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Seminarista da semana


É com muita alegria que apresentamos mais um do time da restauração. O amigo leitor seminarista Omar Eduardo. De Maringá, 20 anos, cursa o segundo ano de filosofia.

Desde cedo Omar já tem planos para a Reforma da Reforma em seu presbiterato tendo como bússola a obediência e o pontificado do Papa Bento.
A vocação que o realiza plenamente é a primária: de amar e evangelizar. Em outro sentido a vocação está mais ligada à decisão de vida, olhemos por exemplo Santo Antônio, que decidiu ser monge beneditino (mais tarde se tornou franciscano) mesmo estando apaixonado por uma mulher, e inclusive nesse caso, a sua realização de vida foi mais que plena.

De qualquer forma o chamado de Deus é o melhor para nós indiscutivelmente.

Se Jeremias ou Nossa Senhora se recusassem a ser profeta ou Mãe de Deus pecariam, dado que a sua vocação se deu por revelação divina?

Deus conservou na Virgem Santíssima o livre arbítrio. Decerto Ele sabia que Nossa Senhora seria a mãe do Salvador, bem como sabia que Jeremias seria seu profeta, que judas o entregaria, São Pedro o trairia e que Jonas fugiria de Nínive. Deus é sapientíssimo, no entanto algo tão objetivamente revelado (contrapondo-se ao que se pensa da subjetividade vocacional) não imporia uma obrigação moral ao vocacionado que o faria, por exemplo, descumprir primeiro e quarto Mandamentos? Caso não, então Nossa Senhora poderia dizer "não" sem problema algum (para si própria).
Voto de castidade de Maria Santíssima, exemplo para os seminaristas

Deduz-se que Maria teria feito voto de castidade, por causa da sua surpresa quando o Anjo lhe dissera que ia ser mãe. Ela pergunta: "Como se fará isso, pois não conheço varão?" – pergunta um tanto estranha para quem estava noiva.

No entanto, há algumas dificuldades nessa interpretação. Se fez voto de castidade, então, por que estava noiva de José? A não ser que José fosse tão mais velho do que ela que desejasse apenas um casamento de aparência, como Davi e Abisag, a sunamita (1 Rs 1, 1-4).

a Escritura nos dá um testemunho claro da vontade de Nossa Senhora de ficar Virgem.

Aparecendo à Virgem, o anjo a saúda:
Ave cheia de graça: o senhor é contigo. (Lucas I, 28)

Diante da saudação do anjo, a Virgem se perturba; na sua humildade profunda não pode compreender tão alto elogio, tão honrosa saudação feita por um anjo, admirava-se como o Senhor podia assim por os
olhos na baixeza de sua escrava (Lucas I, 48); em vez de envaidecer-se, confunde-se ante a mensagem que vem do Céu, tão longe está de se julgar em tão privilegiada situação perante Deus: Ela, como o ouviu, turbou-se do seu falar e discorria pensativa que saudação seria esta (Lucas I, 29).

O anjo então a tranqüiliza e aproveita a ocasião para lhe dar as grande notícia:
Não temas, Maria, pois achaste graça diante de Deus. Eis conceberás no teu ventre e dará à luz um filho e por-Lhe-ás o nome de Jesus. Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai Davi; e reinarei eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim (Lucas I, 30-33).

O grande ideal das filhas de Israel era ser mãe; que se dirá então deste ideal mil vezes mais elevado de ser mãe do Messias Prometido, daquele que iria reinar eternamente na casa de Jacó? Qual a moça judia que pensaria em opor dificuldades a esta perspectiva de se tornar mão de uma maneira gloriosa?

Maria Santíssima, entretanto, vê uma grande dificuldade diante de si: Como se fará isso, pois eu não conheço varão? (Lucas I, 34).

Ora, estas palavras revelam claramente uma resolução decidida de conservar perpetuamente a sua virgindade.


Maria que já está casada ou, no mínimo, que já é noiva de São José, fica sem compreender como pode ter um filho, se não conhece varão. É evidente que ela não se refere ao fato de não ter conhecido varão até a data presente, pois isto de maneira alguma representaria um impecilho ou uma impossibilidade. Pois não estava ela já casada com José? Ou, na hipótese de um simples noivado, não estava ela de contrato firmado com José para se casar dentro de pouco tempo?

O anjo não diz que ela já concebeu, nem que ela vai conceber naquele mesmo dia ou naquela mesma semana, apenas fala, sem determinação de tempo, numa coisa que irá acontecer para o futuro: conceberás. Para uma noiva, esta revelação é o que há de mais natural; nenhuma noiva, em circunstâncias normais, acharia impossível este acontecimento. Como bem observa Cornélio Alápide, ela diz: “Não conheço varão” assim como dizem os abstêmios “não bebo vinho”, querendo significar com isto, não só que não bebem vinho presentemente, mas que não pretendem bebê-lo.

Está Maria não diante de uma impossibilidade física, mas sim de uma impotência moral; se ela vê aí que é um problema tão difícil o nascimento de um filho, é porque está ligada a Deus pelo voto de virgindade. E se existe este voto de virgindade nela que está comprometida com São José, é sinal que houve entre ambos um pacto de perfeita continência.

E a prova de que a dificuldade que vê Maria Santíssima para ser a mãe do Messias é a sua inabalável resolução de conservar-se virgem, está na resposta dada pelo anjo. Maria deve tranqüilizar-se a este respeito, porque o Filho nascerá de um prodígio, sem quebra absolutamente de sua virgindade:
O Espírito Santo descerá sobre ti e a virtude do Altíssimo te cobrirá da sua sombra. E por isso mesmo o Santo que há de nascer de ti será chamado Filho de Deus. Que aí tens tu a Isabel, tua parenta, que até concebeu um filho na sua velhice; e este é o sexto mês da que se diz estéril, porque a Deus nada é impossível (Lucas I, 35-37).

Deus, a quem nada é impossível, conciliará as duas coisas: maternidade e virgindade. Só então é que Maria dá o seu sim:
Eis aqui a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra (Lucas I, 38).

Portanto, pelo colóquio entre Maria e o anjo Gabriel se vê claramente que Maria conservava uma resolução inabalável de conservar a sua virgindade; tão firme era esta resolução que Maria, ao receber a comunicação do anjo, se lembra logo do seu voto feito a Deus, prestando mais atenção a este seu compromisso do que à mensagem do anjo, por mais tentadora que esta seja. Daí a virgindade antes, durante e depois do parto.

O propósito de Maria de permanecer virgem foi certamente algo singular, que interrompia o modo ordinário de proceder dos justos do Antigo Testamento, no qual, como expõem Santo Agostinho, " atendendo de modo particularíssimo à propagação e ao crescimento do Povo de Deus, que era o que tinha de profetizar e donde havia de nascer o Príncipe e Salvador do mundo, os santos tiveram de usar do bem do matrimonio" (De bono matriminni,9,9).

Houve porém no AT alguns homens que por desígnio de Deus permaneceram célibes, como Jeremias, Elias, Eliseu e João Batista. A Virgem Santíssima, inspirada de modo muito particular pelo Espírito Santo para viver plenamente a virgindade, é já primícia do Novo Testamento, no qual a excelencia da virgindade sobre o matrimônio adquirirá todo o seu valor, sem diminuir a santidade da união conjugal, que é elevada à dignidade de sacramento ( cfr Gaudium et spes n. 48).

Então, seminaristas, consagrem sua castidade e se espelhem em Nossa Senhora.

A geração de seminaristas de Bento XVI
Os seminaristas ratzingerianos, e aqui inclui o Omar, tem verdadeira ojeriza ao relativismo. Boa parte do que eles escrevem em seus blogs e redes sociais tem como tema o relativismo e os males causados por ele. Sem dúvida alguma é o responsável pela crise civilizacional. Para frisar, estamos falando de um vírus que destrói a CIVILIZAÇÃO. O relativismo descontrói todo o arcabouço existencial do homem, assim, é essencialmente revolucionário, já que origina um Novo Homem.

O combate ao relativismo perpassa, obrigatoriamente, pela formação! Eles batem muito nessa tecla. Reconstruir aquilo que foi descontruído - e destaco que a descontrução é pior que a destruição, já que é cuidadosamente pensada para não deixar rastros e vestígios. Um trabalho missionário moderno deve ter como meta o desenvolvimento de estruturas eclesiásticas aptas a englobar uma imensidão de fiéis com crenças embasadas em compreensões relativistas. Ou seja, é um trabalho hérculeo, afinal o relativismo possibilita uma imensidão de heresias. A luta é corpo-a-corpo.

Boa parte dos casos de heterodoxia é conseqüência de uma formação herética, ou seja, fiéis que, de bom grado, em reverência à figura do Padre amigo, abraçaram o erro apenas por inocência e devoção ao Sacerdócio. Ou seja, com essas pessoas a correção deve ser muito fraternal e cuidadosa. Já com os heresiarcas a coisa é mais escancarada, já que ali a heresia é defendida conscientemente. Tudo é uma questão de fidelidade a Deus. Se, VERDADEIRAMENTE, cremos que a Igreja Católica é a Igreja de Cristo, que seguir os seus ensinamentos é ser fiel ao Senhor, então podem cair mil a nossa esquerda e dez mil à nossa direita, mas nós não seremos atingidos já que estaremos na BARCA DE PEDRO.

Esses novos serminaristas são tradicionalistas e não tradôs que acham que vivem na década de 50, que confundem Tradição com arqueologismo. Devemos sim aproveitar a modernidade, mas sem tolher o que sempre foi crido pela Igreja. Não é o tempo que define a Verdade, mas a Verdade que nós faz viver mais retamente o tempo.

Antes de ter bons seminaristas as dioceses precisam de Bispos ligados e atuantes, preparados para combater o erro e fazer valer os ensinamentos da Igreja. Admiramos muito os vocacionados que conseguem passar anos em seminários onde reina o relativismo e a Teologia da Libertação.

Entretanto, nada garante que depois de ordenados as coisas melhorem. Pode haver, simplesmente, um boicote a tudo aquilo que remete à Tradição. Ou seja, viver retamente o chamado, trabalhar para a santificação dos homens e salvação das almas, se torna muito complicado. Nossa fidelidade não é à cidade X ou Y, mas ao chamado de Deus, onde Ele nos quer. Ficamos muito tristes com a situação de Brasil, mas não podemos tolher a formação - que serve para a glória do Senhor - apenas por sermos patriotas.
Novus Ordo Missae

O Novus Ordo, em si, é muito bom, afinal deve ser compreendido dentro da Tradição litúrgica da Igreja. Entretanto, a grande questão é o espírito de mudança. Devemos lembrar que os modernistas já estavam espalhados pelo mundo afirmando que o "aggiornamento" era a refundação da Igreja, sinônimo de mudança doutrinal. Óbvio que tais falácias não encontravam respaldo nos documentos conciliares. Entretanto, essa "impressão" pôde ser confirmada com a reforma litúrgica.


Os relativistas enxergaram no Novus Ordo a ratificação da transformação interna das estruturas eclesiásticas. A mudança no Ordo Missae era uma constatação clara, a diferença foi como essa reforma foi compreendida; para os religiosos fiéis à Igreja não havia nenhum rompimento com o que sempre foi crido e expressado na celebração do Santo Sacrifício, para os religiosos defensores do modernismo era a confirmação da interpretação herética - "hermenêutica da ruptura" - que já usavam no Concílio Vaticano II. Em suma, o Novus Ordo não é ruim, ao contrário, mas cremos que o momento de sua implementação não foi o mais apropriado.
O Rito de São Pio V

São muito devotos do rito tridentino, mas também gostam muito do rito ordinário celebrado de forma decorosa e piedosa. Não vemos como dissociar o rito de Paulo VI da Tradição, ou seja, como se existissem duas possibilidades de celebrações da "Missa Nova", uma fiel ao espírito litúrgico tradicional e outra embebida em modernidade. A tão esperada "reforma da reforma" perpassa, obrigatoriamente, por uma "tridentinalização" do rito ordinário, ou seja, fazer com que expresse, de maneira positiva, as normas, posicionamentos, rubricas etc com maior limpidez.


Talvez o calcanhar de Aquiles do rito novo seja a sua falta de objetividade e clareza na manifestação do correto ethos litúrgico. Mas para qualquer religioso submisso à Igreja isso é facilmente corrigível com a natural fidelidade doutrinal e necessária piedade tradicional.
Conclusão:

Os seminaristas ratzingerianos foram enviados pelas mãos da Virgem SS, através das bençãos do Imaculado Coração. Uma experiência inigualável. Uma alegria imensurável e um medo arrebatador. Sim, medo! Medo de romper com a família, de deixar, de morrer para o mundo. Sinceramente, se não há dor não há vocação. O chamado é lapidado através de uma constante mortificação dos sentimentos, paixões, vida. A santificação desse receio nos eleva espiritualmente, confirma o chamado. Se a Virgem SS. foi quem os revelaram o chamado foi na EUCARISTIA que eles o confirmaram!

Rezemos e trabalhemos para que se concretize a ida de novas vocações a um seminário onde todo o esforço é dispensado na edificação de Sacerdotes engajados na santificação dos homens e salvação das almas.

Omar, desde já toda a equipe desta página o coloca em nossas orações pela sua perseverança!

Intéllige clamórem meum: inténde voci oratiónis mea,


Rex meus et Deus meu: quóniam ad te orábio, Dómine.

Amen.

 

©2009 Tradição em foco com Roma | "A verdade é definida como a conformidade da coisa com a inteligência" Doctor Angelicus Tomás de Aquino