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Fora da saia não há salvação!

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O fanatismo ideológico com o carimbo de modéstia tem sido tão áspero entre os membros da seita da saia  que já ouvi de uma delas que o uso da mesma santifica a mulher e o uso da calça chega ao status de pecado mortal. Chegaram ao ponto de transformar suas opiniões sobre a saia em doutrina católica e a proclamação do dogma intra muros de que fora da saia não há santificação. Não nos surpreende quando vemos o quanto se parecem com as caipiras da seita Assembléia de Deus. 
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A escolha de como se vestir bem é a maior atitude de modéstia (ou falta dela) que uma mulher pode manifestar. E modéstia está intimamente ligada à castidade. Em 1910 ver as canelas de uma moça era motivo para nego infartar. Em 1920/30 já era as pernas e em 1950 já era o braço. A prática do radicalismo modesto faz a pessoa parecer com os  judeus ortodoxos que fazem sexo no escuro e com um lençol entre ele e a esposa (de roupa, ambos).
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Um exemplo são as mulheres que vivem em um país onde o inverno de 6 meses chega a 30 graus abaixo de zero, o que não faz sentido é vestir duas calças para proteger as pernas do frio e ainda jogar uma saia em cima só para se dizer feminina.

Dentro da Igreja por uma questão de reverência, respeito à Tradição, as católicas são orientadas a se vestir de acordo com o código de vestimenta Dress Code, mas no dia-a-dia pode-se ir pela praticidade sim.
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Modéstia sempre! Mas sinceramente é preferível ver nossas filhas cobertas por uma calça comprida do que despertando a atenção dos homens exibindo as pernas em saias curtíssimas como as que são adotadas como uniforme em algumas escolas.

Em questão de doutrina somos radicais, mas em questão de comportamento, desde que suas atitudes ou gostos não sejam ocasião de pecado ou estejam em total desacordo com a moral e a fé, procuramos ser flexíveis. Não podemos confundir convicção com fanatismo e nem modéstia com puritanismo.
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Já li desde artigos de católicos tradicionais a “supostas mensagens” de aparições duvidosas de Nossa Senhora abordando a questão do uso das calças como “uso masculino” e reafirmo minha posição.
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Não entro no mérito de discutir usos e costumes. Já vi noivos de tradição escocesa se casando de saias rs tartan kilts e já vi igualmente mulheres de origem-hindu-asiáticas usando uma túnica comprida sobre calças na Igreja.
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Às vezes vejo mulheres  parecendo menonitas, confundem modéstia com cafonice. Eu prefiro não entrar no mérito da questão. Cada cabeça uma sentença. Dentro da Igreja eu obedeço ao Dress Code como obedeceria em um encontro com o Papa ou na entrada em um tribunal.
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Mas no meu dia a dia, me dou à liberdade de me vestir adequadamente, de acordo com meu estado de vida e idade, de acordo com a praticidade ou conforto sem fazer do vestuário um statement.
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Eu sei de mim que andando de bicicleta pelas rua, saltando de ônibus para metrô, tendo que usar uniformes no trabalho que não comportam saias, tenho que ir pelo que é mais prático. Nem tanto ao ar, nem tanto ao mar.
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Eu ainda cito outros exemplos, como uma policial católica tradicional e o uniforme dela é igual dos outros policiais homens. O que fazer? Ah sim... Ela também deveria deixar de ser policial que é uma profissão masculina. Há uma outra que trabalha de segurança no aeroporto. Igualmente, o trabalho dela não comporta  “saias. Agora, se formos discutir a fundo essas questões deveríamos nos perguntar por que os homens deixaram de fazer uso das calças? Ou seja, se os homens de hoje fossem como os de antigamente que conseguiam sustentar uma casa sozinhos para que a mulher desempenhasse apenas o papel de mãe e dona de casa, certamente que seria mais fácil para muitas ficar apenas dentro de casa usando saias e avental.Infelizmente os tempos mudaram. As mulheres passaram a usar calças porque os homens deixaram de usá-la.

Novamente repito, sou a maior defensora do dress code, da reverência, do respeito à tradição litúrgica, da separação entre sagrado e profano.
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Mas o modo como uma pessoa vive sua vida no ambiente secular, desde que não seja ofensivo à moral, desde que não seja contrário à Sã Doutrina, fica a critério da consciência de cada um e no tocante à intenção por trás desse ou daquele comportamento, esse fica a cargo do julgamento divino.

O fanatismo da seita da saia me fez lembrar de um sermão do padre da minha paróquia. O dress code está lá em um cartaz de todo tamanho para qualquer um ver. Mas alguns paroquianos se sentiam no direito de apontar o cartaz até para pessoas recém chegadas que estavam começando a descobrir a Tradição. O padre deixou claro que não iria permitir tal comportamento em que os membros afugentassem os novatos dali por causa de sua consciência escrupulosa

Recomendo que leiam CASTELO INTERIOR, MORADAS de Santa Tereza de Avila. Ela mostrava justamente como o demônio faz uso da consciência escrupulosa pra fazer com que algumas pessoas caiam justamente pela falta da caridade. O ardor em defender a fé é louvável. Mas vigiai para que esse mesmo ardor não seja ocasião de queda e pedra de tropeço para tantos que poderiam vir a trilhar o caminho da Tradição Católica.  

Já vi no facebook alguns tradôs  acusarem esse blog de promover a imodéstia. Mas quando foi que a página se opôs ao dress code ou negou a segui-lo? A seita da saia está querendo impor aos católicos tradicionais usos e costumes no cotidiano e na esfera secular como se tivessem autoridade para isso!

Eu tenho um bom orientador espiritual, e as questões que a seita bate a ferro e fogo já foram amplamente abordadas in person.
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Portanto, no meu dia a dia no meu trabalho vou sim continuar usando minhas “pantalones” que em nada lembram “vestimentas masculinas”. Tenho certeza que muitos homens não se sentiriam nem um pouco “masculinos” dentro delas.
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E dentro da Igreja, durante as funções litúrgicas ou atividades eclesiais continuarei obedecendo e defendendo o dress code. Os temas que elas abordam ( Cardeal Siri, Dom Castro Mayer ) em nada me afetam. Só me preocupo por aqueles que ainda são fracos na fé, não tem discernimento ou um bom conselheiro espiritual. Esses sim correm o risco de não adentrar os portais do conhecimento, devido aqueles que ficam na porta como pedra de tropeço.

Ao contrário dos muçulmanos, que tomam a frente e praticam até atos de terrorismo pra defender a heresia em que acreditam cegamente, os católicos parecem ter força apenas na língua e em foruns de internet. Na hora do joelho no chão e da mortificação, a maioria foge como ratos ao rugido do leão...rs Rezem mais, façam mais penitências. Porque o resto? Deus faz sua obra. 

Uma vez vi um vídeo em que Dom Fellay  em uma palestra dizia o seguinte: tente abrir um tubo de pasta de dentes, espremer e depois tenta voltar com o conteúdo para o tubo. Você consegue? Pode-se aproveitar alguma coisa, mas voltar com a pasta para o tubo é impossível.

Restaurar tudo como era antes é obra divina e não humana. Em uma sociedade em que as mulheres viviam só dentro de casa e o marido apenas trabalhava o discurso era outro. Os padres pregavam do púlpito contra a revolução. Hoje, eles mesmos são os agentes da revolução que ocorreu no mundo e na Igreja.

O que eu posso dizer é que quem quer que seja que tenha dúvidas a respeito de tais assuntos procure a orientaçao de um bom diretor espiritual. Não se deixem empregnar pelos ouvidos pelas militantes da seita da saia, porque um sacerdote e confessor é ainda a melhor bússola para orientar no tocante às circunstancias particulares de cada um.

Na vida cotidiana moderna muitas mulheres tem que obedecer ao dress code ou uniforme exigido em seu local de trabalho e dependem desse trabalho para sobreviver, porque vivemos em outros tempos, com outras exigências. Imigrantes por exemplo, precisam trabalhar o dobro dos nativos. Santo Tomás de Aquino já dizia que devemos usar o que legítimo de nosso tempo. Dentro da Igreja há um dress code bem claro e que deve ser obedecido.  

Não somos como muçulmanos que vivem fazendo pressão e movendo  “lawsuits para que as empresas se acomodem ao uso do véu ou hijab. Há muitas pessoas que frequentam a Missa Tradicional e no seu dia a dia trabalham como policiais, seguranças, na construção civil ( sim, mulheres também pegam no martelo para construir casas) e que até por normas de segurança NÃO PODEM USAR SAIAS ou tem que se adequar ao dress code ou uniforme de sua profissão.

Essas mesmas pessoas estão todos os domingos na Missa Tradicional, com suas saias, véus e missais. Educando seus filhos na sã doutrina e recebendo os Sacramentos. Eu nunca vi um só sacerdote dizendo esse absurdo de que elas deveriam largar seus empregos e encostar na assistência social do Governo porque não podem usar saias.  

O Evangelho fala de  “dar a César o que é de César e dar a Deus o que é de Deus”. O que de certa forma nos remete à essa discussão a respeito de normas de comportamento no ambiente religioso e na esfera civil.
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Vemos um testemunho de nossa leitora Fernanda Fernandes

Sinceramente, não vejo nada tão escandaloso assim. Dizer que é menos modesto que uma saia é ser um pouco simplório, visto que depende de fatores como corte e tecido, além dos complementos como blusas, casacos etc. Assim, como do próprio comportamento.

Uma saia micro ou um micro short, como está na moda, são sim imodestos. Uma legging usada fora de ambientes como academia e sem devidamente cobrir o quadril também é imodesta. Mas uma calça jeans, sem ser Gang não acho imodesta.

É igual falar também sobre usar mangas ou não. Na Missa, sempre cobrir o colo, e de preferência ir de saia. Mas no dia-a-dia não vejo mal em colocar uma camiseta sem mangas no calor. Temos que ver nosso cotidiano. Como o Papa falou no livro Amor e Responsabilidade, a roupa segue o costume e o ambiente.

Agora, uma coisa é certa: saias e vestidos são muito mais elegantes. E olha que uso quase diariamente calças jeans e tênis.
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Segundo a própria Fernanda, há uns meses atrás ela conversou com uma moça da seita da saia sobre exercícios. Ela sugeriu o seguinte: ou usar saia de tênis (que é muito mais curta que outras) ou fazer serviço doméstico.

Também disse que deveria sair da academia, pois é um ambiente masculino ou usar a saia. Mesmo argumentando que a saia ali seria imodesta, visto as posições dos aparelhos e iria atrapalhar, ela disse que era melhor. Ou então, simplesmente não fazer nenhuma atividade ou esporte porque são masculinos.

Também a mesma falou que não pode usar nada que seja de renda ou provocante, mesmo que para o marido. E sempre se deve dormir perfeitamente coberta, nada curto.

Aí acredito que seja da intimidade do casal. Se o homem for musculoso de academia, vai dormir sempre de camisa?

Ali eles são uma só carne.

Ele se cuida para ela.

Ela se cuida para ele.

Não vejo porque ter restrições entre o casal.
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Louvável é ver uma moça tentando se vestir decentemente. É ver que, a despeito da moda, essa moça não se rende ao uso de mini-saias, de top, ou de short à lá polpa do que vocês sabem bem o quê. É ver que ela, não quer usar uma calça que é quase uma cinta de drenagem linfática no corpo, ou uma saia que é quase uma faixa de curativo! 

Louvável é a batalha que essa moça trava nas lojas para demonstrar que para ficar bonita não é necessário ser vulgar, nem provocante!
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Não há uma só mulher que estiver lendo esse artigo que não saiba o quanto é difícil encontrar roupas nas lojas que não sejam indecorosas!

Agora não é o uso de uma calça que vai me diminuir!
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Como é que eu ia fazer uma trilha pela Floresta da Tijuca usando um saião?

Agora, não dá para encarar também, ouvir as blogueiras da seita da saia dizendo para as mulheres não fazerem atividades esportivas e os pais proibirem suas filhas de participarem de qualquer atividade física na escola!

Há muito mais do que Revolução e Contra Revolução na questão da vestimenta no século XX, e as mulheres não chegaram às calças por força de algum movimento revolucionário progressista. Mesmo os homens não usavam calças por muitos séculos, e que as calças vieram por praticidade para o indivíduo masculino.

Lembrem-se de que vivemos duas guerras de proporções inéditas no século XX. Vivemos, um pouco antes, uma inédita Revolução Industrial. Tivemos uma radical transformação no modo de viver, uma acelerada urbanização, um crescimento demográfico esplêndido, etc, etc. Seria cegueira jogar nas feministas a responsabilidade pelas calças e ignorar tudo mais. 
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As Guerras Mundiais foram grandes responsáveis pelo boom de mulheres no mercado de trabalho. Não questiono se isso foi bom ou ruim, não entro nesse mérito, mas esse é um dado da realidade, um fato. A praticidade antes requerida pelos homens, passou a ser requerida também por mulheres. Foi um processo gradual, que veio em parte de demandas práticas, e hoje definitivamente não é fator de escândalo, nem ocasião de pecado, tanto que a Igreja não condena calças compridas em mulheres. Para mim isso é suficiente para que eu também não as condene.
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O problema, penso eu, é que as militantes da seita da saia não estão discutindo modéstia. Está discutindo outra coisa. Estão discutindo Revolução e Contra Revolução. Ou seja, estão usando a modéstia para discutir Plínio Corrêa de Oliveira. O fato é que as saias enxergam o mundo em categorias de Revolução e Contra Revolução, e o mundo perfeito é a Idade Média romantizada, onde o Cristianismo era supostamente uma convicção absoluta, tudo era lindo e maravilhosamente católico, etc. Tudo que veio depois é a Revolução, essa entidade supra-sensível que dos fins da Idade Média até hoje causa tantas desgraças e etc, entre as quais o uso da calça. A calça, para eles, é um dos malvados tentáculos da Revolução, e combatê-la é uma necessidade urgente. Não se trata de modéstia, se trata de Contra Revolução.

Finalizando:

Se vós ou vossa mulher usardes ou não usardes calças, isso nem impede a vossa salvação nem leva a um aumento da sua virtude.” (Papa São Nicolau I, Carta ao Rei Bóris I da Bulgária, em 13 de dezembro de 866; PL, CXIX, 1002)
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PARA CITAR ESTE ARTIGO:

Fora da saia não há salvação!

Vanessa Laureano, 01/2013 Tradição em Foco com Roma.

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