.

A opção pelo vegetarianismo

 
Em primeiro lugar menciono que é errado a generalização de que todas as pessoas que sustentam ideologias e esoterismo por detrás do veganismo. O corpus desse texto é caráter nutricional e o veganismo deve ser lido aqui como o ponto mais radical do vegetarianismo composto de uma alimentação isenta de produtos de origem animal incluindo laticínios e ovos.

Em segundo lugar não sustento a tese de comer carne seja errado tão pouco pecado. A propaganda da dieta veg é pelos benefícios que ela produz para a estética e pela saúde.

O sistema digestivo do homem é derivado de um sistema digestivo de um primata, os quais, originalmente, só comiam plantas. O ser humano obteve uma dieta mais deferenciada, podendo comer muitas coisas para sobreviver que antigamente não podíamos, estou ciente disso. Porém, a carne para o ser humano não é bem digesta, podendo ocasionar várias doenças, até cancêr no trato digestório (li casos de pessoas que contraiu uma inflamação sem cura no intestino e estômago por causa cansaço do aparelho digestório pelo consumo de carne), e temos também a problemática dos vários produtos, como hormônios, usados na criação do gado, que se acumulam na carne que é consumida por homens, nos levando a mais doenças. 

Além do mais, ao iniciar uma dieta vegetariana/vegana, podemos notar uma melhora no funcionamento do nosso organismo, pois estamos diminuindo o esforço para decomposição do alimento, aumentamos a ingestão de produtos ricos em fibras, sais e vitaminas, ampliando nossa eficiência na replicação orgânica. Há vários estudos com povos indígenas vegetarianos, e sua média e qualidade de vida ficaram muito superiores do que as da sociedade atual.

A produção de grãos é muito utilizada como fonte de renda em países subdesenvolvidos mas o produto final é em sua maioria exportado e/ou utilizado na criação de animais. Se o consumo de carne decaísse, teríamos uma grande quantidade de alimento com distribuição mais equilibrada e mais barata em todos os países: a ganância dos mais favorecidos agriculturas fariam eles expandirem seu mercado para regiões mais remotas e necessitadas.

Levo uma dieta crudívora vegana hipo-lipídico. Isto é, vivo de frutas, vegetais, sementes e nozes e possuo uma saúde de ferro. Existe milhares de pessoas, até mesmo atletas famosos e de ponta que fazem ou já praticaram até mesmo no auge das suas carreiras e alegaram que a dieta foi crucial para seu sucesso.

Precisamos ingerir aminoácidos essenciais. Uma dieta vegetariana fornece TODOS os aminoácidos essenciais: arginina, fenilalanina, isoleucina, leucina, lisina, metionina, serina, treonina, triptofano e valina. De resto, o corpo dá conta se for consumida proteína total suficiente. 

Supondo que os estudos que demonstram a possibilidade de dietas onívoras serem saudáveis sejam reais, teríamos muitos estudos contradizendo uns aos outros, o que nos faria afirmar que a ciência anda meio confusa.

Qualquer um pode comprovar estas contradições analisando estudos sobre alguma substância, onde um estudo diz algo de ruim, e logo surge outro pra contradizer, em seguida surge novamente um que diga algo ruim sobre a substância. Este é um exemplo mais claro do jogo de interesses existente em muitos estudos. Por isso costumo dar crédito aos que são pouco divulgados.

Temos vários estudos pseudocientíficos, pois sempre que surge um contradizendo o outro, põe em cheque a credibilidade do anterior. Eu prefiro crer que alguns deles podem ter sido comprados, enquanto outros são verdadeiros.

Seguindo a lógica da ciência, e pegando apenas os estudos verdadeiros, todo cientista verdadeiro sabe que a ciência nunca dá uma palavra final de nada, e que novas respostas podem surgir a partir de experimentos mais detalhados. Portanto, todo estudo científico verdadeiro tem pontos passíveis de críticas, que costumam ser removidos gradualmente em estudos posteriores.

Mas, vejo que tão ou mais importante do que entender o motivo de certa substância causar doenças, é analisar os hábitos das pessoas e as doenças que mais estão em alta. Fica clara a relação da dieta onívora com muitas doenças.

Gillian Mckeit, renomada nutricionista vegana escocesa,  disse em uma entrevista: "o câncer progride de acordo com os fatores promoção e anti-promoção presentes principalmente na dieta."

É por isso que eu digo que é possível ser saudável APESAR da dieta onívora, e não que é possível ser saudável com a dieta onívora. E para ser saudável APESAR da dieta onívora, você deve manter bem balanceados os fatores promoção e anti-promoção citados por Gillian.

Além disso, sabemos que as pessoas onívoras buscam nos exercícios uma forma de balancear isso, já que acabam normalmente perdendo a luta para o vício da comida de origem animal. Em relação a esse balanceamento dos fatores na dieta onívora, Gillian disse:

"Eu prefiro seguir o caminho completo, não porque nós temos uma prova incontestável mostrando que 100% é melhor que, digamos, 95% para cada pessoa e condição única, mas porque é mais fácil evitar do que desviar-se para um caminho que muitas vezes torna-se uma ladeira escorregadia de volta para os nossos antigos hábitos."

Já li muita coisa sobre a proteína e gordura animal, e como a acidez e toxicidade das mesmas promovem doenças. Com isso, estou cada vez mais convencido de que Gillian foi um das pioneiras, e muitos estudos virão a confirmá-la. Talvez os métodos dela podem ter falhado em alguns pontos, mas as conclusões estão sendo confirmadas a cada dia por outros estudos e pela análise da situação da saúde pública e a relação com a dieta rica em produtos animais.


A chamada ciência da nutrição é baseada em onívoros. Precisa-se urgentemente de novos parâmetros nutricionais para as chamadas "necessidades diárias" e para níveis de substâncias em exames de sangue de vegetarianos estritos.

Para que a dieta onívora seja balanceada, é necessário reduzir o consumo de produtos de origem animal de tal forma que a pessoa acabará tendo uma dieta bem restrita. Ou então terá que compensar com muitos exercícios, se é que isso resolve algo mais do que queimar gordura. Comida de origem animal é um grande vício, por isso onívoros controlados são raridade para mim.

Em tempo: proteína animal torna o corpo ácido, e isso é o princípio básico para um corpo doente. O sangue ácido causaria a morte em poucas horas, de forma que nutrientes importantes são desperdiçados para neutralizar a acidez. A dieta vegetariana pode ser desregrada sim, claro, mas a pessoa desleixada terá que se esforçar mais para agredir o corpo da mesma forma que um onívoro pode fazer com muito menos esforço, já que ele tem à disposição a proteína animal (ácida) e gordura saturada muito mais facilmente.

Quem defende dieta onívora "balanceada e saudável" cai numa contradição lógica. Ora, se eu preciso reduzir grande parte daquilo que faz parte dessa dieta (alimentos de origem animal), ela não pode ser considerada balanceada e saudável por si mesma, já que são os vegetais que a salvam.

E se, por algum motivo, alguém disser que ela é saudável, bastando reduzir os alimentos de origem animal, esse alguém acaba de concordar que proteína animal é necessária, e aí chegamos na típica dieta saudável propagada pela mídia. 

Aumentar o consumo de vegetais faz bem, aumentar o consumo de animais não! É o que quero dizer quando falo que a dieta vegetariana é saudável por si mesma. Dieta onívora "saudável" exige restrição e/ou compensação com exercícios físicos. 

A diferença básica é que alimentos animais não promovem a saúde, enquanto vegetais promovem. Alimentos animais são desnecessários. A questão é que a presença dos alimentos animais é muito mais controlada para que a dieta permita ser saudável.

Lembrem-se do famoso PH, fator importante na velocidade das reações químicas, e quanto mais ácido, mais lenta são as reações. A proteína animal, sendo mais ácida, torna o corpo mais ácido, e mais propenso à doenças. Entendendo este princípio, é fácil aceitar que uma dieta vegetariana estrita é mais saudável do que a onívora. Não há, portanto, que se ficar buscando estudos e suas respectivas críticas para aceitar algo óbvio. Corpo ácido = corpo doente, pesquisem!


Para que o balanceamento do ruim e do bom na dieta onívora a torne "saudável", é necessário reduzir a proteína animal a níveis pequenos, ou compensar o excesso com exercícios físicos.

E por que a proteína animal deve ser reduzida a níveis pequenos? Obviamente, porque a partir de certo nível, que nem precisa ser um nível abusivo, ela já aumenta consideravelmente o risco de doenças. Qto mais alimentos vegetais você ingere, menor riscos de doenças, porém, quanto mais alimentos animais, maior risco de doenças.

Se alimentos animais precisam ser reduzidos, é porque não fazem bem, quem faz bem são os vegetais. E se alimentos animais não fazem bem, obviamente eu vou preferir falar para as pessoas que é muito melhor eliminarem do que manter um consumo pequeno. Eu não vou dizer que as controladas tem grandes chances de terem as principais doenças relacionadas à dieta rica em animais, pois elas tem uma chance pequena, se ingerem vegetais suficientes. Mas, se eu me baseio em estudos que mostram que a proteína e gordura animal tem potencial pra promover doenças, eu vou dizer às pessoas que é melhor prevenir totalmente do que consumir um veneno em pequenas quantidades.

Outro motivo para criticar a dieta onívora, é que o vício toma conta da maioria dos onívoros. Alimentos animais são tentadores demais, pois foi o que crescemos comendo. Eu ainda não conheci uma pessoa que consuma alimentos animais em pequenas quantidades para tornar a dieta "saudável". Ao invés disso, eu conheço muitas pessoas que correm para queimar a gordura proveniente do abuso. O problema é que a gordura pode ir embora, mas a acidez continua lá, causada pela proteína animal.

Sumplemento nutricional

O ferro que se come na carne ou na beterraba é o mesmo ferro que se encontra em um prego ou nas capsulas isoladas em um laboratório ou em bolachas. Ferro é ferro. E é antigo se "suplementa" com ferro, usando panelas de ferro para cozinhar, o próprio drauziovarella recomenta usar panelas de ferro e não aluminio ou vidro. Não existe ferro artificial, ferro natural (só olhar na wikipedia). E assim é com todos os nutrientes minerais. Já as vitaminas como A podem ser frutos de processo químico em laboratório. Bom, até agora não achei motivo para rejeitar os artificiais.



Que vegetarianos precisam suplementar, isso é um fato. Principalmente porque não temos uma tradição, uma cultura alimentar apenas em vegetais. Talvez se soubessemos o que comer e quando comer e fosse habito alguns alimentos como o pão-nosso-de-todo-dia não precisariamos suplementar. 



E eu notei um erro. As pessoas apenas trocam os alimentos pouco se preocupando com os nutrientes. Quando se sugere dicas para trocar leite, iorgute e sorvete recomenda-se fazer leite de aveia. O leite de aveia pode ser um produto similar ao leite de vaca em relação ao paladar, mas nutricionalmente é anos luz de diferença. Não tem nada a ver um com outro. Leite de soja a mesma coisa, se  comprar leite de soja da purity vai tomar "agua com gosto" nada a ver com leite, só a Ades e o da Nestle que são similares nutricionalmente ao leite. Ou o leite de quinua (que é hiper caro).

A dieta vegetariana precisa tanto de suplementação quanto a dieta que contem carne precisa de limites. 

Não vejo qualquer motivo para considerar bem planejada apenas uma dieta que só inclua nutrientes vindos de alimentos naturais. Tudo o que comemos já é resultado de tecnologia. As frutas e vegetais não são nem de longe as frutas da selva. Os animais são domesticados. Tudo é mexido e remexido, hibridizado, selecionado artificialmente, então por que não ser também fortificado, suplementado, vitaminado?

Pra dar um exemplo: eu vejo alguma dificuldade em incluir zinco em quantidades decentes na minha dieta. Apesar de ser possível ir atrás de alimentos ricos em zinco, eu prefiro usar suplementos. Esse tipo de opção pode se dar por diversos motivos: mais prático, mais acessível, cômodo, mais barato, enfim.

Cálcio é utilizado pelos onívoros para equilibrar o ph do corpo, o que causa osteoporose neles. Ferro, apesar de dizerem que o heme é melhor absorvido, é causa constante de anemia em onívoros. E também tem os casos daqueles que tem muito ferro no sangue. Zinco encontramos em feijões, castanhas, figo, laranja, abóbora, gergelim, ervilha, sem falar nos alimentos fortificados.

Proteínas temos em quantidade suficiente. A proteína animal torna o corpo demasiadamente ácido, o que prejudica absorção e fixação de nutrientes.

Eu tenho uma tese baseada nas informações que possuo: existe uma certa compensação na dieta onívora. Ela fornece alguns nutrientes em maior quantidade, porque uma grande quantidade não será absorvida. E ela fornece alguns nutrientes que são mais facilmente absorvidos, porque uma grande quantidade não conseguirá fixar-se. Portanto, esta dieta precisa ser saturada em nutrientes e de melhor absorção, para que o corpo consiga aproveitar um mínimo destes.

Enfim, não temos que nos preocupar se comermos bem e escolhemos nossa fonte de B12, pois nossa dieta nos dá tudo em níveis suficientes dentro do que é realmente saudável para o nosso corpo.

O que importa é que é perfeitamente possível viver sem produtos de origem animal.


B12

Cafeína é um aditivo que não faz parte do nosso metabolismo. Não é um nutriente essencial, ou seja, nosso corpo não carece de cafeína para manter funções neurológicas. O mesmo não pode ser dito da vitamina B12.

Se os animais mais similares a nós, os primatas antropóides, comem praticamente frutas e vegetais, até mesmo o gorila com 260 kg e levantando 2 toneladas, porque precisariamos suplementar?

Porque similaridade genética não significa igualdade fenotípica ou memética. Somos parentes, sim, mas ainda somos outra espécie, e o mais importante, somos uma cultura.

Avaliar a dieta de gorilas e chimpanzés não diz quase nada sobre nós mesmos. É um conhecimento absolutamente trivial, porque o ser humano é indissociável da cultura em que está inserido. Querer ver a si mesmo como uma espécie de bicho selvagem, ou ter como ideal de ser humano um "macaco primordial" leva invariavelmente a falácias naturalistas.

A gente precisa suplementar B12 porque esse nutriente não existe nas dietas veganas, seja com alimento cozido, crudívoro ou frugívoro. Gorilas não precisam porque comem insetos ocasionalmente, quando os encontram nas folhas, e porque não têm hábitos de higiene. 

O frugivorismo pode ser um bom aliado a outras opções de vida saudável, tais como não fumar e praticar exercícios, e que manter esses hábitos pode ajudar o corpo a absorver nutrientes, otimizar o uso de recursos estocados, enfim, qualquer coisa que soe mais coerente. Há estudos que demonstram como o cigarro atrapalha absorção de nutrientes, e há indícios, mesmo que datados e nunca reproduzidos, sobre incidência menor de leucocitose digestiva em frugívoros. 

Isso poderia significar que frugívoros lidam melhor com seus estoques de B12? Talvez. Vai saber. Talvez eles precisem suplementar menos. Pode ser. Tudo isso é digno de consideração e precisa ser estudado, mas é inquestionável que a vitamina é, sim, necessária, e que ela precisa chegar até o seu corpo de alguma forma. O mecanismo da B12 no corpo é bastante conhecido, e os sintomas são extremamente previsíveis.

Deveria ser obrigatório ter aulas de culinária nas escolas, todo mundo deveria saber todo o processo que leva a comida até chegar aos nossos pratos. Daí poderiamos, verdadeiramente, escolher a nossa dieta!

Uma forma de divulgar sobre a dieta vegetariana é levando pessoas interessadas em restaurantes vegetarianos para, assim, quebrar o mito de que vegetariano só come folha.  Falar do tema em doses homeopáticas, fazer pratos veganos e perceber quem tem uma tendência para a mudança de dieta são as melhores táticas.

Apesar do nosso "radicalismo" somos pessoas normais, não somos melhores do que ninguém. Apenas no quesito alimentação, nós somos conscientes de todo o processo que é feito, para a comida chegar ao nosso prato e temos a determinação para ir contra o tipo de alimentação "normal".



Daqui sai as salsichas e os nuggets, bom apetite!


Indicação de nutricionista vegetariana RJ:

Dra. Sandra Mendonça Av. Nossa Senhora de Copacabana, 1066 - SL. 806 - Rio de Janeiro/RJ 

tel: (21) 2247-9269 / 8121-0181

site: www.sandramendonca.com.br

email: nutrir@sandramendonca.com.br


Referências:

MCKEITH, Gillian. Você é o que você come - o poder da alimentação natural. Ed Alego

MCKEITH, Gillian. A Bíblia da alimentação. Ed Elsevier

SLYWITCH, Eric. Virei vegetariano, e agora? Ed Alaúde



PARA CITAR ESTE ARTIGO:



 A opção pelo vegetarianismo David A. Conceição, novembro de 2012, blogue Tradição em Foco com Roma.




CRÍTICAS E CORREÇÕES SÃO BEM-VINDAS:

tradicaoemfococomroma@hotmail.com

 

©2009 Tradição em foco com Roma | "A verdade é definida como a conformidade da coisa com a inteligência" Doctor Angelicus Tomás de Aquino