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No Brasil, não à RCC protestante!

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Todos nós tradicionais fomos oriundos da RCC um dia. Lembro-me de quando fui para o PHN 10 anos que ao mesmo tempo teria sido minha primeira ida a Canção Nova. Embora a esfera carismática empolgue muitas pessoas ela acaba desviando da razão fazendo da fé uma mera via sentimentalista e materialista.

Podemos dizer que a RCC é um dos maiores meios de evangelização católica brasileira mas, por ser administrada e coordenada por homens e mulheres, pecadores como eu e você, também comete erros.

Erros existem e não podemos tampar o sol com a peneira; poderia citar por exemplo:

Interpretação subjetiva das Sagradas Escrituras, sem qualquer tipo de preparação e estudo do Magistério. Missa de cura e libertação; Missa show (incluindo músicas protestantes); Orações em línguas a qualquer momento; O tal repouso do Espírito Santo; Danças, bateção de palmas, no G.O. de frente ao Tabernáculo; show na frente do Santíssimo; O tal Batismo no Espírito Santo como se não tivéssemos O recebido no Santo Batismo; Relativização de que Deus é amor; Demonização de tudo (tudo é culpa do demônio); Cura entre gerações, que segundo Dom Estevão Bittencourt está mais para espiritismo do que para Igreja; Cristoteca; Pregações no tipo auto-ajuda esquecendo-se que sem a verdade, a caridade cai no sentimentalismo (Caritas in Veritate, nº 03).
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É notável o fato de que a RCC brasileira é protestantizada, e podemos sim pela Liturgia e Sã Doutrina catolicizar o movimento.

O nascimento da RCC e a raiz da doutrina carismática
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Damos por suposta uma continuidade entre Neo Pentecostalismo católico e Pentecostalismo protestante dos anos 1900, bem como entre este e o revivalismo americano do século XIX. Esta continuidade é verificável e declarada. (Claude Gérest, A Hora dos Carismas, in R. Laurentin, E. Dussel L. Boros, C. Duquoc et Allii, Os Carismas, Revista Concilium 129, 1977/1979, editora Vozes, Petrópolis, p.16).

O novo Pentecostes, ou melhor, o despertar carismático, como fenômeno de massa, para a renovação da Igreja no clima de Pentecostes, nasceu nos Estados unidos, e fora da Igreja católica (S. Falvo, A Hora do Espírito Santo, Paulinas, São Paulo, 1986, p. 25).

A Renovação Carismática como diz a própria palavra, é reviver a experiência de Pentecostes” (...) “É restituir à Igreja sua verdadeira face que é a carismática” (S. Falvo, A Hora do Espírito Santo, Paulinas , São Paulo, p. 105).
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Isso pressupõe que a Igreja teria perdido sua verdadeira face que seria restituída pela RCC. A RCC seria a salvação da Igreja, ela traria de volta o Espírito Santo deixado de lado durante tantos séculos. Essa acusação de que a Igreja se corrompeu, assim como a pretensão de salvar a Igreja, é típica de vários movimentos heréticos. 

A expressão Batismo no Espírito Santo recebemo-la dos pentecostais fundamentalistas, que, não tendo uma teologia sacramental, dão a esta o significado de uma verdadeira e própria efusão do Espírito, posterior à regeneração [pelo Batismo] e diferente dela” (S. Falvo, A Hora do Espírito Santo, Paulinas , São Paulo, p. 134).

É verdade que alguns autores carismáticos têm o cuidado de negar que o chamado “Batismo no Espírito Santo”, seja, de fato, um novo sacramento. É o que constatamos em S. Falvo, por exemplo, que escreveu: “Não se trata de um novo sacramento, por isso é chamado “batismo” em sentido impróprio; é o despertar, a revivescência, e evidência dos efeitos do batismo e da crisma” (S. Falvo, A Hora do Espírito Santo, Paulinas, São Paulo, 1986, p. 135).

Porém os textos da Escola Paulo Apóstolo manifestam essa ambiguidade. Assim numa página, diz-se claríssimamente: Não se trata de maneira alguma de um sacramento” (Escola Paulo Apóstolo, A Espiritualidade da RCC - Apostila I, Ano 98, p. 38).

Noutra página, porém, a formulação é mais vaga: “A fórmula Batismo no Espírito Santo tem conotações muito variadas nos diferentes movimentos pentecostais. Para a Renovação Carismática Católica, ela é muito precisa e contém dupla significação. A primeira é propriamente teológica ou sacramental. Todo membro da Igreja foi batizado no Espírito Santo pelo fato de ter recebido os sacramentos da iniciação cristã. A segunda é de ordem vivencial e remete ao momento, ou momentos, nos quais a presença operante do Espírito tornou-se sensível na consciência pessoal” (Escola Paulo Apóstolo, A Espiritualidade da RCC - Apostila I, Ano 98, p. 33. ).

Na página 11 se diz: “Será que o Batismo no Espírito Santo é apenas uma emergência daquilo que já estava latente e não uma nova efusão do Espírito?

A teologia católica não pode aceitar a explicação de que o poder do Espírito até então latente de repente se transformasse numa vivência pessoal por pura iniciativa de minha consciência subjetiva. Isso contradiz a teologia da graça, pois 'é Deus quem suscita em nós o querer e o agir'.


Portanto se tomo consciência do poder do Espírito Santo em mim, é sinal que ele começou agir em mim de um modo novo, isto me leva a dizer teologicamente que está presente em mim de um modo novo” (Escola Paulo Apóstolo, A Espiritualidade da RCC - Apostila I, Ano 98, p. 11).

Ora, na página 19, vai se dizer o oposto: “Ser batizado no Espírito Santo” designa a experiência vinda do poder do Espírito Santo sobre uma pessoa. O batismo no Espírito Santo não é um sacramento, mas a atividade das Graças recebidas nos sacramentos.

Através do Batismo no Espírito Santo a graça dos Sacramentos de Iniciação Cristã (Batismo, Crisma e Eucaristia), pode ser vivenciada em plenitude” (Escola Paulo Apóstolo, A Espiritualidade da RCC - Apostila I, Ano 98, p. 19).

Na página 11 se disse que “A teologia católica não pode aceitar a explicação de que o poder do Espírito até então latente de repente se transformasse numa vivência pessoal”. Depois, na página 19, se diz que “Através do Batismo o Espírito Santo a graça dos Sacramentos de Iniciação Cristã (Batismo, Crisma e Eucaristia), pode ser vivenciada em plenitude

Perguntamos então: Sem o batismo no Espírito as graças sacramentais não podem ser vivenciadas em plenitude ? Se dissermos que não então o batismo no Espírito é um novo sacramento pois com ele a graça dos primeiros três sacramentos pode ser aperfeiçoada (assim como acontece com a crisma que aperfeiçoa a graça batismal). 

Stephen Clark diz : O Batismo no Espírito é Sacramento

O Batismo no Espírito Santo é uma experiência definitiva para um número sempre crescente de católicos. Quando estes a descrevem, surgem, então, os resultados que se pretendem deste sacramento, tal como ilustrados nos textos teológicos” (Stephen B. Clark, A Relação entre o Batismo no Espírito Santo e a (Sic.) Crisma, e Encontros para Oração no Espírito Santo, Tradução e Introdução pelo Padre Haroldo, Assistente de Treinamento de Liderança Cristã, Empresa Gráfica e Editora Palmeiras Ltda, C. G. C. -- M. F-- 46.002.960 sem data. Centro Social Presidente Kennedy, Campinas, São Paulo, p.35.)

Não católicos cristãos, que não tenham sido crismados, recebem o Batismo no Espírito Santo. Se assim é, como seria possível uma definição do Batismo no Espírito Santo como uma renovação da Crisma ou a liberação do poder do Espírito realizada neste ato?” (Stephen B. Clark, op. cit., p. 37) Ao mesmo tempo em que afirma escandalosamente que o Batismo no Espírito Santo é um sacramento, esse mesmo autor, Stephen B. Clark, procura desvalorizar o Sacramento do Crisma, quase que negando que ele seja de fato um Sacramento.

Assim, diz ele: “A Crisma nunca ocupou um lugar de destaque em meio à Cristandade. Este sacramento, experimentalmente, não tem muito significado” (Stephen B. Clark, A Relação entre o Batismo no Espírito Santo e a (Sic.) Crisma, e Encontros para Oração no Espírito Santo, Tradução e Introdução pelo Padre Haroldo, Assistente de Treinamento de Liderança Cristã, p. 23). 
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Atualmente na Igreja Católica, há um novo interesse em sacramentos “renovadores”. Em retiros, ou outras reuniões dessa natureza, é fato comum incluir-se entre as matérias a serem analisadas uma Renovação do Batismo” ( não exatamente uma renovação do Voto do Batismo), como também uma Renovação do Crisma”. Qualquer que seja o significado dessas cerimônias, elas, ao menos, mostram o crescente cuidado da Igreja para o fato de que algo há de errado no modo pelo qual estes sacramentos se manifestam quando são conferidos” (Stephen B. Clark, op .cit. p. 32.)

Esse mesmo autor ousa colocar o seguinte título num capítulo do seu livro miserável : “Porque os Sacramentos não são Eficazes” (Stephen B. Clark, A Relação entre o Batismo no Espírito Santo e a (sic) Crisma, e Encontros para Oração no Espírito Santo, Tradução e Introdução pelo Padre Haroldo, Assistente de Treinamento de Liderança Cristã, p. 27) Não, você não leu errado, e eu não copiei errado. O título do capítulo é esse mesmo: “Porque os Sacramentos não são Eficazes”. Título que contradiz a própria definição de sacramento como sinais eficazes da graça que significam.
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E nesse capítulo, ele diz ainda: “Sacramentos não produzem, automaticamente, os resultados que deles esperamos. É verdade que um sacramento trabalha “ex opere operato”. Isto significa que, quando o sacramento é celebrado, um dom de graça é concedido, algo acontece. Mas, não significa que este ato produza imediatamente os efeitos pretendidos. Algo mais é necessário” (Stephen B. Clark, op cit., p. 28).

Carismatismo x Igreja visível
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Se uma pessoa está convicta de que possui o Espírito Santo, que o sente em si mesmo, e se acredita guiada por Ele, é natural e lógico que ela não admita ser advertida, guiada, e nem sequer aconselhada pelo vigário de sua paróquia ou pelo Bispo, pois o Espírito Santo, que ele julga possuir, é Deus, e o sacerdote não. Para quem está convicto de possuir o Espírito Santo, mais nenhuma autoridade terá valor ou importância, nem a do Bispo e nem a do Papa.

Toda interferência ou oposição de autoridades, quaisquer que sejam essas autoridades, será vista como uma violação da ação livre do Espírito Santo que sopra onde quer.

A mesma coisa ocorre com muita gente na RCC.

E os teólogos defensores da RCC reconhecem essa oposição entre carismas e Instituição.

Veja, por favor, o que eles dizem: O Espírito Santo não estipulou que se manifestaria unicamente pela mediação das instituições eclesiais ou pelos sacramentos (Padre Christian Duquoc, O P., Os Carismas, Formas Sociais do caráter imprevisível da Graça, in Os Carismas, Revista Concilium 129, 1977/1979, editora Vozes, Petrópolis, pp. 95) Note-se, nessa frase acima transcrita, a desvalorização clara das instituições e da autoridade da única Igreja de Cristo.

Ao expor a doutrina de Lezek Kolakowski sobre os carismas (com a qual ele concorda pelo menos em parte) diz o Padre Duquoc: Se a Igreja julga [os carismas] em última instância, ela julga Deus, e, quer queiramos quer não, a lei domina a graça. Mas, se cada qual decide por si sobre a verdade da comunicação divina, se o único critério de autenticidade divina é a experiência daquele que apreende a voz do Espírito em seu coração, a Igreja não tem razão de ser (Padre Christian Duquoc, O P., Os Carismas, Formas Sociais do caráter imprevisível da Graça, in Os Carismas, Revista Concilium 129, 1977/1979, editora Vozes, Petrópolis, pp. 95-96.
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Nesse ponto vemos o encontro entre carismáticos e teólogos da libertação: ambos questionam a autoridade da Igreja em nome de uma Igreja do Espírito , sem magistério. 
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Algo que sempre me incomodou na RCC, e esse é o principal motivo de que me afastei dela na época (hoje eu me afastaria porque não aguento mais o estilo deles mesmo) é justamente essa redução do que é ensinado, como se toda doutrina católica, tudo o que os nossos representantes” pudessem oferecer se resumisse a: dons, carismas, batismo no Espírito Santo, repouso no Espírito. Só falam disso! A questão não é nem se são válidos ou não, se são extraordinários ou não (apesar que parece óbvio de que, se são válidos, são extraordinários), mas de uma fixação doentia a isso, a ponto de nossos irmãos carismáticos afirmarem: Se peço a cura, necessito do dom da cura. Eu particularmente acredito que se peço uma cura, preciso de fé em Deus. E de humildade, de saber que não devo ficar pedindo cura pra tudo. 

Todo esse espetáculo de histeria protagonizado pelos protestantes não provem do Espírito Santo. O verdadeiro contato com o Espírito Santo sempre nos conduz à verdade, à graça santificante e por derivação aos sacramentos; e onde encontramos tudo isso? Na Igreja Católica! 

O renascimento da RCC pelo Magistério da Igreja


De fato os carismas - graças que nos são dadas de graça, vamos dizer assim, porque não depende de nossa santidade, mas única e exclusivamente de Deus que se utiliza de quem Ele quer e quando Ele quer para fazer realizar sua vontade entre os homens -, são dados de forma diversificada a cada um e devemos colocá-los em prática para o bem comum. Muitas vezes são extraordinários e nem de longe devem ser o nosso foco. O que deve nortear nossa vida cristã, é a busca pela santidade, é a busca portanto, dos dons de santificação, para obtermos nosso fim que é estarmos preparados sobrenaturalmente para ver a Deus.

Os dons de santificação que devemos buscar, aperfeiçoam as nossas faculdades e nos dão o poder imediato de praticar atos deiformes, sobrenaturais e meritórios, e também nos capacitam a receber as graças atuais, estas que Jesus nos mereceu e facilitam nossos esforços e vitórias. Elas nos iluminam a inteligência, fortificam a vontade e ajudam a praticar atos e a aumentar assim o capital de graça habitual ou santificante que nos foi concedido.

Sem a graça santificante ninguém chega ao céu. A efusão pode acontecer e devemos sim pedir o Espirito Santo, mas focando no correto para que muitos possam se achegar a Deus, através da santificação e no crescimento dela rumo a perfeição, que é próprio dos escolhidos e filhos de Deus. 

A questão é que a RCC foca nos efeitos da efusão - (e aqui brigo pelo termo e acho que ela deve obedecer os bispos e não documentos externos a nossa realidade e não vejo nenhuma dificuldade nesta obediência) - como sendo os carismas e é isto que está errado no ensinamento da RCC, que foca neles como poderosos o suficiente para trazer os mortos e frios de volta a casa ou mesmo reaquecê-los, dentro da própria casa. Só que quem nos reaquece é a graça, a união em comum, a oração constante, a busca pelas virtudes, a rejeição ao pecado, o servir a Deus e amá-Lo acima de todas as coisas, tudo isso, com o pé no chão, sem levar em conta sentimentos, mas baseados na razão, crendo na palavra de Deus que não falha.

Não precisamos deles para renovar a alma dos católicos, precisamos das graças sacramentais, da compreensão do que seja nosso culto de adoração a Deus, onde temos esta mesma graça renovada pela Santa Eucaristia. Precisamos de ensinamentos corretos sobre o sacramento da confissão, onde e somente nele é nos resgatada a graça perdida pelo pecado mortal, (fora o Batismo sacramento, claro) graça está que em sua falta nos priva o céu.

A RCC tem ótimas intenções, mas foca no errado, a meu ver fruto de ensinos não católicos, de fontes não católicas, mas ai já é outra história. Porque jamais vi um documento sequer focado na Teologia Mistica de nossa Igreja, nem ao menos um.

Veja o que nos diz a Apostila Paulo Apóstolo sobre os mesmos: O dinamismo da efusão do Espírito de Deus na Renovação se manifesta em inúmeros frutos. Um deles compõem a trilogia que melhor nos identifica. Estamos falando dos carismas; precisamente, da prática dos carismas. Não trataremos simplesmente da aceitação dos dons do Espírito, mas sim de uma prática sensível, palpável, efetiva, real.

A questão é que não é simplesmente os dons , eles são importantes para por em ação, juntamente com as virtudes, a graça que nos faz santos, eles são importantes e são o meio ordinário de crescermos em santidade, que é realmente o que importa na vida cristã. É certo que Deus nos chama a exercer os carismas para o bem comum, mas isto é serviço e nada acrescenta em nossa caminhada. Somos servos inúteis e não fazemos mais que nossa obrigação, que é servir a Deus nos irmãos.

O mérito de nossas ações, como cristãos, consiste em fazer tudo na graça, e ela está presente no batizado, no crismado em plenitude e não através da efusão, como nos diz a apostila da RCC. Só terão méritos se unidas a Cristo, por amor a Deus. Isto está longe de se focar em carismas. A efusão nos ajuda a estar alertos para aluta e neste aspecto ela é importante, mas não para exercermos dons extraordinários.



A questão nem é de terminologia, mas de essência mesmo. Buscar o que nos pede o Senhor, e isto já nos foi revelado por 2000 anos, e a ação do Espírito sempre foi a mesma. É certo que no início do Cristianismo, houve mesmo manifestações públicas em maior número, mas foi para uma época em que não se tinha tanto acesso a Palavra como hoje.
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Os carismáticos com certeza não aceitam esta tese, mas pergunto eu, baseado em que, se diz que hoje precisamos dos carismas mais do que a graça que opera no silêncio e na luta entre carne e espírito? Onde foi que o Espírito Santo mudou de rumo? E quem são os santos e documentos do santo magistério que nos diz isso? Só porque o Papa Leão em sua catequese chama o divino Espírito de o Divino Desconhecido, não quer dizer que Ele clamou carismas, mas sim uma compreensão da sua presença atuante no mundo e na Igreja, convocando a todos a uma santidade perfeita na compreensão de sua ação santificadora nas almas, que repito, não mudou com o tempo.

Precisamos de santos tanto quanto antes, precisamos de bravos católicos tanto quanto antes, pois os tempos são maus como foram em todas as épocas. Este tempo não é pior que os outros, mas é um tempo que o Espírito Santo quer ainda fazer santos, e Ele age em quem se abre à luta, buscando seus auxílios que são muitos.

De onde veio esta nova teologia? Quem são os teólogos deste tempo? Quem são os teólogos que dirigem a RCC? Se formos ler todos os ensinamentos do Papa, todos os documentos, os livros que temos acesso, veremos que ele não muda uma linha sequer do que a Igreja já ensinou a séculos, mesmo que seja neste tempo de RCC.

Ora, ele acolhe os membros da RCC porque são ovelhas, amadas ovelhas, mas muitas vezes ovelhas que de tanto querer trazer o novo, trazem o incorreto. Temos um trilha segura a seguir, e no entanto, muitos tem cavados trilhas perigosas, que ao invés de levar muitos ao caminho, desviam. É certo que as graças de Deus abundantes ali, foram suficientes para muitas conversões, mas isto é fruto da presença do Espírito, que tem sede de santos e não dos carismas, que definitivamente são acessórios e podem desviar mais que converter, sob pena de se rejeitar a Deus quando Ele não os manifesta.
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Repouso no Espírito 
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Muitos Santos tiverem a experiência do repouso no espírito, como o próprio São Pe. Pio. O que não significa, evidentemente, que tenha sido aos moldes carismáticos da coisa (que também me preocupa da forma como é dado)

Agora, algo que me intriga é um fenômeno em Medjugore. Lá, os peregrinos que estão lá por diversos motivos, gente simples e sequer ligados à RCC, repousam de uma forma muito similar e em grandes quantidades também. O que me leva a pensar que talvez a eficácia do repouso dependa muito de quem 
administra (se este for um termo adequado) a oração, quem intercede, as circunstâncias do local, etc; talvez estes repousos não tenham nada a ver com as experiências místicas dos santos, mas tenham a sua eficácia garantida por outros fatores, e acabaram recebendo a mesma alcunha por falta de outro termo apropriado. É a mesma história do dom de línguas versus oração em línguas, fenômenos distintos.

Claro, não descarto a hipótese provável de que o molde carismático tenha sido influenciado pelas Assembléias de Deus e cia. ltda, desgraçadamente. 

Sou contra a banalização do repouso no Espírito. Com certeza, são muito poucos os que chegam ao grau de ter uma experiência dessas. 

Fenômeno não raro da mística cristã também, em caso de extremo êxtase, era a levitação de grandes santos, como São Francisco de Assis e Santa Gemma Galgani... Por que será que não vejo ninguém levitando hoje em dia e vejo tanta gente caindo?

Uma reflexão com as palavras do confrade Rafael Vitola Brodback:

A santidade é ordinária para os dons, mas não precisa ser uma santidade heróica. Basta estar em graça. Ainda assim, que eu me lembre, mas não estou em casa agora, é possível, em tese, a ação de dons carismáticos (gratis date) em almas que não estejam nem na via purgativa nem a unitiva. Até porque existe santidade na via iluminativa: quando alguém que está nessa via se confessa, não altera de via, mas está, ao menos naquele momento, justificado.  

Nenhuma das vias é absoluta. Os fenômenos místicos extraordinários (que se dividem em fenômenos divinos intelectuais e fenômenos psicofisiológicos) acompanham, em regra, a via unitiva, i.e., aquela fase em que a alma já nem luta contra o pecado venial, mas apenas está absorvida em Deus, coisa reservada a poucos santos. Dentre os fenômenos divinos intelectuais estão as graças gratis date, também chamadas de dons carismáticos. E entre os psicofisiológicos estão a levitação, os estigmas e outros, como o êxtase que hoje é conhecido como repouso no Espírito Santo.

É certo que os psicofisiológicos são coisa própria da via unitiva, pois decorrem explícita e diretamente da contemplação infusa que caracteriza tal via. Daí que a levitação ou o repouso no Espírito sejam específicos de quem está em tal via.

Todavia, os dons carismáticos, embora ligados à via unitiva, têm a função de servir aos demais, de modo que nada impede sejam manifestados em almas que estejam em outras vias. Os teólogos mesmo dizem que é perfeitamente possível pessoas de outras religiões terem recebido dons de ciência e profecia, ainda que os usem de modo equivocado ou sem a necessária purificação que dá a graça santificante. São próprios da via unitiva, mas é possível que o Espírito Santo se sirva de almas nas demais vias para edificar a Igreja. Os dons infusos santificam e crescem à medida de nossa santidade, mas os dons carismáticos (graças gratis date, espécies de fenômenos divinos intelectuais) não dependem estritamente da santidade. O normal é que se manifestem na via unitiva ou, no mínimo, na purgativa, ou, pelo menos, na iluminativa quando a alma está em graça. Penso, entretanto, e não há evidência nos melhores teólogos, de que a alma em pecado não possa conservar o dom carismático, ainda que só em tese.

Além disso, penso que mesmo os psicofisiológicos podem, em ocasiões extremamente raras, manifestar-se em pessoas fora da via unitiva.

Isso não significa que aprovo a ordinariedade daquilo que é extraordinário.

Mesmo que os dons carismáticos e os fenômenos psicofisiológicos (como o repouso) possam se manifestar em almas nas vias iluminativa e purgativa, e ainda em pecado, isso não nos autoriza a pensar que são habituais, comuns, banais.

Minha contrariedade não está em que só as almas na via unitiva manifestam dons, e sim em que parecem ensinar alguns que são coisas habituais.

Os dons extraordinários NÃO são para a santificação do fiel nem fruto de sua santificação. Eles são para a santificação DOS OUTROS. O Espírito Santo pode usar o instrumento indigno para que outros se santifiquem. Se faz através dos dons naturais, faz com os sobrenaturais.

O fato do Espírito Santo usar de um meio mau não faz com aprove o pecador. Um pecador pode ter dons carismáticos, mas não terá é mérito por usá-los. Ele é canal apenas, e para a santificação dos demais, não para a própria. 

A RCC é e será um benção para a Igreja a partir do momento que for dócil a ela e ouvir nosso Papa, começar urgentemente a conhecer a doutrina, deixar de estimular tanto a busca exagerada dos dons e mostrar de fato e via de santidade pelo qual todos tem que passar. Deixar seus discursos relativistas e mostrar de fato que somos pecadores, que precisamos mudar de vida e que Deus não é uma vovózinha indulgente, que tem sim misericórdia, mas que sobretudo não deixa de ser justo.

Há muita conivência com o pecado e isto é um erro... Precisamos mostrar a verdade, mas para isso precisamos conhecê-la e amá-la, se não seremos cegos guiando cegos.

A RCC não pode estar à parte da Igreja, tem que caminhar com ela, e para isso muitas vezes terá que renunciar a seus estudos particulares, para inserir no ser paróquia.

Creio que está na hora de aprendermos a verdade, para sermos de fato santos e agradáveis a Deus.. Estou disposto a ajudá-la, se ela estiver disposta a aprender, e tudo, tudo para a real Glória de Deus, que Cristo cresça e para o bem de nossas almas.
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PARA CITAR ESTE ARTIGO:

No Brasil, não à RCC protestante!

David A. Conceição, 12/2012 Tradição em Foco com Roma.

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