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Em defesa de Dom Williamson, o farol da Ortodoxia


"O caos do mundo moderno é culpa exclusiva dos judeus, só deles, tão somente deles e de mais ninguém!" 

Agora que o bispo Williamson caiu fora da SSPX, é provável que se  junte a um grupo sedevacantista [ Excelência, agora é o momento oportuno, declare a vacância! - É o coro dos sedes neste momento ] ou formando a sua própria Fraternidade com os revoltosos anti-acordos. Foi ele quem questionou a canonização de São Josemaría argumentando que o Papa já não tinha domínio de suas faculdades mentais.

Williamson proporciona para os defensores da ruptura é apenas uma masturbação mental. O que eles tem contribuído para findar a crise? O que Williamson tem feito para findar a crise? Ele apenas tece suas críticas repetindo os mesmos clichês de sempre "Conciliar, Maçonaria, NeoFSSPX etc",  e seus defensores se masturbam mentalmente regozijando do prazer das palavras desse homem que se coloca como o salvador da fé católica apenas escrevendo e eles como guardiões apenas ouvindo. É uma forma de fortalecimento "da fé" uma vez que a maioria desses guerrilheiros nem tem a Missa Tridentina nem uma atmosfera do catolicismo tradicional fora do mundo virtual.

 Agora, nós que com a graça de Deus possuímos a Santa Missa tradicional todo domingo que nos sustenta com a graça santificante, trabalhamos para a ressacralização da sociedade e dos muros internos da Igreja na prática, belíssimo exemplo são as comunidades Ecclesia Dei  presente em não sei quantas dioceses do planeta, a nova geração de seminaristas e padres jovens que amam o rito tradicional e lutam para a sacralidade do Novus Ordo [ que é a porta de entrada para a Reforma da Reforma, o retorno da Missa Tridentina com elementos positivos da Missa Nova ] e da morte gradual da TL e de correntes progressistas. Passo a Passo, tijolo por tijolo.

E com a SSPX em nosso meio só irá reforçar a nossa batalha. Foram 50 anos de destruição pela má aplicação do Concílio e o que os nós, tradicionalistas com Roma fazemos é a sua reta aplicação, trabalho inicado desde então pelo Cardeal Otavianni e seguido pelos bispos que ao contrário da década de 70/80 hoje um bom número do episcopado está ao lado da Tradição.

Quando a pessoa está em um grupo em que se dedica a alguém (ou mesmo àquele alguém específico) é bem visto de alguma forma. Isso influencia bastante. Nessa posição eles mantém para ver entre si quem é o mais "fiel a doutrina". Tal força dessa fidelidade tradô-williamsona vem de alterações quantitativas dos fenômenos psíquicos, capazes de produzir sofrimento e prejuízo na maneira que o tradô se relaciona com o mundo.  

Vejamos por exemplo, a questão do Motu Proprio Summorum Pontificum. Os tradôs desdenham desse documento que deu o ponta pé inicial da difusão da Missa tradicional ao mundo alegando desnecessidade do mesmo por haver a Bula Quo Primum Tempore que daria plenos direitos de celebração a qualquer padre para sempre. Sendo que quando pediam a Missa para seus bispos e párocos, alegavam o dever do clero para o comprometimento... do Motu Proprio. Nunca vi em suas petições formais a fúria e a "fidelidade a doutrina" que tanto arrotam em seus blogs.

Interessante mencionar a questão da linguagem em documentos disciplinares da Igreja é. É verdade que a Bula diz "pra sempre" e coisas do tipo, era costume da época. Nessas coisas um Papa não pode obrigar um igual seu (seus sucessores). O melhor exemplo é o breve papal que suprimiu a ordem jesuíta. Lá dizia a mesmíssima coisa, que os jesuítas estavam extintos para sempre, mas aí veio outro papa e restaurou a ordem. 

Ansiedade, angústia, sentimentos depressivos, idéias com tendência obsessivas, teatralidade, medo, são acontecimentos psíquicas normais, mas nos tradôs elas estariam exageradamente alteradas pela petição negada da Missa pelos seus bispos. Expor com raiva a frustação e ser alimentado por ideais que os mantém na posição [ é o caso da masturbação mental ] é a base que faz essas pessoas permanecerem "fiéis a doutrina".

Essa "fidelidade a doutrina" expõe uma deficiência doutrinal muito severa cuja relação com as pessoas com as quais conviveram e convivem podem contribuir de modo decisivo para que repertórios muito problemáticos sejam selecionados justamente em contextos ocorridos nessas relações. Exemplo: Quando Dom Fellay - penhor da confiança católica até antes por eles - catequiza sobre a liberdade religiosa sob a luz do ensinamento bimilenar da Igreja dando o reto assentimento para o que quer dizer a Dignatatis Humanae, a dúvida sobre a adesão do contexto contrário do que sempre foram doutrinados a acreditar permeia porque o que os movia na segurança dessa "fidelidade" na produção mental era a radicalidade e palavras ásperas que sempre ouviram sobre essas questões. 

Podemos nos tornar capazes de agir de modos muito diferentes de como vínhamos agindo, sem repetir escolhas que vinham nos trazendo sofrimento, escolhas estas cuja determinação, até então, era-nos muitas vezes totalmente inconsciente.

"Não retomarei as razões pelas quais lhes dei essa fórmula, mas estejam certos dela, e tomem-na como uma fórmula chave, como uma pequena passarela que, a um toque da mão, os levará ao andar certo, mesmo que vocês não entendam nada, e é muito melhor que não entendam nada".

Os três tempos do Édipo (II), in O Seminário, livro V – As Formações do Inconsciente, p. 218"


As circunstâncias que separam da comunhão com a Igreja são quatro: a heresia, o cisma, a apostasia e a excomunhão.

Defendemos a FSSPX que está sob o comando de Dom Fellay que caminha rumo à regularização

A FSSPX não é herética, nem apóstata, pois mantém tudo aquilo que é de fé divina e católica;

A FSSPX não é cismática, pois não recusa a sujeição ao Pontífice, nem a comunhão com os fiéis a ele sujeitos;

A FSSPX não é excomungada, pois a excomunhão não se aplica a um grupo, e aqueles que estavam excomungados, ou estão mortos ou tiveram a pena retirada (a morte também anula todas as penas).

Logo, por que a FSSPX não seria católica? Ela é, sim, católica. Ela não mantém ainda uma comunhão canônica perfeita, mas essa falta de comunhão não é com respeito à fé que todos devem ter para permanecerem católicos, e sim com respeito à doutrina católica ensinada pelo Magistério autêntico nós últimos decênios.

Quando um concílio ensina com a máxima autoridade é magistério extraordinário. Magistério ordinário infalível é quando os bispos, dispersos, agem como se estivessem em concílio, ensinando a mesma doutrina, com a máxima autoridade.

O Concílio Vaticano II é magistério extraordinário onde ele usa de sua máxima autoridade para reafirmar os dogmas (a nota na "Lumen gentium" diz que o concílio só define o abertamente declara como de fé), e magistério ordinário, no ensinamento universal da doutrina com os bispos e o Romano Pontífice

Para os tradôs independentes Sem Roma nem SSPX, pouco importa se Willamson é sedeplenista, sedeprivacionista ou sedevacantista. O que importa é que ele é "fiel a doutrina". Não adianta apresentarmos argumentos com o ensino tradicional católica para dar continuidade nos textos conciliares. O que eles determinam como certos é aquilo que foram doutrinados a acreditar e ponto. 

Exemplo clássico, foi primeiramente de um artigo publicado em que, levado pela premissa a honestidade intelectual e o desejo árduo pelo encontro da Verdade pela sedevacantista em questão "Meany Ranheta", o oponente católico "Pequeno Príncipe" usou tão somente a Doutrina Católica e o Magistério da Igreja para quebrar os argumentos da Meany, e o que aconteceu? A resistência sem precedentes. 

O "Pequeno Príncipe", um dos melhores apologetas que já conheci e colaborador do Blog, articulou um excelente texto sobre a questão da Igreja santa e sempre necessitada de purificação‏ 

em que só teve como expoente a Sã Doutrina e o mesmo foi lido por dois sedevacantistas que tiveram a mesma reação da "Meany" .

O primeiro foi "Peter Griffin":

Exatamente por causa disso que sou sedevacantista, meu caro: os graus de infalibilidade da Igreja mo (?) exigem tal posicionamento. Aliás... quem voltou a colocar na berlinda internética essa questão, fomos nós. Os senhores ficaram por dentro dessa por nossa causa - coisa que é demonstrável cronologicamente. 

Espero que tenha sido claro o suficiente para que entendas o quanto estou "aberto" aos seus "argumentos" sobre a Igreja "santa e pecadora".

Rogando por sua conversão e salvação,

despeço-me em JMJ,

Peter Griffin

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T.E.P.E.A.P.T.R.


O segundo foi "Roger": 

Quanto ao seu texto, dando uma passada de olhos somente, sem tempo ou disposição de lê-lo detidamente, três coisas me chamam a atenção:

A primeira é quando você escreve:  "Convém ao fiel ter a sensatez de interpretá-la no sentido católico. P. Rahner dividia bem a questão, admitindo que Ela possa chamar-se “pecadora”, porém apenas “em seu corpo da carne, em sua forma “histórico-temporal” (Kirche der Sünder 12-20. Véase Dejaifve, art.cit. em bibli.). "

Como assim? Mas o Pe. Rahner é um herege. (O Pe. Cornelio Fabro, em carta a Mons. Journet, que atacara Rahner, não hesita em apodar Rahner de "gnóstico"!) E essa explicação de Rahner é igualmente herética, ou no mínimo gravemente errônea. Não, nossa Santa Madre Igreja NÃO é "pecadora em sua forma histórico-temporal"!

O que nos traz ao segundo ponto: sua interpretação da doutrina de Santo Tomás de Aquino sobre a questão está incompleta e, assim, falseia-lhe o pensamento, de modo a aproximá-lo absurdamente de Rahner!

Por favor, tenha a bondade de ler a seguinte explicação deste ponto, feita em dezembro de 2009 no blogue do Jorge Ferraz, com citações do Doutor Angélico em apoio: http://www.deuslovult.org/2009/12/09/a-purificacao-da-igreja/comment-page-1/#comment-15267

Por fim, você verá também nesse link que a interpretação que Joseph Ratzinger dá a esse trecho do Vaticano II, em livro reeditado recentemente com novo prefácio de Bento XVI, não coincide com a sua interpretação, meu caro Princípe...

Para concluir, deixo-lhe em pós-escrito, logo abaixo, três citações para sua meditação, Principe, de autoria do Sr. John S. Daly acerca do Dr. Brian W. Harrison, que tentou fazer algo semelhante ao que você vem tentando fazer no seu blogue: troque o nome "Harrison" pelo seu, Pequeno Príncipe, e onde ele fala em "liberdade religiosa" leia "santidade da Igreja" (ou qualquer outro ponto do Vaticano II que você esteja defendendo), e veja se não caem como uma luva!

Atenciosamente,

Em JMJ,

Roger


P.S. Os três excertos:


1) De: John DALY, Comentários esparsos sobre interpretação e docilidade ao Magistério, 2006-2007, http://wp.me/pw2MJ-Oy 


[...] Vós me dais razão.
Eu afirmo que, para salvar o concílio Vaticano II como concílio católico, é-se obrigado a tratá-lo como outra coisa que não um concílio católico.
E é exatamente o que vós advogais fazer.
Para todo outro concílio, o católico aproxima-se dos textos promulgados a fim de aprender deles as doutrinas em que deve crer.
Para o Vaticano II, cumpre aproximar-se dele sabendo de antemão o que se deve crer, e pôr o texto no leito de Procusto a fim de torná-lo conforme ao que se deve crer.
É heroico, mas não é a docilidade ao Magistério.
Notai ainda que o Abbé Harrison, que anunciou triunfalmente a reconciliação de Dignitatis Humanae com a doutrina tradicional, teve o desgosto de ver “o Vaticano” continuar a interpretar Dignitatis Humanae segundo as palavras desta e não segundo os pios desejos de seu intérprete.
Quando alguém se vê salvando a Igreja, ao invés de ser salvo por ela, é que não é a Igreja o que se está salvando: é outra coisa!
2) De: J. S. DALY, Liberdade Religiosa. O Dr. Brian Harrison e a tentativa de absolver o Vaticano II de erro, 2006, http://wp.me/pw2MJ-12r 


[...] Qualquer homem do povo entenderia o texto do Vaticano II como evidentemente oposto ao ensinamento dos Papas de Gregório XVI a Pio XII. Foi assim também que personalidades tão diferentes quanto o Arcebispo Dom Lefebvre e João Paulo II o entenderam. É também este o julgamento recebido dos especialistas em direito internacional, sejam católicos ou não. O Dr. Harrison, contudo, não quer aceitar isso, porque ele pode ver que isso leva diretamente à conclusão de que a Igreja do Vaticano II não é a verdadeira Igreja de Cristo. Todavia, ele malogra em enxergar que a sua interpretação textual alternativa não escapa dessa conclusão – ela meramente a alcança por um itinerário diferente. O Vaticano II exige-nos que acreditemos numa Igreja que faz nova doutrina diferente da antiga. Ao invés dessa heresia, o Dr. Harrison convida-nos a crer numa Igreja cuja doutrina deve ser descoberta por especialistas não autorizados, após vinte anos de estudo, como sendo algo que o episcopado inteiro não percebeu que era, e algo com que esse episcopado, de fato, discorda. A Igreja dele é uma em que os católicos que aceitam a verdadeira doutrina fazem-no somente fundados em ensinamento pré-conciliar, na crença de que o Vaticano II errou ou prevaricou. Daí que, para o Dr. Harrison, nenhum católico que queira saber o ensinamento da Igreja sobre a liberdade religiosa pode com segurança consultar o ensinamento do mais recente concílio geral sobre o tema. Um católico só pode permanecer ortodoxo sobre os direitos e deveres religiosos do Estado rejeitando a regra próxima da Fé como regra utilizável. Mas esta não é uma descrição da Igreja Católica tampouco, pois o Papa Pio XI ensinou:
“Jesus Cristo enviou Seus Apóstolos pelo mundo todo, para que eles pudessem permear todas as nações com a fé evangélica, e, para que não errassem em nada, quis Ele que antes lhes fosse ensinada toda a verdade pelo Espírito Santo: acaso esta doutrina dos Apóstolos faltou inteiramente, ou foi alguma vez obscurecida, na Igreja cujo regente e guardião é o mesmo Deus? Dado que o nosso Redentor afirmou claramente que Seu Evangelho perduraria não apenas para o tempo dos Apóstolos, mas também inclusive nas futuras épocas, pode o objeto da fé tornar-se de tal modo obscuro e incerto, que hoje seja necessário tolerar opiniões que são até mesmo incompatíveis umas com as outras?… Mas o Filho unigênito de Deus, quando ordenou a Seus representantes que ensinassem a todas as nações, obrigou todos os homens a dar fé ao que lhes fosse anunciado por ‘testemunhas pré-ordenadas por Deus’, e também confirmou Sua ordem com esta sanção: ‘Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado.’ Esses dois preceitos de Cristo, o de ensinar e o de crer, não podem ser entendidos a não ser que a Igreja proponha um ensinamento completo e facilmente entendível, e seja imune quando ensina, assim, a todo perigo de errar. Nesta matéria, afastam-se igualmente do reto caminho os que pensam que o depósito da verdade existe em algum lugar… mas que descobri-lo exige um trabalho tão difícil, com tão longos estudos e disputas, que a vida de um homem mal seria suficiente para encontrá-lo e possuí-lo.” (Mortalium Animos)
Agora, em face de todos esses fatos evidentes, se vê que qualquer alegação de continuidade doutrinal é absurda. O exame detalhado da letra miúda dos textos é um louvável exercício polêmico para especialistas, mas não é de modo algum necessário, nem mesmo apropriado para a maioria dos católicos. A escolha entre a autêntica fé católica e a nova religião é absoluta. 
3) De: John S. DALY, A Crise Impossível, 2002,  http://wp.me/pw2MJ-6C 

[...] Não posso mencionar esse tópico sem alguma alusão aos esforços engenhosos do Dr. Brian Harrison em mostrar que a doutrina do V2 é, na realidade, compatível com o ensinamento infalível que ela aparenta contradizer. Eu ressaltaria que, até onde eu sei, o Fr. Harrison é o primeiro homem na história do Cristianismo que julgou necessário escrever um longuíssimo livro acadêmico alegando demonstrar que, apesar das reconhecidas aparências, o ensinamento de um dado concílio geral pode de fato – com enorme esforço – ser interpretado de um jeito que talvez seja mais ou menos compatível com a doutrina católica!

Seria rude não admirar os esforços do Dr. Harrison. A mim, sabem a verdadeiro heroísmo. E partem do sólido princípio de que – Harrison sabe tão bem quanto eu – sem uma tal reconciliação, a Igreja Conciliar desmorona no chão em detrito e ruína.
Mas era uma tarefa desenganada já desde o início. Que uma obra dessa pudesse ter sido considerada necessária já era prova de que o Vaticano II não foi realmente um concílio geral da Igreja Católica. Harrison estica os antigos ensinamentos pré-Vaticano II o máximo que ele consegue numa direção liberal e estica a doutrina do Vaticano II o máximo que ele consegue na direção do Catolicismo, e se convence de que fez as duas pontas se encontrarem. Não fez.
Ele não fez, porque, em ambos os casos, a interpretação dele é peculiar a ele próprio. E, em ambos os casos, todo o mundo exceto ele entendeu e supôs o oposto. Até o Vaticano II, por exemplo, os Papas insistiram enfaticamente no dever das nações de professar a Fé verdadeira e repreenderam asperamente qualquer nação outrora católica que malograsse em o fazer. Desde o Vaticano II, porém, os novos “papas” insistiram, pelo mundo inteiro, que toda nação outrora católica deveria remover de sua constituição todo sinal de posição privilegiada para a Fé verdadeira. E eles despiram a liturgia da Igreja de toda alusão (e havia muitas) ao dogma de que Cristo deve reinar não somente sobre as almas dos indivíduos mas também sobre os estados e instituições. Devemos crer realmente que tudo isso dizia respeito somente a uma questão de conveniência política? No que as circunstâncias políticas em todas as nações mudaram tão radicalmente entre 1958 e 1963 que aquilo que era antes grave dever tornou-se, da noite para o dia, grave pecado?
Devemos realmente crer que Pio IX enganou-se sobre o verdadeiro significado e aplicação da Quanta Cura e precisava que o Dr. Harrison lha explicasse? E que João Paulo II enganou-se sobre o verdadeiro significado do Vaticano II e precisava de Harrison para lho explicar? E, se João Paulo II aceita a versão Harrison da liberdade religiosa ao invés das heresias de John Courtney Murray, quando ele vai mostrar algum sinal disso?
AMDGVM, Roger


A réplica:


Apesar de honrado foi meio inesperado receber sua resposta, caro Roger. Pensava que vociferariam vários tradôs sem argumentos. Mas, veja o que acontece, chega-me uma pessoa que mantém as mesmas posições doutrinárias contrárias ao Concílio das quais os tradôs defendem, contudo, ao invés de chegar a mesma conclusão, ou seja, que a Santa Sé está em erro e que o Magistério pode emanar heresias, infere que a Sé está vacante, pois a primeira opinião não poderia se sustentar. 
Quanto ao envio do texto eu justifico seu uso de uma maneira bem mais elevada do que simplesmente dizer algo do tipo “não cairia bem meu nome aí aparecendo, fazendo com que as pessoas da lista pensem que eu não tive resposta”.
Minha sanha foi justamente forçá-los a entrar. Então, se de algum modo eu os irritei, esse era o meu objetivo. Seguindo as palavras de Santo Agostinho:
Que os hereges sejam tirados das sebes, sejam extraídos dos espinhos. Presos nas sebes, não querem ser coagidos [cogi]: “Entraremos quando quisermos.” Mas esta não é a ordem do Senhor. Ele disse: “Force-os a entrar.” Use a compulsão lá fora de modo que a liberdade possa surgir lá dentro.” (Sermones, extr. Garry Wills, Santo Agostinho, pág. 124-5)
Acredito que a partir dessa explicação toda questão moral é resolvida já que como o mesmo Santo diz: “Ame, e faça o que quiseres."
De agora passo para as respostas.
Você começa dizendo que leu minha matéria com muita pouca vontade e interesse. Não era necessário dizê-lo, saberia na continuação de sua réplica. Uma pessoa que lesse atentamente tudo o que escrevi não usaria seus contra-argumentos.
Após dizes: “Como assim? Mas o Pe. Rahner é um herege. (O Pe. Cornelio Fabro, em carta a Mons. Journet, que atacara Rahner, não hesita em apodar Rahner de "gnóstico"!)”Quanto a isso, eu nem precisaria entrar no mérito. O termo “fiel” não remetia Pe. Rahner, daí não fazer sentido sua arguição. Também Rahner escreveu isso muito antes do discurso do Papa, então é óbvio que ele não era o fiel na referência. O que daquele momento eu desenvolvia era a explicação para o discurso, baseando-me também em Rahner (que apesar de ter sido progressista não significa que não tenha certas contribuições). Quem o cita também é a “Teologia Fundamental para leigos” do Francisco de B. Vizmanos e Ignacio Riudor, na pág. 888. Ora, essa obra foi publicada pela Biblioteca de Autores Cristãos no ano de 1963, sob presidência do Bispo Francisco Barbado Viejo. Uma citação pode revelar por si só heterodoxia?
Na página citada na sequência lemos:
“Seguramente a explicação destas diferenças, mais aparentes do que reais, a nosso juízo, a falaremos nas diversas acepções com que pode se tomar a palavra “Igreja”. É claro que não se pode falar da “Igreja pecadora”  se entendemos por Igreja todo o divino dela: Cristo, sua cabeça, o Espírito Santo, sua alma, o depósito da fé, os sacramentos, os poderes apostólicos. Mas poderemos falar da “Igreja pecadora” enquanto seus membros, parte material essencial dela, são de verdade “Igreja” e enquanto os pecados e deficiências dos que Deus pôs como chefes do povo de Deus, que é a Igreja, se atribuem a mesma Comunidade do povo, a maneira que hoje falamos do egoísmo da classe burguesa, das injustiças do Ocidente, etc.” (pág. 888, parágrafo terceiro)
Veja que é também nessa obra que baseei meu artigo. Ou seja, fala-se num sentido plenamente católico, quando se considera a acepção de Igreja como membros tão somente (como fez Pio XII cf. AAS 38 (1946) 149). Não é no sentido completo.  Nego, então, sua exclamação. Mas nesse item eu não disse que era isso que o Concílio quis explicar. Leia a parte “Resposta Preliminar” e “Conclusão” que verás. Aqui não irei repetir. O que eu quis dar sentido no momento foi o discurso do Papa João Paulo II, não o Concílio.
Também não falseei Santo Tomás, nos dois trechos que postei ele é claro. Uma santidade a Igreja ainda atingirá, outra já agora possui. Foi explícito: “A Igreja gloriosa, sem mancha nem ruga, é o último fim ao que somos conduzidos pela paixão de Cristo”. Eu já tinha lido seu comentário no blog do Jorge. Santo Tomás no trecho postado fala que falta um estado imaculado por razão da debilidade humana (cf. Ad Ephesios, V, 27; eu peguei dos comentários mesmo) . O que significa tudo isso se não que o Concílio estava certo, a Igreja tem uma santidade imperfeita? É o mesmo que disse Michael Schmaus na obra citada no artigo (cf. Teologia Dogmática, IV A Igreja, p. 609, Madrid, 1960):
“Contudo, enquanto a santidade da Igreja seja obscurecida pelos pecados de seus filhos, irrompe continuamente com luminoso esplendor e através da treva no amor pronto o sacrifício de seus membros. E assim é certo que a santidade perfeita é um bem futuro, mas a imperfeita é um bem presente e atual. Quando a Igreja diz que alguns de seus filhos, que viveram santamente dentro da história e agora estão na plenitude (canonização), não se trata de palavras vazias, mas de uma fiel reflexão da realidade (vol. I, § 11). 
Se livros do Papa Bento XVI não são atos do Magistério, mas julgamento dele como doutor privado, que dirá reedição de livro escrito quando ele ainda atendia por Joseph Ratzinger.
Veja o que ele diz no Prefácio de seu livro Jesus de Nazaré:

"Creio que não é necessário dizer expressamente que este livro não é em absoluto um ato magisterial, mas a expressão de minha busca pessoal do «rosto do Senhor» (salmo 27, 8). Portanto, cada um tem liberdade para contradizer-me. Só peço às leitoras e aos leitores uma antecipação de simpatia, sem a qual não existe compreensão possível." Não acho que a interpretação que ele dá em "A Introdução ao Cristianismo" seja satisfatória para fazer valer ao trecho da Lumen Gentium, mas mesmo assim ela não é herética por motivos já expressos.

Quanto aos textos do Sr. John S. Daly quis ele negar que devemos nos ater à interpretação conciliatória, mesmo que seja ela menos provável (num julgamento humano)? Você que conhece mais Dogmática do que eu, responda- me: não ensinam os teólogos que qualquer possível erro do Magistério deve ser considerado remoto? E que, ao contrário do que diziam os progressistas, não devemos negar o Magistério por questão de probabilidade? Se até o momento aquilo que leio são documentos magisteriais não deve ser essa minha atitude?

Então qual seria o problema quando eu,  Dr. Brian W. Harrison ou Pe. Bernard Lucien encontramos essa possibilidade e nos agarramos a ela? Não era essa conduta que deveria ter qualquer católico? Não era isso que você deveria fazer caso não pensasse que são erros evidentes? Peguemos para exemplo o Papa Pio XII. Sua questão quanto a tortura (onde disse que vai contra os direitos humanos) (cf. discurso de 1953 ao congresso de direito penal); laicidade legítima (Discurso de 23 de Março de 1958); elogios graciosos aos judeus; dizeres no sentido que a sociedade passa a tomar consciência de seus direitos (cf. Benignitas et humanitas); a permissão de oração com hereges nos encontros ecumênicos (pai nosso e outras orações da Igreja) (Santo Ofício 1949); a modificação do breviário Romano, que segundo Pio V deveria ser "perpétuo"; dizer que a doutrina de Bonifácio VIII era condicionada e já estava ultrapassada ou também o que dizia de Leão XIII sobre a Immortale Dei (cf. Vous Avez Voulu);  dizer que a matéria do sacramento da ordem consiste na imposição das mãos (cf. Sacramentum Ordinis) , etc. 

Tudo isso não pode causar séria perplexidade num primeiro momento? É claro que todas as questões aí levantadas podem ser resolvidas, mas um "simples camponês" poderia enxergar várias contradições evidentes. Ora, nem tudo no Magistério é de compreensão rápida, por isso, até a falta de assentimento a um ponto acidental do Magistério é deixada, ao ver de muitos, ao cargo apenas dos doutos teólogos. É esta a visão que mantenho sobre o Concílio, ao mesmo não negando que a vacância seja possível.

Em Cristo,

Pequeno Príncipe.

Até a presente data, não houve resposta. 

E é esse o perfil de Williamson e de seus seguidores: arrogância, soberba e apatia pelo convencimento da força do argumento simplesmente porque não querem a Verdade, apenas estarem certos. 

Como é quase certo dele ter sua guarita no Brasil, não vai faltar além da honra e glória prestadas uma coroação com Tiara Papal com o seguinte texto grafado em ouro: conflatilem et adoraverunt atque immolantes ei hostias dixerunt isti sunt dii tui Israhel qui te eduxerunt de terra Aegypti.


PARA CITAR ESTE ARTIGO:

 
Em defesa de Dom Williamson, o farol da Ortodoxia http://twixar.com/SPc0 David A. Conceição, outubro de 2012, blogue Tradição em Foco com Roma.


CRÍTICAS E CORREÇÕES SÃO BEM-VINDAS:

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