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A Tradição quebrando os argumentos da Ruptura


Estimados e digníssimos leitores; nós já levantamos esta questão em outro artigo; mas gostaríamos de tocar novamente no assunto, aprofundando um pouco mais o tema; frisando bem, mais esta “gritante e monumental” incoerência que, é possível ligar a Tradição com a Hermenêutica da Ruptura.

Recentemente fomos informados que um blog, pequeno, bonitinho, pouco acessado, tradô e não tradicionalista, tentou "refutar" um artigo nosso e deparamo-nos com a seguinte frase (grifos e destaques nossos):

Meus irmãos e amigos, cuidado com os liberais* disfarçados de católicos!

Possuem uma aparência tradicional, falam bem da Santa Missa Tridentina, mas estão lá aderindo ao funesto CVII e se submetendo aos liberais! Cuidado!

O artigo do meu ex-colega de aula não esvaziou meus argumentos, o que fez foi simplesmente, a partir do estudo traduzido por mim, tirado do livro Iglesia y Estado en El Vaticano II, pegar uma expressão sobre outro assunto (liberdade religiosa), pervertê-la e tirá-la todo de seu contexto. É uma pena que isto tenha que ocorrer, visto que o tradô sem Roma e sem FSSPX não conheceu a fé católica sem a minha ajuda. Mesmo que miserável ajuda. Nós dois crescemos juntos na fé em muitos pontos, portanto, chega ser ridícula essa sua reviravolta.

Eu não queria ficar tratando dessas questões particulares, mas infelizmente são pertinentes. Elas mostram até onde pode chegar essa loucura do tradôcionalismo. Esse meu "ataque" não é para qualquer pessoa que se oponha ao Concílio e à Missa Nova, ele é bem singular. Refiro-me somente àqueles do clube do bolinha. O tradô diz que agora, sim, encontrou à Tradição.

Encontrar a Tradição é um jargão próximo do “encontrar Jesus” do protestantismo pentecostal.

Como a pessoa encontra a Tradição? No caso do tradô e o resto da turma é começar a exaltar Dom Lefebvre, o boca suja do Dom Williamson, atacar o seu antes idolatrado professor Orlando Fedeli e excluir todos aqueles que se opõem a sua nova visão, a tradô. É esse o magnífico encontro com a Tradição. E ele a identifica, de forma blasfêmica, como graça de Deus.

Ridicularizado por não ler livros sérios sobre teologia contentou-se em me responder que lê D. Tomás de Aquino e D. Antônio de Castro Mayer, além de D. Lefebvre, achando que resolveu a questão. De quebra mandou uma citação do então Ratzinger, bem ambígua e sem nenhum contexto, como era de se esperar, tirado do site SPES, e é assim que ele demonstra que faz estudos sérios de teologia e de onde que saiu a sua Tradição.

Inicia a mensagem falando que não segue doutrinas “lefebvristas” e termina dizendo que há duas Igrejas, uma Católica e outra liberal. Disse-me que essas questões não são disputáveis, eu estou de acordo, elas sempre foram bem definidas, portanto o tradô é um grande herege. Que será que ocorre na mente doentia dos tradôs? Por que se apegam nas frases de efeitos de seus ‘mestres’?

E delas encerram todos os seus problemas... Sem ironias, eu fiquei muito triste com essa transição de posição do tradô, que não mais faz parte da Igreja Católica. Ir em missas da FSSPX aqui em Porto Alegre, não vai lhe dar a salvação. Mas com tudo isso não quero dizer que eu tenha perdido todas as esperanças quanto a ele.

Ainda que o tradô assista as missas da FSSPX em Porto Alegre, ELE NÃO É SUBMISSO À AUTORIDADE DA FSSPX. Pois ele é contra D Fellay e a regularização canônica da mesma. Ele apenas representa uma atmosfera tradôcionalista usando como escudo "Eu assisto Missa da FSSPX, logo, falo em nome dela".

Mas nem obedecer ao padre de forma plena ele faz, seleciona o que pra si é considerável "Tradição", é o tal Estado de Necessidade que o impulsiona até a rebaixar a Fraternidade de Monsenhor Lefebvre a ser liberal e modernista de acordo como o próprio entende o Magistério. É uma situação ao mesmo tempo neurótica e engraçada.

Agora, veremos como o tradô construiu uma perfeita falácia ao analisar um erro inexistente no traduzido. O que fez chama-se “falácia do homem de palha”, que consiste em não considerar a posição do oponente, mas através dela criar outra a sua vontade de forma exagerada e absurda.

Papa Pio IX: “Podereis facilmente evitar as ciladas daqueles espíritos perigosos se tiverdes diante dos olhos este aviso divino: ‘É pelos frutos que os haveis de reconhecer’; se observardes que eles ostentam o seu despeito contra tudo o que manifesta uma obediência pronta, absoluta, inteira aos decretos e às advertências desta Santa Sé; que da cadeira de São Pedro eles não falam senão com desdém, chamando-a cúria romana; acusam todos os atos do governo pontifício como imprudentes ou inoportunos; afetam de aplicar o nome de ultramontanos e jesuítas aos filhos da Igreja mais zelosos e mais obedientes; afinal, cheios de orgulho, julgam-se mais sábios e prudentes do que a Igreja à qual foi feita a promessa de um auxílio divino, especial, eterno.” (Carta ao Círculo Santo Ambrósio, de Milão, de 06/03/1873)

“Para tentar justificar a heresia da liberdade religiosa, um liberal disse (absurdamente!) que os papas que condenaram a liberdade religiosa possuíam uma concepção subjetivista do direito, de modo a suas proibições versarem somente sobre a consciência individual (subjetiva), e não sobre o ato em si (objetivo). Somente levariam em conta o plano formal, e não o material.”

No livro não se fala em concepção subjetivista do direito. Mas vamos tentar entender o que o tradô acusa. Os Papas daquele tempo, como a tradução em questão pôde mostrar, tomaram o entendimento de direito como permissão moral para atuar, isso é subjetivo, uma vez que examina se há legitimidade moral ou não do agir de cada ser humano. Isso aqui é legítimo ao homem fazer... Isto não é legítimo, mas aquilo é, etc. É evidente que é uma visão do direito no aspecto subjetivo, que os papas tomaram porque a tese condenada a usava desse modo.

Analisar o entendimento dos condenados para entender a condenação foi algo sempre lembrado pelos teólogos, antes ou depois do Concílio. Não é visão subjetivista do direito, é tratar o direito como faculdade moral, que não dá no mesmo, pois a concepção é bem objetiva como vocês podem ver, o direito em si que é levado como subjetivo, pois se considera o agir de cada homem. Isso se dá pela confusão do moral e o jurídico.

O incrível é que o tradô sem ler a obra, que ainda tenho em mãos, tirou a definição que bem entendeu, esta seria: “de modo a suas proibições versarem somente sobre a consciência individual (subjetiva), e não sobre o ato em si (objetivo).” Mas aonde o teólogo Carlos Soller disse isso? Indique-me a página, por favor. Que leitura bem cega! Ter o direito como faculdade para agir, visão que o autor provou usando a encíclica do Papa Leão XIII, Libertas praestantissimum, é justamente o contrário de não levar a relação do ato em si.

Transcreveu, inclusive, a parte que esse Papa diz que as opiniões falsas, que são para o entendimento humano a maior preste, e os vícios corruptores, “devem ser REPRIMIDOS pelos poder público...” Como isso não é condenar o ato em si também? É óbvio que se condena, e o autor não escondeu em nenhum momento.

Os outros dois pontos: heresia e liberalismo.

É absurdo acreditar que o Magistério da Igreja possa ser herético. É uma afronta a doutrina da indefectibilidade da Igreja. Santo Irineu observa que a Igreja, por contraste aos erros gnósticos, permanecerá a mesma e constante “graças a ação do Espírito Santo” (Adv. haer. itt 24, 1). Mas como isso poderia ser se o meio de ensinamento dela ensina o erro? Erros apontados como monstruosos ao ponto de fazerem outra Igreja seriam, porventura, possíveis? Tal delírio é contrário à determinação do Concílio Vaticano I que diz: “Porquanto somente à Igreja Católica pertencem todos os caracteres, tão numerosos e tão admiravelmente estabelecidos por Deus para tornar evidente a credibilidade da fé cristã.

Além disso, a Igreja em si mesma, pela sua admirável propagação, exímia santidade e inesgotável fecundidade em todos os bens, pela sua unidade católica e invicta estabilidade, é um grave e perpétuo motivo de credibilidade, e um testemunho irrefragável da sua missão divina.” (cap 3, 1794)

Eu farei outro artigo sobre isso, tratando sobre a infalibilidade negativa que se insere na indefectibilidade da Igreja, agora, limito-me a copiar o que escreveu Mons. Cauly no Curso de Instrução Religiosa, Catecismo Explicado. Obra honrada com um breve do Papa Leão XIII. Na página 85 se explica as duas infalibilidades diversas na Igreja, uma ao formular dogmas e outra ao protegê-la de grave erro. Vejamos:

“68. Na Igreja como são garantidas a INTEGRIDADE e a EXATIDÃO do ensino.

R. A exatidão e a exatidão do ensino são garantidas na Igreja pelo privilégio da infalibilidade.

Entende-se por esta palavra a prerrogativa que Jesus Cristo deu à sua Igreja de não poder enganar-se no ensino da verdade religiosa. Envolve, esta infalibilidade, duas coisas: 1º. A assistência divina que preserva a Igreja de qualquer erro: é o que se chama de infalibilidade negativa; 2º. E o poder de formular decisões dogmáticas ou morais obrigatórias para todos os cristãos: é o que se denomina infalibilidade positiva.

O privilégio da infalibilidade resulta da promessa formal de Nosso Senhor: “Eis, diz ele, que estarei convosco até a consumação dos séculos” (S. Mat., XXVIII, 20). Ali onde está Jesus Cristo, aí está a autoridade: aí não pode existir o erro.”

Notemos, entretanto, que esta promessa não respeita senão a religião, e, portanto a Igreja é infalível somente nas questões de fé, costumes ou disciplina geral.”

Claríssimo!

* Fui chamado de liberal, mas que entendimento tem meu acusador sobre isso? De onde ele tirou essa definição? Ora, os teólogos, inclusive Mons. Cauly, diferenciaram três graus de liberalismo:

1º. O liberalismo radical, tendo por fórmula: “A Igreja está no Estado”, isto é, a Igreja deve ser subordinada pelo Estado. Não o defendo de forma alguma.

2º. O liberalismo moderado, consistindo na separação entre a Igreja e o Estado. “A Igreja livre no Estado livre.” Tampouco, defendo esta posição.

3º. Chamado de catolicismo liberal, que embora defenda que o Estado deve estar subordinado à Igreja, independente na sua esfera civil, aceita que nas condições atuais, por causa do progresso da opinião da sociedade, não seria mais vantajoso proclamar essa subordinação. Seria conveniente aceitar a separação da Igreja e do Estado, bem como das liberdades modernas, particularmente de imprensa e de culto. Também não compactuo com isso.

O tradô simplesmente repete o que há pouco leu no livro “Do Liberalismo à Apostasia” de D. Lefebvre. Ele tem uma concepção muito própria de liberalismo, a qual é acusar o adversário de defensor do Vaticano II, que supostamente adotou as liberdades ditas modernas. Não há mais o que responder.

“Deste modo, estando a consciência reta, independentemente de a pessoa estar ou não na verdadeira religião, já seria o seu dever de professar a verdadeira religião suprido. (...)já um sujeito que cresse que o protestantismo, o islamismo, ou qualquer outra falsa religião, fosse verdadeira, teria o direito de aderir a ela por conta de sua reta consciência; reduzindo, assim, tudo ao plano subjetivo.”

Carlos Soller fez questão em seu livro de dizer (não só na parte traduzida) que o argumento partindo pela consciência errônea, porém reta, não é consistente. O tema precedente que ainda irei traduzir era justamente este. A liberdade religiosa, que é à imunidade de coação externa da parte do poder político, também existe naquele que está na religião falsa mesmo com má fé.

A declaração Dignitatis Humanae explica: “O direito à liberdade religiosa não se funda, pois, na disposição subjectiva da pessoa, mas na sua própria natureza. Por esta razão, o direito a esta imunidade permanece ainda naqueles que não satisfazem à obrigação de buscar e aderir à verdade; e, desde que se guarde a justa ordem pública, o seu exercício não pode ser impedido.” (DH,2)

Mas, é claro, eu não espero que o tradô tenha lido isso. E de novo o plano subjetivo é negado explicitamente. Os homens, nas palavras da Declaração, têm “a obrigação de aderir à verdade conhecida e de ordenar toda a sua vida segundo as suas exigências”.

“MAS ISTO É HERÉTICO! É PURO VENENO LIBERAL!”

Isso não seria herético, apenas um erro teológico. Mas não foi isso que Carlos Soller defendeu, na verdade, ele atacou essa opinião. O espantalho é bem visível! Nunca o liberalismo defendeu que somente a consciência reta teria “direito”, a permissão moral de aderir ao erro atingia qualquer errante segundo eles. Mesmo eu não tendo obrigação de defender essa opinião boba, é de se notar que o tradô exagera bastante.

“É UMA CALÚNIA AOS GRANDES PASTORES DA IGREJA!”

Segundo o tradô depois do Concílio Deus não nos concedeu grandes pastores. Eu sou um caluniador e ele pode falar dos Papas conciliares, uma vez que está com a “Tradição independente, sem Roma nem FSSPX”.

“Se os papas tivessem ensinado isto, teriam cometido gravíssimo erro!”


Nem eles e nem o sacerdote Carlos Soller ensinaram isso. Viram como não exageramos quando dizemos que eles mesmos se julgam os verdadeiros guardiões da Tradição? O tradô aqui não se limita ao ataque aos Papas conciliares, mas diz que na hipótese dos Papas anteriores terem defendido aquela opinião, estariam eles em gravíssimo erro. Incrível! Mudemos o axioma: Onde está o clube do bolinha, aí está a Igreja Católica!
“Na realidade, como não poderia deixar de ser, aqueles papas possuíam uma concepção correta do direito; objetivo!

Deste modo, a proibição de liberdade religiosa não versa simplesmente sobre a consciência de cada um, não proíbe simplesmente a rejeição consciente da Santa Igreja, Igreja verdadeira, mas, na verdade, ela versa sobre o ato objetivo mesmo, ela proíbe a rejeição objetiva; Não proíbe simplesmente o erro formal, mas o material!”

É risível a concepção de “direitos” que faz o tradô, de um lado está a objetiva que levaria a condenação ao erro tão somente, do outro a subjetiva que seria a condenação ao erro, mas julgando se o homem particular possuía consciência reta ou não, no primeiro caso teria direito, no último não. Não foi o que o autor disse, ele criticou esse pensamento. Os Papas condenaram a permissão moral de atividade ao erro (inclusive conciliares, vide DH e Catecismo Novo), nunca fizeram uma condenação específica para alguns e não para outros. O tradô não entendeu nada do que leu, imagino que nem tenha lido toda a tradução, pois até achava que fui eu que a fiz. Ainda não saímos do espantalho...

“O dever de aderir à Santa Igreja não é simplesmente sobre o subjetivo, a consciência, mas sobre o ato objetivo mesmo, sobre a adesão à Santa Igreja mesma!”

O dever de aderir à Santa Igreja é “sobre a adesão à Santa Igreja mesma!” Dá para chamar isso de explicação? É claro que podemos fazer um esforço para entender o que ele quis dizer. O dever de aderir às verdades reveladas é uma obrigação da consciência e da razão. É necessário aprender a Doutrina ensinada por Cristo, comentem falta grave aqueles que se descuidam de o fazer. Aqui não há discordância direta.

“Assim, nem crendo que tal ou qual falsa religião seja verdadeira, nem mesmo com a parte subjetiva (consciência) reta, com boa intenção, há tal direito a fazer isto, pois o direito é sobre o ato objetivo, e em tal caso o plano objetivo estaria desviado, pois o sujeito estaria na falsa religião.”

Há direito, no sentido proclamado pelo Concílio (imunidade de coação pela autoridade civil), com consciência reta ou não. Não há direito, no sentido condenado pelos Papas do século XIX (legitimação moral), com consciência reta ou não. Seguiremos no espantalho...

“Ou seja, o dever é pertencer à verdadeira religião, sendo violador deste mesmo dever quem não o pratica, mesmo sem o saber, mesmo pensando que está a cumpri-lo (neste caso, sem culpa).”

O tradô pulou da discussão de direito para dever... Não há nenhum problema na afirmação que o infiel tem o dever de pertencer à Igreja. Esquece somente de um detalhe muito importante, explicado pelo Concílio Vaticano I, “o assentimento da fé não deve ser um cego movimento do ânimo” (fidei assensus nequaquam sit motus animi caecus), mas, “obséquio conforme à razão” (obsequium rationi consentaneum). O cristão tem o dever de se convencer de que é razoável crer nos mistérios. Não é necessário que cada fiel chegue ao convencimento da existência de Deus e da revelação por razões pessoais, o cristão pode receber de outros (da Igreja) esta verdades e passar à fé sobrenatural.

Podemos logo afirmar que ninguém pode crer antes de saber, seja de um jeito ou de outro que Deus falou. Há dois juízos que o fiel deve, de algum modo conhecer, antes de fazer o ato de fé: a verdade divina é crível (judicium credibilitatis); a verdade divina deve ser crida (judicium credentitatis). Explica Santo Tomás: “O homem não crê se não ver (que o cristianismo) é crível ou pela evidência de milagres, ou por motivos equivalentes”. (S. Th. II-II, 1, 4 ad 2).

“E quem não atinge o objeto (Santa Igreja), ainda que a consciência pense ter atingido, viola o seu dever! Está professando uma falsa religião, a qual não possui direito de professar!”

É verdade que não atende seu dever, mas não esqueçamos que será escusado caso esteja em ignorância invencível. O direito de professar no sentido de autorização moral ele não tem mesmo. O Catecismo já explicou: “O direito à liberdade religiosa não significa nem a permissão moral de aderir ao erro nem um suposto direito ao erro...” (2108)

“Se isto será pecado mortal ou venial, aí dependerá da consciência.”

Com ignorância invencível não haveria nenhum pecado referente a isso.

“E, para provar o que digo, eis uma tese condenada pelo papa Pio IX nO
[ corrigindo ] Syllabus que mostra que esta condenação à liberdade religiosa é objetiva, não subjetiva; ela é do plano do objeto mesmo:

"15º É livre a qualquer um abraçar e professar aquela religião que ele, guiado pela luz da razão, julgar verdadeira." ”

Eu ainda lembro quando o tradô conheceu todo emocionado essa tese condenada e me enviou. Eu já tinha lido todo o documento de modo que não me causou nenhum espanto. Ninguém tem liberdade ao desvio religioso. Não há liberdade de professar qualquer religião errônea, seja em qualquer caso. A liberdade religiosa é fundada na dignidade da pessoa humana, é um direito à LIBERDADE CIVIL. Ou seja, os homens continuam tendo obrigação moral para com a verdadeira religião (como nos diz mesmo a DH). Estou respondendo coisas acidentais à intenção do tradô, pois, pela milésima vez, Carlos Soller não falou nada disso que ele criou, sem mesmo ler a obra e muito provavelmente a tradução.

“Ora, como fica claro aqui, o direito não é vinculado à consciência, não é subjetivo, logo é falso que alguém que, guiado pela luz da razão entenda que uma falsa religião é a verdadeira (portanto, com consciência reta, boa intenção), seja livre para aderir a ela.”

Mais uma vez, não foi o que o autor disse.

“O dever não é suprido simplesmente com a retidão da consciência, mas com o alcance do objeto correto!


O dever não é simplesmente fazer o que pensa ser correto, mas o que, de fato, É o correto!”


Nada a objetar.

“O seu dever é alcançar o verdadeiro objeto, e não simplesmente alcançar qualquer objeto que se creia ser o correto; não basta ordenar o subjetivo, o dever exige mais!, é preciso alcançar o objeto correto!”


Mais repetição...

É lastimável ter que responder essa tal réplica (?) sem ter tido a oportunidade de considerar nenhum argumento, a não ser a notada falácia do início ao fim. Se o tradô chega a esse ponto quanto a um simples texto tirado do livro, o que devemos esperar sobre o que ele faz quando lê os documentos do Magistério?! De forma geral o seu artigo não tem muitos erros, o problema é que se direcionou a quem não devia. Carlos Soller para escrever àquela obra estudou ao menos 13 anos. É difícil imaginar que o tradô tenha estudado seriamente o assunto. O seu penúltimo artigo sobre o tema, não traz nenhum argumento, o que fez foi tão somente pegar trechos papais prontos de outros sites iguais até nas reticências. Ele atesta haver duas religiões e que as contradições evidentes (sic!) do Concílio provariam isso, mas ele leu ao menos integralmente a Quanta Cura?

O leitor que faça o grande favor de ler mais uma vez a tradução e constatar se a interpretação do tradô é válida ou não: http://www.tradicaoemfococomroma.com/2012/07/continuidade-substancial-sobre.html

Ficará ao critério de vocês ...

Como de ante mão saberemos que o tradô sem Roma nem FSSPX não vai conseguir contra argumentar, já podemos considerar o caso ENCERRADO.

Ou quem sabe ele se mostra imbatível e invencível como foi com os comunistas e gays da PUC-RS. Mas pode ser que haja uma conversão. Pior que já fomos tradôs como ele, pelo menos sabemos que é possível a
metanoia.


“Ó Virgem poderosa, única que destes o golpe mortal a todas as heresias em todo o mundo, dignai-Vos de libertar o universo Cristão dos laços do demônio.

Volvei os vossos olhos misericordiosos às almas seduzidas pela astúcia de Satanaz, para que, rejeitando o veneno das heresias, os corações transviados se arrependam e voltem a unidade da verdade católica, mediante a vossa poderosa intercessão junto a Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que vive e reina com Deus Pai em união do Espírito Santo por todos os séculos dos séculos. Amém.”

PARA CITAR ESTE ARTIGO:

A Tradição quebrando os argumentos da Ruptura. Nelson Monteiro S. Silva, agosto de 2012, blogue Tradição em Foco com Roma.

CRÍTICAS E CORREÇÕES SÃO BEM-VINDAS:


nelson.sarmento@gmail.com

 

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