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Novela Rainha da Sucata e a questão da ecologia

E o Canal Viva nos presenteia com mais um sucesso da teledramaturgia brasileira dos anos 90. Rainha da Sucata. Destaque para as trilhas sonoras "Into My Life" – Colin Hay Band e "Listen To Your Heart" - Sonia

“Maria do Carmo enriquece com os negócios do pai, o vendedor de ferro-velho Onofre (Lima Duarte), e se torna uma bem-sucedida empresária, mas mantém os hábitos de seu passado humilde. Ela mora com o pai e a mãe, Neiva (Nicette Bruno), no bairro de Santana, na zona norte de São Paulo. Apaixonada por Edu Figueroa (Tony Ramos), que a desprezara e humilhara na juventude, ela decide “comprá-lo”: propõe casar-se com ele para ajudar sua família, de origem tradicional, mas à beira da falência. Edu aceita a proposta, e a emergente, após o casamento, vai morar no casarão dos Figueroa, nos Jardins, sofisticado reduto da cidade. Na nova casa, Maria do Carmo passa a viver um pesadelo por causa de Laurinha, madrasta de Edu, que é obcecada pelo enteado e faz tudo para conquistá-lo, não deixando a “sucateira” em paz. Além do mau casamento e da perseguição de Laurinha, a empresária começa a ver seus negócios darem errado por culpa do administrador Renato Maia (Daniel Filho), em quem ela confiava plenamente. Renato, na realidade, é um corrupto que aplica um golpe em Maria do Carmo.”  Fonte

A emissora definiu que a substituta de “Que Rei Sou Eu?” voltará ao ar no dia 21 de janeiro na faixa das 0h15.

O católico e a questão ambiental 

A idéia que o Santo Padre tem sobre o meio ambiente é: Não se pode limpar a sujeira exterior, se não limparmos primeiro a sujeira interior que há no homem. Não necessariamente nessas palavras, mas a idéia é a mesma. Em resumo: não se pode querer "salvar matas, animais em extinção, poluição, etc, se antes não purificar o coração do homem, que faz tudo isso, sempre na ganância em querer seu próprio bem estar, esquecendo-se do próximo, e de que outros vão habitar esse mundo depois que partirmos dessa vida.


Sim, nós devemos cuidar da Criação, mas devemos fazê-lo pelos motivos corretos, não porque "o mundo está virando um microondas" como dizem os seguidores do Al Gore ou porque "A Natureza é nossa mãe" como dizem neo-pagãos e afins.

Devemos fazer simplesmente porque é a coisa certa a fazer. Não devemos ser contra o cuidado com a natureza, e sim contra as mentiras que inventam a esse respeito.  

Não podemos fazer pouco caso das pessoas que lutam para um maior zelo pela criação. É verdade que quem se envolve muito com isso acaba se alienando, criando falsas crenças, cultivando princípios incompatíveis com a fé e até mesmo abrindo mão de sua fé e sua vida espiritual para ficar apenas no ativismo. Mas isso tudo é casual, não podemos generalizar.

Penso que devemos discutir os princípios, para estarmos sempre bem-informados. 

Só um exemplo entre tantos: quem não tem a consciência de que o homem é imagem e semelhança de Deus (mesmo que implicitamente, sem ter apreendido isto pela fé), e se envolve de alguma forma com o cuidado de animais, tende a acreditar que a vida animal vale tanto quanto a humana. Não é preciso nem entrar para uma ONG ecológica, as vezes basta um curso de veterinária.

É evidente que não sou contra as ONG's ecológicas, muito menos contra os cursos de veterniária. Seria louco se assim pensasse. Vejo, sim, uma imensa necessidade de reeducarmos o povo em um substrato moral que simplesmente foi perdido na modernidade.  
O alarde em torno do aquecimento global é uma das expressões modernas do ódio a civilização ocidental. 
Isso me lembra que destruir ovo de tartaruga é crime, salvo engano, inafiançável, enquanto matar seres humanos...
No n. 48 da Caritas in Veritate o Papa diz:"Na natureza, o cristão reconhece o resultado maravilhoso da intervenção criadora de Deus, da qual o homem pode responsavelmente se servir para satisfazer suas legítimas exigência-materiais e imateriais- no respeito aos equilíbrios intrínsecos da própria criação falta essa perspectiva,o homem acaba ou por considerar a natureza um tabu intocável ou, ao contrário,por abusar dela. Nem uma nem outra destas atitudes corresponde à visão cristã da natureza, fruto da criação de Deus"
 
Há li relatos de ambientalistas de que o homem é superior  mas que não mais inteligente do que os animais. Citando por exemplo golfinhos que só quem está com eles diariamente sabe do que aqueles bichos são capazes e além de tudo são muito carinhosos.

Não?

Bem, eu nunca vi um cachorro usando facebook (já vi gente fazer perfil pro cachorro...rs), nem um cavalo pegando ônibus, ou uma capivara pintando um quadro... Muito menos um chimpanzé escrevendo um livro.

Tem certeza que não somos muitos mais inteligentes que os animais, não?

Ou será que a essa hora os animais estão em grupo se perguntando o mesmo? 

Capazes eu acho que sei.

Golfinhos carinhosos? Os mesmos animais super inteligentes que matam suas crias?

Humm. É, nesse ponto o homem é animal mesmo, pois, ao passo de que é crime quebrar um ovo de tartaruga, por outro lutamos pelo direito de matar nossos filhos... tal qual o carinhoso golfinho que também mata seus filhotes.
É necessário lembrar que a distinção entre o homem e as demais criaturas não de dá em primeiro lugar no plano físico - andar, falar, escrever - mas no plano espiritual: o homem possui alma espiritual, mortal, e as demais criaturas apenas alma material, mortal.

Não podemos confundir inteligência com raciocínio. E instinto com ambos. São três coisas completamente diferentes.

Instinto é um impulso carnal movido pelos ânimos mais primários do ser, ligados às sensações e sentimentos, que no caso dos animais se dão quase que sempre de forma hormonal. Por exemplo, o instinto do cachorro atacar um gato. Ele não teme que "pensar" no sentido de formular uma idéia para fazer isso, tampouco o faz porque o considera "correto". Faz porque seu instinto é esse, simplesmente.

Raciocínio é a capacidade de deduzir efeitos e resultados a partir da articulação de dados que nos chegam pelos sentidos. Os animais têm raciocínio, pois sabem mover seu corpo de tal forma que lhes seja possível andar, comer, pular, etc. Diferentes espécies de animais podem ter mais ou menos facilidade de raciocínio para problemas mais complexos como montar um quebra-cabeças ou descobrir a bolinha abaixo do cone embaralhado.

Já a inteligência é um conceito que não tem uma definição unívoca. Mas se analisarmos sua origem semântica, intelligere, ou seja, inter-ligere, "ler por dentro", podemos ter uma ideia do que se trata. Poderíamos dizer que se trata de "ler", ou "apreender" os fatos por dentro de suas aparências, na sua essência, no seu significado real, e não apenas como se tudo fosse um instrumento acidental de que eu disponha ou descarte.


Um cachorro não intelige a comida que come. Ele sente vontade de comer e come. Um ser humano pode inteligir a comida, perguntar-se do que aquilo se trata, questionar a sua natureza, tratá-la como um objeto de estudo, descobrir suas propriedades. Claro, a maioria dos avanços científicos se dão pela maior abrangência da capacidade de raciocinar e memorizar, mas nada disso teria qualquer utilidade se antes não intligíssemos sobre os elementos e nos decidíssemos a empreender tal estudo. Assim, a inteligência é muito mais uma capacidade de decisão do que uma aguçada capaciadade de raciocínio. 

Da inteligência surge todo tipo de questionamento, que se encontra totalmente ausente nos animais. Inclusive, o questionamento do bem e do mal. A capacidade do ser humano de avaliar moralmente seus atos, apreendê-los como bons ou maus, é uma forma de inteligência. Mas ela aponta para uma realidade transcendente, divina. Por isso é que a inteligência serve à vontade e subsiste na capacidade humana de buscar o transcendente. E é isso que diferencia a alma humana da alma animal, e a faz "imagem e semelhança de Deus". (Gn 1,26) 

Defender certas causas não pode ser confundido com marxismo. Defender, por exemplo, que não se deprede a natureza, que não é bem de um homem em particular, mas comum a todos os homens, é um atitude justa e correta. Assim como também é uma causa nobilíssima defender os justos direitos dos mais fracos contra a opressão dos mais fortes, contra o roubo, a exploração, etc., pois o trabalhador é digno de um justo salário. Nada tem a ver com marxismo; é senso de justiça. 

Não é nem questão de ser criação divina, pois o mundo foi feito para o homem, mas o homem peca quando atua contra a razão. E nisso implica a devastação da natureza sem levar em consideração os direitos das populações futuras de usufruírem dos mesmos benefícios que ele. Santo Tomás diz que as coisas inferiores estão ordenadas às necessidades dos homens. Logo, se alguém acumula todas as fortunas da terra, ainda que por meios lícitos, está agindo ilegitimamente. Da mesma forma, eu entendo que não compete à ninguém extinguir uma espécie, ou destruir um bem que servirá às gerações futuras.

Finalizo essa reflexão com as palavras do confrade Rafael Vitola Brodback:

Devemos, como cristãos, defender uma concepção ecológica do mundo. Todavia, sabemos que o homem é superior não só às plantas, mas também aos outros animais. As criaturas infra-humanas estão aí para servirem ao homem. A necessária responsabilidade ecológica, sadia e equilibrada, não deve ser confundida com o pensamento politicamente correto dominante, que pretende, a todo custo, igualizar o homem e os outros seres, promovendo, v.g., costumes estranhos à filosofia católica, como uma pretensa imoralidade em alimentar-se de carne ou usar peles de animais etc. Ao antropocentrismo – ligado ao capitalismo “selvagem” e ao iluminismo liberal – não se deve contrapor um cosmocentrismo esquerdista que vê uma igualdade entre o homem e os demais seres.

Certo é que não devemos destruir o meio ambiente, mas daí a considerar que existem “direitos” dos animais e das plantas há um radicalismo de matriz notadamente pagã.

É na esteira desse ecologismo que já começam a existir leis que punem mais duramente os maus-tratos aos animais do que as lesões aos seres humanos, e mesmo proteções legais as mais esdrúxulas (obrigatoriedade de férias para os animais na Áustria, crime de vilipêndio ao cadáver de animais em várias partes da Europa etc – uma deturpação do autêntico e cristão Direito Ambiental, que parte, esse sim, da defesa de um meio ambiente saudável para o homem e por causa do homem, preservando-se a natureza para que a humanidade dela desfrute).
Assim como o socialismo, em sua crítica ao capitalismo liberal, cai no erro oposto, por causa de sua idêntica matriz filosófica e semelhante método de raciocínio; o ecologismo igualitário, para combater as mazelas do antropocentrismo – o qual, por vezes, parece justificar toda forma de agressão ao meio ambiente –, opta por uma visão cosmocêntrica, na qual seres humanos, animais e plantas são iguais. Tanto o antropocentrismo como o cosmocentrismo são equivocados. Num, o igualitarismo é entre todos os homens – erro. Noutro, estende-se à toda a Criação – erro ainda maior. Percebe-se que, por mais que o ecologismo cosmocêntrico critique o liberalismo antropocêntrico, o primeiro é apenas a radicalização deste último!

A indignação de certo movimento ecológico é justa, mas nem sua resposta nem a doutrina que o guia são adequadas. “Acontece que, ao deslocar o homem do topo até a base de uma estranha pirâmide sem degraus nem vértice, preconiza-se a cultura da morte dos direitos humanos, de sua inviolável dignidade de filho de Deus, irmão de seus irmãos e senhor da natureza. (...) O senhorio cultural do homem sobre a natureza funda-se em sua própria natureza racional e livre, portadora que é de um destino eterno, decorrente de um ser imagem de Deus. Quando a cosmovisão cristã situa o homem no topo da pirâmide, não lhe confere, sob hipótese nenhuma, poderes ilimitados sobre a natureza, já que também os valores de base possuem consistência própria. (...) Ao mandato bíblico de dominar a terra, e ao direito do homem de usá-la em benefício de sua auto-realização, corresponde o dever, contido no mesmo preceito, de cultivá-la e respeitá-la.” (CHEUICHE, D. Fr. Antônio do Carmo, OCD. op. cit., pp. 125-126)


Tenho sido alvo de criticismo - que é diferente de crítica - por conta de alguns tradôs anti-acordos por eu falar de novelas. Antes de mais nada, convido os mesmos para uma reflexão em cima de seus históricos de navegação.

PARA CITAR ESTE ARTIGO:

 

Novela Rainha da Sucata e a questão da ecologia David A. Conceição, dezembro de 2012, blogue Tradição em Foco com Roma.


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