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Novela Lado a Lado e a escravatura brasileira no período pós-abolicionista

A atual novela das 18hs, Lado a Lado, é ambientada no Rio de Janeiro de 1906  tem uma fotografia ótima e uma trama interessante. Destaque do enfoque que a produção tem dado à vida dos capoeiras, ex-escravos e descendentes dos mesmos, todo o preconceito que eles passavam, entre outras questões mais clichês (costumes patriarcais, nobrezas saudosas da época do império).

O bairro Gamboa -  local que foi destruído e onde os negros tinham seu cortiço - ainda existe, ele é localizado na Zona Portuária da cidade. 

É interessante, em época de discussão de cotas raciais, uma produção que aborda e discute questões envolvendo as primeiras gerações de negros pós-abolição. Há a curiosidade em saber como alguns negros, que não tinham facilidade e oportunidade em nada, ficaram ricos tão logo foi decretada a abolição. Muitos construíram grandes riquezas, já antes do início do século XX.  

Sabemos que logo após a abolição muitos negros passaram por enormes dificuldades, pois com isso deixaram de ter a alimentação e moradia garantidas. Ficaram mal vistos e eram marginalizados perante a sociedade.  

Há alguns erros históricos, por exemplo, mostrar que samba era coisa de negros, quando se sabe que Os Oito Batutas cantavam na Europa, em Paris, trajados de terno e gravata, até um embaixador americano os admirava, claro que era uma música bem diferente da atual, mais para marcha, quando antigamente era misturado com o maxixê...

Falando em pós-abolição. Não precisaríamos de cotas caso a integra da lei Aurea não fosse vetada pelo parlamento.


O aviso de homens como José Bonifácio, ainda em época de fundação do império,  e de tantos outros posteriores (Joaquim Nabuco, por exemplo) era bastante claro. Era necessário conceder cidadania a uma raça inteira que serviu a este país. Não era um grande problema e tampouco uma tarefa custosa, mas só não aconteceu porque se tratava de um pedido que desafiava certos dogmas da ciência da época e levava ao último limite a ética e a moral da maioria dos brasileiros daqueles tempos (segunda metade de século XIX e início do XX). 

O moçambicano, o angolano ou o nigeriano vinha parar no Rio de Janeiro escravista, aprendia a língua e a religião do português e comprava um escravo não porque ele amava ter escravos, falar português e rezar para Jesus Cristo, mas sim porque ele queria sobreviver. 

Alguns negros, por alforria, enriqueciam com a mineração, adquirindo escravos para seus serviços. Foi uma prática comum, mas foram poucos os escravos que conseguiam alforria.

Até Zumbi tinha escravos.

Mas era sim uma prática absolutamente comum aos negros alforriados que conseguiam algum dinheiro, comprar e manter escravos.

Quanto ao fato do governo querer institucionalizar o racismo no país, é um grande retrocesso. Realmente lamentável. E o pior, é que essas ações são sempre travestidas de boas ointenções para enganar alguns incautos.

É a grande tática da esquerda: dividir para governar. Divide-se a sociedade em classes, tais como operários x empregadores, pequenos x grandes produtores, brancos x negros, pobres x ricos...

A escravidão não foi sedimentada sobre a ideologia racista. O racismo é um fenômeno histórico que surgi no final do século 19. É de se ressaltar que o europeu não ia para o interior da áfrica para caçar escravos, pois esse trabalho era feito pelos próprios africanos.

Na áfrica a escravidão já era uma instituição consolidada antes mesmo dos europeus adentrarem o seu território. Muitos conseguiam seus escravos nas guerras, alguns eram vendidos pelos seus familiares em períodos de seca ou eram trocados por alimentos. Muitos homens livres vendiam sua liberdade em buscar de proteção e condições melhores de vida. Nesse ponto os escravos estavam associados à grandeza e as riquezas dos reinos africanos e constituía um monopólio desses reinos. Aliais esse comercio para áfrica era tão bom que a escravidão em colônias portuguesas só teria seu fim em 1875 por um decreto imposto por Portugal e seria ferrenhamente combatida pelos africanos que em alguns caso não queria o fim da escravidão.

A maioria das tentativas por parte dos europeus de controlar a fonte desse comercio foi rechaçada por partes dos senhores africanos. Será associação dessa instituição mais a mentalidade mercantilista européia que iria dar uma dimensão grandiosa a essa empresa bastante lucrativa. A escravidão é a molar motriz que reforça o caráter aristocrático da sociedade colonial, reforçando assim as diferencias sociais que devia ser mostrar evidente. Isso não impedia que os negros torna-se senhores de escravos, aliais a legislação não vedava esse direito assim com garantia aos mesmo o direito de possui terras e ter escravos, muitos eram libertados ou se tornavam beneficiários do testamente de seus antigos senhores.

O fim do mercado internacional de escravos é algo que devemos aos impérios Francês e Britânico.

Maomé teve escravos negros. Na Africa a sistematização do mercado internacional de escravos ganhou muita força quando o império arabe chegou por lá. Uma das rotas era a do mar vermelho que ligava a peninsula arabica. Lá a prática da castração dos escravos nunca foi uma coisa rara.

Interessante que a comunidade internacional e historiadores modernos só criticam os europeus, pelo tráfico de negros. Jamais mencionam que foram os próprios africanos que vendiam seus conterrâneos, e para outros continentes também. Por que será que só pesou sobre os europeus essa mancha da escravidão? E eles ficam calados!

Se fomos ver por um lado mais criticista, historicamente, se não fosse por essa escravidão, a maioria da população negra hoje no mundo viveria muito mais na miséria, já que o continente africano apresenta índice de desenvolvimento baixíssimo.


Na América vive milhares de negros em situações muito boas. Há milhares ricos nos Estados Unidos. Uma vez um economista falou que se juntar a riqueza dos negros nos Estados Unidos, eles formariam a sexta maior economia do mundo. 

Sei que houve muita exploração no tempo da escravidão, mas, na África, isso não era diferente. Com o imperialismo das grandes potências, os negros viviam até pior que na escravidão na América. Na África no século XX, sofreram mais racismo que na América. Um exemplo é o apartheid. Isso também serve para o Brasil. 

Podemos levantar a hipótese, a escravidão negra na América, foi mais benéfica para os negros do que muitos falam. Ou será que teríamos um negro (ou descendente como queiram) hoje comandando a maior potência econômica/social do mundo?


Não podemos fazer a análise como se os negros fossem uma comunidade fechada e que se identifica como igual só por causa da cor, mas não é o caso.

O negro americano não é o mesmo negro africano. Não tem correlação nenhuma entre eles, a não ser a cor da pele.

O negro americano (no sentido de continente americano ok?) rico não se identifica com a África na dimensão pensada pelo tópico. Ele não faz remessa de dinheiro para o continente, não ajuda a melhorar a condição daqueles que lá estão.

Aqueles que saíram da África já morreram, seus filhos que estão aqui formam uma outra comunidade totalmente distinta daquela africana dos primitivos anos do século XVI, XVII e XVIII...Não vejo qualquer relação para dizer que melhorou ou piorou alguma coisa.

A escravidão foi um modelo econômico e a  Africa foi usada apenas para fins extrativistas e mão de obra
escrava os europeus não pensavam em habitar, como na Oceania.

A questão da escravidão na guerra civil americana não parece ter sido bem assim, os estados pertencentes ao México já haviam abolido a escravidão a tempos, e a economia deles não era baseada no algodão, tabaco e anis, então não havia o viés econômico, porém ao ser incorporado aos EUA o Texas prontamente instituiu a escravidão. Na realidade a motivação da guerra civil foi econômica, o Norte queria o protecionismo do algodão do Sul, para assim fazer a Inglaterra ser prejudicada em sua indústria têxtil e ajudar no desenvolvimento local (desta mesma indústria). A bandeira abolicionista foi levantada depois para ajudar a enfraquecer o Sul, já que naqueles anos quase toda família sulista possuía escravos.

A escravidão só foi ruim pra quem esteve na senzala. Os descendentes dos escravos tem aqui uma vida bem melhor que os africanos, mesmo assim estão reclamando, pregando ódio contra pessoas brancas, e pedindo indenização por algo que eles não sofreram.

Só isto aqui já exemplifica o dito acima:

Não é racismo quando um negro se insurge contra um branco. Racismo é quando uma maioria econômica, política ou numérica coíbe ou veta direitos de outros. A reação de um negro de não querer conviver com um branco, ou não gostar de um branco, eu acho uma reação natural, embora eu não esteja incitando isso. Não acho que seja uma coisa boa. Mas é natural que aconteça, porque quem foi açoitado a vida inteira não tem obrigação de gostar de quem o açoitou.

Matilde Ribeiro

Ela nunca foi escrava, nunca apanhou na senzala e vive melhor que muito negro africano. 

As vítimas e os culpados da escravidão estão todos mortos. Ninguém deve nada a ninguém.

Hoje culpam escravidão e o colonialismo por tudo que existe de ruim na Africa e também pela alta taxa de criminalidade e baixo desempenho acadêmica do raça negra. Mas passados 300 ou 500 depois disso e os negros continuarem do mesmo jeito que estão agora ninguém mais vai acreditar na ladainha de "racismo, escravidão e imperialismo":  É a volta do racismo científico.

Constituição Africana do século XIII [ *Kouroukan Fouga* ]  

Artigo 20:  Não maltratar o escravo. Nós somos seus mestres, mas não o fardo que ele carrega. 

Pode um mau ser bom? pode algo ser verdadeiro e falso?

Vamos reduzir tudo aos fatos mais primordiais, a escravidão é privar um ser humano de sua liberdade, ele não pode dispor de seu corpo, trabalho e nem de seus filhos! Ele é reduzido a um simples animal! isso é uma das coisas mais nefastas da humanidade e ponto.

Os negros que conseguiram juntar patrimônio aqui na América o fizeram por sua própria luta e esforço, depois de conseguirem a liberdade; eles não devem nada nem nenhum favor aos brancos!

Vamos ver se eu entendo bem. A desculpa (esfarrapada) para o sistema de cotas raciais é a de que temos que compensar o negro porque seus tataravós foram escravizados.

A primeira pergunta que me faço é: "Temos" quem? Porque eu não escravizei ninguém e, a julgar pela condição não muito privilegiada da minha família e de tantos outros brancos, provavelmente os nossos tataravôs também não.

Depois, uma reflexão: Será que na história da humanidade somente os negros sofreram com os processos de escravização? Ao longo da histórias povos de diversas etnias foram submetidos a outros. 

Depois, uma camada de uma mesma etnia submete a camada mais pobre. Aí a gente entra em um ponto interessante. O mundo é cruel com aquele menos favorecido, que vai ser sempre escravizado, não importa a cor. Já à época da escravidão, havia brancos tão pobres quanto negros.

Partindo desse princípio, por que o sujeito não pode simplesmente fazer uso das cotas disponíveis para as pessoas de baixa renda? Seria justíssimo com todos e resolveria o problema de inclusão do negro, ou não?

Negros são pobres pelos mesmos motivos pelos quais os brancos pobres são pobres. Então, eu me pergunto, qual a lógica de haver cota racial?

Isso já destrói argumentos pro-cotas raciais.

Vamos reverter o raciocínio?


Se eu quiser escravizar brancos com a desculpa de que os próprios brancos se escravizavam (pois sabemos que romanos escravizavam germânicos, eslavos...), isso parece lógico? Só por eles serem brancos eu devo supor que são iguais mas tão maus que escravizam "gente de sua própria gente"?



Porque é exatamente isso que essa galera faz com os negros. Só invertem os grupos.

O que acho extremamente limitado e as vezes de má fé descarada, é a intenção implícita nesse tipo de argumento como uma espécie de justificativa sobre contexto escravocrata no Brasil. Como se todos fossem estúpidos o suficiente para classificar negros sempre como bonzinhos e brancos sempre como vilões. E partindo desse principio distorcido apontar o dedo na tentativa hilária de mostrar uma ordem inversa desse mesmo entendimento maniqueísta, no propósito claro de tratar como válido e as vezes até louvável o mecanismo 'branco senhores - negros escravos', como quem diz: "olha lá ,tá vendo!? Na verdade os canalhas são eles". Isso é realmente ridículo!

Aqui no Brasil, racismo não é só crime de ódio e preconceito contra negros, como também é o mesmo em casos de incitação ao ódio contra asiáticos, índios, contra todo e qualquer grupo étnico, assim como vale também para preconceito contra religiões (anti-semitismo, anti-cristianismo, islamofobia...) e procedência nacional (xenofobia). Ambos estão enquadrados no mesmo artigo do Código Penal, e são considerados crimes de racismo. Não só chamar um negro de algo pejorativo é crime, o mesmo é para quem fizer o mesmo com um caucasiano (branco). 

O rapper Jay-Z, certa vez, deu uma festa na qual não tinha um único caucasiano presente, proibiu a entrada de todo cidadão caucasiano. Eles dizem que são discriminados, mas discriminam igualmente. Hipocrisia é  dose mesmo!

Referências:

Hebe Maria Mattos: "Das Cores do Silêncio"

Mary Del Prior: "Os Ancestrais - Uma Historia da Africa Atlantica"

Emilia Viotti da Costa: "Da Senzala a Colonia"

Coleção História Geral da África, Volume V: África do século XVI ao XVIII; Brasília: UNESCO, Secad/MEC, UFSCar, 2010.

PARA CITAR ESTE ARTIGO:


Novela Lado a Lado e a escravatura brasileira no período pós-abolicionista http://twixar.com/iBa David A. Conceição, outubro de 2012, blogue Tradição em Foco com Roma.


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