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Coletânea doutrinária contra os falsos tradicionalistas

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O “Estado de Necessidade” e a “Resistência” não possuem base teológica na Sã Doutrina


Magistério

Papa Pio VI:

“A prescrição do Sínodo referente à ordem das coisas a tratar nas conferências com as quais, depois de ter dito que “em qualquer artigo é preciso distinguir o que pertence ao fim e à essência da religião daquilo que é próprio da disciplina”, acrescenta que “nessa mesma (disciplina) é preciso distinguir, daquilo que é necessário ou útil que os fiéis guardem no espírito, o que é inútil ou pesado demais para que a liberdade dos filhos da nova aliança o suporte e, mais ainda, o que é perigoso ou nocivo, por induzir à superstição e ao materialismo”; dado que pela generalidade das palavras abraça e expõe ao exame acima descrito também a disciplina instituída e aprovada pela Igreja, como se a Igreja, que é conduzida pelo Espírito de Deus, pudesse estabelecer uma disciplina não somente inútil e pesada demais para que a liberdade cristã a suporte, mas também perigosa, nociva e induzindo à superstição e ao materialismo: falsa, temerária, escandalosa, perniciosa, ofensiva aos piedosos ouvidos, injuriosa para a Igreja e para o Espírito de Deus por quem ela é conduzida, no mínimo errônea.” (Constituição Auctorem Fidei, DS 2678)

“A proposição que afirma ‘que nestes últimos tempos disseminou-se um obscurecimento generalizado das verdades mais importantes concernentes à religião, que são a base da fé e dos ensinamentos morais de Jesus Cristo’, HERÉTICA.” (DS 1501)

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Papa Gregório XVI:

"(...) Seria verdadeiramente reprovável e muito alheio à veneração com que devem ser recebidas as leis da Igreja condenar por um afã caprichoso de opiniões quaisquer a disciplina por ela sancionada e que abrange a administração das coisas sagradas, a norma dos costumes e os direitos da Igreja e seus ministros, ou censura-la como oposta a determinados princípios do direito natural ou apresenta-la como defeituosa ou imperfeita, e submetida ao poder civil” (Encíclica Mirari Vos, 9)

“A Igreja, que é o fundamento e a coluna da verdade, poderia então ordenar, conceder, permitir, aquilo que causaria a ruína das almas e redundaria em desonra e detrimento de um sacramento instituído por Cristo?” (Quo Graviora)

Papa Martinho V:

"15. Igualmente se ele acredita que aqueles que desprezam, com uma mente consciente, os ritos da igreja, as cerimônias de exorcismo, catecismo e água consagrada para o batismo, peca mortalmente." (Bolla "Inter cunctas") (uma das questões que o Papa Martinho V fez para serem respondidas pelos seguidores de Wyclif e Huss)

Papa Leão X:

"Mesmo se o Papa com uma grande parte da Igreja pensasse de tal ou tal maneira ele não poderia errar; ainda assim não seria pecado ou heresia pensar o contrário, sobretudo em coisas não necessárias a salvação, até que um concílio universal reprove uma e aprove a outra opinião." (Exsurge Domine, 28)

"Está aberto para nós o caminho para esvaziar a autoridade dos concílios e contradizer livremente as coisas que fizeram, para julgar os seus decretos e professar com confiança qualquer coisa que pareça verdadeira, pouco importa que tenha sido aprovado ou reprovado por algum concílio." (Exsurge Domine, 29)

(Censura: Todos e cada um dos artigos ou erros elencados, Nós os condenamos, afastamos e de todo rejeitamos, respectivamente como heréticos, escandalosos, falsos e ofensivos para os ouvidos piedosos ou como enganando as mentes dos simples e contrários à fé católica).

Papa Pio IX:

"Nem podemos passar em silêncio a audácia de quem, não podendo tolerar os princípios da sã doutrina, pretendem "que aos juízos e decretos da Sé Apostólica, que têm por objeto o bem geral da Igreja, e seus direitos e sua disciplina, enquanto não toquem os dogmas da fé e dos costumes, se pode negar assentimento e obediência, sem pecado e sem nenhuma violação da fé católica". Esta pretensão é tão contrária ao dogma católico do pleno poder divinamente dado pelo próprio Cristo Nosso Senhor ao Romano Pontífice para apascentar, reger e governar a Igreja, que não há quem não o veja e entenda clara e abertamente" (Encíclica Quanta Cura, 08 de dezembro de 1864)

“... e seu poder papal não aflora apenas em determinados casos excepcionais, mas tem validade e força sempre e em todo o lugar." (Respostas à circular de chanceler Bismarck)


Concílio Vaticano I:

"Pois o Espírito Santo não foi prometido aos sucessores de S. Pedro para que estes, sob a revelação do mesmo, pregassem uma nova doutrina, mas para que, com a sua assistência, conservassem santamente e expusessem fielmente o depósito da fé, ou seja, a revelação herdada dos Apóstolos."

Leão XIII:

"A história mostra claramente que a Sé Apostólica, ao qual foi confiada a missão não só para ensinar mas também para governar toda a Igreja, manteve-se "na mesma doutrina, na mesma direção e no mesmo parecer" (Constitutio de Fide Catholica, cap. IV)." (Carta Testem Benevolentiae, 22 de janeiro de 1899)


Concílio Plenário da América Latina, convocado por Leão XIII e celebrado em Roma:


"Todo aquele que desprezar os dogmas, decretos utilmente promulgados pelo Prelado da Sé Apostólica em prol da disciplina da fé católica, para a correção dos fiéis, a emenda dos malvados, ou a prevenção de males iminentes ou futuros, seja anátema." (Concílio Plenário América Latina, 1899, Título I, Da fé e da Igreja Católica, cap. VIII, 63)

"A sentença da Sé Apostólica, que não reconhece autoridade superior, por nada pode revogar-se, e a ninguém é lícito julgar sua decisão." (Ibid, 65)

"Portanto, baixo pena de excomunhão se proíbe a todos, qualquer que seja sua classe ou condição, apelar das ordens ou mandatos do Romano Pontífice ao futuro Concílio..." (Ibid, 66)

"Desta sublime potestade do Romano Pontífice nada tem que temer com razão os chefes das diversas nações. A Sede Apostólica sempre tem sido guardiã e mestra da verdadeira paz e da autoridade; e do mesmo modo que não pode no mais mínimo desviar-se de seus deveres ou ceder na defesa de seus direitos, assim também habitualmente se inclina à benignidade e indulgência em tudo o que é compatível com a incolumidade de seus deveres e a santidade de seus deveres. Os fiéis também, seja qual for sua classe ou posição, tenham plena confiança na Santa Sé, e aceitem com humildade e obediência todas suas prescrições e mandatos." (Ibid, 70)

"Porque da suprema autoridade do Romano Pontífice, e do livre exercício da mesma, depende o bem de toda a Igreja, importava muitíssimo que sua natural autonomia e liberdade se conservassem incólcumes, seguras, íntegras e sem prejuízo através dos séculos, com aqueles apoios e auxílios da divina Providência julgara a propósito para tão altos fins." (Leão XIII, Quantunque Le siano ad Card. Rampolla, 15 Jun 1887) (Ibid, 72) Obs:O Concílio referido cita isso logo após de transcrever sua outra carta (Epistola tua) que diz que não se deve pensar em apelar a um Concílio e/ou Papas futuros. Que cada Pontífice pode seguir aquela política que bem lhe parecer ao momento vivido pela Igreja em que se insere, etc. 

"Ninguém pode adicionar, retirar nem mudar o Missal e Cerimonial; e deve observar tanto um quanto outro prescrevem. Otro tanto debe decirse del Pontifical Romano. O suprimir uma parte de algum rito, deixando o demais, não toca a nenhum particular; mas que é força que intervem a autoridade do Romano Pontífice." (Título IV, cap. VIII)


Papa São Pio X:  

“Que não se deixe enganar pelas declarações daqueles que persistentemente clamam estar com a Igreja, amar a Igreja, lutar para que os fiéis não abandonem a Igreja(...) Mas os julgue por suas obras. Se eles desprezam aos pastores da Igreja e mesmo ao Papa, se tentam por todos os meios evitar a autoridade com o propósito de contornar suas diretrizes e julgamentos (...) Que Igreja falam esses homens? Certamente não a estabelecida nos fundamentos dos apóstolos e dos profetas, da qual Cristo mesmo é a Pedra angular." (10 de maio de 1909)

'Por isso vemos que é preciso declarar e mandar, como com o presente o declaramos e expressamente mandamos, que todos, absolutamente, estão obrigados por dever de consciência a submeter-se às setenças da Pontifícia Comissão Bíblica, quer as que já foram emitidas, quer as que doravente serão emitidas, do mesmo modo que aos Decretos das Sagradas Congregações referentes às questões doutrinárias e aprovadas pelo Sumo Pontífice; e não podem evitar a nota de desobediência e temeridade e, portanto, não estão livres de culpa grave todos aqueles que, por palavras ou por escrito, impugnem estas sentenças; isto à parte do escândalo com que desedificam, e tudo mais de que podem ser culpados diante de Deus, pelo que, sobre estas matérias, como costuma acontecer digam temerária e errôneamente." (Motu Propio Praestantia Scripturae)

“Parece inacreditável, e é contudo doloroso, que haja padres aos quais se deve fazer esta recomendação, mas nos nossos dias nós estamos infelizmente nesta dura e triste condição de dever dizer a padres: Amai o Papa! E como se deve amar o Papa? Não por palavras somente, mas por atos e com sinceridade. “Non verbo neque lingua, sed opere et veritate” (1 Jn 3,18) Quando amamos a alguém, procuramos nos conformar em tudo a seus pensamentos, a executar suas vontades e a interpretar seus desejos. E se Nosso Senhor Jesus Cristo dizia de si mesmo:” Si quis diligit me, sermonem meum servabit ” (” se alguém me ama, guardará minha palavra ” Jn 14, 23), assim para mostrar nosso amor ao Papa, é necessário obedecer. É por isso que, quando se ama ao Papa, não se fica a discutir sobre o que ele manda ou exige, a procurar até onde vai o dever rigoroso da obediência, e a marcar o limite desta obrigação.Quando se ama o Papa, não se objeta que ele não falou muito claramente, como se ele estivesse obrigado a repetir diretamente no ouvido de cada um sua vontade e de exprimi-la não somente de viva voz, mas cada vez por cartas e outros documentos públicos. Não se põem em dúvida suas ordens, sob fácil pretexto, para quem não quer obedecer, de que elas não dimanam diretamente dele, mas dos que o rodeiam! Não se limita o campo onde ele pode e deve exercer sua autoridade; não se opõe à autoridade do Papa a de outras pessoas, por muito doutas que elas sejam, que diferem da opinião com o Papa. Por outro parte, seja qual for sua ciência, falta-lhes santidade, pois não poderia haver santidade onde há dissentimento com o Papa”. É o desabafo de um coração dolorido… para deplorar a conduta de tantos padres que, não somente se permitem discutir e criticar as vontades do Papa, mas que não têm a receio de chegar a atos de desobediência imprudente e atrevida, ao grande escândalo dos bons e para a ruína das almas. (Alocução aos Padres da Confraria “A União Apostólica” 18 novembro 1912)

Papa Pio XI:

“Esta Igreja, fundada de modo tão admirável, ao Lhe serem retirados o seu Fundador e os Apóstolos que por primeiro a propagaram, em razão da morte deles, não poderia cessar de existir e ser extinta, uma vez que Ela era aquela a quem, sem nenhuma discriminação quanto a lugares e a tempos, fora dado o preceito de conduzir todos os homens à salvação eterna: "Ide, pois, ensinai a todos os povos" (Mt 28,19). Acaso faltaria à Igreja algo quanto à virtude e eficácia no cumprimento perene desse múnus, quando o próprio Cristo solenemente prometeu estar sempre presente a ela: "Eis que Eu estou convosco, todos os dias, até a consumação dos séculos?" (Mt 28,20).Deste modo, não pode ocorrer que a Igreja de Cristo não exista hoje e em todo o tempo, e também que Ela não exista hoje em todo o tempo, e também que Ela não exista como inteiramente a mesma que existiu à época dos Apóstolos. A não ser que desejemos afirmar que: Cristo Senhor ou não cumpriu o que propôs ou que errou ao afirmar que as portas do inferno jamais prevaleceriam contra Ela (Mt 16,18).” (Mortalium Animos, 8)

Pois, o Magistério da Igreja, por decisão divina, foi constituído na terra para que as doutrinas reveladas não só permanecessem incólumes perpetuamente, mas também para que fossem levadas ao conhecimento dos homens de um modo mais fácil e seguro. E, embora seja ele diariamente exercido pelo Pontífice Romano e pelos Bispos em união com ele, todavia ele se completa pela tarefa de agir, no momento oportuno, definindo algo por meio de solenes ritos e decretos, se alguma vez for necessário opor-se aos erros ou impugnações dos hereges de um modo mais eficiente ou imprimir nas mentes dos fiéis capítulos da doutrina sagrada expostos de modo mais claro e pormenorizado.” (Mortalium Animos, 20)

Papa Pio XII:

Entretanto, tais ensinamentos provêm do magistério ordinário, para o qual valem também aquelas palavras: "Quem vos ouve a mim ouve" (Lc 10,16)” ... E, se os Romanos Pontífices em suas constituições pronunciam de caso pensado uma sentença em matéria controvertida, é evidente que, segundo a intenção e vontade dos mesmos pontífices, essa questão já não pode ser tida como objeto de livre discussão entre os teólogos” (Humani Generis, 20).

Pois, junto com as sagradas fontes, Deus deu à sua Igreja o magistério vivo para esclarecer também e salientar o que no depósito da fé não se acha senão obscura e como que implicitamente ... Se a Igreja exerce esse múnus (como o tem feito com freqüência no decurso dos séculos pelo exercício, quer ordinário, quer extraordinário desse mesmo ofício), é evidentemente falso o método que pretende explicar o claro pelo obscuro; antes, pelo contrário, faz-se mister que todos sigam a ordem inversa. Eis porque nosso predecessor de imortal memória, Pio IX, ao ensinar que é dever nobilíssimo da teologia mostrar como uma doutrina definida pela Igreja está contida nas fontes, não sem grave motivo acrescentou aquelas palavras; "com o mesmo sentido com o qual foi definida pela Igreja" (Humani 
Generis, 21)

“Seria indigno de um cristão… sustentar que a Igreja, por Deus destinada a Mestra e Rainha dos povos, não esteja iluminada o bastante acerca das coisas e circunstâncias modernas; ou então, não prestar a ela assentimento e obediência a não ser naquilo que ela impõe por via de definições mais solenes, como se as outras suas decisões se pudessem presumir falsas, ou não providas de suficientes motivos de verdade e de honestidade” [11. PIO XI Casti Connubi, 31/1/1930, I.P. n. 904-5.]

“De fato, esse Magistério [Ordinário] da Igreja, não por estudo meramente humano, mas pela assistência do Espírito de Verdade (cf. Jo 14, 26), e portanto absolutamente sem nenhum erro, desempenha a missão que lhe foi confiada de conservar sempre puras e íntegras as verdades reveladas; e pelo mesmo motivo transmite-as sem contaminação e sem lhes ajuntar nem subtrair nada.” (Constituição Apostólica Munificentissimus Deus Sobre a Assunção de Nossa Senhora, 1.º de novembro de 1950, trad. br. em: Documentos Pontifícios – n. 78, Petrópolis: Vozes, 1950, 3.ª ed., 32 pp., p. 6-7).

"(...) não se pode investigar e explicar os documentos da "tradição", tal como se manifestam no transcurso dos séculos, passando por cima ou menosprezando o sagrado magistério, a vida e o culto da Igreja. Pois as vezes os documentos da antiguidade, considerados só em si mesmos, trazem pouca luz; e, em contrapartida, quando se relacionam e comparam com a vida litúrgica da Igreja e com a fé do povo cristão, com a devoção e a piedade - que igualmente sustenta e dirige o magistério -, aparecem esplêndidos os testemunhos da verdade católica. Realmente, a Igreja, através de todos os séculos de sua existência, é regida e custodiada pelo Espírito Santo não só em sua missão de ensinar e definir a fé, mas também em seu culto e nos exercícios de piedade e devoção dos fiéis,e pelo mesmo Espírito "dirige infalivelmente ao conhecimento das verdades reveladas" (const. Munificentissimus: AAS 42 [1950] p. 769) ..." (Radiomensagem Inter complures, 24 de outubro de 1954).


Bento XIII:



Pastoralis nostris muneris curam ad hoc intendimus et ab omnibus ita fieri volumus et mandamus ut in Sacramentorum videlicet admnistratione, in Missis et divinis Officiis celebrandis, allisque ecclesiasticis functionibus obeundis non pro licitu inventi et irrationabiliter inducti, sed recepti et approbati Ecclesiae Catholicae ritus, qui in minimis etiam, sine peccato negligi, omitti vel mutari haud possunt, peculiari studio ac diligentia serventur (In Conc. Rom. ano 1725, tit 15, cap. 1)




Bento XIV:



Et ipsa communis omnium sententia docet, Rubricas esse leges praeceptivas, quae obligant sub mortali ex genero 
suo, ut loquuntur Theologi; ita tamen ut immunis sit a mortali, qui eas non servet per invincibilem omnimodam imprudentiam et aliquando etiam propter parvitatem materiae" (De Sacrificio Missae, lib. III, cap. 13, n. 3)


Papa João XXIII: 

"Os Concílios ecumênicos, sempre que se celebram, são uma atuação solene da união de Cristo e de sua Igreja, e conduzem por isto mesmo, a uma irradiação universal da Verdade, à reta direção da vida individual, familiar e social; ao robustecimento das energias espirituais, em elevação constante até aos bens verdadeiros e eternos" (11 de outubro de 1962 na Basílica de são Pedro, n 4)



Papa Paulo VI: 




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“Este é um assunto essencial (...) Cristo deu a suprema autoridade de sua Igreja a Pedro e ao Colégio apostólico, isto é ao Papa e ao colégio dos bispos una cum Capite. Quanto ao Papa, cada católico admite que as palavras de Jesus a Pedro determinam também o cargo dos legítimos sucessores de Pedro: "tudo o que ligares na terra será ligado no céu (Mt 16, 19); (...) por sua natureza "a tarefa de ensinar e governar não pode ser exercida exceto em comunhão hierárquica com a cabeça do Colégio e com seus membros” (Constituição Lumen Gentium, 21; cf. também 25). A fortiori, um só bispo sem missão canônica não tem em actu expedito ad agendum, a faculdade de dizer em geral o que é regra de fé ou determinar o que é Tradição. Na prática você afirma ser o juiz que compreende a Tradição” (carta a Lefebvre , 11 de outubro de 1976)

(...) aqueles que, sob pretexto de uma maior fidelidade à Igreja e ao Magistério, rechaçam sistematicamente os ensinamentos do Concílio, sua aplicação e as reformas que se derivam dela, sua aplicação gradual posta em obra pela Sé Apostólica e as Conferência Episcopais, sob nossa autoridade, querida por Cristo. Se semeia o descrédito sobre a autoridade da Igreja sob a capa de uma tradição pela qual se manifesta somente um respeito material e verbal; distancia aos fiéis dos laços da obediência à Sé de Pedro e de seus bispos legítimos; se rejeita a autoridade de hoje em nome da de ontem. É tão difícil comprová-lo! Como não ver nesta atitude o fato de se localizar fora da obediência ao Sucessor de Pedro e da comunhão com ele, e, portanto,
fora da Igreja? (Consistorio, 24 de maio de 1976)
Paulo VI: “Nemo igitur audeat ad privatas interpretationes Concilli doctrinam detorquere, magisterio Ecclesia posthabito: qui ita agunt, ut verbis utamur S. Leonis Magni "magistri erroris existunt, quia veritatis discipuli non fuerent” [Tomus ad Flavianum]” (Carta ao cardeal Pizzardo,  L'Osservatore Romano, 26-27 setembro de 1966) .
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Não sou latinista, mas podemos dizer que isso basicamente expõe: Ninguém deve se atrever a fazer interpretações privadas da doutrina do Concílio, deixando de lado o Magistério da Igreja. Do modo que eles fazem, para usar as palavras de S. Leão Magno: são mestres do engano, porque a verdade não deve ser dos discípulos

João Paulo II: 
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“Mas é sobretudo contraditória uma noção de Tradição que se opóe ao Magisterio universal da Igreja, do qual é detentor o Bispo de Roma e o Colegio dos Bispos. Não se pode permanecer fiel à Tradição rompendo o vinculo eclesial com aquele a quem o proprio Cristo, na pessoa do Apostolo Pedro, confiou o ministério da unidade na sua Igreja.” (Carta Apostólica Ecclesia Dei, 4)

Cardeal Ottaviani: 

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“Uma vez que o Concílio Vaticano II, recentemente concluído, tem documentos promulgados muito valiosos, tanto nos aspecto doutrinais como nos disciplinares, para promover de maneira mais eficaz a vida da Igreja, o povo de Deus tem a grave obrigação de se esforçar para levar a prática tudo o que, sob a inspiração do Espírito Santo, tem sido solenemente proposto ou decidido naquela amplíssima assembleia de bispos presidida pelo Papa.” (Carta da Congragação da Doutrina da Fé aos Presidentes das Conferências Episcopais, 24 julho de 1966)

Cardeal Joseph Ratzinger:  

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Ao Lefebvre “Mas o sr. não pode afirmar a incompatibilidade dos textos conciliares – que são textos magisteriais – com o Magistério e a Tradição. É-lhe possível dizer que, pessoalmente, o sr. não vê essa compatibilidade, e portanto pedir explicações à Sé Apostólica. Mas se, ao contrário, o sr. afirma a impossibilidade de tais explicações, o sr. se opõe profundamente à estrutura fundamental da fé católica e a obediência e humildade da fé eclesiástica que o sr. diz possuir no fim da sua carta, quando o sr. evoca a fé que lhe foi ensinada na sua infância e na Cidade Eterna.” (Carta do Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, 30 de julho de 1983)
Ao Arcebispo Lefebvre “Divinamente instituída, a Igreja tem a promessa de assistência de Cristo até o fim dos tempos. O romper sua unidade com um ato de plena desobediência de sua parte causaria incalculável dano e destruiria o futuro do seu trabalho, porque fora da unidade com Pedro não pode ter futuro, mas apenas arruinar tudo o que deseja e aspira (...) Dando sua interpretação pessoal ao textos do Magistério você estaria caindo no mesmo liberalismo que pretende combater. De fato, é a Pedro quem o Senhor confiou o governo de Sua Igreja; portanto é o Papa o principal artífice de sua unidade. Assegurado na promessa de Cristo, o Papa nunca será capaz de opor-se à Santa Tradição nem ao magistério autêntico. Excelência, considera minhas palavras severas? Gostaria de me expressar de outra maneira mas a gravidade do assunto não me permite outra escolha.” (Carta do Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, 28 de julho de 1987)

Donum Veritatis Sobre a Vocação Eclesial dos Teólogos, subscrita pelo Papa João Paulo II:
 
“Para que possam cumprir plenamente a tarefa a eles confiada de ensinar o evangelho e de interpretar autenticamente a Revelação, Jesus Cristo prometeu aos Pastores da Igreja a assistência do Espírito Santo. Ele os dotou em particular do carisma de infalibilidade no que concerne a matéria de fé e de costumes. O exercício deste carisma pode apresentar modalidades diversas.” (15)

Donum Veritatis, Instrução Sobre a Vocação Eclesial dos Teólogos, subscrita pelo Papa João Paulo II:

“A assistência divina é dada, além disso, aos sucessores dos Apóstolos, que ensinam em comunhão com o sucessor de Pedro e, de uma maneira particular, ao Romano Pontífice, Pastor de toda a Igreja, quando sem chegar a uma definição infalível e sem pronunciar-se de « maneira definitiva », no exercício do seu magistério ordinário, propõem um ensinamento que conduz a uma melhor compreensão da Revelação em matéria de fé e de costumes, e diretivas morais derivantes deste ensinamento.” (17)


Teólogos


Mons. d’Avanzo durante o Concílio Vaticano I, em nome da Deputação da Fé: [40. Mansi 52, 763 D9-764 C7.]:

“… Seja-me permitido recordar-vos como a infalibilidade se exerce na Igreja. Com efeito, temos dois testemunhos na Escritura sobre a infalibilidade na Igreja de Cristo, Lc XXII: Eu roguei por vós etc., palavras que dizem respeito a Pedro sem os outros; e o final de Mateus: Ide, ensinai etc., palavras que são ditas aos Apóstolos mas não sem Pedro… Há, portanto,um duplo modo de infalibilidade na Igreja; o primeiro é exercido pelo magistério ordinário da Igreja: Ide, ensinai… Por isso, como o Espírito Santo, espírito de verdade, reside na Igreja todos os dias; assim também, todos os dias a Igreja ensina as verdades de fé com a assistência do Espírito Santo. Ensina todas aquelas coisas que são, ou já definidas, oucontidas explicitamente no tesouro da Revelação mas não definidas, ou cridas implicitamente: todas essas verdades a Igreja as ensina cotidianamente, quer por meio do Papa principalmente, quer por meio de todos os Bispos que aderem ao Papa. Todos, Papa e Bispos, são infalíveis nesse magistério ordinário com a própria infalibilidade da Igreja: diferem somente nisto, que os Bispos não são infalíveis por si sós, mas precisam da comunhão com o Papa, pelo qual são confirmados; o Papa precisa somente da assistência do Espírito Santo que lhe foi prometida (…). Mesmo com a existência desse magistério ordinário, sucede por vezes que as verdades ensinadas por esse magistério ordinário e já definidas sejam combatidas por um retorno da heresia, ou que verdades ainda não definidas, mas aceitas implicitamente ou explicitamente, devam ser definidas; e aí então se apresenta a ocasião para uma definição dogmática”.

Dom Gasser, membro da Deputação para a Fé do Concílio Vaticano I:

 
"(...) Nosso Senhor Jesus Cristo (...) quis que o carisma da verdade dependesse da relação pública do Pontífice com a Igreja universal; senão, esse dom da infalibilidade não seria um meio eficaz para conservar e proteger a unidade da Igreja. Por isso, não é preciso temer que por má fé e por negligência do Pontífice a Igreja universal possa ser induzida em erro sobre a fé. Com efeito, a tutela de Cristo e a assistência divina prometida aos Sucessores de Pedro é uma causa tão eficaz, que o juízo do Sumo Pontífice, se fosse errôneo e nocivo para a Igreja, seria impedido; ou então, se o Pontífice efetivamente faz uma definição, esta será infalivelmente verdadeira”. [17. Dom Gasser, ibidem, Mansi, 52, 1214.]

Pe. Penido:

“Quando a Igreja propõe a fé, podemos chamar essa obediência de ‘teologal’, porque, de fato, obedecemos imediatamente a Deus. (A Igreja, já foi dito, é mensageira e não autora da Revelação). Quando aceitamos o ensinamento não infalível, poderia nossa obediência ser denominada ‘eclesiástica’, pois então é a própria autoridade da Igreja que motiva nosso assentimento. Não mais ouvimos a voz do Esposo, senão a da esposa (porém da Esposa guiada pelo Esposo). E embora o Magistério possa errar neste ou naquele caso particular, podemos todavia atribuir-lhe uma infalibilidade ‘global’, porque, em conjunto, tais decisões são verídicas e santificantes. Cristo Jesus está com a Igreja não apenas quando ela define o dogma e a moral, senão ‘todos os dias’ (Mt 28, 20). Muito melhor do que ‘obediência eclesiástica’, diríamos ‘docilidade filial’. (...) Que força e que segurança sabermos que em negócio tão importante – o único necessário – e também tão incerto e temeroso qual o da salvação eterna, podemos seguir um farol cuja luz nunca se apaga e nos guia necessariamente ao ponto!” (Volume I: O Mistério da Igreja, pág. 300, de 1956)

Pe. Thomas PÈGUES:

“A autoridade de governo, no Soberano Pontífice, deve ser considerada absoluta. Quando o Papa comanda, e sob qualquer forma em que ele comande, todos na Igreja devem obedecer. Mas é necessário dizer que o Papa, quando comanda, mesmo como Papa e enquanto chefe da Igreja, não pode enganar-se? Cumpre falar aqui de infalibilidade? Não pode se tratar, em todo o caso, de um infalibilidade idêntica à Infalibilidade doutrinal. Ninguém admite que o Papa, quando comanda, ordene necessariamente tudo o que há de melhor e de mais excelente para o bem dos indivíduos, dos diversos grupos, ou da Igreja inteira. Não se trata de uma infalibilidade positiva. Trata-se somente de uma INFALIBILIDADE NEGATIVA; e isso equivale a dizer que o Papa não tem como ordenar nada que vá contra o bem definitivo daqueles a quem ele se dirige. Nesse sentido, será dificílimo de não admitir que o Papa é infalível, ao menos quando se trata de leis ou de medidas disciplinares que obrigam toda a Igreja. Mas, como se vê, não se trata mais da Infalibilidade em sentido estrito”

( O.P., L’Autorité des Encycliques pontificales, d’apres saint Thomas [A autoridade das Encíclicas pontifícias segundo Santo Tomás de Aquino], in: Revue Thomiste, XII, 1904, pp. 513-32, cit. à p. 520-1).


Mons. Cauly:

"A Igreja vive no tempo e é servida por homens sujeitos a todas as fraquezas do tempo; porém, nela o elemento divino subsiste inatacável, indefectível; os piores papas nunca lavraram contra a fé um só decreto que a possa alterar." (Curso de Instrução Religiosa, Tomo IV, p. 486,. 1930)

Pe A. Hillaire: 

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Ninguém é livre para explicar a sua maneira a Sagrada Escritura e a Tradição; devemos nos submeter à Igreja docente, estabelecida para dizer-nos o que devemos crer e como devemos agir (...) Pela mesma razão demonstra a necessidade de uma regra viva para da aos fiéis a noção das verdades que tem que crer e dos deveres que tem que praticar (...) Era pois necessário um juiz vivo, um intérprete autêntico para fixar o sentido da revelação divina e condenar os erros. Por este motivo o Governador Supremo da Igreja e os bispos em comunhão com ele são os únicos intérpretes legítimos e infalíveis das Escrituras e da Tradição, a única regra da fé e da moral.” (A Religião Demonstrada,Pág. 449, P.A Hillaire, edición Mons. Agustín Piaggo, 1944, Barcelona, Nihil Obstat, Imprimatur.)

Salembier:

"Não se assustem a fé e a piedade. Deus nunca frustrou do poder das chaves e dos benefícios que dele dimanam, uma parte considerável de sua Igreja arrastada por seus bispos a um erro prático e de boa fé. O papa de então, qualquer que seja, é pelo menos investido do que o direito canônico chama um título colorido, perfeitamente suficiente, naquelas condições de erro comum e praticamente invencível, para administrar os sacramentos, guardar e conferir a jurisdição exterior" (Le Grand schisme d'Occident (1900), cap. IX, § 4)  


WERNZ-VIDAL: 

"Os Romanos Pontífices não estão, de maneira nenhuma, impedidos de legislar contra as regulamentações disciplinares de seus predecessores (pois não existe autoridade de um igual sobre outro igual) ou contra o direito comum de veneranda antiguidade... E, embora possa acontecer que os Romanos Pontífices eventualmente promulguem, por breve tempo, leis menos oportunas que tenham precisado ser corrigidas ou retratadas por ele próprio ou por seus sucessores, não pode, porém, ocorrer e não ocorrerá nunca que seja promulgada pelo Romano Pontífice para a Igreja universal uma lei disciplinar contrária à reta fé e aos bons costumes. De fato, se bem que não tenha sido prometido aos Papas o supremo grau de prudência ao promulgar leis disciplinares, eles porém certamente gozam daquela infalibilidade da qual a Igreja desfruta acerca das leis disciplinares universais." (Jus canonicum, t. I [Roma 1952] pp. 268-269).  
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Suarez:


"É necessário compreendê-la (a infalibilidade) quanto à substância ou quanto à honestidade dos costumes: de fato, no que se refere às circunstâncias, à multiplicação de leis, ou ao rigor, a penas excessivas, não há inconveniente em por vezes se incorrer nalgum defeito humano, pois isso não vai contra a santidade da Igreja; mas aprovar coisas nocivas como honestas ou, ao contrário, condenar coisas honestas como iníquas, repugna à verdade e à santidade da Igreja e, portanto, também nessas coisas o Pontífice não pode errar". (Cit. in: Jus canonicum, cit., p. 269, nota 28)
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Michael Schmaus: 

“A Igreja não possui um juízo infalível sobre se uma lei promulgada por ela é a forma mais apropriada às circunstâncias ou é prematura ou antiquada. Contudo, como a Igreja é guiada e conduzida pelo Espírito Santo há certeza prática, de que suas disposições e decisões são proveitosas para a salvação. Uma lei eclesiástica não é em nenhum caso prejudicial para a salvação." (Teologia Dogmática, A Igreja, p. 432, Madrid, 1960)

“Não há, pois, perigo de que o poder papal se converta em perdição da Igreja, como acreditou Lutero. Tampouco causará jamais uma ruptura da tradição na Igreja, já que deve precisamente proteger, guardar, cuidar e transmitir a herança confiada por Cristo à Igreja, isto é, de sua inseparável união com Cristo crucificado e ressuscitado.” (Teologia Dogmática, IV. A Igreja, pág. 467, Madrid, 1960)
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Santo Tomás:

 "Ademais a Igreja universal não pode errar: porque aquele que em todas as coisas foi ouvido por sua reverência, disse a Pedro, sobre cuja confissão foi fundada a Igreja: Eu roguei por ti, para que tua fé não desfaleça. Mas a Igreja universal aprova as indulgências: logo as indulgências tem valor diante de Deus" (In Sent. IV, D. 20, Q. 1. A.3)

Bujanda:

"Aos documentos em que o Papa ou os Concílios enunciam certa doutrina, ainda que a não proponham de maneira definitiva, devemos atribuir suma autoridade(...) só poderemos nos apartar dessa doutrina, quando houver razão muito grave, e se a Igreja, teórica ou praticamente, o consente. Ve-lo-emos num exemplo claríssimo, ao tratar da matéria do Sacramento da Ordem" (Manual de Teologia Dogmática, 1944, 118)

 " e) Quando dita normas gerais para toda a Igreja, é infalível, pelo menos em discernir que nada envolvem contrário à fé e costumes. Se o não fosse, poderia ensinar doutrina contrária à de Cristo e, por conseguinte, deixar de ser base da Igreja, para se transformar em princípio de destruição." (Manual de Teologia Dogmática, Livraria Apostolado da Imprensa, 1944, p. 95)

Ignacio Riudor:

"Nas leis disciplinares ou litúrgicas destinadas a toda a Igreja. - A Igreja não poderia conduzir com segurança os fiéis a salvação se pudesse errar dando leis disciplinares ou litúrgicas que fossem contrárias à divina revelação. Imaginemos que a Igreja se equivoca ao administrar a Eucaristia sob uma só espécie; logicamente se seguiria daqui que não haveria guardado fielmente a vontade de Cristo no que a Eucaristia concerne, e, portanto, haveria faltado em um elemento essencial da revelação" (Teologia Fundamental para leigos, 1963, 714) 
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"Ademais, o magistério eclesiástico foi posto por Jesus Cristo precisamente para ensinar e dirigir o povo cristão. Portanto, se aparecesse um erro que afetasse a fé ou bons costumes no povo cristão e o magistério não o impedisse, haveria faltado gravemente a seu ofício de guardião fiel da verdade revelada." (Ibid., p. 757)
Cardeal João Batista FRANZELIN, S.J.

(Tractatus de Divina Traditione et Scriptura, 3.ed.
Caput II, Thesis XII, scholion I, principium VII)

“A Santa Sé Apostólica, a quem Deus confiou a custódia do Depósito e a injunção do dever e ofício de apascentar a Igreja inteira para a salvação das almas, pode prescrever opiniões teológicas (ou outras opiniões na medida em que sejam conexas às teológicas) como a serem seguidas, ou proscrevê-las como a não serem seguidas, não só com a intenção de decidir a verdade infalivelmente por sentença definitiva, mas também sem essa intenção e, sim, com a necessidade e intenção de, seja simplesmente seja com qualificações específicas, zelar pela segurança da doutrina católica (cf. Zaccaria, Antifebronius vindicatus, t. II, dissert. V, c. 2, n.1). 
Nesse tipo de declaração, muito embora não se tenha a verdade infalível da doutrina (pois, nessa hipótese, não há a intenção de decidir sobre ela), tem-se, porém, infalível segurança [infallibilis securitas]. Por segurança quero dizer ao mesmo tempo a segurança objetiva quanto à doutrina assim declarada (seja simplesmente, seja com certas qualificações), e a segurança subjetiva, pois é seguro para todos adotá-la, e não é seguro nem pode estar isento de violação da devida submissão ao Magistério divinamente constituído recusar-se a adotá-la. (Esses dois termos, verdade infalível e segurança infalível, não são idênticos, haja vista que, do contrário, nenhuma doutrina provável ou mais provável poderia ser dita sã e segura.)”
 

Cardeal João Batista FRANZELIN, S.J., Tractatus de divina traditione et scriptura, 3.ed., Romae, ex typographia polyglotta S.C. de Propaganda Fide, 1882, p. 127.
(Caput II, Thesis XII, scholion I, principium VII)
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"Assim, no campo da profissão da verdadeira fé cristã, o membro da Igreja Católica tem a importante vantagem indescritível de pertencer a uma sociedade, na qual a mensagem revelada de Deus é preservada, ensinada e defendida de tal forma que a pureza e a integridade da fé estão sempre protegidas" (Franzelin, De Divina Traditione et Scriptura, Rome 1875, p. 92)

The Dublin Review, vol. 83, julho de 1878

"Antes de entrar na questão que nos ocupa, e como uma preparação para a sua devida consideração, o Cardeal Franzelin estabelece o princípio de que a Santa Sé Apostólica tem o poder de prescrever opiniões teológicas ou opiniões relacionadas a teologia, a serem seguidas, ou determinar que sejam evitadas, e isto, também, não apenas com a intenção de decidir a verdade por uma sentença definitiva, mas mesmo sem tal intenção, a partir da necessidade que ela tem e da sua prerrogativa de velar pela segurança da doutrina católica, quer absolutamente, quer relativamente apenas a circunstâncias particulares. Ora, embora declarações desse tipo não impliquem em uma verdade infalível da doutrina, uma vez que que não há qualquer intenção de decidir definitivamente esta verdade, ainda há a segurança infalível, tanto objectivamente, no que tange ao ensino proposto e, subjetivamente, na medida em que é seguro para que todos o adotem; enquanto que recusar-se em adotá-lo não seria seguro, e seria uma violação da lei pelo qual os cristãos são obrigados a ser submissos à autoridade de ensino, que foi instituído por Deus. Nem pode afirmar-se razoavelmente que a verdade infalível e a segurança infalível em questões doutrinárias venham a ser uma e a mesma coisa, que uma não possa existir sem a outra, pois é óbvio, que um momento de reflexão seria suficiente para mostrar que uma teoria ou um ponto particular da doutrina pode ser infalivelmente segura sem ser uma uma verdade infalível. Opiniões, por exemplo, que são apenas prováveis, em maior ou menor grau, e não de todo ainda irrefutáveis, talvez sejam, como muitas vezes são, mais seguras. Certeza absoluta não é de forma alguma necessária para a segurança absoluta, o que uma certeza moral bem fundamentada pode frequentemente garantir. Tal é a importância desta distinção entre as proposições definidas do Soberano Pontífice ao se pronunciar ex cathedra e os demais decretos doutrinais, ordenando ou proibindo, que emanam da Santa Sé - uma distinção a se ter em mente, tanto no que se refere a verdade especulativa e a aplicação prática dos pronunciamentos - que aqueles que a negam seriam forçados, diz o Cardeal Franzelin, à absurda posição de considerar todos esses decretos, relacionados de forma alguma com a doutrina, como sendo definições ex cathedra. A história eclesiástica, o modo usual da Santa Sé de agir e a cuidadosa explicação do Concílio Vaticano I sobre o que realmente é uma definição ex cathedra, mostra como manifestamente falso isso seria. (Assent Due to Certain Papal Utterances)

Joseph Clifford Fenton:

"É, naturalmente, possível que a Igreja possa vir a modificar sua posição sobre algum detalhe de ensino apresentado como matéria não-infalível em uma encíclica papal. A natureza da auctoritas providentiae doctrinalis dentro da Igreja é tal, no entanto, que essa falibilidade estende relativamente a questões de pormenor ou de aplicação específica. O corpo de doutrina sobre os direitos e deveres de trabalho, sobre a Igreja e o Estado, ou sobre qualquer outro assunto tratado extensivamente em uma série de cartas papais direcionadas e normativa para toda a Igreja militante não poderia ser radicalmente ou completamente errada. As infalível de segurança que Cristo quer que seus discípulos gozem dentro de sua Igreja é totalmente incompatível com tal possibilidade." (A autoridade doutrinal das encíclicas papais; Extrato reproduzido na American Ecclesiastical Review, Vol. CXXI, August, 1949, pp. 136-150)


Joseph Fenton: "The entire teaching activity of the universal Church of God on earth is covered by what theologians, after Franzelin, call the guarantee of 'infallible security' as distinct from that of 'infallible truth.'" Then he adds, "The government of the universal Church by the Holy Father has a kind of practical infallibility attached to it, in the sense that it would be quite impossible for a man to lose his soul through obedience to the legislation of the universal Church militant of the New Testament." (The Catholic Church and Salvation, pp. 90-94).

Cônego Smith:

"Nos casos que estamos contemplando agora, ele não está sendo orientado sobre como aderir com a plenitude da certeza a uma doutrina que é divinamente garantida pela infalibilidade; mas ele está sendo avisado de que determinada proposição pode ser mantida com perfeita segurança, ao passo que sua contraditória está repleta de perigo para a fé; de que, nas circunstâncias e no estado presente do nosso conhecimento, esta ou aquela interpretação da Escritura não pode ser preterida com segurança; de que uma máxima filosófica em particular pode levar a sérios erros em questão de fé. E o católico deve afastar-se do perigo, do qual ele é autoritativamente alertado, curvando-se ao juízo da autoridade. Ele não deve ter dúvida, ele deve assentir. 


Logicamente implicada nessas decisões cautelares está uma verdade de ordem especulativa, quer ética ou dogmática. Mas, sobre essa verdade especulativa como tal, o decreto não se pronuncia; ele contempla meramente a questão da segurança.


(“Must I Believe It?”, Clergy Review [“Tenho o Dever de Crer Nisso?”, Revista do Clero], anos 40)

Billot:

«Hay que distinguir entre los decretos en los que se define infaliblemente una verdad especulativa, y los decretos con los que se vela por la seguridad de la doctrina, sin que se llegue a definiciones formales.- Publicar un decreto por el que no se define una verdad especulativa, sino que se atiende a la seguridad de la doctrina, no es otra cosa que decretar auténticamente el que una doctrina es segura, esto es que está de acuerdo con la regla de la fe, al menos con aquella probabilidad que baste para que alguien pueda aceptar esta doctrina; o por el contrario, que alguna doctrina no es segura, o sea que está en desacuerdo con la regla de la fe, esto de nuevo al menos con tal probabilidad, que la enseñanza contraria no tenga una probabilidad suficiente,.. Así cuando las Sagradas Congregaciones declaran que cierta doctrina no puede enseñarse con seguridad (o sea que no es segura), estamos obligados a juzgar que esta doctrina es, no digo errónea o falsa en sí o algo parecido, sino sencillamente estamos obligados a juzgar que no es segura, y estamos obligados a no adherirnos más a ella como no segura que es. Y si declararan que otra doctrina no puede ser negada con seguridad (o sea que es segura), estamos obligados a juzgar que esta doctrina es, no sólo segura, sino que hay que seguirla y aceptarla como segura (y no digo como cierta en sí precisamente en virtud de la decisión). Sin embargo hablando con todo rigor, lo que ahora no es seguro, principalmente en el sentido compuesto de la decisión, puede después resultar seguro, en la hipótesis de que la autoridad competente, habiendo estudiado de nuevo el tema y sopesado las nuevas razones, publicara otra decisión.- Y no podría en verdad decirse con propiedad y formalmente que la decisión posterior reforma a la anterior, puesto que no hay lugar a la reforma, En efecto, lo que ahora no es seguro, teniendo en cuenta el estado actual de las razones, puede después resultar seguro, una vez que se agregan unas nuevas razones; y por tanto la decisión que declara seguro lo que anteriormente se había declarado que no podía sostenerse con seguridad, no es hablando en sentido estricto reforma de la sentencia sino una nueva declaración que no es contraria a la declaración anterior». (Extraído do Tratado da Igreja de Jesus Cristo do Rev. P. Joaquín Salaverri ) 


"O poder legislativo da Igreja tem como matéria tanto coisas de fé e moral como coisas de disciplina. Nas coisas de fé e moral, porém, a obrigação da lei eclesiástica prende-se à obrigação do direito divino; em matéria de disciplina, no entanto, toda obrigação é de direito eclesiástico. Mas sempre ao exercício do supremo poder de legislar, liga-se a infalibilidade, uma vez que a Igreja, pela assistência divina, tem o poder de nunca estabelecer (statuere) uma disciplina que seja oposta às regras de fé e da santidade evangélica" (Cf. Billot, De Ecclesia Christi, thesis XXII, p.466).


Dom Paul Nau:

“O Magistério Ordinário, assim como o juízo solene, igualmente demanda fé na doutrina proposta. Portanto, ambos carregam segurança contra todo o erro. Se faltasse esta certeza, com efeito, ninguém estaria obrigado a lhe prestar sua fé [ou: a lhe dar seu assentimento de fé], isto é, a aderir a ele sob a autoridade da Verdade primeira.” (“Um ensaio sobre a Autoridade dos Ensinamentos do Soberano Pontífice” em 1956, e reimpressa pela Angelus Press (1998) sob o título “O Magistério Ordinário da Igreja Católica”)


"Alguém pode perguntar a si mesmo, e nós podemos muito bem ser autorizados a fazer o mesmo como uma conclusão ao longo deste estudo: existe realmente a necessidade de tantas precauções ao embarcar na leitura de documentos pontifícios? O perigo mais grave não é o de “superestimar os ensinamentos do Magistério”, mas, sim, de perturbar a confiança e adesão dos fiéis. Seria particularmente perigoso contrastar o Magistério solene com o ordinário, de acordo com duas categorias indiscriminadas de falível e infalível, assim esquecendo o aviso sábio que a Faculdade de Paris deu em 1682: Qualquer parecer que alguém possa professar sobre a infalibilidade do papa, é tão desrespeitoso quanto proclamar publicamente que ele pode estar errado, é como dizer às crianças: seus pais podem estar mentindo para você.

Qual professor mais confiável pode-se apresentar para aqueles que desejam possuir a doutrina exata de Cristo do que aquele a quem o Mestre afirmou: Aquele que vos ouve, ouve-me; sobre o qual também Ele construiu a Sua Igreja, para que ela pudesse permanecer inabalável até o fim dos tempos?

Isso não seria, não só mais sagaz, mas também mais correto dizer que qualquer que seja a forma pela qual a doutrina chega até nós, é sempre infalivelmente verdadeira se for ensinada a nós por certo pela Igreja como um todo ou por sua cabeça sozinha? No entanto, enquanto a garantia pode ser dada a nós por um único julgamento, feito pelo próprio, vindo do Magistério solene, ele só pode ser esperado de uma continuidade ou uma totalidade, no caso do ensino comum. Fora das decisões solenes, a autoridade das diversas expressões do magistério pontifício compreende vários graus e tons de diferença, mas todos estes são autenticamente integrados nessa tradição contínua e sempre viva, cujo conteúdo não pode ser sujeito ao erro sem desafiar ambas as promessas de Cristo e todo o fundo da instituição da Igreja.

Apresentado desta forma, nos seus aspectos essenciais, esta doutrina pode ser entendida até mesmo pelo mais humilde dos fiéis. Como a nossa experiência tem nos mostrado muitas vezes, é espontaneamente apreendida por intelectos cristãos, que nele encontram a expressão da própria lógica de sua fé junto com uma doutrina autenticamente tradicional”. (No livro, O papa ou a Igreja? [Angelus Press, 1998]. artigo de 1956, republicado. Seção de fechamento de seu ensaio.)

"Mesmo se não é decisão ex cathedra, muito dificilmente se poderia, em razão dessa repercussão prevista, recusar-lhe o benefício de uma assistência toda especial, sem a qual uma hesitação ou dúvida poderiam introduzir-se por causa disso na fé de todos os fiéis. " (O Magistério Pontifício Ordinário, lugar teológico, Ensaio sobre a autoridade dos ensinamentos do Soberano Pontífice, Le Magistère pontifical ordinaire, lieu théologique [Revue Thomiste, Ano LXIV, tomo LVI, n.º 3, julho-setembro de 1956, pp. 389-412])

Garrigou-Lagrange: "A Igreja não pode negligenciar a verdade; nem pode contestar a verdade. Também não pode tolerar o obscurecimento das mais graves verdades de fé e moral. É igualmente impossível a Igreja inaugurar uma disciplina prejudicial." (The Theological Virtues: On Faith, p. 211).

Pe. Cartechini:

"aquilo que me é ordenado é, pelo fato mesmo de me ser ordenado, o mais seguro na presente circunstância e o mais oportuno, ainda que me pareça e possa ser também verdadeiramente errado ou por outros aspectos menos oportuno. Isto é sempre possível mediante a aplicação do princípio universal da Divina Providência, a qual se serve também dos erros dos homens para conseguir os seus fins. [...] É, pois, necessário não um assentimento com que se julgue que a doutrina seja infalivelmente verdadeira ou falsa, mas um assentimento com que se julga que a doutrina contida em tal juízo seja segura com toda a certeza, ou levando-se em conta as circunstâncias presentes, é para ser praticada por nós somente por motivo de obediência." (DALL’OPINIONE AL DOMMA, p 153-154)

 "CAPÍTULO XI - DA DOUTRINA SEGURA
[...]
Ora, a infalibilidade não deve ser confundida com a segurança, porque verdade infalível e proposição segura nem sempre coincidem, como aparece manifestamente do fato de que muitas sentenças prováveis ou mais prováveis são consideradas como doutrina sã e segura, e no entanto não repugna, absolutamente falando, que sejam falsas. [...] A autoridade da Igreja, portanto, estendendo-se também àquelas proposições que se podem dizer seguras, abarca um campo mais vasto que a infalibilidade, e se estende com preceitos doutrinais também a proposições sobre as quais ela não quer pronunciar ainda um juízo definitivo. (DALL’OPINIONE AL DOMMA)

"CAPÍTULO V - DOUTRINA CATÓLICA
[...] Já quanto às verdades que não são propostas como reveladas, todas elas devem ser aceitas, no mínimo, como doutrina católica. Também com referência a estas o Pontífice pode exercer a sua infalibilidade, e é teologicamente certo que também nelas ele é infalível, não obstante isso não ser definido. [...] Quem nega em coisa grave uma doutrina ensinada pelo Papa (doutrina católica) numa Encíclica é, no mínimo, gravemente temerário" (DALL’OPINIONE AL DOMMA)

“A liturgia não cria dogmas, mas ela exprime dogmas, porque, no modo como ela louva ou reza a Deus, a Igreja exprime o que ela crê, como ela o crê, e segundo quais conceitos Deus quer ser adorado publicamente. …[então] a Igreja não pode permitir que, na liturgia, sejam ditas coisas em nome dela que sejam contrárias àquilo que ela defende ou crê” (De Valore Notarum Theologicarum – Sobre o Significado das Qualificações Teológicas – autoria do Pe. Sixtus Cartechini – p. 37 – obra escrita para uso das Congregações Romanas e publicada em Roma, em 1951).

“…nem os concílios gerais NEM O PAPA podem estabelecer leis que contêm pecado…e nada pode estar contido no Código de Direito Canônico que seja de qualquer modo oposto às regras da fé ou à santidade do Evangelho” (De Valore Notarum Theologicarum – Sobre o Significado das Qualificações Teológicas – autoria do Pe. Sixtus Cartechini – obra escrita para uso das Congregações Romanas e publicada em Roma, em 1951).

Pe. Faber:

“Devemos ser leais à Igreja até em nossos mínimos pensamentos sobre ela. Devemos amar os seus caminhos,além de obedecer aos seus preceitos e crer nas suas doutrinas. Devemos estimar tudo o que a Igreja abençoa, tudo o que a Igreja afeta. A nossa deve ser sempre uma atitude de submissão, não de crítica. Quem está desapontado com a Igreja, deve estar perdendo a fé, ainda que não o saiba. O amor de um homem pela Igreja é o teste mais seguro do seu amor por Deus. Ele sabe que a IGREJA TODA é informada com o Espírito Santo. A vida divina do Paráclito, Seus conselhos, Suas inspirações, Suas operações, Suas conaturalidades, Sua atração, estão nela por toda parte. O dom da infalibilidade é somente uma concentração, o ponto culminante, a exteriorização solene e oficial, da inabitação do Espírito Santo na Igreja. Ao passo que ele pede, como a Revelação, absoluta submissão de coração e alma, todos os arranjos, maneiras e disposições menores da Igreja pedem submissão, docilidade e reverência globais, em razão de a Igreja toda ser um templo preenchido com a vida do Espírito Santo” (Pe. Faber . W. Faber Cong. Orat. D.D., op. cit., Burns and Oates, 4.ª ed. pp. 187-9).


F. HURTH:

“É preciso sustentar firmemente que uma solene decisão tomada pela suprema Autoridade, em matéria de tão grande importância para a vida da Igreja, escapa, no que toca ao seu conteúdo essencial, a toda a possibilidade de erro: um erro seria inconciliável com a assistência do Espírito Santo e com a promessa do Senhor: Ecce ego vobiscum sum omnibus diebus. (Contenuto e significato della Costitutioni apostolica sopra gli ordini sacri (Conteúdo e significado da Constituição Apostólica Sobre as Ordens Sagradas), em: Civiltà cattolica, XCIX, 1948, 2, p. 623.])

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Santo Tomás: "Nós temos que manter antes o julgamento do Papa, que na opinião de qualquer um dos teólogos, ainda que bem versado ele possa estar nas escrituras divinas" (Quodl. IX, Art. A.16) 

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São Roberto Belarmino: 

''Todos os católicos concordam com outros dois pontos, e não, de fato, com os hereges, mas apenas entre si. O primeiro destes pontos é que o Romano Pontífice com um concílio geral não pode errar na emissão de decretos de fé ou de preceitos gerais de moralidade. A segunda é que, quando o Pontífice, seja sozinho ou com o seu concílio particular, estabelece qualquer coisa sobre um assunto duvidoso, ele deve ser ouvido com obediência por todos os fiéis, se é ou não é possível que ele esteja errado." (De Rom. Pont., lib, iv. cap. ii.)

São Roberto Belarmino disse que é impossível que o Papa possa cometer erros "nos preceitos dirigidos a toda a Igreja" e sobre "as coisas necessárias para a salvação, ou por si boa ou má". Isso nunca poderia acontecer, por exemplo, que o Papa "estivesse errado prescrevendo qualquer coisa contrária a salvação, como a necessidade da circuncisão e a observância do sábado, ou proibindo qualquer coisa necessária para a salvação como o batismo ou eucaristia." (De Romano Pontifice, 1. IV, cap. V, cit. in: JOURNET, cit., p. 471.)

"Se o Papa se enganasse em combater os vícios e defender as virtudes, a Igreja seria obrigada a acreditar que os vícios são bons, e que as virtudes são más, a menos que Ela pudesse pecar, agindo contra a sua consciência " (De Rom. Pontif. l. IV, c V)

Nicolas Iung: 

"De fato, quando Cristo prometeu aos apóstolos e seus sucessores de lhes guardar perpetuamente de erro doutrinal e moral, não restringiu a sua ajuda a uma forma especial de exercício, extraordinário e não ordinário. Se não fosse assim a Igreja não seria verdadeiramente indefectível, uma vez que os fiéis, que são instruídos pelo magistério ordinário, poderiam ser levados ao erro pelo ensinamento de seus pastores." (L'Exercice du magistère, ano 1935, p. 151)

"O acordo dos fiéis sobre as questões de fé e de moral é o resultado habitual do ensinamento autêntico do Magistério. A Igreja é essencialmente uma sociedade. Se Ela própria pudesse induzir ao erro todos aqueles que estão sob sua responsabilidade de ensinar, Ela não poderia mais se proclamar infalível. E então a que serviria a conservação de um depósito revelado se o magistério que o detém e o propaga não pudesse gerar a vida da fé nas almas e conservar a unidade doutrinal e moral entre a Igreja docente e Igreja discente?" (L'Exercice du magistère, ano 1935, p. 161)

Billuart: 

"Depois de Suarez e Banez, João de Santo Tomás acrescenta que a Igreja pode errar no que se refere às circunstâncias, à aplicação e à execução da lei, por exemplo, ao decretar excessivos preceitos e censuras, e aplicá-los de forma demasiado restritiva. Pois, diz ele, tudo parece antes pertencer à prudência e às modalidades circunvizinhas da lei do que à sua substância e à moralidade. Cano pensa da mesma forma .... no entanto, ao preocuparmo-nos com as leis estabelecidas para todos os cristãos, é apenas por respeito a estes muito doutos homens que suas reservas são seguidas: Eu não ousaria fazê-las minhas "(De regulis Fidei, dissert 3, a.. 5)

Melchior Cano (1509? – 1560): 

"Em questões graves, de grande importância para a formação da moral cristã, a Igreja, ao promulgar leis que dizem respeito a todos, não pode ordenar nada contrário ao Evangelho ou a razão natural .... Assim como ela não pode definir nada como vicioso quando na verdade é virtuoso, nem como virtuoso aquilo que é vicioso, como também, promulgar suas leis, aprovando qualquer coisa contrária ao Evangelho e à razão. Se, por qualquer julgamento expresso, ou ao decretar uma lei, ela aprovou o que é errado ou reprovou o que é certo, o erro seria não apenas um desastre para os fiéis, seria também, de certo modo, oposto à fé que aprova todas as virtudes e condena todos os vícios. Além disso, Cristo nos mandou obedecer as leis da Igreja, dizendo: Faça tudo o que vos digo .... e: Quem vos ouve a mim ouve ..., de modo que se a Igreja aqui errasse, Cristo seria o autor dos nossos erros "(De Locis Theologicis, lib. V, cap. v, concl. 2).

Cardeal Journet:

"2. A existência de uma Autoridade Prudential

Que o magistério doutrinal/doutrinário, para além da sua missão principal, que é a de definir certas verdades com autoridade absoluta e irrevogável, tem uma missão secundária, que é ensinar outras verdades com uma autoridade prudencial e de forma não irrevogável, é um ponto da doutrina sem dúvida.

[...] 

3 Se é uma questão de ensinamentos universalmente e constantemente propostos aos fiéis e com frequencia lembrados pela Igreja; se, de modo mais geral, é um caso de ensinamentos que a Igreja tem a intenção de envolver a autoridade prudencial que ela tem para apascentar as ovelhas de Cristo, para determinar o que é capaz de trazer as mentes mais perto ou afastá-los da fé, não devemos hesitar em dizer que o magistério propõe-los em virtude de uma assistência prática prudencial que é verdadeira e propriamente infalível, para que possamos ter a certeza da prudência de cada um desses ensinamentos, e, por conseguinte praticamente seguro de sua verdade intrínseca e especulativa. Para adotar uma frase de Franzelin, se ainda existe como verdade não infalível e irrevogável, "veritas infallibilis", existe, no entanto, uma certeza infalível "infallibilis securitas". Tal como, por exemplo, são as prescrições lembrando que a Sagrada Escritura deve ser interpretada à luz dos Padres e Doutores; a lei do Código determinando professores nos seminários para ensinar filosofia e teologia em conformidade com o método; a doutrina e os princípios do Doutor Angélico; o juízo pelo qual um servo de Deus é declarado beato; etc(Cardeal Journet, L Église du Verbe Incarné, Desclée de Brouwer Friburgo, 1955, I, p. 456)

Se, pelo contrário, existe a questão de ensinamentos propostos sem essa universalidade e essa constância, de soluções de problemas recentes ainda não generalizadas por parte da Igreja, no qual ela não tem a intenção de envolver plenamente sua autoridade prudencial, então diremos que a magistério os propõe apenas de maneira falível. Se houver assistência infalível aqui, é infalível apenas no sentido impróprio, o que significa que o magistério é assistido, não para cada caso determinado, singillatim, pessoal, mas para a generalidade dos casos, in commune, para o coletivo. É certo, por exemplo, que as decisões da Comissão Bíblica, tomado como um todo, defende o significado autêntico da Bíblia e seu caráter divino, com prudência assegurada.

[...]

10 Pertence, portanto, à classe dos decretos prudenciais falíveis, decretos nos quais a autoridade do magistério neles não se envolve totalmente. Isso estava claro desde o início. No tocante aos decretos das Congregações Romanas, esses podem ser aprovados pelo Papa de duas formas. Primeiro, na forma comum, in forma communi: eles são, neste caso, sem dúvida alguma, um ato da Santa Sé , da qual as Congregações são órgãos, mas que delas emanam diretamente e são emitidos em nome delas. Em segundo lugar, de uma maneira especial, in forma specifica, quando o Papa adota expressamente estes decretos e publica-os em seu próprio nome, usando, por exemplo, as seguintes fórmulas: "Por nossa própria autoridade, de nosso conhecimento certo, na plenitude de nosso apostólico poder". Estes últimos decretos são os únicos em que qualquer questão de infalibilidade prudencial está envolvida (a infalibilidade absoluta não pode ser questionada salvo quando o Papa manifesta a sua vontade de resolver uma questão por uma sentença irrevogável e definitiva) . Ora, os decretos contra Galileo, emitidos em 1616 pela Congregação do Index, e em 1633 pela Congregação da Inquisição, foram aprovados apenas de uma forma comum, in forma communi. A assistência para os quais se pode reivindicar foi, portanto, apenas falível (cf. L. Choupin, op. cit., pp. 70, 79, 166, 173).

(THE CHURCH OF THE WORD INCARNATE (Chapter VII), II, B 2)

Obstat - Potest

 "III. Obediência devida ao poder doutrinal 152. Quando este poder goza da infalibilidade, impõe-se a fé: Deus falou e nos faz o dom de sua verdade. 
Nos outros casos em que a infalibilidade não é garantida, ficaremos nós na incerteza, pensando que os que ensinam estão sujeitos a erro? 
Não: mesmo em circunstâncias ordinárias, Deus não cessa de ajudar à sua Igreja; sem dúvida, não lhe garante sempre o socorro especial duma declaração infalível, reservada às circunstâncias que já especificamos, a fim de mantar a Igreja na unidade da fé; mas Cristo "permanece com sua Igreja, todos os dias, até à consumação dos séculos". Devemos, pois, ter a maior confiança nos nossos pastores. É certo que, como homens, eles podem enganar-se: o Espírito Santo que os assiste em sua missão não se substitui a eles; mas o perigo de erro é muito reduzido, por causa da vigilância sempre atenta da Igreja. Esta submissão humilde e confiante (que não impede, aliás, um senso crítico inteligente) é uma das disposições cristãs mais importantes." (A Igreja nossa Mãe, 1949, p. 234-235)

Joannes Strangius: 

"Papa que fosse herege, erraria na fé como doutor privado, não como Papa. Seja quando o Soberano (Cathedra) ensina; seja quando estabelece uma norma de fé, ambos possuem a plenitude da força doutrinária (...) Papa como doutor privado pode errar na fé, não enquanto Papa - pastor da Igreja." (De interpretatione et perfectione Scripturae. Lib. I, CAP XIV, 97)

Cardeal Newman: 

"Da oposição aos legítimos pastores do rebanho, nenhum bem resulta. Eles são os guardas da doutrina; deverão prestar contas das almas; são responsáveis pelos sofrimentos da Igreja. Jamais terei a tola leviandade de arrancar-lhes esta responsabilidade, com razão ou sem ela. Em relação a eles um só dever me aguarda: assisti-los sempre com minha oração " (cf. alocução de Pio XII aos párocos e quaresmalistas de Roma sobre sua participação no múnus pastoral e sua solicitude em prol de todos os fiéis, 27 de março de 1953, in Pio XII e os Problemas do Mundo moderno, Melhoramentos, S. Paulo, pp. 429-431)

DEVIVIER

"Ao cometerem o mal, tornaram-se eles, quaisquer que sejam os pecadores, desobedientes a Deus e à Igreja, mas a ignomínia das suas ações, SENDO PESSOAIS, em nada afeta a santidade da lei cristã. Às épocas de corrupção, porém, sucederam-se rejuvenescimentos esplêndidos pela volta à prática sincera da religião, sempre santa e pura. Uma coisa, porém, muito digna de NOTAR-SE é que, fosse qual fosse a vida particular de qualquer Papa, NENHUM HOUVE que publicasse algum decreto, CONTRÁRIO A PUREZA DA FÉ e dos costumes; NENHUM ENSINOU nem instituiu coisa alguma, que tivesse em mira justificar as suas desordens. Não se pode certamente afirmar a mesma coisa acerca dos cabeças dos protestantes" (Curso de Apologetica Christã, 3.ª ed., precedido de Carta de Recomendação de São Pio X, quando Patriarca de Veneza, à tradução italiana desta obra. São Paulo: Melhoramentos, 1925, pp. 444-445, § IX. – Os maus Papas).


TEÓLOGOS DEPOIS DO CONCÍLIO

Joaquín AI. Alonso, C. AI. F:

" A autenticidade do magistério da Igreja tem seu fundamento na autoridade comunicada de Cristo; daí que nossa obediência ao magistério seja uma obediência ao mesmo Cristo. Por isso se chama "religiosa", isto é, de tipo "sobrenatural", fundada na fé que prestamos a instituição divina da Igreja. E tem que ser interior, porque se vincula ao mesmo Deus, que penetra os corações; por isso se diz no n. 25 [da Lumen Gentium]: "de vontade e entendimento".
Contudo a distinção entre magistério "infalível" e "autêntico" também afeta a própria ordem da verdade, já que no magistério infalível "nos falamos com uma assistência toda especial" pela que o Espírito Santo assiste a sua Igreja para que, quando proponha algo como definitivo, não possa errar. De outra forma, no magistério meramente "autêntico", o magistério é assistido pelo Espírito Santo somente com uma assistência geral segundo a qual procede "com segurança" nos juízos. Esta segurança afeta, certamente, também a ordem da verdade, mas está dirigida sobretudo a ordem da prudência de governo.
Billot expressou tudo isso com suma claridade, e para confirmar autoritativamente o que acabamos de dizer, traduzimos o seguinte:

"Se distingue entre os decretos nos quais se define infalivelmente uma verdade especulativa, e decretos nos quais se atende a segurança da doutrina sem chegar a definições formais... Promulgar um decreto no qual não se define uma verdade especulativa, mas que se olha a segurança de uma doutrina, não é outra coisa que estabelecer autenticamente que uma doutrina é segura; isto é, está de acordo com a regra de fé, pelo menos com aquela probabilidade que é suficiente para que alguém possa aceitar.."

E Billot segue logo expondo o caso das Congregações Romanas com a mesma claridade:

"Quando as Sagradas Congregações declaram que uma doutrina não pode ser ensinada com segurança, estamos obrigados a aceitar que esta doutrina é não digo errônea ou falsa ou coisa parecida, mas simplesmente "não segura"... E, se declararem que uma doutrina não pode ser negada com segurança, estamos obrigados a aceitar que tal doutrina é não somente segura, mas ainda, enquanto tal, deve ser seguida e aceitada. Contudo, falando com rigor, o que, neste momento não é seguro... pode mais tarde sê-lo, se caso a autoridade competente voltando a discutir a questão e pesadas novas razões tomar outra decisão...
Nem mesmo, falando própria e formalmente, poderia dizer-se que a decisão posterior reforma a precedente, já que não há lugar a reforma...
Posto que o que agora não é seguro, segundo o estado presente das razões, pode mais tarde vir a sê-lo com novas razões..." [L. BILLOT. De Ecclesia (ed 1927) p. 445-47]

Pois bem, pensamos que esta doutrina pode e deve se aplicar ao magistério meramente "autêntico' que este Concílio Vaticano II intenta expressamente exercer."

(Concílio Vaticano II, comentários a Constituição sobre a Igreja, ano 1966, Constituição hierárquica da Igreja, p. 340-341)

Joaquín Salaverri

"Enquanto não contenham afirmações infalíveis, em seu conjunto as encíclicas representam o grau mais elevado do magistério simplesmente autêntico e tem garantia de certa assistência do Espírito Santo, pela qual conserva e a fé e os costumes cristãos." 
(www.mercaba.org/DicEC/S/salaverri_joaquin.htm)


Yves CONGAR

“O fato de [o Vaticano II] não ter ‘definido’ novos dogmas não retira nada de seu valor doutrinal, segundo a qualificação que a teologia clássica dá, de maneira diferenciada, aos documentos que ele promulgou. Alguns são ‘dogmáticos’, eles exprimem a doutrina comum, eles seriam comparáveis às grandes encíclicas doutrinais (que eles citam, aliás, com frequência), SALVO APENAS QUE ELES EXPRIMEM PELA VIA (E PELA VOZ) DO MAGISTÉRIO EXTRAORDINÁRIO O ENSINAMENTO DAQUILO QUE O VATICANO I CHAMOU DE O ‘MAGISTÉRIO ORDINÁRIO E UNIVERSAL’ (DS 3011). Tal é a situação da Lumen Gentium, das partes doutrinais de Dei Verbum, da Constituição sobre a liturgia e da Gaudium et Spes, assim como também de vários ‘decretos’ e da declaração Dignitatis Humanae Personae. Outros textos ou partes desses mesmos documentos são de natureza mais puramente ‘pastoral’, ou seja, eles dão, conforme a prudência sobrenatural dos pastores reunidos em concílio, diretrizes em matéria prática.” (Le concile Vatican II. Son Église, Peuple de Dieu et Corps du Christ [O concílio Vaticano II. Sua igreja, Povo de Deus e Corpo de Cristo], Paris: Beauchesne, 1984, p. 64, destaque meu.)

Frei Boaventura KLOPPENBURG:

“No n. 25 da Lumen Gentium ensina o Concílio que os Bispos enunciam infalivelmente a doutrina de Cristo quando se realizam conjuntamente as seguintes condições: 1) Devem ensinar em comunhão com o Papa e os demais membros do Colégio; 2) devem ensinar ‘authentice’, isto é: ‘ut testes fidei’, segundo a explicação do Relator; 3) devem ensinar sobre assuntos de fé e moral; 4) devem concordar numa sentença (‘in unam sententiam conveniunt’); 5) devem propor a doutrina ‘tanquam definitive tenendam’. E acrescenta o mesmo n. 25: ‘Isso ainda aparece mais claramente quando, reunidos em Concílio Ecumênico, são mestres e juízes da fé e moral para toda a Igreja’. Ora, todas estas condições se realizam plenamente no caso da própria Constituição Lumen Gentium; logo, nesta Constituição, doctrinam Christi infallibiliter enuntiant. Entretanto esta conclusão não vale sem mais para todos os enunciados do documento conciliar, mas apenas para as doutrinas que são propostas data opera e como doutrina de Cristo. [...] [São] ‘infalivelmente doutrina de Cristo’, isto é: verdade de fé (não solenemente definida, mas autenticamente ensinada pelo Supremo Magistério da Igreja; esta distinção será logo mais explicada), [...] os ensinamentos positivos da Constituição: será necessário apenas verificar de cada vez se tal doutrina é de fato ensinada data opera e proposta ut doctrina Christi. Confirmadas estas duas condições (pois as outras condições, no caso presente dos documentos do Vaticano II, não faltam), estamos diante de verdades que teologicamente devem ser qualificadas como ‘de fide’ (no sentido explicado). À mesma conclusão chegaremos à luz do ensinamento de Pio XII na Constituição Dogmática Munificentissimus Deus, pela qual se definiu em 1950 como verdade de fé a Assunção de Nossa Senhora. Antes deste solene documento o Papa perguntara a todos os Bispos do orbe se julgava que a Assunção era uma verdade revelada e, portanto, definível. E quando Pio XII verificou que a resposta era afirmativa, concluiu que se tratava de uma verdade de fé e, por conseguinte, que ela poderia ser solenemente definida. Eis o raciocínio do Papa da Assunção: ‘Itaque ex ordinarii Ecclesiae Magisterii universali consensu certum ac firmum sumitur argumentum, quo comprobatur corpoream Beatae Mariae Virginis in Caelum Assumptionem… veritatem esse a Deo revelatam, ideoque ab omnibus Ecclesiae filiis firmiter fideliterque credendam.’ [‘Por isso, do consenso universal do magistério ordinário da Igreja, extrai-se um argumento certo e firme, para demonstrar que a Assunção corpórea da Bem-aventurada Virgem Maria ao Céu... é uma verdade revelada por Deus, e portanto deve ser crida firmemente e fielmente por todos os filhos da Igreja.’] Note-se: antes de ser solenemente definida por Pio XII, a Assunção já era uma verdade de fé (não definida) porque ensinada pelos Bispos do mundo inteiro segundo as cinco condições do n. 25 acima lembradas. Ora, estes mesmos Bispos do mundo inteiro estavam agora reunidos no Concílio. Ainda que tenham a intenção expressa de nada querer definir solenemente, mesmo assim, quando ensinam, não deixam de ensinar como mestres e juízes autênticos da fé reunidos em solene e universal assembleia, isto é: não deixam de ser a voz do magistério ordinário e universal e supremo e solene da Igreja. Em teologia costuma-se distinguir entre verdade de fé simplesmente e verdade de fé solenemente definida. A função específica do Magistério é ensinar autenticamente (isto é: com autoridade, como guardião, mestre e eventualmente juiz da verdade revelada ou com ela conexa); a modalidade ‘solene’ deste ensinamento é de per si acidental [...]. Em outras palavras: o Magistério ensina necessariamente ‘verdades de fé’, não necessariamente ‘verdades de fé solenemente definidas’. Nos primeiros séculos cristãos, antes de Niceia, havia verdades de fé, mas não havia verdades de fé solenemente definidas. Havia fé porque havia um Magistério vivo. Depois fomos habituados a receber do Magistério ensinamentos e condenações formalmente solenes. Os argumentos acima expostos nos convenceram que as doutrinas data opera propostas como doutrina revelada pela Constituição Lumen Gentium são realmente ‘verdades de fé’; pergunta-se agora: seriam também verdades de fé solenemente definidas? De per si, para nossa atitude subjetiva de sujeição e aceitação, para o nosso ato de fé, esta questão é acidental.” (Introdução Geral aos Documentos do Concílio, em: Compêndio do Vaticano II: Constituições, decretos, declarações, coordenação geral de Frei Frederico Vier, O.F.M., 4.ed., Petrópolis: Vozes, 1968, pp. 5-36, cit. nas págs. 27-30.)

L. Bouyer: 

"A própria graça assegurada ao magistério da Igreja não é de nenhuma maneira a de substituir por uma revelação nova o que foi dado de uma vez para sempre, mas pelo contrário, a de não apartar-se nunca nem deixar os fiéis se apartarem do verdadeiro sentido desta. (...) A assistência divina garante que a hierarquia não perverterá jamais para a Igreja o sentido profundo destes documentos sagrados" (Dicionário de Teologia, 1990, "Magistério eclesiástico", p. 419)

Obs: Esta coletânea sempre contará com acréscimos.

 

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