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Novela Que rei sou eu? e a questão Monarquia x Democracia


Depois de 109 capítulos Pichot, o falso príncipe personagem de Tatus Gabus será coroado rei de Avilã.

Destaque para a trilha sonora internacional Eternal Flame – Bangles e Noel - Like a child

A novela brasileira possui uma força pela originalidade de sua arte que levanta discussões e teses sobre os temas principais de suas snopses. Mesmo se tratando de uma reprise, Que rei sou eu? exibido de segunda a sexta pelo Canal Viva tem feito surgir entre os historiadores e sociólogos temas sobre a Monarquia e seu efeito nas implantações nos países que hoje possuem um avanço anos luz que o Brasil em diversos quesitos. o Movimento Monárquico Brasileiro, infelizmente de atuação fraca - comparando com os inimigos da esquerda que militam ferozmente pela extinção do que sobrou da Cristandade, poderia agir mais impulsivamente levado pela ocasião da teledramaturgia.

Santo Tomás de Aquino defende que existem três formas de governo justas: a monarquia, a aristocracia, e a república. A deturpação dessas formas de governos chama-se tirania, oligarquia e democracia. Mas essa democracia não tem a mesma significação que no nosso entendimento. Penso que é quando o governo de muitos se transforma numa espécia de demagogia .

Como todos os ideários, a democracia surgiu com as características de subversão da antiga ordem estabelecida. Por tais razões, foi duramente combatida nos séculos XIX e XX.

Superada a primeira fase de agitação social, o ideário democrático foi se desenvolvendo e ganhando forma, chegando a se propagar no Ocidente e atingindo também muitos países do Oriente.

Institucionalizada nos Estados e na consciência coletiva, hoje pôr em causa os preceitos democráticos pode suscitar desconfiança da opinião pública, pois, desde a tenra idade, somos educados e condicionados a elevar o regime democrático como “Imperativo Categórico”.

Ainda existe um tabu de que a democracia é o melhor forma de organização já experimentada pelo Homem, e qualquer oposição nesse sentido poderá ser mal interpretada, sujeitando indivíduos que contrapõem à democracia como apologistas de regimes ditatoriais – como se democracia e ditadura fossem os únicos regimes políticos existentes.

Reconhecendo a importância de alguns dos referencias basilares de um Estado Democrático – como a tripartição de poderes e os direitos e garantias individuais – contudo, a democracia continua insuficiente como norteadora das relações humanas e, principalmente, carece de sustentabilidade em seus próprios fundamentos.

Inicialmente, temos na democracia um postulado pela ampla participação dos indivíduos que compõem um Estado soberano para igualmente usufruir o poder e a riqueza resultantes de seus esforços. Teoricamente, numa democracia, a autoridade é emanada e exercida pelo povo, investindo tal poder soberano através de eleições periódicas livres. Entretanto, cabe ressaltar um grande problema desse princípio: nem todos os cidadãos têm condições para dizer aquilo que é melhor para o país. Para ser mais exato, a maioria nunca está qualificada intelectualmente e com conhecimentos suficientes para ditar a melhor forma de administrar um Estado. 

Peguemos como exemplo uma empresa de grande porte: os gerentes, os tesoureiros, os diretores e o presidente são, geralmente, pessoas qualificadas, com anos de estudos e com experiência em suas atribuições. Dificilmente um empregado de competência limitada chegará a um alto cargo nesta empresa. Privilegia-se, antes de tudo, a meritocracia. Contudo, é interessante notar que se a meritocracia é aplicada para administrar uma empresa, o mesmo não se aplica para a administração de um país. Em nome da democracia, os melhores não governam, cedendo espaço para que os piores tipos de pessoas assumam o governo e dirija o destino da nação.

A democracia carece de fundamento lógico, pois o superior não pode emanar do inferior, pois o "mais" não pode vir do "menos". Isso é de um tal rigor filosófico que Platão e Aristóteles desde a Idade Antiga se posicionavam nesse sentido. Daí porque os melhores políticos geralmente não são escolhidos pela massa.


A democracia ao invés de priorizar a QUALIDADE (como numa Aristocracia), prioriza a QUANTIDADE. Não importa se meia dúzia de indivíduos são mais capacitados para dar um parecer sobre determinado assunto, o que importa, numa democracia, é a prevalência da opinião da maioria. E a maioria sempre é mediana, medíocre.

Pactuar com o espírito democrático é antes de mais nada permitir que, por exemplo, dez opiniões furadas valem mais que uma bem fundamentada, pelo sistema da maioria. Não será forçoso concluir, portanto, que a democracia iguala os desiguais, sempre para o nível mais baixo. Não é a toa que a democracia radicalizada acaba se degenerando para o socialismo. Decerto, democracia e socialismo parecem antagônicos e irreconciliáveis, pois nunca existiu um Estado socialista democrático, mas basta lembrar que a democracia por negar a hierarquia natural entre os homens, nivela todos num mesmo plano.

Assim, a democracia está intimamente ligada à concepção "igualitária", cujo estopim se deu na Revolução Francesa. Os liberais proclamam a igualdade formal; os socialistas vão mais além: querem a igualdade formal e material. Por isso o socialismo nada mais é do que uma democracia absolutizada.

Diante de tais considerações, fica claro agora entender porque o Brasil republicano, laico e democrático de nossos dias está muito mais próximo do socialismo do que o Brasil imperial, confessional e aristocrático do tempo de D. Pedro II.   
Isso é sintoma direto do mais puro gramscismo. O sujeito simplesmente se acha O democrático por achar na na democracia "correta" quem pensa diferente dele não pode nem falar. E alimentado por uma espécie da "anão" dentro da cabeça dos democratas, que dita a forma de arremedar os pensamentos implantados, todos baseadas em conceitos de esquerda.
 
É certo que a democracia tal como a conhecemos hoje só é possível por causa do Cristianismo.

Mas é preciso tomar um cuidado com uma cosia:

A primeira é lançar o democratismo liberal como supra-sumo da existência humana, de modo a querer interpretar toda a história como uma grande marcha rumo a esta inevitável realização escatológica terrena, indagando-se o que cada fato fez em prol disso.

O cristianismo permite a democracia a partir do momento em que determina que o Estado deve cuidar das coisas temporais e que para isso não tira a autoridade de si mesmo, mas sim de uma adequação a uma ordem transcendente.

E para constatar, nem a Igreja Católica, nem as Igrejas Ortodoxas orientais, nem as protestantes mais antigas, defendem a democracia.

Quem ficou fazendo isso foram mesmo os iluministas, mas cujo pensamento só foi possível dentro da cosmovisão cristã na qual estavam inseparavelmente inseridos.


O Cristianismo se concilia com a democracia quando diz que o poder de César tem limite quanto a área de sua atuação e que mesmo dentro desse limite, cabe a César agir com justiça em prol do bem comum. Isso implica que os sudítos de César não devem uma obediência absoluta a ele, mas condicionada a sua conduta. E é daí que parece nascer a idéia de se limitar o poder de César por meio de outras instituições temporais, o que veio dar origem ao sistema de governo misto inglês, ao qual chamamos de democracia, apesar de não ser.

Porém, o cristianismo fica contra a democracia quando esta diz que o poder vem do povo e que este tudo pode. O César do qual Cristo fala na bíblia parece ser um símbolo do Estado, e não uma pessoa. Portanto, o que ele disse vale para qualquer César, seja ele encarnado em uma pessoa, num parlamento ou numa multidão.

César não é a pessoa natural do Imperador Romano, mas o próprio Estado.

Quanto ao papel que o Cristianismo teve como fator de valorização do homem e da consciência individual, do homem considerado em si mesmo, não há como não recomendar O Jardim das Aflições.

Se a Monarquia brasileira continuasse na trajetória que parecia estar seguindo, rumo a uma Monarquia Constitucional Parlamentarista, talvez hoje fôssemos uma potência mundial. Monarquias decorativas proporcionam estabilidade política ao mesmo tempo que não trazem consigo os efeitos colaterais da excessiva concentração de poder. Talvez não tivéssemos tido tantas rupturas institucionais.

Mas o fato é que se a instituição da monarquia tivesse raízes profundas na cultura política brasileira, ela não teria sido derrubada com uma quartelada meia-boca na calada da noite como foi. Hoje, com mais de cem anos de tradição republicana, não há mais lugar para uma Monarquia no Brasil. Não faz mais parte do nosso DNA político, e a sociedade dessacralizada, muito dificilmente aceitaria.

A maioria das pessoas dos dias de hoje associa Monarquia com escravidão (embora ela o tenha abolido), oligarquismo (embora a República Velha o tenha instituido em larga escala), atraso econômico / desindustrialização, centralização do poder, autoritarismo (poder moderador), "eleições do cacete" (embora coisa similar tenha ocorrido nos votos aberto da República Velha, de novo), elitismo, enfim, ao atraso...

Fora as minisséries como Carlota Joaquina e Quinto dos Infernos, que terminaram de jogar do limbo para a lama do anedotário nacional os ícones da Família Real, dos quias a mairia ainda nem ouviu falar

Já a Monarquia absoluta é uma roubada tremenda. Não importa quão boa seja a educação de um futuro monarca, mais cedo ou mais tarde sempre aparece um Luís XVI ou um Nicolau II para cagar o pau. Se monarquias absolutas fossem à prova de monarcas incompetentes, o mundo inteiro ainda seria governado por elas. E a China e o Egito antigos não teriam tido dezenas de dinastias diferentes.

A Espanha foi uma República durante apenas algumas décadas nos últimos cinco séculos. A Monarquia na Espanha era uma instituição bem mais arraigada na cultura política local do que jamais o foi no Brasil. Se a Monarquia fosse de fato tão forte no Brasil, não teria sido derrubada da forma que foi.

Claro que existem meios de se remover monarcas incompetentes do trono. O problema é quando não há opções, ou quando o herdeiro incompetente ou tirano insiste em fazer valer o seu direito. E afinal de contas, se um herdeiro inepto ou tirano resolve fazer valer seu direito, não há nada que se possa fazer. Basta lembrar dos casos emblemáticos de Luís XVI e Nicolau II, cuja inépcia desempenhou um papel fundamental no colapso dessas duas monarquias. Onde estavam os controles do sistema que não os impediram de exercer o poder?
Como já dito, até acredito que se a Monarquia tivesse continuado poderíamos estar bem melhores e não ter tido um século tão marcado por rupturas institucionais. Se o Brasil hoje fosse uma monarquia constitucional próspera, eu seria contra a instituição de uma República.

Mas hoje é totalmente inviável. A massa popular brasileira provavelmente nem sabe que algum dia fomos uma Monarquia, de tão consolidado que está o modelo republicano presidencialista. Tão consolidado que ela o ratificou veementemente no plebiscito de 1993. 

 Suas Altezas Imperiais não recomendam muito a criação de partidos, até porque a Monarquia é apartidária.

Mas, com certeza seria muito bom um partido no Senado ou na Câmara defendendo a Monarquia e suas Altezas.

Acho, de toda forma, a idéia interessante. Em cada país a repercussão é diferente. O fato é q a existência de uma forte corrente de opinião favorável à Monarquia não garante um Partido Monárquico forte nem que votos sejam carreados para ele.

Na Itália, depois da guerra, mesmo com todo o desprestígio da Monarquia em função de certas ligações com o fascismo, ainda assim, no plebiscito que aboliu a Monarquia, o antigo regime teve algo perto de 12 milhões de votos. Perdeu por muito pouco. Não sei como é a legislação italiana e se permite um Partido Monárquico porque até pouco tempo a familia real estava banida sem poder botar o pé lá. Talvez haja proibições pétreas.

No caso de Portugal há uma razoável corrente de opinião na sociedade favorável à volta da Monarquia mas o PPM (Partido Popular Monárquico) liderado pelo fadista Nuno da Câmara Pereira é microscópico. E D. Duarte, o Duque de Bragança, herdeiro presuntivo do trono português, não tem o apoio do partido mas é reconhecido pela sociedade como tal. Ele é descendente de D. Miguel, irmão de P. Pedro I (do Brasil) e IV de Portugal.

Os príncipes bralileiros acham q a criação de um partido causa divisão e preferem ações culturais e políticas no âmbito do Pro Monarquia e dos Círculos Monárquicos. 

 A Monarquia não pode ser uma causa, literalmente falando - e sim um efeito.

E infelizmente não acho que, se nos livrássemos da petralhada, estaríamos "bem" - porque na verdade o que, pra começo de conversa, levou a petralhada ao poder continuará a existir! 

Então é isso: só teremos, na minha opinião, mais petralhas, disfarçados ou não de outra coisa, a mandar por aqui. O que quero dizer é que me parece que dá tudo no mesmo, na nossa atual situação. Não se trata dos políticos, exatamente - se trata de nós, da população em geral, dos brasileiros. Das pessoas. Desimbecilizar duzentos milhões é uma tarefa, sei lá, muito monumental demais... E ainda tem o estímulo da maioria "lá de fora", que está no rumo da imbecilização, também. 

Quanto aos EUA, eu sinceramente acho que vai percorrer um caminho muito parecido com o nosso, e paradoxalmente muito mais depressa. A resistência de lá vai chiar, mas não vai segurar mais - já não segurou, quando Baraque foi eleito. Com a ajuda dos republicanos. Inegavelmente ninguém atrapalhou, ninguém quis atrapalhar. Então a coisa está feia lá, também. Feia na Europa, feia em todo o Ocidente.

Eu gosto de uma briga por uma boa causa, entro em todas e entrarei sempre que houver a boa causa para brigar. Coisa que a Monarqui não é - teria que ser um efeito. Nem adiantaria a degola dos petralhas. Daquela hidra nascem dez cabeças pra cada uma arrancada.

O negócio seria "matar a própria hidra", como fez o velho Hércules com a de Lerna. Cortar as cabeças não resolve.
 
PARA CITAR ESTE ARTIGO:

 

Novela Que rei sou eu? e a questão Monarquia x Democracia http://twixar.com/SPc0 David A. Conceição, outubro de 2012, blogue Tradição em Foco com Roma.


CRÍTICAS E CORREÇÕES SÃO BEM-VINDAS:

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