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Origem do Universo sob a ótica da Física



O relato do Gênesis é um fato dogmático segundo a Comissão Bíblica de São Pio X, e como o fim último da Ciência é Deus podemos escrever o Gênesis dessa forma: e Deus disse "faça-se uma singularidade", e assim foi feito, e o Senhor Deus viu que a singularidade era boa, e disse Deus "faça-se uma flutuação quântica", e ordenou o Senhor Deus que a matéria e a energia começassem a se expandir sobre o espaço-tempo, e ordenou que se formassem os fotons, as forças de integração da matéria, os primeiros hadrons, os demais elementos, as nebulosas, as galáxias, o sol e a terra e assim foi feito.

Se a física se deparar com um ente completamente diferente do que conhecemos, ela vai se esforçar por descrever as suas características, a Ciência só pode tratar do que é material, ou seja, de campos, cordas, branas, partículas, etc. Em nosso universo só tem relevância explicativa o que está submetido ao tempo e ao espaço.

Temos que levar em consideração também os problemas observacionais e tecnológicos, que são de fundamental importância para a comprovação empírica das teorias e que não são tão simples de se realizar. Se considerarmos que a genética é bem mais acessível à observação e ainda existe um mundo a descobrir, o que não dizer da cosmologia?

A Física cria leis para explicar o universo, mas as leis não são objeto de estudo. Quando acabam sendo explicadas, acabam se tornando nada mais do que a manifestação de uma lei mais primitiva.

Pois, se fomos perguntando "por quê?", "por quê?", "por quê?", chegaremos num ponto onde devamos simplesmente aceitar para explicarmos as coisas, isto é, uma última coisa sem causa conhecida. Essa última causa poderia ser uma Lei ou Teoria fundamental, da qual provém todas as outras (grande unificação, etc). A partir daí é campo da filosofia, da metafísica, ontologia, etc.

Isso não é uma limitação só da ciência, e sim da lógica, ou seja, do modo racional de pensar humano. Haverá sempre algum "axiomas" sob os quais podemos criar um modelo e uma compreensão de algum nível da realidade. Creio que nesmo aquele famoso princípio da não contradição (A não pode ser não -A) decorre da observação do universo e do modo do cérebro humano de criar a realidade.

Toda ciência trabalha com modelos que se aproximam, sem coincidir, exatamente, com a realidade; o valor da teoria é medido pela capacidade de continuar explicando os fatos que se têm em vista.

Por exemplo, se formularmos uma teoria onde não existe o conceito de força, não faz sentido falar de forças fundamentais.

Uma teoria é uma representação da realidade, ela é construída numa determinada linguagem que pode ser compreendida por quem a formula, leva em conta conceitos e entidades que pertencem e só fazem sentido nessa teoria.

Podemos construir uma infinidade de teorias equivalentes para explicar determinados fenômenos, e todos eles terão explicações diferentes porém equivalentes. Logo não é possível encontrar uma "explicação fundamental" quando várias explicações são possíveis.

Só faz sentido explicar porque as coisas ocorrem dentro de uma determinada teoria, porque essas explicações evocam conceitos e entidades que só pertencem à ela. É nesse sentido que as teorias são explicativas.

Se for um universo ciclico, a sua causa estará nele mesmo, através de um processo de expansão e contração. Se não houver uma contração anterior, se for um começo único, a causa será a quebra de simetrias de um campo original. Se a causa for uma colisão de branas, existirá um universo anterior e assim sucessivamente.

Esse princípio do Motor Primário ( via tomista ) sempre existiu, não vejo motivo para descrença de que esse principio não seja causa de sua propria existência.

Faz parte da Ciência ter princípios que são válidos sem uma justificação. Deles é que derivamos a explicação e a descrição da natureza. Esses princípios vão mudando de acordo com a evolução da Ciencia, mas sempre vão existir.

O desafio dos físicos teóricos tem sido unificar teorias e descobrir esses principios fundamentais. Mas por mais que os físicos se esforçem, o máximo que conseguiremos é chegar num único principio fundamental de tudo - Deus - e dele não vamos passar.

Não falamos do limite de validade de um principio. Admitamos, por hipótese, que toda a física possa ser explicada derivando de um único principio1 fundamental. Se você conseguir explicá-lo recorrendo a outro princípio2 novo, quem explicará o princípio2? Ou admitem um princípio fundamental que se autoexplica?

Sempre haverá pelo menos um princípio fundamental inexplicável, validado empiricamente ou não, do qual poderemos deduzir todo o resto. Isso não faz da Ciência pior ou melhor, a Ciência possui princípios fundamentais desde a sua formulação.

Falar das limitações da ciência é saudável. A preocupação da epistemologia (da ciência) é discutir como ela funciona, e não fazer juízo de valor sobre tal. Se não achassemos a Ciência relevante não haveriam professores de física, nem os filósofos, epistemólogos, teólogos e cientistas iam perder tempo discutindo sobre tal.

Tautologia é uma identidade, mas também há tautologia, quando o predicado está implícito no sujeito; por exemplo, o livro tem páginas. Não se acrescenta uma informação, mas se alguém ignora o que seja livro, se agrega informação.

A informação já está implícita na "definição de livro", para quem conhece a definição de livro.

O nosso universo começou, se for descoberto que ele começou de um ciclo anterior de contração, estarei agregando uma informação ao fato dele surgir, entendida, aparetemente, como sem causa, até então. Mas se surgiu dele mesmo, não é uma redundância, pois antes, ele "surgia" do nada, "surgia porque surgia", seria, aí sim, uma explicação circular.

Agora, não, sua causa é ele mesmo, Deus, em um estado anterio distinto; não há um raciocínio redundante, o fenômeno é que se auto explica, o fenômeno é que tem essa característica intrinseca.

O interessante é que nenhuma corrente epistemólogica nega que existam esses princípios fundamentais, que são o limiar do conhecimento científico num determiando momento histórico.

Um bom exemplo de princípio fundamental são as 4 interações conhecidas. Ninguém sabe porque elas existem, e se um dia forem unificadas ainda haverá que se justificar porque existe uma interação fundamental na natureza.

Se a ciência continuar avançando, haverá pelo menos um principio fundamental no final das contas, do qual tudo se deriva, que é Deus. Se a explicação do universo puder ser derivada desse principio fundamental, então o universo pode ser explicado, confirmando o relato de Gênesis.

Referências:

HALLIDAY, David. Fundamentos da Fisica. Eletromagnetismo, Rio de Janeiro. - 8º Edição

Física - Um Outro Lado. Aníbal Figueiredo e Maurício Pietrocola Editora: FTD S.A, 4 Volumes, São Paulo (2000).

Física na Escola, v. 4, n. 1, 2003



PARA CITAR ESTE ARTIGO:

Origem do Universo sob a ótica da Física
David A. Conceição, setembro de 2012, blogue Tradição em Foco com Roma.


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