. Importa discernir estes graus, para apreciar a sua malícia.

II. Malícia da ira

Podemo-la considerar em si mesma e nos seus efeitos.

Em si mesma, pode sugerir ainda várias distinções:

A) Quando a cólera é simplesmente um movimento transitório de paixão, é de sua natureza pecado venial: porque então há excesso na maneira por que ela se exerce, neste sentido que ultrapassa a medida, mas não há, assim o supomos, violação das grandes virtudes da justiça ou da caridade. - Há casos contudo em que é talo excesso, que o colérico perde o domínio de si mesmo e se deixa arrastar a graves insultos contra o próximo. Se estes movimentos, posto que passionais, são deliberados e voluntários, constituem falta grave; muitas vezes, porém, não passam de semi-voluntários.

B) A cólera, que chega a ódio e rancor, quando é deliberada e voluntária, é pecado moral de sua natureza, porque viola gravemente a caridade e muitas vezes a justiça. É neste sentido que Nosso Senhor Jesus Cristo disse: «Todo aquele que se irar contra seu irmão, será réu no juízo. E o que disser a seu irmão: raça, será réu no conselho. E o que lhe chama insensato, será réu do fogo do inferno» (Mt 5, 22). Mas, se o movimento de ódio não é deliberado, ou se não se lhe dá senão consentimento imperfeito não passará de leve a falta.

2° Os efeitos da cólera, quando não são reprimidos, são às vezes terríveis.

A) Sêneca descreveu-os em termos expressivos: atribui-lhes traições, assassínios, envenenamentos, divisões intestinais nas famílias, dissenções e lutas civis, guerras com as suas funestas conseqüências. Ainda quando não chega a tais excessos, é fonte dum sem-número de faltas, porque nos faz perder o senhorio de nós mesmos, e em particular perturba a paz das famílias e cria inimizades tremendas.

B) Sob o aspecto da perfeição, é a ira, diz São Gregório [3], um grande obstáculo ao progresso espiritual. É que, de fato, se a não reprimimos, faz-nos perder:

1) a sabedoria ou a ponderação;

2) a amabilidade, que faz o encanto das relações sociais;

3) a preocupação da justiça, porque a paixão impede de reconhecer os direitos do próximo;

4) o recolhimento interior, tão necessário à união íntima com Deus à paz da alma, à docilidade, às inspirações da graça. Importa, pois, encontrar-lhe o remédio.

III. Remédios contra a ira

Estes remédios devem combater a paixão da cólera e o sentimento do ódio que às vezes dela resulta.

Para triunfar da paixão, não se deve descurar meio nenhum.

A) Há meios higiênicos, que contribuem para prevenir ou moderar a cólera: tais são um regime alimentício emoliente, banhos tépidos, duchas, abstenção de bebidas excitantes, e em particular das alcoólicas: por causa da união íntima entre o corpo e a alma, é mister saber moderar o mesmo corpo. Mas, como nesta matéria, é preciso ter em conta o temperamento o estado de saúde, requer a prudência que se consulte um médico.

B) Mas os remédios morais são ainda melhores.

a) Para prevenir a cólera, é bom acostumar-nos a refletir, antes de fazer qualquer coisa, para nos não deixarmos dominar pelos primeiros ímpetos da paixão: trabalho de longa duração, mas eficacíssimo.

b) Quando esta paixão, a despeito de todas as cautelas, nos sobressaltou o coração, melhor é sacudi-la com presteza que querer negociar com ela; porque, por pouco lugar que lhe demos, se faz senhora de toda a praça, havendo-se como a serpente que introduz facilmente todo o corpo, por onde pode meter a cabeça... É mister, logo que a sentirdes, convocar prontamente vossas forças, não áspera nem impetuosamente, mas suave e ainda assim seriamente. Aliás, se quisermos reprimir a cólera com ímpeto, mais nos perturbaremos.

c) Para melhor sofrear a ira, é útil divertir a atenção, isto é, pensar em qualquer coisa diversa do que a possa excitar; é necessário, pois, desterrar a lembrança das injúrias recebidas, afastar as suspeitas, etc.

d) Devemos invocar o auxílio de Deus, quando nos vemos agitados pela cólera, à imitação dos Apóstolos, combatidos pelo vento e tempestade no meio do mar, porque Deus mandará às nossas paixões que sosseguem e sobrevirá grande tranqüilidade .

Quando a cólera excita em nós sentimentos de ódio, rancor ou vingança, é impossível curá-los radicalmente com outro remédio que não seja a caridade fundada no amor de Deus. É caso, então, de nos lembrarmos que somos todos filhos do mesmo Pai celestial, incorporados no mesmo Cristo, chamados à mesma felicidade eterna, e que estas grandes verdades são incompatíveis com qualquer sentimento de ódio. Assim pois:

a) Recordaremos as palavras do Pai-Nosso: perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido; e como desejamos vivamente receber o perdão divino, de mais bom grado perdoaremos aos nossos inimigos.

b) Não esqueceremos os exemplos de Cristo Senhor Nosso, chamando a Judas seu amigo, ainda no momento da traição, e orando do alto da cruz pelos próprios verdugos; e pedir-lhe-emos ânimo para esquecer e perdoar.

c) Evitaremos pensar nas injúrias recebidas e em tudo que a elas se refira. Os perfeitos orarão pela conversão de quem as ofendeu, e encontrarão nesta prece bálsamo suavíssimo para as feridas da sua alma.





Referências:

LYMAN, Stanford. The Seven Deadly Sins: Society and Evil. New York: St. Martin's Press, 1978. 329 pp

A. Tanquerey, Teologia Ascética e Mística, nº 853 - 863

Manual de Teologia Dogmática, Ludwig Ott.


PARA CITAR ESTE ARTIGO:

David A. Conceição, Novela Avenida Brasil e a questão da vingança, Rio de Janeiro, julho de 2012, blogue Apostolado Tradição em foco com Roma.

CRÍTICAS E CORREÇÕES SÃO BEM-VINDAS:
tradicaoemfococomroma@hotmail.com

 

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