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O relativismo em torno do Espiritismo


No dia do décimo aniversário da morte de Chico Xavier publicamos um artigo combatendo o Espíritismo e pasmem, mesmo apresentando a doutrina católica condenando as práticas mediúnicas alguns progressistas se taxaram o texto de fundamentalista como se fosse crime pregar o Evangelho para os espíritas.

Será que para essa gente os Apóstolos também foram fundamentalistas ao querer a conversão dos judeus e pagãos?

Se tem algo tão nocivo ou até mais do que o espiritismo, esse algo é o relativismo. Na atualidade, quando o diabo não consegue infundir numa alma nem protestantismo, nem espiritismo, nem agnosticismo, nem indiferentismo religioso nem nada semelhante, geralmente tenta ao relativismo, tão em voga atualmente.

Distorce-se violentamente o sentido do preceito de "não julgar", esquecendo-se de que o mesmo Cristo que disse "não julgueis e não sereis julgados" (Mt 7,1), disse também "não julgueis pela aparência, mas julgai conforme a justiça" (Jo 7,24). Como conciliar o "não julgueis" de São Mateus com o "julgai" de São João? O ensinamento de São João parece aprofundar o de São Mateus, ajudando-nos a entender este, evitando as ridículas generalizações da atual mentalidade relativista. Se alguém julga o íntimo do coração de outrem, certamente julga segundo as aparências, coisa que não deveria fazer, conforme ambos os trechos evangélicos. Por outro lado, uma vez reconhecida a verdade da fé católica revelada por Jesus, as outras doutrinas devem sim ser julgadas à luz desta. A Igreja, aliás, tem por missão julgar o resto do mundo - Lc 22,30; I Cor 6,2. Por aí se perceba quão perniciosa é a distorção, tão em voga atualmente, do ensinamento de não julgar extraído de Mt 7. Trata-se de uma distorção que pretende desviar a Igreja da missão que lhe foi atribuída por Deus. Missão que os Santos Padres (como Santo Atanásio e outros citados acima pelos irmãos) cumpriram exemplarmente.

A doutrina espírita de fato é diabólica, constata-se isso facilmente pela incompatibilidade entre ela e a doutrina revelada por Deus aos Apóstolos. Os cristãos devem acautelar-se dela. O artigo foi bastante feliz em seu intuito de alertar os irmãos. Isso é julgamento objetivo, baseado na verdade da Revelação Divina e não em aparências, é o julgamento que Deus nos manda fazer em Jo 7,24.

Por outro lado, o julgamento subjetivo deve ser evitado, pois só pode basear-se em aparências exteriores e isso sim é condenado pelo Evangelho, porque trata-se de julgamento temerário.

Consideremos o caso do Sr. Xavier. Considerando que os bons espíritos obedecem à Palavra de Deus, não poderiam ter sido eles quem inspiraram os 400 e não sei quantos livros "psicografados", pois estes jamais apoiariam o grave pecado proscrito em Deut 18,9-14. Qual é, portanto, a origem da psicografia? Mero efeito psicológico ou pura e simples fraude são hipóteses possíveis mas pouco prováveis, uma vez que o conteúdo condiz com todo um sistema doutrinário diabólico, que contradiz diametralmente a Revelação Divina. Isso é forte indício de toda uma articulação dos demônios. 400 e tantos demônios? Talvez sim, talvez não, por que um mesmo demônio não poderia redigir mais de uma "obra", quiçá assinando com pseudônimos diferentes?

Há indícios de que o Sr. Xavier tenha sido uma pessoa animada pela intenção de fazer o bem. Na prática, porém, embora querendo fazer o bem, acabou sendo instrumento empregado pelos demônios para produzir males bem maiores do que os bens feitos do ponto de vista material.

Teria produzido muita caridade? Objetivamente não, já que caridade e amor são sinônimos, e o verdadeiro Amor vem de Deus (I Jo 4,7), logo tudo o que não vem de Deus, onde se inclui o espiritismo, não pode ser chamado de amor nem de caridade. Mas subjetivamente, lá no íntimo do coração dele, é bastante provável que tenha havido caridade. Considerando que todos são inocentes até que se prove o contrário, seria pouco prudente afirmar o contrário.

Finalmente, cumpre considerar que todos aqueles que, em estado de ignorância invencível, esforçam-se por agradar a Deus e seguir os ditames de sua consciência em boa fé, tocam de alguma forma a Alma da Igreja, embora não pertençam ao Seu Corpo, sendo portanto salvos por Jesus através da Igreja Católica,
fora da qual não há salvação.

Só Deus conhece o coração do Sr. Xavier em seu íntimo. Se esse homem não chegou, durante sua vida terrena, a conhecer a verdade da fé católica, só Deus conhece totalmente o motivo.

Se ele tivesse conhecido claramente essa verdade, teria se convertido a ela de todo o coração? Só Deus sabe a resposta, e caso esta seja "sim", neste caso ele está salvo, talvez já esteja no Céu, talvez esteja ainda no Purgatório, também isto só Deus e ele sabem. E caso ele esteja no Céu ou no Purgatório, meus irmãos, é com alegria que podemos afirmar sem medo de errar que, neste caso, hoje ele abomina o espiritismo, e roga muito a Deus pela reparação dos terríveis males espirituais feitos pelos demônios através de sua suposta "psicografia".

Porém, os mesmos demônios que suscitaram a psicografia, e que iludiram esse pobre homem por tantas décadas, continuam bem ativos, ora suscitando perseguições contra o Papa, ora inspirando cineastas e atores para, através destes, reativar as "obras" feitas pelos mesmos demônios que outrora agiram inspirando psciografias e outras modalidades de possessões espíritas.

Exorto-os portanto, irmãos, a repudiar o Espiritismo e suas obras. Nossa principal missão é divulgar a doutrina cristã, segundo a qual Deus é Pai, Filho e Espírito Santo (Mt 28,19-20). Não nos é lícito, portanto, termos cumplicidade com doutrinas contrárias a esta. Caso o Sr. Xavier esteja no Purgatório, o que é bem possível, a cumplicidade com a divulgação desse tipo de doutrina não poderá ajudá-lo em absolutamente nada em seu doloroso caminho de purificação.

As palavras de São Paulo em Ef 5,10-11 aplicam-se perfeitamente ao caso em tela, portanto exorto-os a ler e a praticar esse ensinamento tão salutar quanto firme e, na medida do necessário, enérgico.

Finalmente, uma mensagem aos relativistas de plantão: experimentem "julgar" um pouquinho menos a nós, católicos convictos. Que tal se vocês nos "julgassem" com a mesma infinita tolerância que pedem em favor de todas as demais crenças?

O grande paradoxo do relativismo é justamente este: reclama tolerância infinita a toda e qualquer doutrina, por mais absurda que seja, abrindo uma única exceção aos que crêem com convicção, ou seja, aos que reconhecem uma verdade absoluta revelada por Deus. Para estes e tão somente estes,
o relativismo não admite a menor tolerância!

Nunca é demais lembrar as sapientíssimas palavras do então Cardeal Joseph Ratzinger, hoje Papa Bento XVI, claro diagnóstico de um dos maiores problemas da mentalidade hodierna:

Ter uma fé clara, segundo o Credo da Igreja, muitas vezes é classificado como fundamentalismo. Enquanto o relativismo, isto é, deixar-se levar "aqui e além por qualquer vento de doutrina", aparece como a única atitude à altura dos tempos hodiernos. Vai-se constituindo uma ditadura do relativismo que nada reconhece como definitivo...

As obras sem a fé é morta. E desviar pessoas do caminho é terrivel. Nada tem de cristianismo no que fez Chico Xavier.

Quem desobedece objetivamente à Lei de Deus em matéria tão grave automaticamente se expõe à ação dos demônios. Perceba que São Pio X, em seu Catecismo (trecho acima transcrito), não chega a afirmar que todas as práticas espíritas são fruto de ação diabólica, mas sim que muitas vezes isso acontece.

Logo, aqueles escritos nos quais se percebe uma engenhosidade empregada na divulgação de falsas doutrinas, coerência com as mesmas, mistura ardilosa de mentiras e verdades onde fica difícil distinguir umas das outras, esses são fortes indícios da ação do "pai da mentira" (Jo 8,44). Toda essa engenhosidade não é nada provável que se deva à escrita inconsciente de alguém meramente sugestionado. Nos casos em que o erro é difundido com engenhosidade, convém lembrar que: "O mal já não é apenas uma deficiência, mas uma eficiência, um ser vivo, espiritual, pervertido e perversor. Trata-se de uma realidade terrível, misteriosa e medonha. (Papa Paulo VI)

PARA CITAR ESTE ARTIGO:

David A. Conceição, O relativismo em torno do Espiritismo, Rio de Janeiro, julho de 2012, blogue Apostolado Tradição em foco com Roma.

CRÍTICAS E CORREÇÕES SÃO BEM-VINDAS:

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