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O ecumenismo da FSSPX

Extraído do site da diocese anglicana de Japi: (aspas nossas)
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MENSAGEM DO REVMº Pe BOUCHACOURT, SOBRE O ENCONTRO HAVIDO COM O SUPERIOR GERAL DA FRATERNIDADE SACERDOTAL SÃO PIO X, REVMº BISPO DOM FELLAY. .
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Monseñor,
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Le envio la foto tomada el dia de las confirmaciones en San Pablo. Fue un gusto de conocerlo este dia. Que se repite si Dios quiere.
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Le aseguro de mis oraciones respectuosas en Nuestro Señor y su santisima Madre.
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Padre Christian BOUCHACOURT.
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Por convite recebido da FSSPX, o "Bispo" Dom James esteve presente em palestra proferida pelo Superior Geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, na cidade de São Paulo-SP. No mesmo dia houve a celebração do Ofício da Confirmação e a celebração da Santa Missa segundo o Rito de São Pio V.
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Após trocar breves palavras com Dom Fellay, que muito gentilmente posou para foto junto ao "Bispo" anglo-tradicional, e a pedido do Sr. Secretário do "Bispo", nas dependências da atual sacristia da capela recém implantada em São Paulo, foi realizado encontro privado com o Revmº Pe. Maret, Prior da Fraternidade em S.Paulo.
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A amabilidade do Sr. Bispo Falley e dos padres Bouchacourt e Maret merecem registro, num espírito de autêntico ecumenismo e de comum defesa da Sã Tradição da Igreja.
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A todos da Fraternidade Sacerdotal São Pio X nossos agradecimentos pela acolhida, respeito e extrema amabilidade.


Ecumenismo não é irenismo nem indiferentismo religioso

Crêr em Cristo inclui em crêr e seguir tudo o que Ele nos propôs. E a Bíblia mostra , - se a lermos direitinho e interpretada corretamente -, veremos que Ele fundou uma única Igreja. Sobre ti edificarei a MINHA Igreja.  Então, além dela ser espiritual ela é também temporal e com uma estrutura visível, para que ninguém se perdesse no caminho.

Ele deixou bem claramente as notas que a identificam para que nos achegássemos a Ele e recebessemos os frutos de Sua paixão.


Existe uma comunhão imperfeita entre os membros das comunidades eclesiais e Igrejas separadas e a Igreja Católica. Isso é bem claro no Catecismo. Tal comunhão imperfeita, contudo, não nos impede de reconhecer uma única religião verdadeira e uma única Esposa de Cristo.  

Assim diz Bento XVI:

“certamente não temos de nos contentar com as êxitos do ecumenismo dos últimos anos, pois não podemos beber do mesmo cálice, nem podemos estar juntos ao redor do mesmo altar”.

“Isso nos tem de entristecer, pois é uma situação pecaminosa, mas a unidade não pode ser fruto dos homens, temos de nos encomendar ao Senhor, pois Ele é o único que pode nos dar a unidade. Esperamos que Ele nos leve a esta unidade”,
  


Medir palavras também não é característico do ecumenismo. O ecumenismo precisa pautar-se na verdade, até porque só se pode dialogar rumo à união, sabendo perfeitamente o que o outro pensa.

Em outras palavras, não há necessidade, nem aqui, nem em qualquer outro lugar, de ninguém mesclar a verdade. Basta explicá-la corretamente. Verdade é que até a frase "Fora da Igreja não há salvação" pode, se não for bem explicada, ser entendida de maneira herética, como se não pudesse haver salvação para os que se encontram fora do Corpo da Igreja. 


Pode-se se salvar pela Igreja de duas maneiras: com incorporação real ou pertencendo-lhe em voto. Todos os que têm caridade pertencem à Igreja em voto.

Alguns teólogos distinguem o Corpo e a Alma da Igreja. Desta forma, salvar-se-iam todos os que pertencem à Alma da Igreja. Os não-batizados, bem como os hereges e cismáticos, não pertencem ao Corpo da Igreja, mas poderiam pertencem à Alma da Igreja.

Outros teólogos já dão uma solução diferente e mais perfeita: da mesma forma como a alma humana não se estende além do corpo do homem, a Alma da Igreja não compreende uma extensão além do Corpo da Igreja. Para salvar-se é necessário pertencer ao Corpo-animado da Igreja, mas há duas maneiras de pertencer ao Corpo-animado da Igreja: de fato ou em voto. Nesta solução, a Alma da Igreja é o Espírito Santo, que a informa e vivifica.

 

A segunda solução é mais perfeita, porque, quando se não se identificam entre si o Corpo e a Alma da Igreja, ofusca-se a visibilidade perfeita da Igreja, e corre-se o risco de distinguir entre uma Igreja visível e outra invisível. Pio XII salientou, na Encíclica "Mystici corporis":

"14. Que a Igreja é um corpo, ensinam-nos muitos passos da sagrada Escritura: "Cristo, diz o Apóstolo, é a cabeça do corpo da Igreja" (Cl 1,18). Ora, se a Igreja é um corpo, deve necessariamente ser um todo sem divisão, segundo aquela sentença de Paulo: "Nós, muitos, somos um só corpo em Cristo" (Rm 12,5). E não só deve ser um todo sem divisão, mas também algo concreto e visível, como afirma nosso predecessor de feliz memória Leão XIII, na encíclica "Satis cognitum": "Pelo fato mesmo que é um corpo, a Igreja torna-se visível aos olhos". (4) Estão pois longe da verdade revelada os que imaginam a Igreja por forma, que não se pode tocar nem ver, mas é apenas, como dizem, uma coisa "pneumática" que une entre si com vínculo invisível muitas comunidades cristãs, embora separadas na fé."


O dom da caridade sobrenatural não é conferido apenas no batismo, mas é conferido ordinariamente no batismo. Os que alcançam a justificação pelo batismo de desejo, possuem o dom da caridade, como diz o Santo Ofício na famosa carta ao arcebispo de Boston:

"E não se deve nem mesmo pensar que seja suficiente um desejo qualquer de aderir à Igreja para que o homem seja salvo. Exige-se, realmente, que o desejo mediante o qual alguém é ordenado à Igreja seja moldado pela perfeita caridade; e o voto implícito não poderá ter efeito se o homem não tiver a fé sobrenatural"

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Os não batizados também podem se salvar. Aliás, é este o assunto principal da carta mencionada acima. De outra forma, não haveria santos que morreram catecúmenos. Quando Pe. Leo Trese coloca como pertencentes à Alma da Igreja alguns cismáticos, heréticos e os injustamente excomungados, tem necessariamente que incluir os catecúmenos, que, como os tais, não pertencem ao Corpo da Igreja.

Mas a sentença a que adere o Pe. Leo Trese, que é a dos teólogos mais antigos, de considerar a Alma da Igreja mais extensa do que o Corpo da Igreja, não é a que considero mais perfeita. A sentença dos teólogos mais recentes, da época de Pio XII, inclusive o Pe. Penido, considerava uma coisa só o Corpo-animado da Igreja, e dizia que a ele se poderia pertencer de fato ou em voto.

Quanto aos batizados, ainda que hereges e cismáticos, permanecerem como súditos da Igreja, isso é certo conforme citado no Concílio de Trento a esse respeito.  

 
Desde que a Igreja, que é depositária da verdade revelada por Cristo, ensina e difunde as práticas ecumênicas, como está no "Catecismo da Igreja Católica (a conversão do coração, a oração em comum, o conhecimento fraterno e recíproco, a formação ecumênica dos fiéis e especialmente dos presbíteros, os diálogos entre os teólogos e encontros entre os cristãos de diferentes Igrejas e comunidades, a colaboração nos diversos campos do serviço aos homens), não o ecumenismo irenista, mas o ecumenismo verdadeiramente católico, que busca o retorno de todos os cristãos ao único redil de Cristo, não há dúvidas ser esta também a vontade de Cristo. 

Jesus foi enérgico com os soberbos, mas foi também um exemplo de mansidão, principalmente com os humildes. Aceitou encontrar-se às escuras com Nicodemos, para mostrar-lhe a verdade do Evangelho, disse que devíamos caminhar duas milhas com aquele que nos mandasse caminhar uma milha. Dessa forma, eu penso que Jesus foi sim, um grande exemplo para nós de mansidão e de compaixão. E essa mansidão e compaixão pelas pessoas que estão no erro que motiva e que alimenta o diálogo ecumênico, bem como a aproximação com elas, sabendo que muitas ali não estão em cisma formal. 

Onde Cristo autoriza o ecumenismo onde? Na Bíblia? Bem, a Bíblia não contém todos os atos de Cristo, como diz João em seu evangelho.

O ensinamento da Igreja já é suficiente para entender que tal coisa é conforme a mente de Cristo, uma vez que a Igreja tem a mente de Cristo.

O ecumenismo se faz com religiões cristãs, portanto, que tem o mesmo Deus e o mesmo Cristo. Mas o diálogo também existe com pessoas de religiões não-cristãs e demais homens de boa vontade.  


Os textos da Igreja falam de encontros, oração comum, etc. Nesses encontros, é óbvio que o católico pode e deve expor com clareza a sua doutrina, até porque esse é o objetivo. 

Entre os irmãos ortodoxos, há muitos que são hostis ao catolicismo, tanto quanto podem ser os protestantes. Em termos de ecumenismo, não há diferença. Os ortodoxos têm conosco muitas tradições e doutrinas em comum, mas em relação a estar dentro ou fora da Igreja não há diferença: ou se está dentro da Igreja, ou se está fora dela. Não há meio-termo.

Isso significa dizer que, em relação aos erros que professam, os ortodoxos não estão em melhor situação do que os protestantes. O cisma não é algo melhor do que a heresia. Aliás, engana-se muito quem pensa assim. Marcos de Santo Teresa, no Compêndio Moral Salmanticense, considera que o cisma, por natureza, é o que separa da comunhão com a Igreja, e a heresia nada mais é do que uma forma de ser cismático.

Sigamos o ecumenismo, tanto com os irmãos ortodoxos, quanto com os irmãos protestantes, quanto com os irmãos nestorianos e monofisistas. Dentre eles, há quem possa não estar em pecado mortal, e, portanto, está unido espiritualmente à Igreja. E, mesmo os só batizados, conservam um elo com a Igreja Católica, tanto que permanece neles o dever de cumprir todos os preceitos da Igreja que lhes dizem respeito:

D-864. Cân. 8. Se alguém disser que os batizados estão de tal modo livres e isentos dos preceitos da Santa Igreja, quer constem por escrito ou por tradição, que não estão obrigados a guardá-los, salvo se, por sua livre vontade, quiserem sujeitar-se a eles — seja excomungado. (Concílio de Trento) 


Dom Fellay indo ao bispo anglicano vai como representante legal de Cristo e aos anglicanos fala, sem deixar de mencionar os aspectos essenciais. Com certeza não se corromperá e nem falará nada que seja contrário a verdadeira doutrina. Isto para mim é claro como água.

Diferente de nós leigos que podemos sim dialogar com os protestantes, mas ir em seus cultos não tem porque, afinal, já prestamos o verdadeiro culto a Deus na Santa Missa, já temos tudo e não falaremos a eles como Dom Fellay. O que poderá acontecer se acharmos que Dom Fellay está dando aval para relativizar com os hereges, é que muitos se contaminarão por falta de conhecimento, ainda sendo um mal testemunho quando passa aos outros a ideia de que nada tem de mal frequentar as seitas.

Tá certo, que o bispo será mal interpretado, mas fazer o quê, afinal quem melhor para dialogar do que ele? Quais os motivos reais que o levou a fazer isso? Não sabemos e nem podemos cogitar sem corrermos o risco de errar.

Tenho certeza que muita gente, católica naturalmente, pensa que o ideal é o irenismo e não mais a conversão. A situação se degradou de tal forma, que o sentir religioso se apagou de muitas almas e o catolicismo propriamente dito, para esta gente, deve ser apenas servir o homem, com as suas más paixões e defeitos em vez de servir a Deus. Tudo isto é fruto de um antropocentrismo exaltado, característico de uma sociedade que vai aos poucos perdendo a fé. 

Acho que antes de pensar em ecumenismo, deve-se lutar pela formação religiosa do nosso povo. Somente pessoas muito bem formadas em suas respectivas religiões podem tomar parte num diálogo ecumênico. O que distingue o diálogo do proselitismo é que o diálogo não impõe. O respeito à verdade por si próprio é que conduz à Verdade. 

Para quem interessar, aqui está o artigo Eles também não gostam do Ecumenismo sobre o que os protestantes pensam do Ecumenismo - e por incrível que pareça - eles tem mais ciência de que o Ecumenismo é para convertê-los para a Igreja do que muitos católicos que acreditam ser nada mais do que um relativismo religioso.  
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UPDATE (06/01/2013):
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Um leitor nos informou que o blog SPES republicou apenas o trecho inicial deste artigo com o título de Escândalo.
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Não nos surpreende pois sabemos que todos eles acompanham nossas postagens e visitam o site diariamente, mas a pergunta seria a seguinte: Por que não o texto todo? Com certeza seria um tiro no pé.

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Em menos de dois dias esse artigo chegou a quase 2 mil visualizações, ficamos satisfeitos que o número de almas que alcançamos para o bem delas é muito maior dos que a fazem mal com a ruptura a todo custo. 
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UPDATE (08/01/2013):
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Esse artigo foi mencionado no blog tradô independente espanhol Non Possumus
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Referências:

Catolicismo e Protestantismo – resposta ao livro “Roma, a Igreja e o Anticristo”, do Sr. Ernesto Luís de Oliveira, do Pe. Leonel Franca S. J.

Commentário Apologético do Evangelho Dominical – Pe. Julio Maria, S. D. N.

Curso de Apologética Christã, do Pe. Walter Devivier S. J.

Diccionario de Teologia Dogmática – Pe. Pietro Parente

Iniciação Teológica (Volume I: O Mistério da Igreja), do Pe. Dr. Maurílio Teixeira-Leite Penido

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PARA CITAR ESTE ARTIGO:

O ecumenismo da FSSPX

David A. Conceição 01/2013 Tradição em Foco com Roma.

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